sim, falo das comunidades das vilas, que no resto do brasil são taxadas de
favelas... eu não sei porque "ranço", orlando, porque eu tenho orgulho do
lugar onde nasci... sou cria da vila das bananeiras, area verde do lado do
presidio central, no pé do morro da cruz, irmã do campo da tuca, da maria
degolada, da volta da cobra... zona leste da cidade... e acho maior saco na
minha vida hoje em dia essa mania das pessoas levarem mais em consideração
quem tem monte de t´tiulo academico, monte de cartão de credito
internacional, contas bancarias com limites imensos para juros
exorbitantes...

tu sabia que, segundo relatório da onu, as pessoas mais felizes vivem numa
ilha onde não tem saneamento básico, energia eletrica, shopping center e
tudo isso que o capitalismo nos oferece de bem bom? disse uma amiga que são
mesmos felizes porque não tem contas prá pagar...

e quem está com o povo está com deus, hehehe.


beso



2008/8/11 Orlando G. da Silva <[EMAIL PROTECTED]>

> Tenho visto que às vezes é interessante não estar plugado no último e-mail
> para responder, na priorização da resposta imediata . "Let it be" salva
> corações dos ataques fulminantes. Rs Rs
>
> Estive vários dias sem ler esta lista e de repente me deparo com esta
> discusão (na falta de um termo melhor).
>
> Vou comentar com a pretensão de "perícia analítica de gestão". Porque acho
> importante.
> Quem quiser torcer o nariz, tudo bem, mas,  por favor,  pode procurar meu
> histórico antes de destilar veneno?! Está por aí na Rede.
>
> De tudo que li vou recortar a conversa em dois personagens e trechos de
> suas falas:
>
> *Felipe Disse:*
> 1. "tô falando de pensar uma arquitetura/estrutura que traduza toda essa
> coisa colaborativa pra não-iniciadxs."
>
> 2. "a onda é que tirando o regis, o hd, o glerm, eu e mais 2 ou 3, _nem a
> gente_ usa a tag metareciclagem nos posts da vida. quem tem usado é o mano
> lá do CDI e coisas piores que a gente já comentou aqui na lista, e aí sem
> querer a metareciclagem pode ser googlavada".
>
> 3. "quando a lelex falou em fazer algum tipo de declaração coletiva sobre a
> natureza pública da metareciclagem, eu respondi, com o hd, que não achava
> necessário explicitar isso... que o contexto em rede cumpriria esse papel.
> ainda acredito nisso, mas acho que a gente precisa falar mais. o silêncio
> ainda é fatal ;)
>
> *Eilabel Disse:*
> 1. "[Comunidades] porque trazem sentimento de pertencimento, porque se
> identificam se orgulham do lugar onde vivem, porque sabem que ali tem
> amparo, proteção, ajuda... as comunidades tem lideres comunitários... se
> pegar a essencia da coisa tu entende o espírito... então, não adianta
> transpor termos sem saber direito o que quer... para sermos uma comunidade,
> precismos pertencer a ela, construí-la, defende-la, morrer por ela se
> preciso for...""
>
> 2. "Porque se metareciclagem é movimento, com que direito podemos dizer que
> tal e tais não fazem metareciclagem? a não ser que exista uma declaração de
> princípios que diga o que é é e quem faz e quem pode e quem não pode e quem
> não quer...."
>
>
> Na minha realidade lido também com alunos de Graduação em Sistemas de
> Informação em final de curso. Pergunto-lhes se estão a par do que é um CMS
> ou uma Wiki. Há quem responda que não sabe do que se trata, apesar de
> estarem lidando com isto diariamente. Ou seja, muitos utilizam mas não
> diferenciam potencialidades nem diferenças essenciais. Quando
> o assunto é com estudantes de outras áreas(Administração por exemplo),
> aí nem se fala. Não penso que esta seja realidade apenas periférica
> "Paraíba" no Brasil, como tem muita gente que pode pensar num primeiro
> momento. Por isso, acho que iniciativas como a que Felipe mencionou no
> trecho 1 talvez sejam muito, muito importantes.
>
> Quanto ao trechos 2 e 3 de Felipe, destaquei-os para tratar da questão do
> "falar mais e silêncio fatal".* Isto obviamente  vai depender dos
> objetivos individuais com as coisas chamadas "metareciclagem"*. Se alguém
> tem pretençõe de interagir com o mundo corporativo, pode até querer brincar
> de acreditar em "organicidade", mas de fato as relações são estruturadas em
> elementos de poder e autoridade.
>
> Se o nome "metareciclagem" está sendo utilizado de forma indevida (nesse
> caso o otrecho 2 da Eilabel mata a pau) só vejo duas formas de combate a
> isso: a formalização normativo-legal de algo com o nome de "metareciclagem"
> ou uma convergẽncia, fluxo de pessoas marcando e comunicando mais forte
> outras atividades com o rótulo "metareciclagem" continuamente. Mas, para quê
> isso?!
>
> Se não for para lidar com interesses corporativos não faz sentido lutar
> pelo estabelecimento de uma identidade de marca para "Metarecliclagem". E
> ser for para lidar com intereses corporartivos, então, a formalização
> burocrárico-legal de alguns pilares é condição indispensável. Uma Fundação
> Talvez. Sob pena de ter o interesse corporativo explorando e lucrando com o
> nome e com pessoas envolvidas com "*metareciclagem"* simplesmente porque
> não há um contra-poder legitimado para limitar a ação corporativa. Se isto
> importa para alguém, melhor pensar nisto.
>
>
> Por último: Cara Eilabel, nas suas afirmações no comentário dois, por um
> momento tive a impressão de que estava utilizando o termo comunidade*também
> *para se referir aos morros e favelas da vida espalhados pelo Brasil
> afora.  É o caso? Porque fui criado numa favela próxima às mais famosas
> Jacarezinho e Mangueira no Rio de Janeiro e minha mãe foi
> "líder comunitária". Nesses casos, posso te dizer que quem diz que se
> orgulha do lugar que vive diz isso porque "precisa dizer". É como que uma
> oração diária para poder suportar a sua realidade frente à maravilha do
> mundo fora da comunidade que você não pode ter. Então, temos que criar
> "orgulhos" inventados. Interessantemente alguns se tornam verdades,
> outros continuam sendo apenas orgulhos inventados. Mas se você em
> momento algum pensou nestas comunidades ao falar, desculpe meu ranço.
>
> Espero sinceramente estar colaborando para a reflexção.
>
> Abraços,
>
> Orlando
>
>
> 2008/8/5, Felipe Fonseca <[EMAIL PROTECTED]>:
>
>> Ei metarex
>>
>> Pois tô aqui, chegando ao Brasil mais lentamente que imaginava.
>> Tô passando por uma fase de readaptação orgânica ao clima, e
>> isso tem me mantido um pouco afastado da internet. Mas tenho
>> pensado bastante no sentido disso aqui. Digo, essa lista, esse
>> nome coletivo, uma certa herança confusa de seis anos chamando
>> diferentes coisas de MetaReciclagem. Essa identidade compartilhada
>> carrega um monte de valores implícitos e explícitos, e sob essa
>> identidade compartilhada um monte de coisas interessantes foram
>> realizadas. Pra quem não tá habituado a essas histórias, tô tentando
>> documentar no Mutirão: http://mutirao.metareciclagem.org/
>>
>> Mas eu tenho me perguntado de maneira mais aprofundada sobre
>> a existência disso tudo. Acho que eu tenho uma certa nostalgia
>> por um tempo em que a MetaReciclagem reunia uma dúzia de
>> pessoas dispostas a fazer coisas juntas. Hoje a lista metarec tem
>> 368 pessoas, e pouco ou nada se articula por aqui. Acho que as
>> listas em geral são uma coisa um pouco defasada, e até cheguei
>> a começar a reorganizar o site da MetaReciclagem pensando que
>> ele pode virar um ambiente de articulação, mobilização, agenciamento.
>> Mas no processo tenho me perguntado cada vez mais se faz sentido.
>> Se ainda tem alguém interessado em usar um sistema como esse.
>> Em chamar as coisas que faz de MetaReciclagem, e com isso
>> contar com o apoio de outras pessoas. Ou se ainda tem gente
>> interessada em apoiar os projetos de outrxs.
>>
>> Acho que tem um ponto de limite, de agitação coletiva, que determina
>> a participação das pessoas: a partir dali, mais gente entra. Daí que
>> só faz sentido desenvolver uma estrutura que facilite essas coisas
>> se as pessoas forem usar.
>>
>> A MetaReciclagem começou em sampa, com um grupo de pessoas
>> que queriam pegar doações de computadores pra fazer coisas em
>> projetos 'sociais'. De lá pra cá, cresceu e se transformou um monte.
>> Não vou repetir essa história mais uma vez. Mas sempre havia algum
>> ponto de sinergia, algum elemento que mantinha as pessoas próximas,
>> as idéias fluindo, as ações pipocando. Hoje eu sinto isso vazio. Os
>> únicos que tão fazendo alguma coisa e contando pra todo mundo
>> por aqui são o Régis, o Rafa, o Paulo e a Silvana. Eu gostaria que
>> esse tipo de coisa, que acontece também em outros lugares, fosse
>> compartilhada mais vezes. Mas isso não depende só de estrutura.
>>
>> E aí pergunto: faz sentido eu pensar nisso? Faz sentido a gente
>> ter uma estrutura pra agenciar ações coletivas entre pelo menos
>> essas 368 pessoas que tão na lista e tantas outras que entram
>> a cada dia no site pelo google ou coisa parecida? Faz sentido
>> a gente pensar em uma estratégia de logística distribuída pra
>> aproveitar a exposição que a gente teve, e que até hoje continua
>> gerando contatos de pessoas e empresas que querem doar
>> seus equipamentos mas não sabem pra quem? Faz sentido
>> buscar um nexo, tentar encontrar pontos em comum e
>> possibilidades de ação conjunta? Será que ainda é possível
>> articular a idéia de 'comunidade' distribuída ou isso é coisa
>> de 2001?
>>
>> Enfim,
>>
>> saudades
>>
>> efe
>>
>> --
>> FelipeFonseca
>> ~motw - "o que nos mata é o vqv" ~
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