Tenho visto que às vezes é interessante não estar plugado no último e-mail
para responder, na priorização da resposta imediata . "Let it be" salva
corações dos ataques fulminantes. Rs Rs

Estive vários dias sem ler esta lista e de repente me deparo com esta
discusão (na falta de um termo melhor).

Vou comentar com a pretensão de "perícia analítica de gestão". Porque acho
importante.
Quem quiser torcer o nariz, tudo bem, mas,  por favor,  pode procurar meu
histórico antes de destilar veneno?! Está por aí na Rede.

De tudo que li vou recortar a conversa em dois personagens e trechos de suas
falas:

*Felipe Disse:*
1. "tô falando de pensar uma arquitetura/estrutura que traduza toda essa
coisa colaborativa pra não-iniciadxs."

2. "a onda é que tirando o regis, o hd, o glerm, eu e mais 2 ou 3, _nem a
gente_ usa a tag metareciclagem nos posts da vida. quem tem usado é o mano
lá do CDI e coisas piores que a gente já comentou aqui na lista, e aí sem
querer a metareciclagem pode ser googlavada".

3. "quando a lelex falou em fazer algum tipo de declaração coletiva sobre a
natureza pública da metareciclagem, eu respondi, com o hd, que não achava
necessário explicitar isso... que o contexto em rede cumpriria esse papel.
ainda acredito nisso, mas acho que a gente precisa falar mais. o silêncio
ainda é fatal ;)

*Eilabel Disse:*
1. "[Comunidades] porque trazem sentimento de pertencimento, porque se
identificam se orgulham do lugar onde vivem, porque sabem que ali tem
amparo, proteção, ajuda... as comunidades tem lideres comunitários... se
pegar a essencia da coisa tu entende o espírito... então, não adianta
transpor termos sem saber direito o que quer... para sermos uma comunidade,
precismos pertencer a ela, construí-la, defende-la, morrer por ela se
preciso for...""

2. "Porque se metareciclagem é movimento, com que direito podemos dizer que
tal e tais não fazem metareciclagem? a não ser que exista uma declaração de
princípios que diga o que é é e quem faz e quem pode e quem não pode e quem
não quer...."


Na minha realidade lido também com alunos de Graduação em Sistemas de
Informação em final de curso. Pergunto-lhes se estão a par do que é um CMS
ou uma Wiki. Há quem responda que não sabe do que se trata, apesar de
estarem lidando com isto diariamente. Ou seja, muitos utilizam mas não
diferenciam potencialidades nem diferenças essenciais. Quando
o assunto é com estudantes de outras áreas(Administração por exemplo),
aí nem se fala. Não penso que esta seja realidade apenas periférica
"Paraíba" no Brasil, como tem muita gente que pode pensar num primeiro
momento. Por isso, acho que iniciativas como a que Felipe mencionou no
trecho 1 talvez sejam muito, muito importantes.

Quanto ao trechos 2 e 3 de Felipe, destaquei-os para tratar da questão do
"falar mais e silêncio fatal".* Isto obviamente  vai depender dos objetivos
individuais com as coisas chamadas "metareciclagem"*. Se alguém tem
pretençõe de interagir com o mundo corporativo, pode até querer brincar de
acreditar em "organicidade", mas de fato as relações são estruturadas em
elementos de poder e autoridade.

Se o nome "metareciclagem" está sendo utilizado de forma indevida (nesse
caso o otrecho 2 da Eilabel mata a pau) só vejo duas formas de combate a
isso: a formalização normativo-legal de algo com o nome de "metareciclagem"
ou uma convergẽncia, fluxo de pessoas marcando e comunicando mais forte
outras atividades com o rótulo "metareciclagem" continuamente. Mas, para quê
isso?!

Se não for para lidar com interesses corporativos não faz sentido lutar pelo
estabelecimento de uma identidade de marca para "Metarecliclagem". E ser for
para lidar com intereses corporartivos, então, a formalização
burocrárico-legal de alguns pilares é condição indispensável. Uma Fundação
Talvez. Sob pena de ter o interesse corporativo explorando e lucrando com o
nome e com pessoas envolvidas com "*metareciclagem"* simplesmente porque não
há um contra-poder legitimado para limitar a ação corporativa. Se isto
importa para alguém, melhor pensar nisto.


Por último: Cara Eilabel, nas suas afirmações no comentário dois, por um
momento tive a impressão de que estava utilizando o termo comunidade*também
*para se referir aos morros e favelas da vida espalhados pelo Brasil afora.
 É o caso? Porque fui criado numa favela próxima às mais famosas Jacarezinho
e Mangueira no Rio de Janeiro e minha mãe foi "líder comunitária".
Nesses casos, posso te dizer que quem diz que se orgulha do lugar que vive
diz isso porque "precisa dizer". É como que uma oração diária para poder
suportar a sua realidade frente à maravilha do mundo fora da comunidade que
você não pode ter. Então, temos que criar "orgulhos" inventados.
Interessantemente alguns se tornam verdades, outros continuam sendo apenas
orgulhos inventados. Mas se você em momento algum pensou nestas comunidades
ao falar, desculpe meu ranço.

Espero sinceramente estar colaborando para a reflexção.

Abraços,

Orlando


2008/8/5, Felipe Fonseca <[EMAIL PROTECTED]>:
>
> Ei metarex
>
> Pois tô aqui, chegando ao Brasil mais lentamente que imaginava.
> Tô passando por uma fase de readaptação orgânica ao clima, e
> isso tem me mantido um pouco afastado da internet. Mas tenho
> pensado bastante no sentido disso aqui. Digo, essa lista, esse
> nome coletivo, uma certa herança confusa de seis anos chamando
> diferentes coisas de MetaReciclagem. Essa identidade compartilhada
> carrega um monte de valores implícitos e explícitos, e sob essa
> identidade compartilhada um monte de coisas interessantes foram
> realizadas. Pra quem não tá habituado a essas histórias, tô tentando
> documentar no Mutirão: http://mutirao.metareciclagem.org/
>
> Mas eu tenho me perguntado de maneira mais aprofundada sobre
> a existência disso tudo. Acho que eu tenho uma certa nostalgia
> por um tempo em que a MetaReciclagem reunia uma dúzia de
> pessoas dispostas a fazer coisas juntas. Hoje a lista metarec tem
> 368 pessoas, e pouco ou nada se articula por aqui. Acho que as
> listas em geral são uma coisa um pouco defasada, e até cheguei
> a começar a reorganizar o site da MetaReciclagem pensando que
> ele pode virar um ambiente de articulação, mobilização, agenciamento.
> Mas no processo tenho me perguntado cada vez mais se faz sentido.
> Se ainda tem alguém interessado em usar um sistema como esse.
> Em chamar as coisas que faz de MetaReciclagem, e com isso
> contar com o apoio de outras pessoas. Ou se ainda tem gente
> interessada em apoiar os projetos de outrxs.
>
> Acho que tem um ponto de limite, de agitação coletiva, que determina
> a participação das pessoas: a partir dali, mais gente entra. Daí que
> só faz sentido desenvolver uma estrutura que facilite essas coisas
> se as pessoas forem usar.
>
> A MetaReciclagem começou em sampa, com um grupo de pessoas
> que queriam pegar doações de computadores pra fazer coisas em
> projetos 'sociais'. De lá pra cá, cresceu e se transformou um monte.
> Não vou repetir essa história mais uma vez. Mas sempre havia algum
> ponto de sinergia, algum elemento que mantinha as pessoas próximas,
> as idéias fluindo, as ações pipocando. Hoje eu sinto isso vazio. Os
> únicos que tão fazendo alguma coisa e contando pra todo mundo
> por aqui são o Régis, o Rafa, o Paulo e a Silvana. Eu gostaria que
> esse tipo de coisa, que acontece também em outros lugares, fosse
> compartilhada mais vezes. Mas isso não depende só de estrutura.
>
> E aí pergunto: faz sentido eu pensar nisso? Faz sentido a gente
> ter uma estrutura pra agenciar ações coletivas entre pelo menos
> essas 368 pessoas que tão na lista e tantas outras que entram
> a cada dia no site pelo google ou coisa parecida? Faz sentido
> a gente pensar em uma estratégia de logística distribuída pra
> aproveitar a exposição que a gente teve, e que até hoje continua
> gerando contatos de pessoas e empresas que querem doar
> seus equipamentos mas não sabem pra quem? Faz sentido
> buscar um nexo, tentar encontrar pontos em comum e
> possibilidades de ação conjunta? Será que ainda é possível
> articular a idéia de 'comunidade' distribuída ou isso é coisa
> de 2001?
>
> Enfim,
>
> saudades
>
> efe
>
> --
> FelipeFonseca
> ~motw - "o que nos mata é o vqv" ~
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