Eu detesto ver solução de exercício antes de resolver (e não apenas tentar
resolver) sozinho. Pra mim, eu não entendo NADA de verdade se eu não consigo
fazer sozinho antes de alguém me dizer o que se passa. As soluções escondem
processos mentais essenciais. Não dá pra ler e ter a mesma experiência de
resolver sozinho. Por isso eu não gosto muito de aulas. Ah, e pra mim também
vale muito mais saber resolver problemas com vários níveis de raciocínios,
problemas que necessitam de insight, e a partir daí esbarrar na teoria, do
que ficar avançando e avançando, mas sendo capaz apenas de poucas proezas
com o que aprendeu.
Falei e pronto.

[], F

Em 8 de março de 2010 13:31, Bernardo Freitas Paulo da Costa <
[email protected]> escreveu:

> 2010/3/8 João Luís <[email protected]>
> >
> > Primeiramente, seria interessante que você explicasse qual é o raciocínio
> que usou para chegar ao seu cálculo 12! / (6!6!2!).
> Eu diria, ele usou a fórmula mágica para arranjos desordenados. E eu
> acho que ele acertou... se o problema fosse "quantos jogos podem ser
> feitos, com dois times de 6 jogadores". Porque daí, você "divide pelo
> fatorial do número de arranjos a formar" para chegar na resposta
> certa. Porque nem a ordem das pessoas nos arranjos, nem a ordem dos
> arranjos em si importa. Daí que vem o 2!; os dois 6! vêm dos dois
> grupos de 6 pessoas. Repare que o enunciado, com uma historinha
> completamente sem relação (torneio e tal), induz a pensar que o que
> você vai contar são os jogos diferentes, e não os times... Eu
> particularmente acho muito ruim essa de ficar "enrolando". É verdade
> que é importante saber o que se está pedindo, mas fazer "de propósito"
> um enunciado que induz a erro (e eu pensei isso a primeira vez que eu
> li, por isso acho que eu "adivinhei" a solução do Graciliano) não mede
> o real conhecimento matemático do candidato. (ok, pode ser que eles
> queiram medir outra coisa)
>
> > A solução desse problema é bem simples: trata-se de escolher um time de 6
> jogadores de um total de 12. Formado esse primeiro time, o segundo estará
> automaticamente formado também, uma vez que restam 6 jogadores (o outro
> time) depois de feita essa escolha.
> >
> > Observemos também que, nessa escolha, a ordem não determina nanhuma
> diferenciação entre os agrupamentos ("times") formados, já que o time ABCDEF
> é obviamente o mesmo que DECBFA, por exemplo.
> >
> > Nessas condições, o número de agrupamentos possíveis é dado por C(12,6) =
> 924.
> >
> > Vou me meter agora a te dar um conselho; não me leve a mal, é
> construtivo, minha intenção é unicamente ajudar: esse problema é bem
> simples, como você viu. Creio que com um pouco mais de esforço você teria
> chegado à solução correta. lembre-se de que aprender matemática requer um
> esforço considerável para resolver exercícios.
>
> Eu concordo, em parte. Acho que matemática requer muito esforço sim,
> mas não (somente) para resolver exercícios. Eu diria, muito mais para
> compreender o que se está fazendo. Uma vez que você entende direito o
> que está escrito no problema, o que você gostaria de fazer, etc, etc,
> fica fácil. E em geral, se aprende vendo várias formas diferentes,
> várias situações, que fazem a cabeça trabalhar. E o método que é mais
> usado hoje em dia é fazendo 10000 exercícios. Não vou dizer que é
> ruim, funciona bem, muitas vezes, mas só "saber fazer um monte de
> exercícios" tá longe de ser suficiente para que eu diga que alguém
> aprendeu matemática. (Em geral, esse caso não acontece, porque as
> pessoas acabam "pegando a intuição" e se liberando dos exercícios, mas
> eu já vi exemplos de "máquinas de exercícios"...)
>
> > Um abraço,
> >
> > João Luís.
>
> abraços
> --
> Bernardo Freitas Paulo da Costa
>
> =========================================================================
> Instruções para entrar na lista, sair da lista e usar a lista em
> http://www.mat.puc-rio.br/~obmlistas/obm-l.html
> =========================================================================
>

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