Bem rica a discussão :D De novo, vou ser fazer-crático e exprimir minha opnião.
Ouvindo os comentário, acho que podíamos aproveitar o convite feito na thread do GT de governança pelo Oda para conversarmos sobre as perguntas daqui: https://docs.google.com/document/d/1_6Cz4R8_XvOCXCn9akrM3aRnVl0Z53r4gOyuKLBKn8k/edit e discutirmos aqui o que, de março para cá, funcionou e não funcionou, como pede o Andres, ressaltando o importância do engajamento para a governança, como muito bem colocado pela Natássya e definindo o assunto da discussão, como prescrito pelo Edgar. Me atrevo a dizer que há uma tensão política que extravasa a discussão do tema valores da OK-Br e impactos na governança da organização. Sendo assim, como novato e empolgado com a pujança intelectual, política e organizacional do grupo, peço que deixemos por ora as desavenças de lado e nos entreguemos ao que há de mais importante: Querer um mundo onde o conhecimento livre esteja presente em todo nosso cotidiano, tanto online como offline. E promover o conhecimento livre por acreditar em sua capacidade de gerar grandes benefícios sociais. Acham que o tema valores da OK-Br e impactos na governança da organização define bem o que se discute aqui? Seria preciso estreitar ainda mais o assunto para sermos mais produtivos? Espero estar contribuindo positivamente. Caso não esteja, por favor, me indiquem um melhor caminho. Abraço, Gustavo ps- Vocês são como uma injeção de café na veia para mim 2015-08-13 9:51 GMT-03:00 Edgar Zanella Alvarenga <[email protected]>: > On 13/08/2015 13:31, Andres MRM wrote: > > Correndo o risco de voltar para a discussão filosófica, que era justamente >> o >> que estava tentando evitar... O texto que o Edgar passou defende que é >> preciso >> ter igualdade de oportunidade para a meritocracia valer? (porque foi isso >> que >> eu entendi olhando BEM por cima) A ideia que eu estava comentando, >> representada pelo trecho que peguei da página da wiki, é que não existe >> igualdade de oportunidade. Pequenas diferenças na vida de uma pessoa (no >> trecho fala de ser o primeiro ou segundo filho) farão com que ela tenha >> motivações, aptidões, visões de mundo distintas, não fazendo mais sentido >> você >> usar a mesma métrica para pessoas distintas. >> > > Andres, o texto que eu passei não "defende" (necessariamente) nada. É um > texto filosófico sobre o conceito que está por trás em diferentes cenários > da idéia de meritocracia e igualdade de oportunidade. E expõe diversos > problemas e críticas, incluindo a falta de definição de métricas e outros > problemas com o conceito e possíveis soluções. Mas reitero que isso varia > de situação pra situação. Se estivermos falando num contexto econômico os > problemas e motivações são distintos do que se estivermos pensando em > aplicar num modelo organizacional. E repito: meritocracia não implica > verticalidade (como não implica a ausência dela)! > > Veja a relação próxima entre igualdade de oportunidade com meritocracia > nesta seção: > > http://plato.stanford.edu/entries/equal-opportunity/#EquOppMer > > Mas ainda não ficou claro o que se tem em mente ao se propor meritocracia > numa organização como a Open Knowledge. Pode-se estar pensando, por > exemplo, na escolha de pessoas em cargos bem definidos (conselho fiscal, > coordenadores de projeto, equipes atuando em projetos, etc). De certa forma > ao se pensar nesses cargos pode-se dizer que está sendo definida uma > hierarquia visando maximizar a eficiência/alcance dos objetivos comuns/bom > andamento organizacional ou dos projetos. Mas a escolha de quem irá atuar > em cada cargo pode ser realizado de forma horizontal, por exemplo se > tivesse um sistema de votação onde todos os membros da organização pudessem > participar. Mas daí recai na questão de quem é considerado "membro" e qual > sistema utilizado no processo decisório. > > Entenda que por trás do conceito "igualdade de oportunidade" está a idéia > difícil de ser alcançada na prática de que todos deverão possuir as mesmas > oportunidades (seja pra pegarem um cargo, vaga numa empresa, vaga numa > faculdade, etc), sem privilégios baseado em castas, grupos étnicos, classes > sociais, relações familiares, enfim. Daí pensa-se que a escolha deverá ser > feita apenas baseado no "mérito" que obviamente vai depender completamente > do contexto que estiver discutindo. O grande problema é que, sim, pode-se > cair em profecias que se auto realizam e acabar utilizando isso como > argumento pra perpetuação de preconceitos. Pense por exemplo no sistema de > vestibular para universidade públicas no Brasil. Pode-se argumentar que > quem entra é escolhido pelo mérito, quem estuda mais, quem é mais > comprometido. Mas isso desconsidera completamente a história, os diferentes > contextos culturais e educacionais num país com tanta desigualdade como o > Brasil. Se quiser ver outros bons exemplos onde o conceito meritocracia foi > utilizado para justificar a perpetuação de preconceitos eu sugiro o livro > (não só por isso, mas também por o livro ser excelente food for thought, > mesmo que não concorde com tudo que ler lá) "Sapiens: A Brief History of > Humankind" do historiador Yuval Harari, quando analisa as desigualdades > econômicas e sociais da população negra nos EUA que persiste até hoje mesmo > após o término da escravidão (argumenta até que aumentou!). > > Ou se formos pensar no contexto acadêmico, quem recebe promoções de > cargos, verbas para projetos, bolsas etc Pode-se argumentar que > organizações como a USP/Fapesp/CNPq fazem isso baseado no mérito acadêmico. > Mas daí recaimos em problemas como os que o Jorge citou ou critérios como > número de publicações/citações que geram uma dinâmica onde o "rico fica > mais rico". > > Agora se formos pensar na meritocracia aplicada na escolha de cargos > políticos. Imagine que interessante seria se as escolhas dos ministérios > fossem realizadas baseado no histórico dos candidatos aos cargos, > especialmente no que se refere para obter um bom desempenho ao cargo > específico. A dinâmica seria com certeza bem distinta da atual no Brasil, > onde pessoas "aleatórias" são escolhidas como moeda de troca de poder > político. Não teríamos idiotas como o Feliciano no cargo de presidente da > Comissão de Direitos Humanos por exemplo, pessoas que nunca fizeram um > projeto na área de Esportes para o Ministério de Esportes, etc > > E por fim, pode-se argumentar que a luta por dados abertos e transparência > no planejamento e execução orçamentária do governo, está fortemente ligado > com o fato de querer oferecer igual oportunidade para qualquer membro/grupo > da sociedade poder avaliar e julgar o desempenho governamental de forma > concreta baseada no mérito, ao invés de apoiar-se apenas em propagandas do > Estado ou dinâmicas que se assemelham a escolha de time de futebol (PT é > ruim buuuuh! PSDB é o melhor!!!). > > Enfim, eu ainda acho que a discussão poderia ser mais produtiva se > tentassemos ao menos definir brevemente no que estamos interessados em > discutir, ao invés de ficar nessa cacofonia dissonante onde boa parte do > resultado é apenas ruído e ninguém ouvindo ninguém. > > E. > > > Mas voltando ao ponto principal, o que estávamos aplicando desde março >> havia >> sido acordado coletivamente (inclusive com você, Tom) fazendo daquilo um >> consenso. Se acha que algo não deu certo, e quer mudar, acho ótimo. Temos >> sempre que rever nossas práticas e aprimorá-las. Mas o que exatamente não >> deu >> certo? Será que não conseguimos tratar esses pontos ao invés de romper com >> tudo ficar discutindo valores sem saber direito as implicações deles? >> >> >> >> [2015-08-13 07:50] Everton Zanella Alvarenga: >> >> Olá Gustavo. >>> >>> Seja bem-vindo. Eu gostaria de registrar que gostei muito de sua >>> intervenção >>> para auxiliar na chegada de um consenso sobre o tema proposto. Essas >>> formas de >>> avaliação social é justamente o que acredito que podemos chegar e gostei >>> da sua >>> proposta em tentar achar uma intersecção. >>> >>> Concordo plenamente que essa leitura atual do significado de >>> meritocracia está >>> contaminando a discussão, por esse motivo, desde o começo, eu disse >>> "Fica aqui >>> a proposta para a meritocracia ser um de nossos valores como >>> organização. E >>> depois podemos escrever uma redação o que queremos dizer com isso, já >>> que nem >>> sempre ela se aplica (e. g., quando as condições iniciais e de ambiente >>> não são >>> de igualdade)." >>> >>> Desde a proposta inicial da discussão, eu alertei que a meritocracia nem >>> sempre >>> se aplica, citando um exemplo das desigualdades. Por isso mesmo acho a >>> sugestão >>> de leitura do Edgar na enciclopédia de filosofia de Stanford sobre >>> igualdade de >>> oportunidade é muito válida. >>> >>> Algumas manifestações parecem expor algo que já discutimos aqui em outros >>> contexto, a tirania do pensamento único, muito manifestado nas últimas >>> eleições >>> e que resultaram numa polarização pouco salutar, cuja principal causa é, >>> na >>> minha opinião, a intolerância com formas diferentes de pensar. >>> >>> Agora temos que buscar quais seriam essas formas de recompensa diante do >>> nosso >>> trabalho, que deve ter um propósito mais claramente definido. Numa outra >>> questão, que também causou divergências muito disruptivas, ficou claro >>> que há >>> pontos de vista diferentes sobre os rumos da organização e como ela deve >>> ser >>> conduzida. E teremos que aprender a trabalhar juntos com as diferenças >>> ou cada >>> um criar seu empreendimento, após acordado civilisadamente que >>> discordamos. >>> >>> Mas o caminho é esse, busca o consenso e seu olhar mais externo trouxe >>> luz para >>> a discussão. Vamos tentar achar esses mecanismos que apontou e ver as >>> vantagens >>> e desvantagens de cada valor sendo proposto (curiosamente, ambos valores >>> foram >>> propostos por mim e um deles estou revendo ;). >>> >>> Everton >>> >>> Em 12 de agosto de 2015 16:43, Gustavo Sales <[email protected]> >>> escreveu: >>> >>> Olá, pessoas. Tudo bom? >>> >>> Resolvi fazer minha primeira contribuição e em tema controverso. É >>> um risco >>> que assumo. Afinal ainda estou tomando contato com a cultura da >>> OK-Br. >>> >>> Assim, peço, antecipadamente, desculpas caso minha intenção em >>> colaborar >>> esteja fora do momento e/ou do foro adequados. >>> >>> Ao que puder perceber, há por um lado a preocupação com uma melhoria >>> na >>> governança e por outro o receio que questões levantadas na sociedade >>> sobre >>> a meritocracia contaminem a organização. >>> >>> Gostaria de dizer que, com o olhar ainda não enviesado pela política >>> organizacional, vejo uma intersecção interessante que talvez possa >>> ser >>> explorada. >>> >>> Com certeza, a fazer-cracia é importante para que as iniciativas >>> tomem >>> forma com o mínimo de "fricção" organizacional possível. Por outro >>> lado, >>> talvez os resultados do que se faz podem não ser adequados àquilo >>> que a >>> organização necessita. Se fiz uma leitura correta e esse é o >>> problema de >>> governança que se apresenta, acredito ser possível explorar formas >>> de haver >>> controle social dos resultados apresentados. Em outras palavras, não >>> haveria motivo para ferir a fazer-cracia em si, mas sim a adição de >>> mecanismo para avaliação das ações. >>> >>> Assim, as "recompensas" organizacionais não seriam apenas pautadas >>> em quem >>> mais fez, como seria na "fazer-cracia", mas também seriam pautadas na >>> avaliação social das ações (pode-se argumentar que há análise de >>> mérito >>> neste quesito). >>> >>> Sendo assim, não haveria imposição alguma à livre-iniciativa dentro >>> da >>> organização, mas estaria-se endereçando a preocupação com a >>> governança. >>> >>> Uma possível forma de implementação, seria uma avaliação das ações >>> por >>> parte de todos envolvidos em dada ação. Poderia-se implementar tal >>> avaliação em ambiente eletrônico, com indicadores como, por exemplo: >>> aderência aos objetivos da OK-Br, observação de prazos negociados, >>> atingimento das metas estabelecidas pelo grupo participante da ação, >>> etc. >>> Tal avaliação poderia ser 360 graus. >>> >>> O que acham? Acreditam que em algum ponto deste email há algo que >>> possa ser >>> expandindo para a construção de consenso mínimo sobre o tema? >>> >>> Muito obrigado pela paciência com o novato aqui :D >>> >>> Forte abraço, >>> >>> Gustavo >>> >>> >>> _______________________________________________ >> okfn-br mailing list >> [email protected] >> https://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br >> Unsubscribe: https://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br >> > _______________________________________________ > okfn-br mailing list > [email protected] > https://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br > Unsubscribe: https://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br > -- http://about.me/vatsu
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