Prezada Ana Maria e demais colegas:
Parab�ns por sua manifesta��o, oportuna e pertinente. 
� exatamente para debater tais fatos que voc� bem resumiu, que vem ocorrendo no presente e est�o influenciando nosso futuro profissional, que estaremos juntos no F�rum de 2� feira, dia 16 de outubro, de 9 �s 18 horas, em Natal.
Contamos receber um representante oficial, indicado ou nomeado, de cada Estado, em cada uma das 5 mesas, mas os demais podem tamb�m participar, como ouvintes e/ou apoio ao colega de seu Estado.
Pe�o novamente a todos os interessados que confirmem sua participa��o e enviem suas sugest�es - aqui ou via [EMAIL PROTECTED], ou diretamente comigo. Lembro que estar�o presentes no F�rum o pres da AMB Eleuses Paiva e o Diretor de Defesa Prof Eduardo Vaz, o que permitir� um encaminhamento o mais eficaz poss�vel.
Abra�os
Marcos Sarvat 
Diretor de Defesa Profissional da SBORL
 
 2� F�rum Nacional de �tica e Defesa Profissional  
em Otorrinolaringologia
16 de outubro de 2000 - Natal RN  
 
Convidados:
Eleuses Paiva - Presidente da Associa��o M�dica Brasileira
Eduardo Vaz - Diretor de Defesa Profisional da AMB  
 
Mesa 1
coord. Marcos Nemetz (SC) e Get�lio Camporez (ES)  
Aspectos jur�dicos - Avalia��o dos Termos de Ci�ncia e Consentimento (TCCs); como anda em cada estado a quest�o de processos contra m�dicos e em especial contra ORLs - levantamento nacional; aspectos de responsabilidade civil e penal; Manual de Medicina Defensiva: utilidade e repercuss�o; a quest�o da assessoria jur�dica da SBORL: sim ou n�o?, luxo ou necessidade?, nacional, por regi�es, formas de contrato.  
 
Mesa 2
coord. Agr�cio Crespo (SP) e Reginaldo Fujita (SP)
Aspectos administrativos - efici�ncia e produtividade; administra��o e chefia de servi�o p�blico; como obter aux�lio e doa��es; e no setor privado, como perder menos tempo; como gastar menos e ganhar mais na atividade privada de cl�nica e consult�rio; aspectos legais, cont�beis, fiscais, pessoa f�sica e jur�dica, cl�nica e consult�rio; vantagens e desvantagens; troca de experi�ncias, dicas, sugest�es e formas de organiza��o interna do trabalho m�dico e de outros profissionais; t�cnicas de motiva��o em trabalho, pesquisa - como organizar seu tempo; como incluir empregados: registrar, contratar, assinar carteira, remunerar por percentual, participa��o nos lucros, produtividade, etc.  
 
Mesa 3
coord. Paulo Perazzo (BA) e Alfredo Dell'Aringa (SP)
Aspectos de concorr�ncia e propaganda - As atividades que fazem fronteira com a ORL - a��es,rea��es, conflitos esolu��es; pacificar ou guerrear; �reas m�dicas e n�o-m�dicas; �tica m�dica x �tica comercial; credenciamento x mercado aberto; como se lan�ar no mercado: ci�ncia, trabalho ou propaganda?; A��es de servi�o p�blico, sociedade cient�fica, cl�nica e pessoas; ve�culos de comunica��o de massa: usar ou abusar?; informa��o de interesse p�blico x promo��o pessoal; a��es da SBORL: contradizer, advertir, coibir, punir, expulsar?
 
Mesa 4
coord. Geraldo Sant'Anna (RS) e Jo�o Deodato (CE)
Mobiliza��o dos m�dicos - em Centrais, Departamentos e/ou cooperativas para centralizar a negocia��o com planos de sa�de e com o Estado; Ser� essa a melhor forma de equilibrar for�as com os planos e defender o m�dicos? Cr�ticas a cada um dos modelos existentes nos diversos estados. Aspectos legais e pol�ticos, vantagens e desvantagens, solu��es e problemas; Mecanismos de mobiliza��o de m�dicos ORL: motivos, formas, t�cnicas e experi�ncias de agrega��o de profissionais; Os Termos de Ades�o-Procura��o: como obter assinaturas e apoio de fato; como coibir que uma minoria que avilta a classe se favore�a da luta coletiva; como pressionar a favor de regras �ticas de concorr�ncia: a��o pol�tica, legal ou �tica - atrav�s dos CRMs? Deliberar a��es da SBORL: advertir, coibir, punir, expulsar?
  
Mesa 5 
coord. Alberto Nudelman (RS) e Francisco Paula Lima (DF)
Gest�o, Auditoria e Per�cia em ORL - Controle da atividade do otorrinolaringologista; Cr�tica e auto-cr�tica: o reflexo da qualidade da forma��o do m�dico no gerenciamento da Medicina; Vis�o p�blica e privada; Existe forma �tica de gerenciamento?; Casos cl�nicos de per�cia em Otorrinolaringologia; Como avaliar insalubridade e atestar doen�a ocupacional em ORL; Perito: nomeado pelo juiz ou indicado pela SBORL (ou Sociedade local); Per�cia gratuita: � obrigat�rio aceitar nomea��o?    
 
 
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----- Original Message -----
Sent: Sunday, September 03, 2000 2:29 PM
Subject: [otorri.] DEFESA PROFISSIONAL

Prezados Colegas:
          J� a alguns meses acompanhamos nesta lista de discuss�o v�rias opini�es sobre o exerc�cio da nossa profiss�o, mas n�o s� neste forum, todo o pa�s, os conselhos regionais, as sociedades de especialidades, etc , vem desenvolvendo ampla discuss�o deste tema.
          Seria interessante que cada um de n�s transmit�ssemos aos demais, via lista o que est� acontecendo no seu estado, na sua cidade, a sua opini�o sobre o exerc�cio da nossa profiss�o, para que os colegas que pudessem ir ao for�m de Natal, tivessem uma vis�o clara do que est� acontecendo no resto do pa�s e fossem discutidas quest�es relevante para todos e o forum refletisse a  realidade que � t�o diversa em cada local do pa�s.
          Aqui em Bras�lia assistimos nesta semana um fato muito preocupante para todos n�s, um colega ginecologista passou um f�rceps, o feto morreu e o promotor pediu o julgamento do colega na justi�a comum, por homic�dio doloso, isto quer dizer que ele ser� julgado em juri popular e a acusa��o afirma que foi cometido assassinato intensional, a intens�o foi configurada quando o m�dico decidiu usar o f�rceps,segundo o promotor.
           N�o nos cabe aqui julgar se houve imper�cia ou outra falta qualquer, para isto existe o conselho regional de medicina ; o importante � nos atentarmos para o fato que os cen�rios que o m�dico est� inserido hoje nem se parece com o que acontecia h� 10 ou 20 anos atr�s, algu�m poderia argumentar que este � um fato isolado sem significado para a classe como um todo, por�m este fato s� foi poss�vel porque existe uma sistem�tica campanha de desvaloriza��o do m�dico na m�dia, e a popula��o est� profundamente convencida que nosso objetivo � comercial,  que somos mal formados, que n�o nos interessamos pelos pacientes, etc e tal. Cabe salientar que o jornal ao divulgar a not�cia afirma que � finalmente conseguiremos atingir o erro m�dico �.
           Por�m, a quem ser� que interessaria que a popula��o estivesse ( como j� est� ) voltada contra n�s? Deve ser algu�m que fatura �s nossas custas.
           Que coisa mais maluca estabelecer uma rela��o entre um interesse comercial e a dignidade de toda uma classe que durante s�culos foi detentora de tanto prest�gio, por que ser� que acontece isso?
            A meu ver os m�dicos s�o muito preocupados com a parte cient�fico- t�cnica e deixa de lado as outras quest�es que lhe dizem respeito que s�o as relacionadas a sa�de e a assist�ncia da popula��o como um todo e outros aspectos de gerenciamento do seu espa�o  no mercado de trabalho e no cen�rio pol�tico social. Como surgiu um v�cuo outros ocuparam o espa�o. At� o ministro da sa�de n�o � m�dico, ele pode fazer um grande trabalho mas quem deveria tratar da sa�de � o m�dico.
            A popula��o hoje � assistida pelo setor p�blico ( ou mais ou menos  assistida ) na sua maioria e pelo setor privado .
            N�s achamos um absurdo receber 20 reais por uma consulta m�dica  de conv�nio mas trabalhamos no setor p�blico onde o SUS  paga R$2,30 por uma consulta. A� todos dir�o, mas n�s temos um dever social de atender ao SUS, sim, s� que tem o seguinte detalhe as grandes empresas d�o como sal�rio indireto ao seus funcion�rios planos de sa�de tipo AMIL, BLUE LIFE. etc. ent�o aquele paciente ( que pode ser o fachineiro, o porteiro, o auxiliar de servi�os gerais, etc) que te paga R$ 20,00 no conv�nio, se n�o existisse o plano de sa�de , seria atendido pelo SUS e s� pagaria R$2,30, e a�? Claro mas tamb�m tem o diretor da empresa que te paga os mesmos R$ 20,00 e poderia estar pagando mais, de repente em vez de estabelecermos um intermedi�rio para os R$20,00 do diretor poder�amos receber diretamente do paciente os R$ 20,00 que � razo�vel para este tipo de paciente, em vez de receber com 60 dias, do intermedi�rio.
            Isto significa que tem uma parcela da popula��o que ou � atendida pelo plano de sa�de da sua empresa ou n�o tem outra alternativa as n�o ser  recorrer ao SUS, devido a esses pacientes o setor p�blico n�o pode �brigar�muito com os planos de sa�de porque se eles desaparecerem a demanda reprimida do SUS explode. Ent�o poxa, estes pacientes tem que ser atendidos a pre�os baixos, mas a outra parcela da popula��o que pode pagar o pre�o do conv�nio, pode pagar a vista e n�o necessariamente os 20,00, at� 30,00 seria um pre�o razo�vel se ela n�o tivesse que pagar o conv�nio. Claro que teriam os exames e interna��es que para alguns se fosse cobrado exatamente o que o conv�nio paga, seria �pag�vel�  ou poderiam ser feitos planos apenas para exames e interna��es.
            Em termos econ�micos, n�s cometemos um erro muito grande com os nossos pacientes particulares, cobramos de um paciente particular que nos paga � vista, 5 vezes  mais o valor que cobramos do paciente de conv�nio e muitas vezes o conv�nio n�o nos paga e quando nos paga � depois de 60 dias. Ora, se pelo menos a maioria dos m�dicos vivem de conv�nio, os custos de seu consult�rio s�o inteiramente cobertos pelo valor pago pelo conv�nio, se este valor � acess�vel a uma grande parcela de pacientes, ent�o para que n�s e os pacientes precisamos do conv�nio?
             Quando os conv�nios surgiram o valor pago por consulta era relativamente alto, mais pr�ximo do valor pago pela consulta particular, ent�o o paciente pagava durante meses um valor  que o habilitava  a ser atendido e o m�dico recebia um pouco menos que o particular mas tinha a seguran�a que o conv�nio lhe encaminharia os pacientes, mas este acordo de cavalheiros j� era! Se um paciente paga R$ 200,00 por mes  (e para alguns planos � muito mais que isso dependendo da idade dos pacientes ) � um plano de sa�de para ele dois filhos e esposa e o conv�nio nos paga R$20,00 , caso um deles for se consultar.Pelo mesmo pre�o as 4 pessoas podem se consultar todos os meses (R$ 80,00) sobram R$120,00 para exames , todos os meses! Quem vai ao m�dico todos os meses?
           Bem para uma lista de discuss�o, eu j� falei demais! Mas � que n�s temos que discutir estas coisas que muitos colegas n�o se apercebem, � muito simpl�rio afirmar que n�o vamos atender mais os conv�nios e esperar a ades�o de todos os colegas que � l�gico que n�o teremos, todos n�s j� iniciamos nossa carreira e sabemos das dificuldades pagar col�gio, comprar equipamentos, etc, n�o d� para parar de trabalhar, temos que ter outras op��es de negocia��o e necessitamos dos nossos pacientes do nosso lado! Afinal n�s prestamos os servi�os, temos que ter o direito de estabelecer um pre�o para este servi�o , como qualquer simples artez�o.
           Voltando rapidamente a minha discuss�o inicial, � claro que os conv�nios �doram�quando somos denegridos porque enquanto sai nos jornais que os m�dicos matam beb�s intencionalmente, o plano de sa�de pagar� a UTI neonatal de seu beb�.
           Ser� que vamos reverter este processo apenas com bom n�vel tecnico-cient�fico, acho que n�o, o bom n�vel � uma condi��o �sine-qua-nom�para exercermos nossa profiss�o, mas temos que usar outros recursos poderosos para melhorar nossas condi��es de trabalho como um todo, e com certeza passara pela divulga��o da profiss�o e um trabalho serio de marketing para mudar a vis�o da popula��o.
            Um abra�o a todos
            ANA MARIA

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