Ricardo e colegas:
N�o seria interessante,no caso da "otorrinolaringologia pediatrica",que a SBORL,desqualificasse a existencia dessa "especialidade" atrav�s dos meios de comunica��o,ou seja,informar a popula��o leiga que isso n�o existe e sim existe OTORRINOLARINGOLOGISTAS e s�.
Sei das dificuldades de acesso � midia(o Marcos Sarvat j� falou sobre isso),mas me parece que esse � o caminho.
Um abra�o,Teeve
----- Original Message -----
Sent: Friday, February 04, 2000 7:02 PM
Subject: [otorri.] defesa profissional

Caros amigos do grupo,
 
Primeiro desculpe pela demora na resposta deste tema que vinha sendo discutido h� alguns dias atras na lista, � que eu estava descadastrado e minhas mensagens n�o chegavam.
  
Esta quest�o da defesa profissional em todos os sentidos passa al�m de tudo aquilo que j� foi aqui muito bem colocado pelos colegas que escreveram por um problema maior que � a falta que n�s m�dicos temos de verdadeiros representantes no Congresso Nacional. Apesar da "bancada" m�dica no Congresso ser a segunda maior (s� perde para a dos advogados) aqueles que est�o l� na maioria das vezes s� utilizaram da profiss�o para serem eleitos e representam interesses outros que n�o os de sua classe. Representam interesses de grupos m�dicos, de planos de sa�de, de Unimeds (que teoricamente s�o cooperativas m�dicas).
 
As principais amea�as � qualidade de nossa profiss�o s�o atualmente:
 
1- O aumento de escolas m�dicas. Pela atual constitui��o brasileira as Universidades s�o aut�nomas, podendo portanto criar seus cursos independentemente do MEC. A atual pol�tica de ensino universit�rio no pa�s � como na atividade econ�mica, isto � o atual governo est� tentando se livrar da responsabilidade do ensino e passar para a iniciativa privada com isso diminuindo o custo alto do ensino gratuito. � o mesmo que est�o fazendo com os setores b�sicos, privatizando energia el�trica, telefonia etc... Portanto no governo se fechar� os olhos � cria��o de novas escolas pois abrir�o vagas e diminuir� a press�o social da falta de vagas.
 
2- A amea�a da livre atua��o profissional entre os pa�ses do Mercosul. Nos pa�ses como a Argentina principalmente, existe um n�mero elevadissimo de m�dicos e h� press�o social para resolu��o da baixa renda que os profissionais de l� est�o tendo. Uma das exig�ncias na mesa de negocia��es do Mercosul � da livre atua��o profissional para com isso resolver os problemas destes pa�ses na �rea. N�s m�dicos n�o temos o menor lobby para se opormos a isso como tem por exemplo a industria automobilistica e a �rea ruralista. 
 
3- Este terceiro item � na minha opini�o o mais grave e importante para a nossa especialidade especificamente e este sim � que nossa Sociedade deveria estar atuando imediatamente que � a atua��o de outros profissionais em nossa �rea. No caso da ORL isto � gravissimo. As fonoaudi�logas dentro de poucos anos estar�o para os otorrinos como os psicologos est�o para os psiquiatras, onde eles j� tem mais de 80% do espa�o profissional do psiquiatra. Cada vez mais as fonoaudi�logas est�o exercendo atividades m�dicas e n�s estamos fechando os olhos para isso. Elas s�o muito mais numerosas que n�s, est�o sem campo de atua��o pelo seu numero elevado, abrem-se novas escolas de fono todo ano e elas possuem muito mais lobby no governo que n�s. Naturalmente elas procuram mais coisas pois n�o tem campo de trabalho suficiente para todas. Sem d�vida eu acredito que para n�s ORLS esta amea�a � maior e mais urgente do que as anteriores. Se medidas urgentes n�o forem tomadas nossa especialidade rapidamente sofrer� uma concorr�ncia muito forte, de baixa qualidade e a pre�o vil.
 
Os itens que dizem respeito � classe m�dica como um todo nos temos obviamente que participar como muito bem participamos por interm�dio da SBORL, que inclusive bancou financeiramente muitas a��es brilhantemente realizadas e coordenadas pelo Marcos Sarvat, mas n�o depende s� da ORL e sim da AMB, CFM, CRMs, Sindicatos etc....A quest�o das fonos sim � nossa e s� nossa e esta n�s temos que urgentemente encarar.
N�o podemos esquecer tamb�m das pseudo "sub-especialidades"que est�o sendo desenvolvidas como a chamada "Otorrinolaringologia Pedi�trica" que nada mais nada menos � uma forma de certos colegas se promoverem no meio pedi�trico para receberem doentes e que deturpa o enfoque de nossa especialidade uma vez que daqui a pouco aqueles que n�o se intitularem ORLs pedi�tricos n�o mais atender�o crian�as, pense sobre isso e comentem na lista.
 
Para todas as 3 amea�as anteriores aqueles que representam os grupos economicos da sa�de est�o rindo � toa pois quanto mais gente menor o custo. � como qualquer mercadoria, a safra da laranja foi grande, o pre�o da laranja cai. Com muita oferta cair� ainda mais o pre�o da atividade profissional. Fono ent�o � muito mais barato (vide na �rea de preven��o de ru�do industrial, que as mesmas j� dominam a pre�o vil).
 
Para tal s� h� uma pequena luz no fundo do tumel, que � uma atua��o constante e s�ria junto ao Congresso Nacional e aos Ministerios competentes com levada de alternativas e solu��es e n�o s� reclama��es. Ser� que nossos dirigentes das entidades m�dicas est�o mesmo interessados nisso ? A maioria de seus dirigentes s�o comprometidos com grupos m�dicos em especial com as UNIMEDS. � nisso que deveria ser investido o tempo e dinheiro que nossas entidades arrecadam.
 
Infelizmente vejo que o nosso futuro ser� dif�cil principalmente para os nossos colegas mais jovens e somente com muita perspic�cia e uni�o lentamente poderemos melhorar o quadro, sempre lembrando que n�o se deve somente colocar os problemas ou reclamar e sim oferecer solu��es vi�veis.
 
Ricardo F. Bento
FMUSP
 

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