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Prezados Colegas:
J� a alguns meses
acompanhamos nesta lista de discuss�o v�rias opini�es sobre o exerc�cio da nossa
profiss�o, mas n�o s� neste forum, todo o pa�s, os conselhos regionais, as
sociedades de especialidades, etc , vem desenvolvendo ampla discuss�o deste
tema.
Seria interessante
que cada um de n�s transmit�ssemos aos demais, via lista o que est� acontecendo
no seu estado, na sua cidade, a sua opini�o sobre o exerc�cio da nossa
profiss�o, para que os colegas que pudessem ir ao for�m de Natal, tivessem uma
vis�o clara do que est� acontecendo no resto do pa�s e fossem discutidas
quest�es relevante para todos e o forum refletisse a realidade que � t�o
diversa em cada local do pa�s.
Aqui em Bras�lia
assistimos nesta semana um fato muito preocupante para todos n�s, um colega
ginecologista passou um f�rceps, o feto morreu e o promotor pediu o
julgamento do colega na justi�a comum, por homic�dio doloso, isto quer
dizer que ele ser� julgado em juri popular e a acusa��o afirma que foi cometido
assassinato intensional, a intens�o foi configurada quando o m�dico decidiu usar
o f�rceps,segundo o promotor.
N�o nos cabe
aqui julgar se houve imper�cia ou outra falta qualquer, para isto existe o
conselho regional de medicina ; o importante � nos atentarmos para o fato que os
cen�rios que o m�dico est� inserido hoje nem se parece com o que acontecia h� 10
ou 20 anos atr�s, algu�m poderia argumentar que este � um fato isolado sem
significado para a classe como um todo, por�m este fato s� foi poss�vel porque
existe uma sistem�tica campanha de desvaloriza��o do m�dico na m�dia, e a
popula��o est� profundamente convencida que nosso objetivo � comercial,
que somos mal formados, que n�o nos interessamos pelos pacientes, etc e tal.
Cabe salientar que o jornal ao divulgar a not�cia afirma que � finalmente
conseguiremos atingir o erro m�dico �.
Por�m, a
quem ser� que interessaria que a popula��o estivesse ( como j� est� ) voltada
contra n�s? Deve ser algu�m que fatura �s nossas custas.
Que coisa
mais maluca estabelecer uma rela��o entre um interesse comercial e a dignidade
de toda uma classe que durante s�culos foi detentora de tanto prest�gio, por que
ser� que acontece isso?
A meu
ver os m�dicos s�o muito preocupados com a parte cient�fico- t�cnica e deixa de
lado as outras quest�es que lhe dizem respeito que s�o as relacionadas a sa�de
e a assist�ncia da popula��o como um todo e outros aspectos de gerenciamento do
seu espa�o no mercado de trabalho e no cen�rio pol�tico social. Como
surgiu um v�cuo outros ocuparam o espa�o. At� o ministro da sa�de n�o � m�dico,
ele pode fazer um grande trabalho mas quem deveria tratar da sa�de � o
m�dico.
A
popula��o hoje � assistida pelo setor p�blico ( ou mais ou menos assistida
) na sua maioria e pelo setor privado .
N�s
achamos um absurdo receber 20 reais por uma consulta m�dica de conv�nio
mas trabalhamos no setor p�blico onde o SUS paga R$2,30 por uma consulta.
A� todos dir�o, mas n�s temos um dever social de atender ao SUS, sim, s� que tem
o seguinte detalhe as grandes empresas d�o como sal�rio indireto ao seus
funcion�rios planos de sa�de tipo AMIL, BLUE LIFE. etc. ent�o aquele paciente (
que pode ser o fachineiro, o porteiro, o auxiliar de servi�os gerais, etc) que
te paga R$ 20,00 no conv�nio, se n�o existisse o plano de sa�de , seria atendido
pelo SUS e s� pagaria R$2,30, e a�? Claro mas tamb�m tem o diretor da empresa
que te paga os mesmos R$ 20,00 e poderia estar pagando mais, de repente em vez de estabelecermos um intermedi�rio para os
R$20,00 do diretor poder�amos receber diretamente do paciente os R$ 20,00 que �
razo�vel para este tipo de paciente, em vez de receber com 60 dias, do
intermedi�rio.
Isto
significa que tem uma parcela da popula��o que ou � atendida pelo plano de sa�de
da sua empresa ou n�o tem outra alternativa as n�o ser recorrer ao SUS,
devido a esses pacientes o setor p�blico n�o pode �brigar�muito com os planos de
sa�de porque se eles desaparecerem a demanda reprimida do SUS explode. Ent�o
poxa, estes pacientes tem que ser atendidos a pre�os baixos, mas a outra parcela
da popula��o que pode pagar o pre�o do conv�nio, pode pagar a vista e n�o
necessariamente os 20,00, at� 30,00 seria um pre�o razo�vel se ela n�o tivesse
que pagar o conv�nio. Claro que teriam os exames e interna��es que para alguns
se fosse cobrado exatamente o que o conv�nio paga, seria �pag�vel� ou
poderiam ser feitos planos apenas para exames e interna��es.
Em
termos econ�micos, n�s cometemos um erro muito grande com os nossos pacientes
particulares, cobramos de um paciente particular que nos paga � vista, 5
vezes mais o valor que cobramos do paciente de conv�nio e muitas vezes o
conv�nio n�o nos paga e quando nos paga � depois de 60 dias. Ora, se pelo menos
a maioria dos m�dicos vivem de conv�nio, os custos de seu consult�rio s�o
inteiramente cobertos pelo valor pago pelo conv�nio, se este valor � acess�vel a
uma grande parcela de pacientes, ent�o para que n�s e os pacientes precisamos do
conv�nio?
Quando os conv�nios surgiram o valor pago por consulta era relativamente alto,
mais pr�ximo do valor pago pela consulta particular, ent�o o paciente pagava
durante meses um valor que o habilitava a ser atendido e o m�dico
recebia um pouco menos que o particular mas tinha a seguran�a que o conv�nio lhe
encaminharia os pacientes, mas este acordo de cavalheiros j� era! Se um paciente
paga R$ 200,00 por mes (e para alguns planos � muito mais que isso
dependendo da idade dos pacientes ) � um plano de sa�de para ele dois filhos e esposa e o conv�nio nos paga R$20,00 , caso um
deles for se consultar.Pelo mesmo pre�o as 4 pessoas podem se consultar todos os
meses (R$ 80,00) sobram R$120,00 para exames , todos os meses! Quem vai ao
m�dico todos os meses?
Bem para uma
lista de discuss�o, eu j� falei demais! Mas � que n�s temos que discutir estas
coisas que muitos colegas n�o se apercebem, � muito simpl�rio afirmar que n�o
vamos atender mais os conv�nios e esperar a ades�o de todos os colegas que �
l�gico que n�o teremos, todos n�s j� iniciamos nossa carreira e sabemos das
dificuldades pagar col�gio, comprar equipamentos, etc, n�o d� para parar de
trabalhar, temos que ter outras op��es de negocia��o e necessitamos dos nossos
pacientes do nosso lado! Afinal n�s prestamos os servi�os, temos que ter o
direito de estabelecer um pre�o para este servi�o , como qualquer simples
artez�o.
Voltando
rapidamente a minha discuss�o inicial, � claro que os conv�nios �doram�quando
somos denegridos porque enquanto sai nos jornais que os m�dicos matam beb�s
intencionalmente, o plano de sa�de pagar� a UTI neonatal de seu
beb�.
Ser�
que vamos reverter este processo apenas com bom n�vel tecnico-cient�fico, acho
que n�o, o bom n�vel � uma condi��o �sine-qua-nom�para exercermos nossa
profiss�o, mas temos que usar outros recursos poderosos para melhorar nossas
condi��es de trabalho como um todo, e com certeza passara pela divulga��o da
profiss�o e um trabalho serio de marketing para mudar a vis�o da
popula��o.
Um
abra�o a todos
ANA
MARIA
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