Teeve e colegas:               (perdoem se me alongo - mas é meu tema favorito)
    Perfeita sua análise das necessidades que temos de alcançar a mídia para falar da nossa visão de médicos de um sistema deturpado que está sendo (ou sempre foi) implantado. Nesses quase 7 anos na Defesa Profisional da Diretoria da SBORL participei de grandes investimentos dos presidentes Paulo Pontes (92-96) e Marcos Mocellin (96-98) nesse sentido de buscar ampla e firme comunicação ao público. Os ORLs gastaram algum dinheiro nisso - viagens, notícias, reuniões, fóruns, videos, telefones, muito xerox e fax, etc, etc, mais o enorme tempo de cada envolvido. Tivemos as oportunidades de estar e falar no CFM , AMB, Câmara, Senado, em entrevistas para Jornal Nacional, TV em geral e no Jô Soares, exatamente para abordar essa linha que você prega - e com a qual concordamos.
    Falamos 15 minutos na Comissão da Câmara, cheia de deputados, que elaborava à época essa lei de planos - aí saiu esse monstrinho agora tão recheado de medidas provisórias que não dá para reconhecer uma lógica.
    No Senado estivemos em reuniões de 30 a 40 minutos com os 3 senadore mais envolvidos com a Lei de Planos - acredite: eles não conheciam isso que você falou, e disseram: - Mas se considerarmos tudo isso, teremo de mudar toda essa lei! Pois é, não mudaram... 
    No Jô foi um escândalo: a pauta (bem definida por escrito) era sobre Lei dos Planos, aspectos relevantes da autonomia do médico, a liberdade de escolha e o credenciamento, etc, tudo pronto em linguagem accessível, para, como você disse, "expor nossos problemas numa catarse, sem medo de nos rebaixarmos ou perder o status". Pois o gordo bloqueou tudo, não deixou o assunto entrar, e encerrou subitamente a entrevista quando ela evoluiu para um ponto que não interessava a seus patrocinadores.
    Resumidamente: há um grande bloqueio na mídia a pontos de vista que falem claramente do "exercício ético na Medicina - suas contradições nesse sistema (público ou privado) que prevalece atualmente".
    E pior, nossos representantes nos últimos 5 anos: AMB e CFM nada fizeram nese sentido, pelo contrário - demonstraram mais preocupação com os "direitos dos usuários - coberturas, carências, exclusões, etc, ou de perfil nitidamente de ganho pessoal (deles) ou pior ainda, político-partidária (nefasta). Os fatos que presenciei foram vergonhosos e estão publicados em Boletim da SBORl - se quiserem envio o texto - longo - que conta toda essa história detalhadamente. Não quero saturar o grupo com isso - me digam.
    Melhor: mudou tudo agora há pouco - CFM e AMB com novas direções há 3 meses, com outra linha clareamente manifesta - estou otimista, de novo.
    Para completar: acho que nosso maior problema é interno - falta absoluta de consciência e participação. Existem colegas que porque operam ou tratam bem determinada patologia sabem de tudo - em termos de política de defesa profissional somos amadores...E os CRMs (muitos têm medo, é verdade), Socs e Sindicatos serão exatamente o que a maioria dos médicos que participa quiser. O resto é filosofia, e muita muita luta para mudar.
    Teeve, conto contigo, e todos que queiserem participar!
    E vejam que belo poema a seguir - para quem chegou até aqui.
    Bertold Brecht pede desculpas, pois é preciso quebrar ovos! E assim define bem como as ações de Defesa Profissional têm sido mal compreendidas por alguns (poucos felizmente) colegas:   
    Abraços
    Marcos Sarvat  Diretor do Departamento de Defesa Profissional da SBORL 
   
E nós sabíamos 
Também o ódio ao vil 
Deforma os traços 
Também o furor contra o mal  
Deix a voz rouquenha. Ai, nós
Que queríamos preparar o chão para a gentileza
Não conseguíamos ser gentis
 
Vós, porém, quando chegar o tempo,
Em que o homem ao homem dará ajuda,
Lembrai-vos de nós
Com compreensão.
  
-----Mensagem original-----
De: teeve <[EMAIL PROTECTED]>
Para: otorrino <[EMAIL PROTECTED]>
Cc: Teeve Rabinovici <[EMAIL PROTECTED]>
Data: Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2000 13:37
Assunto: [otorri.] Defesa profissional

Gostaria de adicionar algo ao que escrevi anteriormente:
É urgente informar aos pacientes,consumidores,cidadãos,de todas as classes economicas sobre as mazelas e usurpações que nós somos submetidos.
Isso deve ser feito ,de maneira intensa,atraves da midia,principalmente da midia televisiva,que é o maior canal de penetração que existe.
As pessoas,das mais ricas até às mais pobres,não tem ideia do que se passa conosco e nós temos uma gritante RESISTENCIA a expor nossos problemas,publicamente,como se isso nos rebaixasse,nos fizesse perder a condição de doutor,o "status"de diferenciado.
Se não fizermos uma espécie de catarse,não há chance de recuperarmos a dignidade que fingimos que ainda temos.
Outro ponto importante,na minha visão,é nos perguntarmos qual a sensação que temos em relação às entidades médicas.Deixo uma questão aqui:
Qual o sentimento que cada colega desse grupo tem em relação,p.ex,aos Conselhos de Medicina(CRMs,CFM) ?
RESPEITO OU MEDO?
Acho que precisamos refletir muito e SIMULTANEAMENTE agir muito
Odeio frases feitas mas tem uma que me parece adequada para isso que nos acontece:
"Não se faz omelete sem quebrar ovos"
Teeve Rabinovici

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