Em Sex, 2006-10-27 às 12:09 -0200, Joao S. O. Bueno Calligaris escreveu:
> On Friday 27 October 2006 08:24 am, Mauro Carvalho Chehab wrote:
> > Por exemplo, uma demanda válida de usuários de sistemas embutidos é
> > não ter o sistema operacional do seu dispositivo alterado por
> > terceiros. Eu não gostaria de ter, no meu telefone móvel, no meu
> > roteador da internet ou no transponder de um sistema de vôo de
> > aeronaves, uma eventual cópia não assinada do sistema em execução.
> > O uso de sistemas não assinados pelo fabricante significaria que
> > alguém pode estar escutando ilegalmente minha comunicação ou
> > derrubando propositadamente uma aeronave. A GPLv3 mata este tipo de
> > uso, ao impedir o uso de criptografia para validação do sistema
> > operacional. Na prática, usar a GPLv3 com as restrições à
> > criptografia impede seu uso em sistemas embarcados.
> 
> 
> Ok, mas então você entende o problema: na prática, esses sistemas 
> embarcados assinados não são livres. 
> 
> Eu como desenvolvedor de software livre, ao escrever código, não estou 
> preocupado se a Nokia vai colocar meu código nos seus celulares, ou 
> se a Boeing vai coloca-lo em seus aviões. Talvez quem escreva código 
> para o kernel possa estar mais interessado nisso.
Sim. Se um grande fabricante de celulares ou de aviões ou de roteadores
usam o Kernel do Linux, e desenvolvem inovações (por exemplo, melhorias
na pilha TCP/IP), pela GPLv2, eles devem disponibilizar suas alterações.
Isto permite que toda a comunidade ganhe com estas melhorias.

>  Para quem escreve 
> código sob licenças mais permissivas, como as que permitem o 
> fechamento do código, tanto faz.
Se eles não puderem usar GPL, eles podem usar um kernel com licença BSD.
Nenhum ganho para a comunidade.

> Mas quanro eu faço um scriptzinho, e coloco ele sob a  GPL, eu quero 
> dizer isso: Quem puder _usar_ esse programa, também tem que poder 
> modificar o programa, e utilizar o programa que modificou. A GPL v2 
> permite que empresas inexcrupulosas burlem os direitos que eu concedo 
> com meu sofware ao permtir a execução apenas de programas assinados. 
> Eu preciso de uma licença em que isso não ocorra.
A análise que realizamos está intimamente ligada ao Kernel e ao seu
ecossistema (leia-se aqui as distros). Uma incompatibilidade entre GPLv2
e GPLv3 poderia inviabilizar a distribuição comercial de distribuições
Linux.
Do meu ponto de vista, e o da maioria dos demais mantenedores do Kernel,
quanto mais usuários utilizarem nossos softwares, mais contribuições
teremos para o kernel, significando um melhor sistema para todos.

> Se isso é inviável para o kernel, então o kernel que se mantenha na 
> licença atual. Daí para querer atacar uma licença que só vai me dar 
> as mesmas possibilidades que a GPL2 teoricamente me daria, não fossem 
> as brechas encontradas pelas corporações é meio maluquice.
Ningém está atacando outras licenças de software. Se você ler
atentamente o artigo e a votação, verá que estamos tratando *apenas* do
kernel do Linux, nas nossas funções enquanto mantenedores do Kernel.

> De acordo com seu e-mail aliás, é impossivel trocar a licença do 
> Kernel, não importa  quais sejam as mudanças. Se a GPL 3 fosse uma 
> cópia exata da GPL 2 com mais uma ou duas clausulas inofensivas, não 
> seria possível trocar o licenciamento devido a quantidade de 
> desenvolvedores.
Impossível é uma palavra muito forte. A troca de licença do kernel só se
justificaria em casos extremos, pois teria um custo muito alto de
identificar e re-convocar dezenas de milhares de pessoas e,  em alguns
casos, de seus sucessores, oferecendo risco de problemas.

> Ou seja: tanto faz quanto tanto fez para os desenvolvedores do Kernel 
> o que tiver na GPL v3. NEtão por que querer impedir que ela fucnione 
> efetivamente para projetos menores, que estão mais preocupados com a 
> liberdade, do que se em estarem orgulhosamente presentes no itnerior 
> do sistema de controle de voos de aviões e coisas parecidas.
>
> 
> O ataque da Fortune, é mais uma artigo escrito por quem não entende de 
> software livre. Dou de ombros. O dos desenvolvedores do kernel parece 
> mais com pressoas olhando para o próprio umbigo. Alias, se estivessem 
> preocupados com Software Livre mesmo, em não apenas em estar 
> presentes, e não perder o apoio institucional de nenhum dos lugares a 
> que chegou, as reclamações seriam outras.
> 
> É que perder apoio institucional é bem fácil de escrever. Parece pouca 
> coisa. Na prática são desenvolvedores do Kernel perdendo empregos, 
> bem pagos, se alguams empresas decidem não mais usar o Linux em seus 
> produtos. Ai, com o ganha pão em jogo, a ameaça a eles se torna sim a 
> GPL v3. Mas a GPL v3 não é uma ameaça para o mundo, nem para o S.L. É 
> a garantia de manutenção do S.L. e uma ameaça para algumas centenas 
> de empregos de pessoas que dificilmente levariam mais de 2 meses para 
> se recolocar.
Não concordo com suas colocações. Emprego não tem nenhuma relação com a
questão, mas sim usabilidade.

Um caso prático: com GPLv3, os usuários de notebooks com algumas placas
WiFi internas não poderão utilizar Linux, visto que o FCC
norte-americano exigiu uma proteção para as placas WiFi não interferirem
em certas freqüências. Como os chips possibilitam o uso destas
freqüências na Europa, a solução dada foi um software impedindo a
violação da lei. À luz da GPLv3, isto violaria a licença de software.
Apesar de não regulamentado do Brasil, a própria Anatel poderia fazer
tal exigência, por meio da edição de uma simples resolução.

> O que se esquece é que o Kernel do Linux só chegou onde está por que 
> todos os que tiveram acesso ao código puderam estuda-lo e contribuir 
> para o mesmo. Ao permitir sem reclamar o uso de kernels que o usuário 
> final não pode modificar em dispositivos com DRM é, na prática, uma 
> violação do espirito da GPL.
Não. O espírito da GPLv2 nunca foi restringir em qual hardware um
software seria executado, mas sim, de tornar livre o acesso ao código.
GPLv3, de fato, está dizendo que, se o hardware tiver algum mecanismo de
proteção contra códigos espúrios, o hardware rejeitará o software. Em
muitos casos, isto é uma medida de *segurança* contra crackers.

Se de um lado GPLv3 *tenta* evitar DRM, por outro, mata uma série de
ferramentas de segurança.

Note que, para fugir das restrições anti-DRM da GPLv3 é tão simples como
não vender equipamentos, mas, ao invés, alugá-los. Se a Tivo mudar seu
modelo de negócio para locação de equipamentos + serviços, ela atenderá
GPLv3.
> 
> Eu preferiria ver o uso do kernel do Linux cair 20,30% agora em 
> dispositivos embarcados,e retomar esse espaço em poucos anos, por seu 
> mérito técnico, exatamente como aconteceu com o kernel soba  GPL V2. 
> E as empresas que querem restringir o uso de acesso as tecnologias, 
> se verem incapazes de fazer isso.
Na prática, cairia a zero. Nenhum cliente de hardware embarcado
aceitaria um equipamento que não tivesse proteção contra códigos
indesejados, fabricados por terceiros. O cliente quer, sim, garantias de
que o produto que adquiriu tenha proteções de segurança, que proteja o
usuário e que tenha garantias. A realidade é completamente diferente da
dos usuários de computadores.

> Quanto a preocupação aparente de  "aviões vão cair sem DRM", "meu 
> telefone móvel vai interceptar mensagens" e "meu roteador CISCO vai 
> mandar SPAM"  - falácia. 
Imagine se um hacker adulterar o código de um software no avião, de um
laser em um equipamento médico ou de um roteador core da Internet?
Garanto-lhe que será gerado um baita estrago.

Na prática, a empresa que compra aviões/equipamentos medicos/roteadores
*exigem* dos seus fornecedores as assinaturas digitais e demais medidas
de proteção contra estes riscos, para sua proteção e para obediência a
normas internacionais voltadas para a minimização do risco do negócio,
tais como o Acordo de Basileia 2, o Ato de Sarbanes-Oxley, e outros.

> Para cada item desses,você está dizendo que 
> é melhor ter software proprietário. Bom, você é "livre para 
> escolhe-lo". Mas o GUN/Linux que eu uso em casa é livre. Há 
> previsões, mesmo no rascunho da GPL v3 paraa ssiantura de código sim. 
> A diferença é que o próprio usuário pode assianr seu código. E não é 
> dificil imaginar métodos que viabilizem uma pessoa assinar o código 
> que será carregado em seu próprio celular ao mesmo tempo que impede 
> terceiros de faze-lo. Portanto, este argumento é não só uma falácia, 
> mas uma defesa do software proprietário. Mais ainda, uma defesa do 
> fechamento de código previamente livre.
Como você garantiria que o software não foi violado no meio do caminho?
As chaves existem para proteção do usuário.
> 
> Essa "demonização" do Stallman é outra coisa maluca. Todo mundo, mesmo 
> aparentemetne a maioria nesta lista, gosta de encher a boca para 
> chama-lo de "fanático radical", dizer que  "não é por aí". Bom... 
> esta mensagem já está muito longa, então Stallman fica para um outro 
> dia. Mas tentem imaginar onde é que o mundo estaria hoje se o radical 
> do Stallman, há vinte e poucos anos atrás, tivesse sido tolerante com 
> um pouquinho de software proprietário? Como é que a mensagem se 
> espalharia?
Não tenho nada contra ele pessoalmente.
> 
> Então vamos lembrar aos que gostam de chamar os outros de "radicais" - 
> que tudo bem se algumas pessoas pensarem que nem todo o software 
> precisa ser livre. Mas querer que todos pensem assim é fazer com que 
> nenhum software seja livre, em bem pouco tempo.
> 
>       js
>       -><-
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> PSL-Brasil mailing list
> PSL-Brasil@listas.softwarelivre.org
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Cheers, 
Mauro.

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