> > Isso que você escreveu realmente é inevitável, de um jeito ou de > outro, isto é, ou os profissionais da área de mobilizam ou a sociedade > ou todos, inevitavelmente o monopólio da Autodesk irá acabar, mas além > desse problema que você salientou muito bem nessa área existe um > outro: > > Existem pessoas que trabalham nessa área que querem usar Linux, mas > mesmo com o padrão de documento aberto essas pessoas não o farão > simplesmente pelo fato de no Linux não existir tal ferramenta. > > Claro que em um contexto onde o conhecimento é compartilhado > ferramentas e outros métodos de trabalho serão implementados de acordo > com o novo paradigma, isso no entanto, não acontece de sexta para > segunda já que envolve uma cultura que deve ser alterada, mas eu tenho > projetos para entregar na segunda e até lá acredito que ainda não > tenhamos atingido tal nível de evolução. >
É verdade... > Com isso não estou defendendo o modelo atual, simplesmente dizendo > que o inevitável já está acontecendo. Ao termos uma ferramenta CAD no > Linux além de estarmos preservando a liberdade do usuários de escolher > o sistema operacional que desejar ainda estamos abrindo as portas para > que o software livre com seu modelo de código aberto se instale em > mais um nicho da sociedade que até agora o discriminava. > > Percebi que você tem bastante conhecimento do assunto então gostaria > de lhe perguntar sobre a possibilidade de ocorrer uma mudança iniciada > pelo outro lado, isto é, em vez de um padrão aberto o qual todos os > programas abaixo dele devam se adequar, começar a mudança com um > "programa proposta" (mais ou menos o que o Inkscape faz simplesmente > começam aparecer .SVG e se é obrigado a instalar o programa) criar um > programa CAD multiplataforma com padrão de documentos aberto que > reconheça os padrões existentes (como o OpenOffice faz), simplesmente > pelo fato desse programa serlivre começa se disseminar (e essa parte é > fácil porque a engenharia é uma área muito comercial qualquer redução > de custos é sempre bem vinda e quem desenha mesmo é o desenhista > dificilmente o engenheiro ou arquiteto), forçando assim a adoção de um > padrão aberto? Vamos por partes, como diria, Jack. Não sou tão entendido no assunto quanto gostaria, mas estou estudando pra isso. Eu acho que a necessidade de padrões abertos não era evidente há alguns anos atrás e que a questão do ODF abriu caminho para que governos e empresas compreendessem a importância deles. A importância deles não é mais discutida, é evidente. O que acontece é que em certas áreas ainda não se deram conta disso. E o que eu acho uma vergonha é a classe dos engenheiros ainda não ter tomado conhecimento do assunto, quando deveria estar à frente das discussões. Eu não sou um utilizador de programas de engenharia, mas eu acho que quem é técnico ou engenheiro deveria se preocupar com esse tipo de coisa. Por isso, eu acho que quem é desse meio, e tem interesse em utilizar padrões abertos e ferramentas livres, deveria começar a fazer barulho. Por barulho eu entendo começar a levantar o assunto nos CREAs, através de palestras, workshops, eventos, etc. As universidades e centros de pesquisa deveriam estar discutindo isso junto com a ABNT e os organismos internacionais. O que eu acho difícil é começar pela ferramenta, porque, como o formato é proprietário e fechado, fazer engenharia reversa para compatibilizar soluções livres é complicado a contraproducente. Daqui um ano, a versão do programa da Autodesk muda e a compatibilidade vai pro saco. Isso acontece até hoje com o OpenOffice.org e os aplicativos da Microsoft. Essas coisas já estão acontecendo. Enquanto estamos aqui conjecturando, empresas como Serpro, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Petrobras e cerca de 50 outras empresas públicas e privadas brasileiras assinaram o Protocolo de Brasília. Trata-se de um compromisso dessas empresas em optar preferencialmente por padrões abertos de documentos. Juntas, essas empresas têm orçamentos de TI na casa de vários milhões de reais. Aliás, foi esse evento que trouxe Steve Ballman ao Brasil há cerca de 2 meses: a Microsoft estava se borrando de medo. Pelas notícias que tenho, Petrobras já migrou 90 mil computadores para SL. A CEF cerca de 150 mil e vai ter 100% das estações de trabalho de seus funcionários rodando Linux e BrOffice.org até o final do ano que vem. O Banco do Brasil está indo pelo mesmo caminho. O Ministério do Planejamento passou a exigir que os prestadores de serviço tenham capacidade de fornecer soluções software livre. Isso vai abrir um caminho enorme para pequenas empresas que querem prestar serviço para o governo federal. No Paraná, temos na Assembleia Legislativa, o apoio do deputado pastor Edson Praczyk, autor da lei que obriga as instituições estaduais a utilizarem preferencialmente software livre e padrões abertos na administração pública estadual. Pouca gente sabe, mas o fato de governos europeus, e de outros países do mundo, estarem adotando padrões abertos foi um acontecimento protagonizado pelo Brasil. Quando a Microsoft conseguiu que a ISO aprovasse o OpenXML como padrão no OASIS, a ABNT informou a ISO que não adotaria o padrão e que utilizaria o ODF. O governo brasileiro começou a utilizar o ODF ostensivamente, e mostrar ao mundo que era possível viver sem padrões fechados. O resultado foi que os governos europeus *desautorizaram* seus departamentos normativos e, a despeito do "padrão" da Microsoft ter sido aprovado, eles começaram a utilizar o ODF e ferramentas livres. Essa história eu ouvi recentemente da boca de Paulo Maia da Costa, Diretor de Projetos de TI da CEF, portanto, pode acreditar que não é "achismo". Por isso eu digo que, na minha modesta opinião, eu acho que esse tipo de iniciativa é que força as coisas a mudar. Em breve, quando Petrobras, CEF, BB e outras grandes empresas começarem a exigir que seus contratados utilizem padrões abertos para documentos de engenharia, isso vai gerar uma demanda enorme e vai forçar as empresas a começarem a usar alternativas. Também é preciso de um pouco de esforço e boa vontade de quem quer que as coisas mudem para melhor. Esperar que as coisas mudem, pra depois embarcar na moda e começar a dar palestras, como se fosse o guru bambambam, como vejo muitos oportunistas por aí fazendo, é muito fácil. Abraço -- Mais sobre o Ubuntu em português: http://www.ubuntu-br.org/comece Lista de discussão Ubuntu Brasil Histórico, descadastramento e outras opções: https://lists.ubuntu.com/mailman/listinfo/ubuntu-br

