Estimado Colega Amilcar Brunazo Filho,

 

Com uma exposição brilhante como esta, dentro em pouco, teremos de tratá-lo
como Doutor (por extenso), ou Processor (neologismo que aplico aos
Professores como nível de Cientista).

 

Desta forma acabarás convencendo até ao PAPA do TEMPLO UNIVERSAL DO SANTO
BYTE que ele não passa de um tolo em suas crendices absurdas.

 

Parabéns por esta belíssima exposição.

 

POR UMA URNA ELETRÔNICA REALMENTE SEGURA, subscrevo-me

 

Atenciosamente,

 

Leamartine Pinheiro de Souza

21 2558-9814 – [EMAIL PROTECTED] 

Rua Conde de Baependi 78, Ap 1310

Flamengo, Rio de Janeiro, RJ

22231-140

 

 

-----Mensagem original-----
De: [EMAIL PROTECTED]
[mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome de Amilcar
Brunazo Filho
Enviada em: quinta-feira, 25 de janeiro de 2007 20:58
Para: [email protected]
Cc: Pedro Antonio Dourado de Rezende
Assunto: [VotoEletronico] Urna-E na Câmara Federal

 

Caro Regivaldo,

 

Regivaldo Gomes Costa escreveu:

> Srs.,

> Não é o mérito, mas vale a pena comentar: até onde conheço, o corpo
técnico da área de desenvolvimento da Câmara e composto de profissionais de
grande experiência na área e têm como premissa o desenvolvimento de produtos
tolerantes a faltas e que estejam em conformidade com os pilares da
segurança computacional (integridade, confidencialidade, auteticidade e
não-repúdio) associado ao processo de votação eletrônica.

> Vale ressaltar, que a concepção e a implementação do Sistema Eletrônico de
Votação (SEV) da Câmara do Deputados (CD) que ocorreu em 1998, já
contemplava a cifragem da qualidade do voto do eleitor, conforme exposto
pelo Sr. Leirton no link já divulgado.

> Os SEVs da CD o do Senado são incoparáveis quanto infra-estrutura e
segurança aplicada ao sistema, principalmente qdo da ocorréncia do "caso do
Senado". A Unicamp já esteve auditando o SEV da CD e ela própria, na época,
ficou abismada com diferença entre os dois sistemas, posicionando o da CD
com um sistema robusto e confiável.

> Digo ainda, que a preocupação que os pares deste forum têm, o diretor da
Cordenação do Sistema Eletrônico de Votação, Sr. Leirton Castro e sua equipe
também o tem. Tanto, que os mesmos estão trabalhando para que o SEV da CD
seja objeto de auditoria externa e periódica, visando a lisura de todo o
processo, frente aos parlamentares e a sociedade brasileira.

> As palavras acima, são posições pessoais minha e não reflete qualquer
posição da CD. E me baseio no conhecimento que tenho da infra-estrutura do
SEV daquela Casa e de seus profissionais que estão em constante preocupação
com a segurança e tolerância a faltas dos sistema lá implantados.

> []s,

> Regivaldo Costa

 

Muito obrigado por sua mensagem acima pois me dá oportunide de abordar 

um ponto sobre confiabilidade de sistema eleitorais eletrônicos de forma 

estritamente técnica e impessoal.

 

Eu acompanhei a avaliação da UNICAMP sobre o SEV. Estava lá quando os 

sistemas foram copiados para análise pelo prof. Àlvaro Crosta. Confirmo 

que o SEV da Câmara era muito melhor, do ponto de vista da 

confiabilidade, do que o do Senado.

 

Mas, de imediato, lembre que sobre confiabilidade de sistemas 

eleitorais, a sua história em eventos pretéritos não tem a melhor 

importância. A confiabilidade tem que ser analisada e estabelecida a 

cada eleição.

 

Esta análise a seguir se refere a sistemas de votação secreta, não se 

aplicando a sistemas de votação aberta onde a questão da confiabilidade 

tem solução trivial.

 

Em 2000, eu escrevi um artigo que foi aceito para o Simpósio de 

Segurança em Informática, SSI, que pode ser visto em:

   http://www.brunazo.eng.br/voto-e/textos/SSI2000.htm

onde apresentei a tese de que o risco de fraude em sistemas eletrônicos 

de votação (secreta) cresce na medida da importância dos cargos em 

disputa e, por conseqüência disto, eleições de altos cargos e altos 

interesses, como é o caso da Câmara Federal, são eleições de alto risco 

de fraudes e deveriam ser tratadas, do ponto de vista de segurança, da 

mesma forma que se trata um sistema de alto risco de falhas, como uma 

usina nuclear por exemplo.

 

Isto quer dizer, que devem ter sempre controles redundantes e ser 

submetidos a constante verificações e auditoria.

 

Assim, se justifica o uso do voto impresso conferido pelo eleitor, a 

cada eleição, como forma de auditoria alternativa e redundante da 

apuração eletrônica. Não adianta usar o voto impresso numa eleição, 

fazer a recontagem, provar que o sistema funcionou direito e eliminar o 

voto impresso nas eleições seguintes. Estas poderão ser fraudadas.

 

Outro conceito que apresentei, então, é que em sistemas de alto risco, 

como classifiquei o sistema eleitoral, a segurança deve ser 

essencialmente independente das pessoas, porque estas sempre podem 

falhar e, eventualmente, fraudar.

 

Por isto, por favor entenda que a critica que apresento a seguir é 

estritamente impessoal.

 

Se a confiabilidade do SEV depende da confiabilidade e da qualidade 

moral de seus desenvolvedores e administradores então, TECNICAMENTE 

FALANDO, O SEV É UM SISTEMA INSEGURO EM ESSÊNCIA.

 

O requisito de auditabilidade do resultado em sistemas de votação 

secreta é fundamental e, pelo que eu entendi, o SEV não apresenta uma 

forma que permita se conferir ou auditar o resultado eletrônico.

 

Entenda que todos os recursos digitais de segurança são insuficientes 

para dar garantia de que um sistema informatizado qualquer, NO MOMENTO 

DE FUNCIONAMENTO, esteja operando de forma 100% prevista e esperada.

 

Por isto é necessário auditoria constante. E em informática não adianta 

analisar um sistema eleitoral informatizado nem antes nem depois, tem 

que avaliar na hora ou... auditar o resultado depois por uma via 

alternativa (o voto impresso conferido pelo eleitor).

 

Você recitou a cartilha ao falar que o SEV foi projetado para estar em 

"conformidade com os pilares da segurança computacional (integridade, 

confidencialidade, auteticidade e não-repúdio)".

 

Estes requisitos são exatamente os requisitos de sistemas de assinatura 

digital baseado em critografia assimétrica. Acontece que QUEM INVENTOU A 

ASSINATURA DIGITAL E ESTES REQUISITOS, O DR. RONALD RIVEST DO MIT, JÁ 

ESCREVEU DEZENAS DE ARTIGOS EXPLICANDO PORQUE ELES NÃO BASTAM PARA 

SISTEMAS ELEITORAIS DE ALTO RISCO.

 

Veja, por exemplo, o artigo em:

http://theory.lcs.mit.edu/%7Erivest/BruckJeffersonRivest-AModularVotingArchi
tecture.doc

onde ele argumenta porque é surpreendentemente muito mais difícil 

processar com segurança um só voto secreto do que transferir com 

segurança (integridade, confidencialidade, auteticidade e não-repúdio) 

um milhão de dolares por meios digitais.

 

Veja, Regivaldo, como usar o jargão tecnológico pode ser apenas uma 

forma de esconder a verdadeira natureza do sistema. Apenas mais um 

espelhinho no salão para distrair a atenção dos fiéis do Santo Baite.

 

O SEV  da CD pode estar em conformidade com os pilares da segurança 

computacional (integridade, confidencialidade, auteticidade e 

não-repúdio) mas continua não oferendo uma forma de auditar o seu 

resultado...!

 

Obs.: atualmente o prof. Rivest tem publicado estudos onde avança a 

proposta do prof. David Chaum, de sistemas eleitorais auditáveis pelo 

próprio eleitor, mas que sempre necessitam da materialização do voto.

 

Assim, pretendo ter demonstrado que o SEV não merece ser tido como 

confiável pois não oferece alternativa externa ao sistema digital para 

conferir o seu resultado.

 

E quem projetou um sistema assim, segundo um modelo que está sendo 

rejeitado em 100% do mundo acadêmico, por mais sério e honesto que seja, 

projetou um sistema sem confiabilidade.

 

Lanço a seus conhecidos do corpo técnico da área de desenvolvimento da 

Câmara o mesmo desafio que lancei recentemente aos membros do corpo 

técnico do TSE. Escrevam para congressos de informática de alto nível 

explicando como conseguiram a façanha tecnológica de produzir um sistema 

eleitoral eletrônico que se auto-certifica estabelecendo a 

confiabilidade do resultado sem precisar de auditoria contábil por meios 

externos ao sistema. Todos gostariam muito de saber como eles 

conseguiram o que o resto do mundo acadêmico reputa impossível.

 

[ ]s

   Eng. Amilcar Brunazo Filho - Santos, SP

 

             Conheça o livro

    FRAUDES e DEFESAS no Voto Eletrônico

      http://www.votoseguro.org/livros

          se quiser compreender a

      insegurança da urna eletrônica

 

______________________________________________________________

O texto acima e' de inteira e exclusiva responsabilidade de seu

autor, conforme identificado no campo "remetente", e nao

representa necessariamente o ponto de vista do Forum do Voto-E

 

O Forum do Voto-E visa debater a confibilidade dos sistemas

eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos

sistemas de assinatura digital e infraestrutura de chaves publicas.

__________________________________________________

Pagina, Jornal e Forum do Voto Eletronico

        http://www.votoseguro.org

__________________________________________________

 

Responder a