Colegas, muito corajoso o manifesto ao CNPq; como é amplamente sabido, diversos de nós tivemos que lutar duramente contra a oligarquia do CNPq. Vencemos uma batalha, mas não a guerra.
Contudo, tenho minhas reservas contra a questão da *extinção* da Bolsa de Produtividade em Pesquisa. Não me parece muito estratégico pedir para cortar um benefício (ao invés de se lutar para ampliar e democratizar tal benefício). Seia muito fácil para o CNPq atender a esta reivindicação! Por exemplo, algo de que não se fala no Brasil são premiações sérias em todas as áreas (há alguma coisa para "ciências molhadas", bio-isso e bio-aquilo, mas nada para as secas...) Outro ponto que talvez mereça ser levantado é a questão crucial da nossa área de atuação. Parece que o Manifesto se refere ao excesso de ênfase as publicações ( "Fala-se muito no tripé das universidades - ensino, pesquisa e extensão -, mas a única coisa que é valorizada é a publicação"), mas não é isso o que se vê no CNPq: ao contrário, quem preenche CV Lattes nota que praticamente a única área em que podemos nos conectar é "Educação" (vide lista abaixo, tirada da Plataforma Lattes): "Ciência Básica", ou mesmo "Ciência", não é área! Eu, e muitos de vocês, educamos, mas basicamente fazemos ciência. Para isso e por isso viajamos, publicamos e damos conferências-- não pela "Educação"! Se não, quem está fazendo ciência no Brasil? Eis a lista: = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = Administração Pública, Defesa e Seguridade Social Agricultura, Pecuária, Silvicultura e Exploração Florestal Alojamento e Alimentação Atividades Imobiliárias, Aluguéis e Serviços Prestados Às Empresas Comércio; Reparação de Veículos Automotores, Objetos Pessoais e Domésticos Construção Educação Indústrias de Transformação Indústrias Extrativas Intermediação Financeira Organismos Internacionais e Outras Instituições Extraterritoriais Outros Serviços Coletivos, Sociais e Pessoais Pesca Produção e Distribuição de Eletricidade, Gás e Água Saúde e Serviços Sociais Serviços Domésticos Transporte, Armazenagem e Comunicações = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = Abraços, Walter > > Em manifesto, pesquisadores reclamam de descaso do CNPq com as necessidades > das pequenas instituições > > Herton Escobar > Um manifesto assinado por mais de 180 cientistas, alunos e professores de > pequenas instituições de ensino e pesquisa do País acusa o Conselho > Nacional > de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) de funcionar como uma > "oligarquia", ignorando as necessidades de pesquisadores fora da "elite" > acadêmica das grandes universidades. A carta foi enviada no início do mês a > várias lideranças políticas do setor em Brasília, incluindo o presidente > Luiz Inácio Lula da Silva. > > O Estado procurou o CNPq durante mais de uma semana para a reportagem, mas > o > presidente do conselho, Marco Antônio Zago, não estava disponível para > entrevistas. > > No manifesto, os autores pedem uma revisão das regras para concessão de > bolsas e financiamento de projetos - normas que, segundo eles, não dão > chances aos pesquisadores de pequenas instituições. O CNPq, órgão do > Ministério da Ciência e Tecnologia, é a principal agência de fomento à > ciência e à formação de pesquisadores no País. > > A principal crítica é em relação ao uso do número de trabalhos publicados > como principal (e às vezes único) critério de avaliação de mérito do > cientista. "O que o CNPq faz é uma comparação quantitativa dos > pesquisadores, com base no número de publicações", diz o matemático e > engenheiro de computação Otávio Carpinteiro, da Universidade Federal de > Itajubá (Unifei), em Minas Gerais, que ajudou a organizar o manifesto. > "Ora, > para fazer uma comparação quantitativa é preciso que haja condições iguais. > Não dá para comparar um corredor de pista com alguém que corre na areia." > > O documento chama a atenção para o fato de que as condições de trabalho não > são iguais entre as instituições e que, portanto, os critérios de avaliação > deveriam ser diferenciados. As grandes universidades, por exemplo, já > possuem grupos de pesquisa bem consolidados, apoiados em programas de > mestrado e doutorado com décadas de experiência, o que permite aos > pesquisadores desenvolver projetos e publicar trabalhos com mais agilidade. > > "Nos pequenos centros (...) os pesquisadores não só não possuem estas > condições como ainda têm de dedicar grande parte de seu tempo à criação > destas condições", diz o manifesto. "É, portanto, incorreto julgar, por um > critério igual, pesquisadores que possuem condições de pesquisa desiguais. > Esta prática amplifica as desigualdades e é injusta, pois não premia > necessariamente os melhores pesquisadores, mas sim os que têm as melhores > condições de pesquisa." > > Cria-se um círculo vicioso: o pesquisador de uma pequena instituição tem > mais dificuldade para publicar trabalhos, por isso consegue menos recursos, > o que dificulta ainda mais a publicação de novos trabalhos e assim por > diante. Carpinteiro, que fez pós-graduação na Inglaterra e na Alemanha, > conta que passou nos concursos da Universidade Federal do Rio de Janeiro e > da Unifei, mas preferiu Itajubá por causa da qualidade de vida e por sentir > que seu trabalho era "mais necessário" por lá. "Muitos amigos disseram que > eu era louco, mas não me arrependo", conta. > > São poucos, porém, os que aceitam esse desafio: segundo Carpinteiro, é > difícil atrair professores e recém-doutores para a instituição. "O CNPq > está > destruindo a sobrevivência desses pequenos centros", diz. > > *BOLSAS* > > O manifesto pede também a extinção da Bolsa de Produtividade em Pesquisa, > uma categoria que premia os cientistas que publicam mais trabalhos - e que > é > tida como símbolo de "status" na comunidade. "Este critério de > produtividade > e a existência da categoria de Bolsista de Produtividade em Pesquisa, com > bolsas concedidas como premiação a poucos, introduziram no CNPq um regime > oligárquico constituído por uma bem questionável elite", diz o documento. > "Como em toda oligarquia, só esta elite (a minoria) tem opinião, voto e > representação nos órgãos de consulta e julgamento do CNPq. Assim, é natural > que as políticas do CNPq sejam voltadas para o benefício de sua oligarquia > e > não para o bem comum." > > "Sou contra essa bolsa e abriria mão dela numa boa se fosse para melhorar a > ciência no País", diz a pesquisadora Eliana Cancello, do Museu de Zoologia > da Universidade de São Paulo, que também ajudou a organizar o manifesto. > Segundo ela, os conceitos de produtividade do CNPq ignoram o valor de > outras > atividades essenciais da academia, como o ensino, a divulgação e até as > funções administrativas. Isso fica evidente dentro de um museu (mesmo um > museu da USP), onde a curadoria de coleções e a organização de exposições > são atividades cruciais, mas que não resultam em publicações. "Fala-se > muito > no tripé das universidades - ensino, pesquisa e extensão -, mas a única > coisa que é valorizada é a publicação", afirma Eliana. > > Fonte: > http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081226/not_imp299073,0.php > -------------- Próxima Parte ---------- > Um anexo em HTML foi limpo... > URL: > http://www.dimap.ufrn.br/pipermail/logica-l/attachments/20081226/877ffeab/attachment.html > > ------------------------------ > > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > > > Fim da Digest Logica-l, volume 34, assunto 14 > ********************************************* > -- +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ Walter Carnielli Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE State University of Campinas –UNICAMP P.O. 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