hehe, eles diriam que ninguém está interessado em uma nova teoria da gravidade e que lógica e estudos fundacionistas não têm utilidade "prática"...
[ ]s Alvaro Augusto ----- Original Message ----- From: Francisco Antonio Doria To: Alvaro Augusto (L) Cc: Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA Sent: Saturday, December 27, 2008 12:50 AM Subject: Re: [Logica-l] Manifesto ao CNPq? Não seria pela falta de produtividade - mas com certeza algum parecerista do CNPq diria que o que fizeram é irrelevante... 2008/12/27 Alvaro Augusto (L) <[email protected]> Fico em dúvidas se mesmo Einstein teria uma bolsa de produtividade do CNPq (Gödel certamente não teria...:) [ ]s Alvaro Augusto ----- Original Message ----- From: Francisco Antonio Doria To: Walter Carnielli Cc: [email protected] Sent: Friday, December 26, 2008 2:03 PM Subject: Re: [Logica-l] Manifesto ao CNPq? Walter, Minha discordância deles foi justamente nisso: querem acabar com o critério de produtividade. Logo isso, que nos serviu de argumento essencial junto ao CNPq! A oligarquia é outra; não é a dos produtivos. O Acacio, meu ex-aluno de PhD, professor na San Fran State e com um appointment em Stanford, NUNCA teve bolsa de pesquisa do CNPq. E não preciso afirmar que ele é muito produtivo... 2008/12/26 Walter Carnielli <[email protected]> Colegas, muito corajoso o manifesto ao CNPq; como é amplamente sabido, diversos de nós tivemos que lutar duramente contra a oligarquia do CNPq. Vencemos uma batalha, mas não a guerra. Contudo, tenho minhas reservas contra a questão da *extinção* da Bolsa de Produtividade em Pesquisa. Não me parece muito estratégico pedir para cortar um benefício (ao invés de se lutar para ampliar e democratizar tal benefício). Seia muito fácil para o CNPq atender a esta reivindicação! Por exemplo, algo de que não se fala no Brasil são premiações sérias em todas as áreas (há alguma coisa para "ciências molhadas", bio-isso e bio-aquilo, mas nada para as secas...) Outro ponto que talvez mereça ser levantado é a questão crucial da nossa área de atuação. Parece que o Manifesto se refere ao excesso de ênfase as publicações ( "Fala-se muito no tripé das universidades - ensino, pesquisa e extensão -, mas a única coisa que é valorizada é a publicação"), mas não é isso o que se vê no CNPq: ao contrário, quem preenche CV Lattes nota que praticamente a única área em que podemos nos conectar é "Educação" (vide lista abaixo, tirada da Plataforma Lattes): "Ciência Básica", ou mesmo "Ciência", não é área! Eu, e muitos de vocês, educamos, mas basicamente fazemos ciência. Para isso e por isso viajamos, publicamos e damos conferências-- não pela "Educação"! Se não, quem está fazendo ciência no Brasil? Eis a lista: = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = Administração Pública, Defesa e Seguridade Social Agricultura, Pecuária, Silvicultura e Exploração Florestal Alojamento e Alimentação Atividades Imobiliárias, Aluguéis e Serviços Prestados Às Empresas Comércio; Reparação de Veículos Automotores, Objetos Pessoais e Domésticos Construção Educação Indústrias de Transformação Indústrias Extrativas Intermediação Financeira Organismos Internacionais e Outras Instituições Extraterritoriais Outros Serviços Coletivos, Sociais e Pessoais Pesca Produção e Distribuição de Eletricidade, Gás e Água Saúde e Serviços Sociais Serviços Domésticos Transporte, Armazenagem e Comunicações = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = Abraços, Walter Em manifesto, pesquisadores reclamam de descaso do CNPq com as necessidades das pequenas instituições Herton Escobar Um manifesto assinado por mais de 180 cientistas, alunos e professores de pequenas instituições de ensino e pesquisa do País acusa o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) de funcionar como uma "oligarquia", ignorando as necessidades de pesquisadores fora da "elite" acadêmica das grandes universidades. A carta foi enviada no início do mês a várias lideranças políticas do setor em Brasília, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Estado procurou o CNPq durante mais de uma semana para a reportagem, mas o presidente do conselho, Marco Antônio Zago, não estava disponível para entrevistas. No manifesto, os autores pedem uma revisão das regras para concessão de bolsas e financiamento de projetos - normas que, segundo eles, não dão chances aos pesquisadores de pequenas instituições. O CNPq, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, é a principal agência de fomento à ciência e à formação de pesquisadores no País. A principal crítica é em relação ao uso do número de trabalhos publicados como principal (e às vezes único) critério de avaliação de mérito do cientista. "O que o CNPq faz é uma comparação quantitativa dos pesquisadores, com base no número de publicações", diz o matemático e engenheiro de computação Otávio Carpinteiro, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em Minas Gerais, que ajudou a organizar o manifesto. "Ora, para fazer uma comparação quantitativa é preciso que haja condições iguais. Não dá para comparar um corredor de pista com alguém que corre na areia." O documento chama a atenção para o fato de que as condições de trabalho não são iguais entre as instituições e que, portanto, os critérios de avaliação deveriam ser diferenciados. As grandes universidades, por exemplo, já possuem grupos de pesquisa bem consolidados, apoiados em programas de mestrado e doutorado com décadas de experiência, o que permite aos pesquisadores desenvolver projetos e publicar trabalhos com mais agilidade. "Nos pequenos centros (...) os pesquisadores não só não possuem estas condições como ainda têm de dedicar grande parte de seu tempo à criação destas condições", diz o manifesto. "É, portanto, incorreto julgar, por um critério igual, pesquisadores que possuem condições de pesquisa desiguais. Esta prática amplifica as desigualdades e é injusta, pois não premia necessariamente os melhores pesquisadores, mas sim os que têm as melhores condições de pesquisa." Cria-se um círculo vicioso: o pesquisador de uma pequena instituição tem mais dificuldade para publicar trabalhos, por isso consegue menos recursos, o que dificulta ainda mais a publicação de novos trabalhos e assim por diante. Carpinteiro, que fez pós-graduação na Inglaterra e na Alemanha, conta que passou nos concursos da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Unifei, mas preferiu Itajubá por causa da qualidade de vida e por sentir que seu trabalho era "mais necessário" por lá. "Muitos amigos disseram que eu era louco, mas não me arrependo", conta. São poucos, porém, os que aceitam esse desafio: segundo Carpinteiro, é difícil atrair professores e recém-doutores para a instituição. "O CNPq está destruindo a sobrevivência desses pequenos centros", diz. *BOLSAS* O manifesto pede também a extinção da Bolsa de Produtividade em Pesquisa, uma categoria que premia os cientistas que publicam mais trabalhos - e que é tida como símbolo de "status" na comunidade. "Este critério de produtividade e a existência da categoria de Bolsista de Produtividade em Pesquisa, com bolsas concedidas como premiação a poucos, introduziram no CNPq um regime oligárquico constituído por uma bem questionável elite", diz o documento. "Como em toda oligarquia, só esta elite (a minoria) tem opinião, voto e representação nos órgãos de consulta e julgamento do CNPq. Assim, é natural que as políticas do CNPq sejam voltadas para o benefício de sua oligarquia e não para o bem comum." "Sou contra essa bolsa e abriria mão dela numa boa se fosse para melhorar a ciência no País", diz a pesquisadora Eliana Cancello, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, que também ajudou a organizar o manifesto. Segundo ela, os conceitos de produtividade do CNPq ignoram o valor de outras atividades essenciais da academia, como o ensino, a divulgação e até as funções administrativas. Isso fica evidente dentro de um museu (mesmo um museu da USP), onde a curadoria de coleções e a organização de exposições são atividades cruciais, mas que não resultam em publicações. "Fala-se muito no tripé das universidades - ensino, pesquisa e extensão -, mas a única coisa que é valorizada é a publicação", afirma Eliana. Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081226/not_imp299073,0.php -------------- Próxima Parte ---------- Um anexo em HTML foi limpo... 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