Fico em dúvidas se mesmo Einstein teria uma bolsa de produtividade do CNPq 
(Gödel certamente não teria...:)

[ ]s

Alvaro Augusto

  ----- Original Message ----- 
  From: Francisco Antonio Doria 
  To: Walter Carnielli 
  Cc: [email protected] 
  Sent: Friday, December 26, 2008 2:03 PM
  Subject: Re: [Logica-l] Manifesto ao CNPq?


  Walter,

  Minha discordância deles foi justamente nisso: querem acabar com o critério 
de produtividade. Logo isso, que nos serviu de argumento essencial junto ao 
CNPq! 

  A oligarquia é outra; não é a dos produtivos. O Acacio, meu ex-aluno de PhD, 
professor na San Fran State e com um appointment em Stanford, NUNCA teve bolsa 
de pesquisa do CNPq. E não preciso afirmar que ele é muito produtivo... 


  2008/12/26 Walter Carnielli <[email protected]>

     Colegas,

    muito corajoso o  manifesto ao  CNPq; como é amplamente  sabido, diversos 
de nós tivemos que lutar  duramente  contra a oligarquia do CNPq. Vencemos uma 
batalha, mas não a guerra.

    Contudo, tenho minhas  reservas contra a  questão da *extinção* da Bolsa de 
Produtividade em Pesquisa. Não me parece  muito
    estratégico  pedir para cortar  um benefício (ao  invés de se
    lutar  para ampliar  e democratizar  tal benefício). Seia muito
    fácil para  o CNPq atender a  esta reivindicação!


    Por exemplo, algo de que  não se fala no Brasil são premiações
    sérias em todas as áreas (há alguma coisa   para "ciências
    molhadas", bio-isso e  bio-aquilo, mas  nada para  as secas...)

    Outro  ponto que talvez mereça ser  levantado é  a questão crucial da nossa 
 área de atuação.


    Parece que o  Manifesto se refere ao excesso de ênfase as
    publicações ( "Fala-se muito no tripé das universidades - ensino,
    pesquisa e extensão -, mas a única coisa que é valorizada é a
    publicação"),

    mas não é isso o que se vê  no CNPq: ao contrário, quem preenche CV Lattes 
nota que praticamente  a  única área em que podemos  nos conectar   é 
"Educação" (vide  lista abaixo, tirada da Plataforma Lattes): "Ciência Básica", 
 ou mesmo  "Ciência",  não  é área!

    Eu, e  muitos de vocês,  educamos, mas basicamente  fazemos
    ciência. Para isso  e por isso viajamos, publicamos e damos
    conferências-- não pela "Educação"!

    Se não, quem  está fazendo  ciência no Brasil?

    Eis  a  lista:

     = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

    Administração Pública, Defesa e Seguridade Social

    Agricultura, Pecuária,  Silvicultura e Exploração Florestal

    Alojamento e Alimentação

    Atividades Imobiliárias,  Aluguéis e Serviços Prestados Às
    Empresas

    Comércio; Reparação de Veículos Automotores, Objetos Pessoais e Domésticos

    Construção

    Educação

    Indústrias de Transformação

    Indústrias Extrativas

    Intermediação Financeira

    Organismos Internacionais e Outras Instituições Extraterritoriais

    Outros Serviços Coletivos, Sociais e Pessoais

    Pesca

    Produção e Distribuição de Eletricidade, Gás e Água

    Saúde e Serviços Sociais

    Serviços Domésticos

    Transporte, Armazenagem e Comunicações

    = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

    Abraços,

    Walter







      Em manifesto, pesquisadores reclamam de descaso do CNPq com as 
necessidades
      das pequenas instituições

      Herton Escobar
       Um manifesto assinado por mais de 180 cientistas, alunos e professores de
      pequenas instituições de ensino e pesquisa do País acusa o Conselho 
Nacional
      de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) de funcionar como uma
      "oligarquia", ignorando as necessidades de pesquisadores fora da "elite"
      acadêmica das grandes universidades. A carta foi enviada no início do mês 
a
      várias lideranças políticas do setor em Brasília, incluindo o presidente
      Luiz Inácio Lula da Silva.

      O Estado procurou o CNPq durante mais de uma semana para a reportagem, 
mas o
      presidente do conselho, Marco Antônio Zago, não estava disponível para
      entrevistas.

      No manifesto, os autores pedem uma revisão das regras para concessão de
      bolsas e financiamento de projetos - normas que, segundo eles, não dão
      chances aos pesquisadores de pequenas instituições. O CNPq, órgão do
      Ministério da Ciência e Tecnologia, é a principal agência de fomento à
      ciência e à formação de pesquisadores no País.

      A principal crítica é em relação ao uso do número de trabalhos publicados
      como principal (e às vezes único) critério de avaliação de mérito do
      cientista. "O que o CNPq faz é uma comparação quantitativa dos
      pesquisadores, com base no número de publicações", diz o matemático e
      engenheiro de computação Otávio Carpinteiro, da Universidade Federal de
      Itajubá (Unifei), em Minas Gerais, que ajudou a organizar o manifesto. 
"Ora,
      para fazer uma comparação quantitativa é preciso que haja condições 
iguais.
      Não dá para comparar um corredor de pista com alguém que corre na areia."

      O documento chama a atenção para o fato de que as condições de trabalho 
não
      são iguais entre as instituições e que, portanto, os critérios de 
avaliação
      deveriam ser diferenciados. As grandes universidades, por exemplo, já
      possuem grupos de pesquisa bem consolidados, apoiados em programas de
      mestrado e doutorado com décadas de experiência, o que permite aos
      pesquisadores desenvolver projetos e publicar trabalhos com mais 
agilidade.

      "Nos pequenos centros (...) os pesquisadores não só não possuem estas
      condições como ainda têm de dedicar grande parte de seu tempo à criação
      destas condições", diz o manifesto. "É, portanto, incorreto julgar, por um
      critério igual, pesquisadores que possuem condições de pesquisa desiguais.
      Esta prática amplifica as desigualdades e é injusta, pois não premia
      necessariamente os melhores pesquisadores, mas sim os que têm as melhores
      condições de pesquisa."

      Cria-se um círculo vicioso: o pesquisador de uma pequena instituição tem
      mais dificuldade para publicar trabalhos, por isso consegue menos 
recursos,
      o que dificulta ainda mais a publicação de novos trabalhos e assim por
      diante. Carpinteiro, que fez pós-graduação na Inglaterra e na Alemanha,
      conta que passou nos concursos da Universidade Federal do Rio de Janeiro e
      da Unifei, mas preferiu Itajubá por causa da qualidade de vida e por 
sentir
      que seu trabalho era "mais necessário" por lá. "Muitos amigos disseram que
      eu era louco, mas não me arrependo", conta.

      São poucos, porém, os que aceitam esse desafio: segundo Carpinteiro, é
      difícil atrair professores e recém-doutores para a instituição. "O CNPq 
está
      destruindo a sobrevivência desses pequenos centros", diz.

      *BOLSAS*

      O manifesto pede também a extinção da Bolsa de Produtividade em Pesquisa,
      uma categoria que premia os cientistas que publicam mais trabalhos - e 
que é
      tida como símbolo de "status" na comunidade. "Este critério de 
produtividade
      e a existência da categoria de Bolsista de Produtividade em Pesquisa, com
      bolsas concedidas como premiação a poucos, introduziram no CNPq um regime
      oligárquico constituído por uma bem questionável elite", diz o documento.
      "Como em toda oligarquia, só esta elite (a minoria) tem opinião, voto e
      representação nos órgãos de consulta e julgamento do CNPq. Assim, é 
natural
      que as políticas do CNPq sejam voltadas para o benefício de sua 
oligarquia e
      não para o bem comum."

      "Sou contra essa bolsa e abriria mão dela numa boa se fosse para melhorar 
a
      ciência no País", diz a pesquisadora Eliana Cancello, do Museu de Zoologia
      da Universidade de São Paulo, que também ajudou a organizar o manifesto.
      Segundo ela, os conceitos de produtividade do CNPq ignoram o valor de 
outras
      atividades essenciais da academia, como o ensino, a divulgação e até as
      funções administrativas. Isso fica evidente dentro de um museu (mesmo um
      museu da USP), onde a curadoria de coleções e a organização de exposições
      são atividades cruciais, mas que não resultam em publicações. "Fala-se 
muito
      no tripé das universidades - ensino, pesquisa e extensão -, mas a única
      coisa que é valorizada é a publicação", afirma Eliana.

      Fonte: 
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081226/not_imp299073,0.php
      -------------- Próxima Parte ----------
      Um anexo em HTML foi limpo...
      URL: 
http://www.dimap.ufrn.br/pipermail/logica-l/attachments/20081226/877ffeab/attachment.html

      ------------------------------

      _______________________________________________
      Logica-l mailing list
      [email protected]
      http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l


      Fim da Digest Logica-l, volume 34, assunto 14
      *********************************************




    -- 

    +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
    Walter Carnielli
    Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE
    State University of Campinas –UNICAMP
    P.O. Box 6133 13083-970 Campinas -SP, Brazil
    Phone: (+55) (19) 3788-6519
    Fax: (+55) (19) 3289-3269
    e-mail: [email protected]
    Website: http://www.cle.unicamp.br/prof/carnielli 

    _______________________________________________
    Logica-l mailing list
    [email protected]
    http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l






------------------------------------------------------------------------------


  _______________________________________________
  Logica-l mailing list
  [email protected]
  http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
_______________________________________________
Logica-l mailing list
[email protected]
http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l

Responder a