Colegas, solicito que até 15/01/09 nao me enviem e.mails pois estou na China e nem sempre acesso meus e.mails. Depois disso continuaremos as discussoes, bastante profícuas e atualizadoras! Alvaro, concordo com vc, é elefantesca a seuqncia do CNPQ! Um abraço

Obrigada

Cecilia

Em 27/12/2008 00:50, Francisco Antonio Doria escreveu:


Não seria pela falta de produtividade - mas com certeza algum parecerista do CNPq diria que o que fizeram é irrelevante...

2008/12/27 Alvaro Augusto (L) <[email protected]>
Fico em dúvidas se mesmo Einstein teria uma bolsa de produtividade do CNPq (Gödel certamente não teria...:)
[ ]s
Alvaro Augusto
----- Original Message -----
Sent: Friday, December 26, 2008 2:03 PM
Subject: Re: [Logica-l] Manifesto ao CNPq?

Walter,

Minha discordância deles foi justamente nisso: querem acabar com o critério de produtividade. Logo isso, que nos serviu de argumento essencial junto ao CNPq!

A oligarquia é outra; não é a dos produtivos. O Acacio, meu ex-aluno de PhD, professor na San Fran State e com um appointment em Stanford, NUNCA teve bolsa de pesquisa do CNPq. E não preciso afirmar que ele é muito produtivo...

2008/12/26 Walter Carnielli <[email protected]>
Colegas,

muito corajoso o  manifesto ao  CNPq; como é amplamente  sabido, diversos de nós tivemos que lutar  duramente  contra a oligarquia do CNPq. Vencemos uma batalha, mas não a guerra.

Contudo, tenho minhas  reservas contra a  questão da *extinção* da Bolsa de Produtividade em Pesquisa. Não me parece  muito
estratégico  pedir para cortar  um benefício (ao  invés de se
lutar  para ampliar  e democratizar  tal benefício). Seia muito
fácil para  o CNPq atender a  esta reivindicação!


Por exemplo, algo de que  não se fala no Brasil são premiações
sérias em todas as áreas (há alguma coisa   para "ciências
molhadas", bio-isso e  bio-aquilo, mas  nada para  as secas...)

Outro  ponto que talvez mereça ser  levantado é  a questão crucial da nossa  área de atuação.


Parece que o  Manifesto se refere ao excesso de ênfase as
publicações ( "Fala-se muito no tripé das universidades - ensino,
pesquisa e extensão -, mas a única coisa que é valorizada é a
publicação"),

mas não é isso o que se vê  no CNPq: ao contrário, quem preenche CV Lattes nota que praticamente  a  única área em que podemos  nos conectar   é "Educação" (vide  lista abaixo, tirada da Plataforma Lattes): "Ciência Básica",  ou mesmo  "Ciência",  não  é área!

Eu, e  muitos de vocês,  educamos, mas basicamente  fazemos
ciência. Para isso  e por isso viajamos, publicamos e damos
conferências-- não pela "Educação"!

Se não, quem  está fazendo  ciência no Brasil?

Eis  a  lista:

= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

Administração Pública, Defesa e Seguridade Social

Agricultura, Pecuária,  Silvicultura e Exploração Florestal

Alojamento e Alimentação

Atividades Imobiliárias,  Aluguéis e Serviços Prestados Às
Empresas

Comércio; Reparação de Veículos Automotores, Objetos Pessoais e Domésticos

Construção

Educação

Indústrias de Transformação

Indústrias Extrativas

Intermediação Financeira

Organismos Internacionais e Outras Instituições Extraterritoriais

Outros Serviços Coletivos, Sociais e Pessoais

Pesca

Produção e Distribuição de Eletricidade, Gás e Água

Saúde e Serviços Sociais

Serviços Domésticos

Transporte, Armazenagem e Comunicações

= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =

Abraços,

Walter






Em manifesto, pesquisadores reclamam de descaso do CNPq com as necessidades
das pequenas instituições

Herton Escobar
Um manifesto assinado por mais de 180 cientistas, alunos e professores de
pequenas instituições de ensino e pesquisa do País acusa o Conselho Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) de funcionar como uma
"oligarquia", ignorando as necessidades de pesquisadores fora da "elite"
acadêmica das grandes universidades. A carta foi enviada no início do mês a
várias lideranças políticas do setor em Brasília, incluindo o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.

O Estado procurou o CNPq durante mais de uma semana para a reportagem, mas o
presidente do conselho, Marco Ant ônio Zago, não estava disponível para
entrevistas.

No manifesto, os autores pedem uma revisão das regras para concessão de
bolsas e financiamento de projetos - normas que, segundo eles, não dão
chances aos pesquisadores de pequenas instituições. O CNPq, órgão do
Ministério da Ciência e Tecnologia, é a principal agência de fomento à
ciência e à formação de pesquisadores no País.

A principal crítica é em relação ao uso do número de trabalhos publicados
como principal (e às vezes único) critério de avaliação de mérito do
cientista. "O que o CNPq faz é uma comparação quantitativa dos
pesquisadores, com base no número de publicações", diz o matemático e
engenheiro de computação Otávio Carpinteiro, da Universidade Federal de
Itajubá (Unifei), em Minas Gerais, que ajudou a organizar o m anifesto. "Ora,
para fazer uma comparação quantitativa é preciso que haja condições iguais.
Não dá para comparar um corredor de pista com alguém que corre na areia."

O documento chama a atenção para o fato de que as condições de trabalho não
são iguais entre as instituições e que, portanto, os critérios de avaliação
deveriam ser diferenciados. As grandes universidades, por exemplo, já
possuem grupos de pesquisa bem consolidados, apoiados em programas de
mestrado e doutorado com décadas de experiência, o que permite aos
pesquisadores desenvolver projetos e publicar trabalhos com mais agilidade.

"Nos pequenos centros (...) os pesquisadores não só não possuem estas
condições como ainda têm de dedicar grande parte de seu tempo à criação
destas condições", diz o manifesto. "É, portanto, incorreto j ulgar, por um
critério igual, pesquisadores que possuem condições de pesquisa desiguais.
Esta prática amplifica as desigualdades e é injusta, pois não premia
necessariamente os melhores pesquisadores, mas sim os que têm as melhores
condições de pesquisa."

Cria-se um círculo vicioso: o pesquisador de uma pequena instituição tem
mais dificuldade para publicar trabalhos, por isso consegue menos recursos,
o que dificulta ainda mais a publicação de novos trabalhos e assim por
diante. Carpinteiro, que fez pós-graduação na Inglaterra e na Alemanha,
conta que passou nos concursos da Universidade Federal do Rio de Janeiro e
da Unifei, mas preferiu Itajubá por causa da qualidade de vida e por sentir
que seu trabalho era "mais necessário" por lá. "Muitos amigos disseram que
eu era louco, mas não me arrependo", conta.< br />
São poucos, porém, os que aceitam esse desafio: segundo Carpinteiro, é
difícil atrair professores e recém-doutores para a instituição. "O CNPq está
destruindo a sobrevivência desses pequenos centros", diz.

*BOLSAS*

O manifesto pede também a extinção da Bolsa de Produtividade em Pesquisa,
uma categoria que premia os cientistas que publicam mais trabalhos - e que é
tida como símbolo de "status" na comunidade. "Este critério de produtividade
e a existência da categoria de Bolsista de Produtividade em Pesquisa, com
bolsas concedidas como premiação a poucos, introduziram no CNPq um regime
oligárquico constituído por uma bem questionável elite", diz o documento.
"Como em toda oligarquia, só esta elite (a minoria) tem opinião, voto e
representação nos órgãos de consulta e julgamento do CNPq. Assi m, é natural
que as políticas do CNPq sejam voltadas para o benefício de sua oligarquia e
não para o bem comum."

"Sou contra essa bolsa e abriria mão dela numa boa se fosse para melhorar a
ciência no País", diz a pesquisadora Eliana Cancello, do Museu de Zoologia
da Universidade de São Paulo, que também ajudou a organizar o manifesto.
Segundo ela, os conceitos de produtividade do CNPq ignoram o valor de outras
atividades essenciais da academia, como o ensino, a divulgação e até as
funções administrativas. Isso fica evidente dentro de um museu (mesmo um
museu da USP), onde a curadoria de coleções e a organização de exposições
são atividades cruciais, mas que não resultam em publicações. "Fala-se muito
no tripé das universidades - ensino, pesquisa e extensão -, mas a única
coisa que é valorizada é a p ublicação", afirma Eliana.

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081226/not_imp299073,0.php
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Fim da D igest Logica-l, volume 34, assunto 14
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