Walter,

Minha discordância deles foi justamente nisso: querem acabar com o critério
de produtividade. Logo isso, que nos serviu de argumento essencial junto ao
CNPq!

A oligarquia é outra; não é a dos produtivos. O Acacio, meu ex-aluno de PhD,
professor na San Fran State e com um appointment em Stanford, NUNCA teve
bolsa de pesquisa do CNPq. E não preciso afirmar que ele é muito
produtivo...

2008/12/26 Walter Carnielli <[email protected]>

>  Colegas,
>
> muito corajoso o  manifesto ao  CNPq; como é amplamente  sabido, diversos
> de nós tivemos que lutar  duramente  contra a oligarquia do CNPq. Vencemos
> uma batalha, mas não a guerra.
>
> Contudo, tenho minhas  reservas contra a  questão da *extinção* da Bolsa de
> Produtividade em Pesquisa. Não me parece  muito
> estratégico  pedir para cortar  um benefício (ao  invés de se
> lutar  para ampliar  e democratizar  tal benefício). Seia muito
> fácil para  o CNPq atender a  esta reivindicação!
>
>
> Por exemplo, algo de que  não se fala no Brasil são premiações
> sérias em todas as áreas (há alguma coisa   para "ciências
> molhadas", bio-isso e  bio-aquilo, mas  nada para  as secas...)
>
> Outro  ponto que talvez mereça ser  levantado é  a questão crucial da
> nossa  área de atuação.
>
>
> Parece que o  Manifesto se refere ao excesso de ênfase as
> publicações ( "Fala-se muito no tripé das universidades - ensino,
> pesquisa e extensão -, mas a única coisa que é valorizada é a
> publicação"),
>
> mas não é isso o que se vê  no CNPq: ao contrário, quem preenche CV Lattes
> nota que praticamente  a  única área em que podemos  nos conectar   é
> "Educação" (vide  lista abaixo, tirada da Plataforma Lattes): "Ciência
> Básica",  ou mesmo  "Ciência",  não  é área!
>
> Eu, e  muitos de vocês,  educamos, mas basicamente  fazemos
> ciência. Para isso  e por isso viajamos, publicamos e damos
> conferências-- não pela "Educação"!
>
> Se não, quem  está fazendo  ciência no Brasil?
>
> Eis  a  lista:
>
>  = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =
>
> Administração Pública, Defesa e Seguridade Social
>
> Agricultura, Pecuária,  Silvicultura e Exploração Florestal
>
> Alojamento e Alimentação
>
> Atividades Imobiliárias,  Aluguéis e Serviços Prestados Às
> Empresas
>
> Comércio; Reparação de Veículos Automotores, Objetos Pessoais e Domésticos
>
> Construção
>
> Educação
>
> Indústrias de Transformação
>
> Indústrias Extrativas
>
> Intermediação Financeira
>
> Organismos Internacionais e Outras Instituições Extraterritoriais
>
> Outros Serviços Coletivos, Sociais e Pessoais
>
> Pesca
>
> Produção e Distribuição de Eletricidade, Gás e Água
>
> Saúde e Serviços Sociais
>
> Serviços Domésticos
>
> Transporte, Armazenagem e Comunicações
>
> = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =
>
> Abraços,
>
> Walter
>
>
>
>
>
>>
>> Em manifesto, pesquisadores reclamam de descaso do CNPq com as
>> necessidades
>> das pequenas instituições
>>
>> Herton Escobar
>>  Um manifesto assinado por mais de 180 cientistas, alunos e professores de
>> pequenas instituições de ensino e pesquisa do País acusa o Conselho
>> Nacional
>> de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) de funcionar como uma
>> "oligarquia", ignorando as necessidades de pesquisadores fora da "elite"
>> acadêmica das grandes universidades. A carta foi enviada no início do mês
>> a
>> várias lideranças políticas do setor em Brasília, incluindo o presidente
>> Luiz Inácio Lula da Silva.
>>
>> O Estado procurou o CNPq durante mais de uma semana para a reportagem, mas
>> o
>> presidente do conselho, Marco Antônio Zago, não estava disponível para
>> entrevistas.
>>
>> No manifesto, os autores pedem uma revisão das regras para concessão de
>> bolsas e financiamento de projetos - normas que, segundo eles, não dão
>> chances aos pesquisadores de pequenas instituições. O CNPq, órgão do
>> Ministério da Ciência e Tecnologia, é a principal agência de fomento à
>> ciência e à formação de pesquisadores no País.
>>
>> A principal crítica é em relação ao uso do número de trabalhos publicados
>> como principal (e às vezes único) critério de avaliação de mérito do
>> cientista. "O que o CNPq faz é uma comparação quantitativa dos
>> pesquisadores, com base no número de publicações", diz o matemático e
>> engenheiro de computação Otávio Carpinteiro, da Universidade Federal de
>> Itajubá (Unifei), em Minas Gerais, que ajudou a organizar o manifesto.
>> "Ora,
>> para fazer uma comparação quantitativa é preciso que haja condições
>> iguais.
>> Não dá para comparar um corredor de pista com alguém que corre na areia."
>>
>> O documento chama a atenção para o fato de que as condições de trabalho
>> não
>> são iguais entre as instituições e que, portanto, os critérios de
>> avaliação
>> deveriam ser diferenciados. As grandes universidades, por exemplo, já
>> possuem grupos de pesquisa bem consolidados, apoiados em programas de
>> mestrado e doutorado com décadas de experiência, o que permite aos
>> pesquisadores desenvolver projetos e publicar trabalhos com mais
>> agilidade.
>>
>> "Nos pequenos centros (...) os pesquisadores não só não possuem estas
>> condições como ainda têm de dedicar grande parte de seu tempo à criação
>> destas condições", diz o manifesto. "É, portanto, incorreto julgar, por um
>> critério igual, pesquisadores que possuem condições de pesquisa desiguais.
>> Esta prática amplifica as desigualdades e é injusta, pois não premia
>> necessariamente os melhores pesquisadores, mas sim os que têm as melhores
>> condições de pesquisa."
>>
>> Cria-se um círculo vicioso: o pesquisador de uma pequena instituição tem
>> mais dificuldade para publicar trabalhos, por isso consegue menos
>> recursos,
>> o que dificulta ainda mais a publicação de novos trabalhos e assim por
>> diante. Carpinteiro, que fez pós-graduação na Inglaterra e na Alemanha,
>> conta que passou nos concursos da Universidade Federal do Rio de Janeiro e
>> da Unifei, mas preferiu Itajubá por causa da qualidade de vida e por
>> sentir
>> que seu trabalho era "mais necessário" por lá. "Muitos amigos disseram que
>> eu era louco, mas não me arrependo", conta.
>>
>> São poucos, porém, os que aceitam esse desafio: segundo Carpinteiro, é
>> difícil atrair professores e recém-doutores para a instituição. "O CNPq
>> está
>> destruindo a sobrevivência desses pequenos centros", diz.
>>
>> *BOLSAS*
>>
>> O manifesto pede também a extinção da Bolsa de Produtividade em Pesquisa,
>> uma categoria que premia os cientistas que publicam mais trabalhos - e que
>> é
>> tida como símbolo de "status" na comunidade. "Este critério de
>> produtividade
>> e a existência da categoria de Bolsista de Produtividade em Pesquisa, com
>> bolsas concedidas como premiação a poucos, introduziram no CNPq um regime
>> oligárquico constituído por uma bem questionável elite", diz o documento.
>> "Como em toda oligarquia, só esta elite (a minoria) tem opinião, voto e
>> representação nos órgãos de consulta e julgamento do CNPq. Assim, é
>> natural
>> que as políticas do CNPq sejam voltadas para o benefício de sua oligarquia
>> e
>> não para o bem comum."
>>
>> "Sou contra essa bolsa e abriria mão dela numa boa se fosse para melhorar
>> a
>> ciência no País", diz a pesquisadora Eliana Cancello, do Museu de Zoologia
>> da Universidade de São Paulo, que também ajudou a organizar o manifesto.
>> Segundo ela, os conceitos de produtividade do CNPq ignoram o valor de
>> outras
>> atividades essenciais da academia, como o ensino, a divulgação e até as
>> funções administrativas. Isso fica evidente dentro de um museu (mesmo um
>> museu da USP), onde a curadoria de coleções e a organização de exposições
>> são atividades cruciais, mas que não resultam em publicações. "Fala-se
>> muito
>> no tripé das universidades - ensino, pesquisa e extensão -, mas a única
>> coisa que é valorizada é a publicação", afirma Eliana.
>>
>> Fonte:
>> http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081226/not_imp299073,0.php
>> -------------- Próxima Parte ----------
>> Um anexo em HTML foi limpo...
>> URL:
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>> Fim da Digest Logica-l, volume 34, assunto 14
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