Caro Arthur,
muito boa sua explicação. Usarei em minhas aulas. É amenizador sentir que o
dogma da ciência européia também está se quebrando, assim como, na época,
Descartes fez ao quebrar os dogmas da igreja, mostrando ideias que
originariam a cientificidade européia.
De tudo que você comentou, o pior de tudo é ver formadores de opinião,
como alguns professores, confinando o pensamento de seus talentosos alunos
ao mostrar limites para a cientificidade, além de decepar qualquer forma de
expressão que não esteja nos padrões da mesma.
Mas algo me deixa reconfortado, a história mostra muito bem que *aqueles
que não se limitaram ao modelo da cientificidade européia e seu modelo
simplório de explicar e ver o mundo, foram as pessoas realmente
imortalizadas na história por suas realizações. *
Einstein é um grande exemplo disso. Viveu num ambiente com dois dogmas,
o da religião e o da cientificidade. Aos vinte anos, garoto, em casa, teve
que duvidar do dogma da igreja que vivenciava em sua família desde a
infância, e ainda mais, também teve que duvidar do dogma da cientificidade
de Descartes/Newton que aprendia e vivia na universidade. Com certeza sofreu
muito psicologicamente e analiticamente, ao estudar sobre o assunto, para
finalmente se sentir confiante para viver sem esses dogmas, decidir sair do
mundo unanime, e apostar em si. É passível de análise psiquiátrica essa
atitude de *deixar de viver conforme a realidade verdade que todas as outras
pessoas do mesmo meio vivem, no seu dia a dia*. *Sair da realidade é sinal
de loucura*. Daí, passou a ter até hábitos considerados exotéricos pelos
demais, até alguns parecidos com os de Jesus... e deu no que deu.
A cientificidade européia ainda é um dogma que todos nós estamos
vivenciando, mesmo que indiretamente através das pessoas com quem
convivemos. A nova revolução da cientificidade vem encabeçada pelas ideias
de Einstein, e ganham força com tantos outros pensadores. Vale lembrar
também a ajuda que essa revolução está sentindo pelo novo paradigma da
Física Quântica (FQ) e da Neurociência. Mas enquanto vivermos nesses três
paradigmas (igreja, cientificidade européia e FQ), agora os novos Einsteins
terão que analisar as contradições de três paradigmas, e não mais de dois,
como Einstein fez. O mais provável, como diz a história, é que esses
possíveis Einsteins desistam de si e se tornem só mais alguns funcionários
do mercado de trabalho, seja nas empresas ou na própria academia.
É certo que Descartes não é o mal, mas suas ideias foram corrompidas com
o passar do tempo, principalmente por aqueles que mais deveriam levá-la a
diante, os discípulos da ideia, assim como também aconteceu quando se
corromperam as ideias originais que formavam a igreja. Mas a história vai
seguindo... As ideias vão surgindo... e os doutos as corrompendo... e as
ideias vão surgindo... e os doutos as corrompendo, cada qual pelos seus
ideais de vida ou por ignorância. Baita ignorância. A história mostra que de
tempos em tempos algum "louco" tem que chegar para recolocar ordem na casa,
e reformular o paradigma para os tempos atuais.
Em 23 de agosto de 2011 21:22, Alvaro Augusto (L)
<[email protected]>escreveu:
> Ah, certamente existem muitas opiniões divergentes, mas eu me referi a uma
> *durante* a palestra...
>
> Abraços,
>
> Alvaro Augusto
>
>
> -----Mensagem original-----
> De: [email protected] [mailto:[email protected]]
> Em nome de Eduardo Ochs
> Enviada em: terça-feira, 23 de agosto de 2011 17:17
> Para: [email protected]
> Assunto: [Logica-l] RES: a ciência europeia e sua ideologia associada
>
> Isto aqui serve como "opiniao divergente"?
> http://www.lrb.co.uk/v28/n20/terry-eagleton/lunging-flailing-mispunching
> E' uma critica ao "The God Delusion", do Richard Dawkins, mas
> talvez se aplique tambem aos livros do Carl Sagan...
> [[]], Eduardo
>
> 2011/8/23 Alvaro Augusto (L) <[email protected]>:
> > Caro Arthur,
> >
> > Obrigado por suas considerações. Talvez o subtítulo da palestra ("um
> tributo
> > a Carl Sagan") dê a entender que sou discípulo dele, mas trata-se apenas
> de
> > uma provocação que pretendo esclarecer no decorrer da apresentação. Como
> não
> > sou lógico nem cientista, mas apenas um engenheiro, sinto-me bem à
> vontade
> > (talvez não devesse) para falar desses assuntos em meio a uma plateia de
> > graduandos de vários cursos. Minha intenção é cutucar. Se aparecer alguém
> > com opiniões divergentes, terei cumprido meus objetivos.
> >
> > Abraços,
> >
> > Alvaro Augusto
> >
> >
> > -----Mensagem original-----
> > De: [email protected] [mailto:
> [email protected]]
> > Em nome de Arthur Buchsbaum
> > Enviada em: terça-feira, 23 de agosto de 2011 16:16
> > Para: Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área
> de
> > LÓGICA
> > Assunto: [Logica-l] a ciência europeia e sua ideologia associada
> >
> > Caros colegas:
> > Eu examinei o conteúdo de uma versão em português de “The Demon-Haunted
> > World: Science as a Candle in the Dark”, “O mundo assombrado pelos
> > demônios”, de Carl Sagan, e verifiquei que o mesmo está eivado de um tipo
> de
> > ideologia que muitos chamam de cientificismo. Maiores detalhes estão em
> > http://en.wikipedia.org/wiki/Scientism ou
> > http://pt.wikipedia.org/wiki/Cientificismo.
> > Trata-se de uma crença, bem disseminada no meio acadêmico e dos
> institutos
> > de pesquisa “científica” em geral, de que o único conhecimento válido é
> > aquele oriundo da ciência originária da Europa e depois de seus satélites
> > por ela colonizados, especialmente das áreas de pesquisa hoje denominadas
> > "Física", "Química", "Biologia", bem como da ciência abstrata formal
> > denominada "Matemática".
> > O livro citado fala do obscurantismo vindo de diversas formas
> “religiosas”,
> > que no passado e no presente buscaram sufocar a “ciência” europeia, o que
> em
> > parte é correto, como por exemplo a Inquisição, a Guerra dos Trinta Anos,
> > etc., mas não se pode generalizar, este é um erro em que muitos incorrem,
> > inclusive pessoas que se dizem “lógicos”.
> > Existem formas de conhecimento válidas que não vieram da cultura europeia
> > nem de sua “ciência” (coloco aqui e em outros lugares esta palavra entre
> > aspas, porque esta forma europeia não é ciência plena, mas apenas
> parcial,
> > devido à mesma estar eivada de crenças tais como o cientificismo).
> Exemplos:
> > acupuntura, Reiki, Yoga, Cabala. Das várias culturas indígenas veio o
> > conhecimento de diversas plantas nativas com aplicações bem importantes
> para
> > o nosso bem-estar e saúde. De uma forma de medicina indígena da região da
> > Acre veio o conhecimento da aplicação, nos seres humanos, em doses
> > moderadas, do veneno de um sapo daquela região, com propriedades
> curativas
> > fantásticas. Tenho experimentado em mim mesmo, e senti-me praticamente
> > curado de asma e outras alergias de que sofria, bem como diversos outros
> > benefícios.
> > Porém os adeptos da “ciência” acadêmica, depois de buscar desmerecer e
> > inferiorizar os autores originais destas formas de conhecimento, ou
> > apropriam-se do mesmo, reduzindo-o às suas formas acadêmicas, muitas
> vezes
> > entregando-o à indústria farmacêutica visando lucro, ou simplesmente
> proíbem
> > tais práticas, temendo uma perda dos lucros obtidos atualmente pela
> > indústria “médica”.
> > Nas universidades os estudos são em grande parte direcionados para as
> > rotinas oriundas da “ciência” europeia, pelos mesmos motivos já citados,
> > como ocorre em diversos (nem em todos, pois esta mentalidade está mudando
> > gradualmente, mesmo que lentamente) dos departamentos ou institutos de
> > “medicina”, “filosofia”, “educação física”, etc., e diversos estudos e
> > práticas alternativas que poderiam ser realizados são suprimidos,
> proibidos
> > ou reduzidos a formas atenuadas visando lucro.
> > Sinceramente,
> > Arthur Buchsbaum
> >
> > -----Mensagem original-----
> > De: [email protected] [mailto:
> [email protected]]
> > Em nome de Alvaro Augusto (L)
> > Enviada em: terça-feira, 23 de agosto de 2011 10:40
> > Para: 'Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área
> de
> > LOGICA'
> > Assunto: [Logica-l] Palestra: "A arte refinada de detectar tolices - um
> > tributo a Carl Sagan"
> >
> > Na próxima quinta-feira, 25 de agosto, irei apresentar a palestra "A arte
> > refinada de detectar tolices - um tributo a Carl Sagan". O evento faz
> parte
> > do programa de palestras do Departamento Acadêmico de Eletrotécnica
> (DAELT).
> > Horário: 19h30 às 21h.
> > Local: Miniauditório do campus Curitiba da UTFPR (Av. Sete de Setembro,
> > 3165). Entrada gratuita.
> >
> > Sinopse: Existe muita discussão atualmente, dentro e fora da internet,
> mas
> > boa parte dela é de baixa qualidade. Felizmente, existe uma grande
> > quantidade de ferramentas para se detectar quando um argumentador está
> > “enrolando”. Algumas delas são:
> > 1. Argumento de autoridade.
> >
> > 2. A evidência silenciosa.
> >
> > 3. Ataques pessoais.
> >
> > 4. Non sequitur.
> >
> > 5. Correlação versus causa e efeito.
> >
> > 6. Consequências adversas.
> >
> > 7. Apelo à ignorância.
> >
> > 8. Petição de princípio.
> >
> > 9. A navalha de Occam.
> >
> > 10. Espantalho.
> >
> > O título da palestra é emprestado do 12º capítulo do livro de Carl Sagan,
> > “The Demon-Haunted World: Science as a Candle in the Dark” (1995).
> > Abraços,
> > Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida
> >
> > UTFPR/DAELT/Curso de Engenharia Elétrica
> >
> > <mailto:[email protected]> [email protected]
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> > <http://twitter.com/#!/alvaug> @alvaug
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Álisson Gomes Linhares
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acreditarmos que assim devem ser?"
"Não sabendo que era impossível, foi lá e fez." - Jean Cocteau
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