Caro Manuel,
fiquei descontente com parte do seu texto, porque defende a ideia que os
demais métodos que competem com o científico, para explicar o "mesmo mundo
natural", até o momento, são falsos e/ou obsoletos. Então conforme seu
discurso, posso acrescentar mais uma característica para esses métodos
antigos: *esquecidos por conveniência*.
Você mostrou bem que esquece os conceitos antigos por conveniência, ao
falar sobre a energia 'qi'
"A incorporação de parte da Acupuntura à Medicina entretanto não levou
consigo para o corpus médico entidades teóricas como "qi" ou "energia vital"
que são explanatoriamente *supérfluas* e cuja existência não
foi verificada."
Supérflua significaria inútil, desnecessária. Achei no mínimo, muito forte
sua declaração, entretanto você disse conforme agiu, preferiu não estudar o
conceito antigo de 'qi' porque o considera inútil, então preferiu
esquecê-lo, porque conforme o conhecimento *unanime* de que teve acesso,
'qi' não existe (apesar de não saber porque).
O caso é muito bom para discussão dessa situação, de pensamento fechado
da cientificidade européia. Perceba que se você considera algo inútil,
provavelmente não buscou conhecimento a respeito, visto que não estudamos
inutilidades. Mas perceba que alguns podem ver utilidade, e podem se sentir
intimidados de estudar tal assunto, porque pessoas como você *decepam sua
curiosidade*. "Rapaz, isso é inútil, isso não existe, isso é besteira (e
riria da cara do moleque com desdém)."
Por isso tudo, acho que os doutos não cuidam bem da ciência, porque
vivem em dogmas, em verdades, e não deixam outros gerarem ciência longe
desses dogmas. Me pergunto agora, quem deve ter sido o *louco*, a testar a
Aculputura que você, a pouco tempo, passou a acreditar? Deve ter sido um
louco, testar essa coisa supérflua.
É inútil, sim, limitar o pensamento de seus vários alunos ao mostrar sem
provas que coisas como o 'qi' são supérfluas, só para manter os padrões.
O exemplo foi mesmo ótimo, porque assim como ocorre com a nossa visão,
quando só enxergamos algo quando estamos treinados para vê-lo, da mesma
forma, só sentirá o 'ki', aquele que treina para sentir o 'ki'. Tá
precisando fazer um pouco de Aikido, para abrir sua visão de mundo, para
deixar de dizer que algo não existe porque não o sente, porque não o detecta
por meio de aparelhos, ou simplesmente porque ouviu falar que não existe e é
besteira pensar sobre aquilo.
Nada que se pensa e se aprende é besteira. Assim, é por simples exemplos
como o que nos mostrou gratuitamente, de visão limitada por conveniência (ao
seguir a risca algum *dogma)*, ou por não saber sobre sua própria visão
limitada... é por isso tudo, que os futuros Einsteins não aparecem... todo o
idealismo deles é decepado antes de iniciarem o novo caminho.
--
Álisson Gomes Linhares
"As coisas são como são por que assim devem ser... ou são como são por nós
acreditarmos que assim devem ser?"
"Não sabendo que era impossível, foi lá e fez." - Jean Cocteau
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