Caro Manuel,
não critiquei a questão do ki, na verdade, minha crítica foi sobre *seu
posicionamento de achar que é supérfluo (inútil, desnecessário) estudar
alguns conhecimentos antigos*. Se reler o meu texto, agora que esclareci
esses pontos, poderemos retomar a discussão.
Pelo que escreveu no e-mail anterior, fico feliz com sua visão de mundo
mais aberta, mas sinto muito em dizer que ocorreram algumas contradições
nesse seu novo discurso. Claro que não fez por mal : ), mas essa
contradição, se não for desfeita, pode distorcer a visão de mundo dos nossos
futuros Einsteins, assim como expliquei no meu e-mail anterior que critiquei
seu posicionamento.
Em seu e-mail anterior, *alguns de seus argumentos para se** opor aos
"modelos alternativos de se fazer ciência" e endossar de braços abertos a
"ciência ocidental"* são estes:
- A 'história geológica' hindu diz que as formações rochosas unindo a
Índia à Sri Lanka foram construídas pelo Lord Rama e seu exército de
homens-macaco"
- A 'antropologia' mórmon diz que os índios americanos descendem
de israelenses.
A contradição ocorre quando comparamos as características desses seus
argumentos com esta ideia que você apoiou, em um e-mail anterior, nesse
mesmo post:
Várias das alegadas "ciências alternativas" não encontram-se no que
o paleontólogo Stephen J. Gould nomeou de "magistérios
não-interferentes"; *muitas
realizam consistentemente alegações sobre *o mesmo mundo natural* estudado
por cientistas tornando-se portanto teorias e modelos **que estão competindo
nos mesmos âmbitos de explicação.*
Veja como as características dos dois primeiros argumentos se *
contradizem* com o último, porque os primeiros são "magistérios
não-interferíveis". Esclarecendo melhor... quando as duas primeiras teorias
foram estudadas pelos cientistas, passaram a competir com as teorias e com
os modelos científicos nos mesmos âmbitos de explicação. Nessa benigna
competição entre teorias, após testes das teorias antigas, a ciência
comprovou que são "falsas e/ou obsoletas".
Convém ressaltar que *essas teorias antigas provém do pensamento do povo
antigo*, e foram criadas em conformidade com o paradigma local do mesmo
povo. Para tentar validar essas teorias antigas em nossos tempos atuais, no
nosso paradigma, claro que *chegou-se a testá-las para verificar o
falseamento.* Assim, após o falseamento comprovado da teoria, a ciência
ganhou bastante com a mesma, porque *a ciência ganhava menos uma forma de se
explicar o determinado fenômeno*.
Mas o grande problema, meus caros, principalmente ao companheiro Manuel,
ocorre quando alguns doutos *convenientemente esquecem* o conhecimento
antigo, fazendo com que *muitas dessas teorias antigas nem cheguem a ser
testadas.* Esse é mesmo o grande problemas, porque elas entram no
esquecimento, verdadeiramente, por conveniência, ou por serem considerados
inúteis (supérfluas) pelos doutos formadores de opinião da época. A partir
daí, passam a tratar essas teorias (não falseadas nem obsoletas) com desdém,
(assim como fez, sem maldade, nosso amigo Manuel). Sobre esse assunto,
expliquei completamente no meu artigo anterior.
Então, voltando àquelas contradições... Manuel, apresentar
argumentos "magistérios não-interferíveis", assim como os dois que utilizou
apresentados lé em acima, significa, assim como o próprio nome já acomete,
que você *não pode interferir em nada *com eles; logo, também significa que
cientificamente *não sevem como argumento para convencer sobre nada.*
Por isso tudo, na verdade, *você se opôs à forma dos antigos de verem o
mundo, de entendê-lo e explicá-lo.* E qualquer resultado de tal oposição *não
pode* ser motivo para nada, inclusive se opor aos "modelos alternativos de
se fazer ciência" e endossar de braços abertos a "ciência ocidental".
É importante salientar, que se teorias apresentadas pelo Manuel ainda
vivem na cientificidade atual desses específicos povos, é porque se
instauraram lentamente como dogmas dessas localidades. Assim como ilustrei
no e-mail principal anterior, esses povos precisam de um *louco... assim
como fez Einstein.*
*
*
Dedico esses esclarecimentos aos nossos futuros Einsteins.
forte abraço,
--
Álisson Gomes Linhares
"As coisas são como são por que assim devem ser... ou são como são por nós
acreditarmos que assim devem ser?"
"Não sabendo que era impossível, foi lá e fez." - Jean Cocteau
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