Prezada juventude lógica (às vezes nem tanto)
Creio que o debate entre vocês às vezes vai meio longe, daqui há pouco
vão estar se encontrando na esquina para decidir no tapa se Popper era ou não
chegado a algumas concepções. Olha, se procuram "teorias" estranhas, querem
algo mais maluco do que a dos multiversos? O que se sabe é que essas coisas
estão fazendo com que tenhamos que redefinir o que seja física. Da mesma forma,
há quem discuta se uma "prova" feita por um computador é ou não uma
demonstração aceitável, etc.
O Walter tem razão: se querem ir para o tapa, vão por coisas mais
interessantes do que tentar interpretar Popper sem conhecer Popper (não acho
que qualquer um aqui seja um especialista na sua obra).
Que lhes parece?
Abraços apaziguadores,
Décio
________________________________
Decio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil
deciokrause[at]gmail.com
www.cfh.ufsc.br/~dkrause
________________________________
"He [God] will never choose among indiscernibles"
(G.W.Leibniz)
Em 16/09/2011, às 19:03, Manuel Doria escreveu:
> Prezado Álisson, o único sendo agressivo aqui é você, novamente.
>
> Eu acabei de alegar que eu poderia *inventar* na hora uma teoria
> ecologicamente e patologicamente consistente de vampiros. Se você julga que
> esse mero fato, de eu ter tirado do meu chapéu um troço tão extravagante,
> não é razão suficiente para considerar como "trivial" minha teoria de
> vampiros, isso apenas significa que o escopo de teorias que você tem
> considerações epistêmicas - teorias que você *leva a sério* - é muito mais
> vasto do que o meu.
>
> Se essa forma de pensar procedesse, então todo autor decente de ficção
> científica estaria lançando conjecturas e hipóteses que merecem ser levadas
> a sério. Em alguns casos isso procede - ficção científica já inspirou
> programas de pesquisa interessantes - mas a maior parte das hipóteses
> formuladas não vale a pena de ser investigada. Quando você não é um
> pesquisador independente, o tempo é curto, a pesquisa é cara, você tem
> deadlines e você tem que mostrar resultados.
>
> Eu posso inventar várias teorias falseáveis e intrincadas de abduções por
> alienígenas, gnomos jardineiros e a sobrevivência de Elvis pós-1977.
>
> Entretanto, se eu for submeter esses modelos teóricos em periódicos top de
> criminologia, primatologia (vamos assumir que gnomos são um off-shot da *
> Hominoidea*) e história contemporânea, eu na melhor das hipóteses terei meu
> trabalho rejeitado e provavelmente serei ridicularizado pelos editores ou
> eles acharão que estou pregando uma peça. Serei ridicularizado *com razão*,
> porque a ciência vigente é guiada por critérios pragmáticos que nos fazem
> não levar a sério esse tipo de elocubrações.
>
> A maior parte das teorias falseáveis são triviais *nesse* sentido, de não
> merecerem alocação de recursos governamentais para pesquisas, como minha
> teoria de vampiros. Se algum milionário excêntrico pretender financiar
> infectologistas para pesquisar o vampirismo, seus vetores de transmissão,
> sintomas e possível cura, bom, cada um é livre para fazer o que quiser com
> seu dinheiro. Eu pessoalmente acho que é jogar dinheiro fora.
>
> Abraços.
>
> 2011/9/16 Álisson Linhares <[email protected]>
>
>> Manuel,
>>
>> Partindo de sua estratagema e ironia quanto a teorias que não lhe convém:
>>
>>
>> "Eu posso inventar agora uma teoria bem elaborada de vampiros como humanos
>> contaminados por neuroparasitas transmissíveis por morcegos hematófagos que
>> adquirem fotofobia e hábitos antropofágicos em decorrência da doença. Vai
>> ser plenamente falseável, mas não será uma teoria científica senão iremos
>> trivializar o que se compreende por ciência." - Manuel Doria
>>
>> Isso pode sim ser uma teoria científica falseável como você mesmo disse;
>> mas se você a considera trivial, é problema seu, da mesma foram como deve
>> achar tantas outras teorias triviais. Deixe, quem quiser, procurar a
>> falseabilidade dessa teoria por fatos e não por atitudes deliberadas como a
>> sua, que a julga falsa e totalmente irreal sem *nenhum* argumento. Você
>> busca convencer pelo medo e ironia, como já percebi em algumas conversas,
>> não busca dialogar, busca discutir.
>> Jogue seu disco, que uso meu escudo para me proteger de seus ataques
>> agressivos.
>>
>> Em 16 de setembro de 2011 18:09, FAD 2 <[email protected]> escreveu:
>>
>>> Prova e te dou um, vários contraexemplos. O critêrio de Popper é irreal.
>>>
>>> Sent from my iPhone
>>>
>>> On 16/09/2011, at 16:32, "Carlos Santos Jr." <[email protected]>
>>> wrote:
>>>
>>>> Essa eh uma hipotese testavel popperianamente.
>>>>
>>>> On Friday, September 16, 2011, FAD 2 <[email protected]> wrote:
>>>>> Nenhum físico funciona pelo
>>>>> Critério de Popper.
>>>>>
>>>>> Sent from my iPhone
>>>>>
>>>>> On 16/09/2011, at 08:14, "Carlos Santos Jr." <[email protected]
>>>
>>> wrote:
>>>>>
>>>>>> Prezados,
>>>>>>
>>>>>> O criterio para definir ciencia nao deve ser o mesmo para decidir
>>> quais
>>>>>> coisas financiar. Mesmo a matematica e a filosofia nao sendo ciencia
>>> (e
>>>>>> muitas vezes a "ciencia" da computacao e a Historia tambem nao),
>> elas
>>> sao
>>>>>> uteis. Assim, a decisao do que financiar eh mais complexa do que "eh
>>>>>> ciencia?".
>>>>>>
>>>>>> E eu nao acho que a separacao do que e' e do nao e' ciencia seja
>>> dificil ou
>>>>>> nebulosa. A decisao de aceitar o criterio do Popper eh pessoal, mas
>> eu
>>> nunca
>>>>>> ouvi outro criterio melhor. Resumindo, eh teste de hipotese definida
>>> antes
>>>>>> da coleta de dados. O pesquisador tem que arriscar.
>>>>>>
>>>>>> Nao ter objeto de estudo eh complicado, hein?! Alguem poderia assim
>>> estudar
>>>>>> Deus atraves dos humanos feitos a sua imagem e semelhanca.
>>>>>>
>>>>>> Abracos,
>>>>>> Carlos.
>>>>>>
>>>>>> 2011/9/16 Vitor Moura <[email protected]>
>>>>>>
>>>>>>> Manuel,
>>>>>>>
>>>>>>> "ovelha negra" ou não, ela atende o critério da falseabilidade,
>> então
>>>>>>> realmente não faz sentido o Shermer incluí-la na categoria de
>>> pseudociência.
>>>>>>> .
>>>>>>>
>>>>>>> Um abraço,
>>>>>>> Vitor
>>>>>>>
>>>>>>>
>>>>>>> ________________________________
>>>>>>> De: Manuel Doria <[email protected]>
>>>>>>> Para: Vitor Moura <[email protected]>
>>>>>>> Cc: "[email protected]" <[email protected]
>>> ;
>>> "
>>>>>>> [email protected]" <[email protected]>
>>>>>>> Enviadas: Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011 16:37
>>>>>>> Assunto: Re: [Logica-l] Pseudoscience
>>>>>>>
>>>>>>>
>>>>>>> Vitor, isso é um apelo à autoridade. Não é exatamente que a AAAS
>>> reconhece
>>>>>>> parapsicologia/psicologia anomalítica como "ciência legítima", foi
>>> feita uma
>>>>>>> votação em 1969 para saber se a Parapsychological Association
>> poderia
>>> ser
>>>>>>> integrada aos afiliados da AAAS:
>>>>>>>
>>>>>>> http://www.aaas.org/aboutaaas/affiliates/
>>>>>>>
>>>>>>> A votação não foi consensual e não se decide o que é ciência ou não
>>> por
>>>>>>> meio de uma votação (esta foi proposta pela finada antropóloga
>>> Margaret
>>>>>>> Mead). A Parapsychological Association é uma "ovelha negra" da AAAS
>> e
>>> muitos
>>>>>>> de seus membros criticam sua permanência na instituição.
>>>>>>>
>>>>>>> Um forte abraço.
>>>>>>>
>>>>>>>
>>>>>>> 2011/9/15 Vitor Moura <[email protected]>
>>>>>>>
>>>>>>> E o autor (Shermer) também errou em considerar a Parapsicologia
>> como
>>>>>>> pseudociência. A Parapsicologia é reconhecida como ciência legítima
>>> desde
>>>>>>> 1969 pela AAAS, a maior associação científica do mundo.
>>>>>>>>
>>>>>>>>
>>>>>>>> ________________________________
>>>>>>>> De: Marcelo Siqueira <[email protected]>
>>>>>>>> Para: Francisco Antonio Doria <[email protected]>
>>>>>>>> Cc: [email protected]; [email protected]
>>>>>>>> Enviadas: Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011 14:10
>>>>>>>> Assunto: Re: [Logica-l] Pseudoscience
>>>>>>>>
>>>>>>>>
>>>>>>>> Também não concordo com o princípio da delimitação entre o que é
>>>>>>>> pseudo-ciência e ciência: a primeira seria apenas aquilo que
>> ameaça
>>> nossos
>>>>>>>> interesses científicos, recursos para financiar pesquisas etc???
>>> Segundo o
>>>>>>>
>>>>
>>>> --
>>>> Carlos D Santos Jr., PhD
>>>> Research Fellow @ University of Nottingham
>>>> https://www.horizon.ac.uk/
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>>
>>
>>
>> --
>> Álisson Gomes Linhares
>>
>> "As coisas são como são por que assim devem ser... ou são como são por nós
>> acreditarmos que assim devem ser?"
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>> "Não sabendo que era impossível, foi lá e fez." - Jean Cocteau
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