Estou falando de Nietzsche, não de Derrida... Escolho meus autores! (E,
conhecendo vc direito, jamais o diria ignorante.)

2011/12/5 Decio Krause <[email protected]>

> Sim, já me debrucei sobre o Zaratustra. E sobre outras coisas e de outros
> autores, pois não sou assim tão distante ou ignorante. Mas não é o tipo de
> texto que eu ache claro ou que possa entender fácil como os que prefiro,
> como os livros do Shoenfield por exemplo (?? fácil? Mais do que Derrida,
> para mim). Por exemplo, acho a frase do Derrida "il n'ya a pas de
> hors-texte" inspiradora para um papo de boteco. Mas ontem eu estava lendo
> de novo o artigo do Tarski, o primeiro do livro "Undecidable Theories".
> Claro e preciso. Prefiro assim. Coisa de gosto, por certo. Assim, não
> discuto Nietsche ou Derrida, mas vejo besteira nos textos da nossa colega
> escritora. Estou errado?
> Abraço
> D.
>
> ________________________________
> Decio Krause
> Departamento de Filosofia
> Universidade Federal de Santa Catarina
> 88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil
> deciokrause[at]gmail.com
> www.cfh.ufsc.br/~dkrause
> ________________________________
> "He [God] will never choose among indiscernibles"
> (G.W.Leibniz)
> [But] He (God) would never choose among discernibles too. (M. Franciotti)
>
>
>
>
>
>
>
>
>
>
> Em 05/12/2011, às 21:15, Francisco Antonio Doria escreveu:
>
> Você já leu Nietzsche? Also Sprach Zarathustra é um poema; deu até letra
> pra uma canção de Mahler, na Sinfonia no 3, Oh Mensch gib acht!
>
> Meu gosto em filosofia vai por aí. E Nietzsche foi um grande filósofo.
>
> 2011/12/5 Tony Marmo <[email protected]>
>
>> Não desvalorizo. Mas, acho que é muito subjetivo e muito miscelânico o
>> estilo dela. Serve para fazer ficção, crônicas e jornalismo. Mas, não
>> consigo ver filosofia em trabalhos assim.
>>
>> Se ela se informa ou não antes de escrever as coisas não sei. Se se
>> informa, modifica muito o que lhe foi passado.
>>
>> Não sei como o seu estilo de filosofar seria próximo do dela, todavia.
>> Acho que você gosta do que ela faz, mas não posso dizer que vocês tenham
>> maneiras de pensar muito próximos ou diferentes.
>>
>> Em 5 de dezembro de 2011 20:09, Francisco Antonio Doria <
>> [email protected]> escreveu:
>>
>>  Por que vocês desvalorizam um estilo de pensar longe do de vcs,
>>> contraditório ao de vcs?
>>>
>>> É próximo, no entanto, ao meu.
>>>
>>>
>>> 2011/12/5 Tony Marmo <[email protected]>
>>>
>>>> Caro Décio,
>>>>
>>>> O artigo que eu citei, em que ela tenta fazer metafísica dos gêneros,
>>>> está
>>>> no link:
>>>>
>>>> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-026X2011000200004&lng=en&nrm=iso&tlng=pt
>>>>
>>>> O blog dela que tem outras produções no mesmo "estilo" ou "linha" é o
>>>> seguinte:
>>>> http://carlarodrigues.uol.com.br/
>>>>
>>>> Todos os artigos dela, com ou sem referência à lógica, matemática ou
>>>> outras
>>>> ciências, parecem ser desse mesmo modo.
>>>>
>>>> Nada contra a subjetividade, mas meus professores de teoria literária na
>>>> Unicamp me diziam que somente com subjetividade não se faz crítica
>>>> literária e me deram vários exemplos de "análises literárias" que não
>>>> analisavam nada. Se ainda se acrescentar o império das miscelânias aos
>>>> oceanos da subjetividade, não vejo filosofia nisso. Mas, enfim,
>>>> respeito a
>>>> moça que nem conheço e sua vontade de escrever sobre assuntos
>>>> filosóficos.
>>>>
>>>> Em 5 de dezembro de 2011 10:32, Decio Krause <[email protected]
>>>> >escreveu:
>>>>
>>>> > Tony
>>>> > Realmente incrível. Pode dar as referências? É sempre bom ter alguns
>>>> > contra-exemplos na manga. A mulher é realmente incrível!!
>>>> > D
>>>> > ________________________________
>>>> > Decio Krause
>>>> > Departamento de Filosofia
>>>> > Universidade Federal de Santa Catarina
>>>> > 88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil
>>>> > deciokrause[at]gmail.com
>>>> > www.cfh.ufsc.br/~dkrause
>>>> > ________________________________
>>>> > "He [God] will never choose among indiscernibles"
>>>> > (G.W.Leibniz)
>>>> > [But] He (God) would never choose among discernibles too. (M.
>>>> Franciotti)
>>>> >
>>>> >
>>>> >
>>>> >
>>>> >
>>>> >
>>>> >
>>>> >
>>>> >
>>>> >
>>>> > Em 05/12/2011, às 10:18, Tony Marmo escreveu:
>>>> >
>>>> > Colocadas as coisas assim, fica mais claro.
>>>> >
>>>> > Mas, voltando à Carla, que eu não conheço pessoalmente, parece ser do
>>>> > estilo dela escrever artigos como o citado. Aqui vai um trecho de
>>>> outro
>>>> > artigo:
>>>> >
>>>> > A metafísica seria uma forma de pensar o múltiplo a partir do um, o
>>>> outro a
>>>> > partir do mesmo, o diferente a partir do idêntico, a alteridade como
>>>> uma
>>>> > alteração do mesmo, o diferente como uma degradação da identidade. É
>>>> sob
>>>> > essa inspiração que pretendo discutir a diferença sexual e a
>>>> articulação
>>>> > entre feminino - esse outro pensado na tradição a partir do mesmo -,
>>>> > alteridade e ética.
>>>> >
>>>> > Partindo de proposições formuladas por Elizabeth Grosz, Tina Chanter e
>>>> > Drucilla Cornell e em diálogo com Emmanuel Lévinas e Jacques Derrida,
>>>> este
>>>> > artigo articula feminilidade, neutralidade e o lugar da diferença
>>>> sexual a
>>>> > fim de pensar como, se o neutro se confunde ao masculino, e é
>>>> anterior à
>>>> > diferença sexual, então neutralidade e masculinidade se confundem e se
>>>> > sobrepõem. A partir desse suposto neutro - que carrega nele a marca
>>>> > implícita do masculino - a filosofia formula a pergunta "o que é",
>>>> tomando
>>>> > o neutro (masculino) como padrão para definir o outro (feminino) numa
>>>> > perspectiva que essencializa o outro pelas suas diferenças. Ou, para
>>>> ficar
>>>> > nos termos com que Sylviane Agacinski define a metafísica, a pergunta
>>>> "o
>>>> > que é" se responde pensando o feminino (outro) como uma alteração do
>>>> > masculino (mesmo/neutro).
>>>> >
>>>> > Postular a pergunta "o que é a mulher" já seria uma forma metafísica e
>>>> > essencialista de pensar sobre o feminino, como argumenta Chanter,
>>>> para quem
>>>> > a origem dos essencialismos sobre o feminino se localiza nesta
>>>> equação: ao
>>>> > tomar o neutro como masculino, a tradição precisa definir a mulher a
>>>> partir
>>>> > da pergunta "o que é". Chanter seguirá os passos de Derrida ao dizer
>>>> que a
>>>> > diferença sexual já nasce como uma forma de secundarizar o feminino e
>>>> o
>>>> > pretensamente neutro aparece na tradição filosófica como masculino.
>>>> Meu
>>>> > interesse aqui é pensar a neutralidade como um totalizador que
>>>> elimina as
>>>> > diferenças, e pensar a diferença sexual como elemento que secundariza
>>>> a
>>>> > mulher.
>>>> >
>>>> > Lévinas buscou nas reflexões sobre diferença sexual a impossibilidade
>>>> de
>>>> > afirmação do neutro como sinônimo de humano. Se mesmo assim o fez
>>>> dentro de
>>>> > uma matriz androcêntrica, como tão bem aponta Derrida, isso não
>>>> impede que
>>>> > se possa reconhecer a importância de um pensamento que, desde muito
>>>> cedo,
>>>> > associou feminino, alteridade e ética.
>>>> >
>>>> > O artigo dela segue por aí a fora. Parece que ela escreveu toda uma
>>>> tese de
>>>> > doutorado assim! Como diria a Simone de Beauvoir, Sacré Coeur!
>>>> >
>>>> > Em 5 de dezembro de 2011 10:07, Francisco Antonio Doria <
>>>> > [email protected]
>>>> >
>>>> > escreveu:
>>>> >
>>>> >
>>>> > Explico: disse à moça, que, intuitivamente, no princípio da incerteza,
>>>> >
>>>> > temos duas grandezas - fenômenos, etc - acoplados, e tais que,
>>>> definindo-se
>>>> >
>>>> > um deles, o outro se torna indefinido. E ela me deu exemplos, em
>>>> >
>>>> > psicanálise, de tais entidades acopladas.
>>>> >
>>>> >
>>>> >
>>>> > 2011/12/5 Tony Marmo <[email protected]>
>>>> >
>>>> >
>>>> >
>>>> > Não entendo como o princípio da incerteza de Heisenberg possa ser
>>>> >
>>>> > interpretado figurativamente de modo a ajudar na psicanálise.
>>>> >
>>>> >
>>>> > Mas, se ela insiste, quem sou eu para discordar?
>>>> >
>>>> >
>>>> > Em 5 de dezembro de 2011 07:55, Francisco Antonio Doria <
>>>> >
>>>> > [email protected]> escreveu:
>>>> >
>>>> >
>>>> > Tony,
>>>> >
>>>> >
>>>> > Não concordo com vc nessa avaliação, mas deixa pra lá. Conheço cabeça
>>>> de
>>>> >
>>>> > jornalista porque sou filho de jornalista, e pai de jornalista - meu
>>>> filho
>>>> >
>>>> > Pedro é um dos editores executivos de O Globo. Esse texto é um artigo
>>>> de
>>>> >
>>>> > opinião, ensaio, e como ele, escrevi muita coisa assim, em 1968, no
>>>> finado
>>>> >
>>>> > Correio da Manhã, e em 1974, em Opinião.
>>>> >
>>>> >
>>>> > Gênero esse artigo da Carla; vcs iam se horrorizar... Mas me diverti
>>>> >
>>>> > muito; em 68 era pós adolescente, e era gostoso ser citado na praia de
>>>> >
>>>> > domingo, e na antessala do Paissandu :))  Gloriosos tempos.
>>>> >
>>>> >
>>>> > Há uns meses o Cesar Benjamin escreveu um artigo citando o teorema de
>>>> >
>>>> > Goedel, a incompletude. Me ligou, expliquei pra ele. Não saiu
>>>> perfeito, mas
>>>> >
>>>> > saiu legal. Fui devidamente citado, e responsabilizado, no texto
>>>> final.
>>>> >
>>>> > (Cesar, editor da Contraponto e ex-candidato a vice da Heloisa
>>>> Helena, é um
>>>> >
>>>> > fascinado por filosofia da ciência.)
>>>> >
>>>> >
>>>> > Conto um episódio recente, aliás descrito ao fim do livro com o
>>>> Chaitin
>>>> >
>>>> > e Newton. Estava saindo com uma psicanalista lacaniana que um dia me
>>>> diz -
>>>> >
>>>> > no meio de uma palestra minha - que o princípio da incerteza de
>>>> Heisenberg
>>>> >
>>>> > é relevante para a psicanálise.
>>>> >
>>>> >
>>>> > Pensei um instante e expliquei, devagarinho, o Princípio da Incerteza.
>>>> >
>>>> > Do técnico ao intuitivo - como um teorema de álgebra linear, como o
>>>> >
>>>> > comutador não trivial de x e d/dx - e relacionei-o ~as variáveis
>>>> canônicas
>>>> >
>>>> > q e p em mecânica clássica, igualmente de comutador não trivial, e
>>>> enfim
>>>> >
>>>> > como algo intuitivo. E ela me sai com uma interpretação surpreendente
>>>> e
>>>> >
>>>> > rica de significado.
>>>> >
>>>> >
>>>> > Foi divertido :))
>>>> >
>>>> >
>>>> >
>>>> > 2011/12/5 Tony Marmo <[email protected]>
>>>> >
>>>> >
>>>> > Só fica uma pergunta: essa moça aceita que lhe expliquem direito as
>>>> >
>>>> > coisas ou não?
>>>> >
>>>> >
>>>> > O que me parece é que a jornalista queria mesmo escrever algo que lhe
>>>> >
>>>> > pareceria interessante aos seus leitores e não algo que esclarecesse.
>>>> Não
>>>> >
>>>> > se sabe de onde ela tirou as informações para fazer o artigo, se as
>>>> >
>>>> > informações estavam corretas ou não nas fontes que ela consulto, ou,
>>>> >
>>>> > supondo-se que estivessem corretas, se as entendeu. O que me parece é
>>>> que
>>>> >
>>>> > ela colocou no artigo o que queria colocar, nem que para isso tivesse
>>>> de
>>>> >
>>>> > mudar o que ouviu ou leu, ou de construir conclusões sem verificar se
>>>> >
>>>> > procediam mesmo do material que leu.
>>>> >
>>>> >
>>>> > É uma pessoa que considera que a objetividade científica seja um mito
>>>> e
>>>> >
>>>> > usou de uma figura de autoridade para criar um artigo em defesa de sua
>>>> >
>>>> > própria ideia. Como Goedel, Einstein e Heisenberg são figuras
>>>> importantes
>>>> >
>>>> > do século passado, nada melhor que usar os três para construir a sua
>>>> versão
>>>> >
>>>> > de como a objetividade científica teria sido demolida.
>>>> >
>>>> >
>>>> > Mas, é nesse tipo de artigo que os jornalistas acreditam para vender
>>>> >
>>>> > jornal ou atrair público. Provavelmente, supõe ela que falar de método
>>>> >
>>>> > axiomático, do debate entre Hilbert e Browser, e do que realmente os
>>>> >
>>>> > teoremas de Goedel tratam seja muito assunto pesado para um simples
>>>> artigo
>>>> >
>>>> > e possivelmente afastaria uma ampla gama de leitores.
>>>> >
>>>> >
>>>> > Alguém se lembra de uma controvérsia entre um artigo da professora
>>>> >
>>>> > Marilena Chauí e uma réplica de um professor do IMECC vários anos
>>>> atrás? O
>>>> >
>>>> > professor do IMECC corrigiu a apresentação de vários conceitos e
>>>> criticava
>>>> >
>>>> > o fato de que, ainda que aceites os conceitos do modo que ela os
>>>> formulara,
>>>> >
>>>> > não se entendia porque ela tirava certas conclusões deles.
>>>> >
>>>> >
>>>> > Em 5 de dezembro de 2011 01:04, Francisco Antonio Doria <
>>>> >
>>>> > [email protected]> escreveu:
>>>> >
>>>> >
>>>> > Ela me escreveu e vamos nos encontrar.
>>>> >
>>>> >
>>>> >
>>>> > 2011/12/2 Tony Marmo <[email protected]>
>>>> >
>>>> >
>>>> > Li-o e considere-o uma crônica de ficção científica, quase a um estilo
>>>> >
>>>> > borgeano! :D
>>>> >
>>>> >
>>>> > Em 1 de dezembro de 2011 15:11, Décio Krause <[email protected]
>>>> >
>>>> > escreveu:
>>>> >
>>>> >
>>>> > Caros lógicos
>>>> >
>>>> > Vejam o texto em http://carlarodrigues.uol.com.br/index.php/570
>>>> >
>>>> > sobre os teoremas (de incompletude, claro) de Gödel e tirem suas
>>>> >
>>>> > próprias
>>>> >
>>>> > conclusões. A autora é de uma capacidade incrível para dizer
>>>> >
>>>> > tolices sobre
>>>> >
>>>> > o que certamente não conhece.
>>>> >
>>>> > D.
>>>> >
>>>> >
>>>> > ------------------------------------------------------
>>>> >
>>>> > Décio Krause
>>>> >
>>>> > Departamento de Filosofia
>>>> >
>>>> > Universidade Federal de Santa Catarina
>>>> >
>>>> > 88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
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