Você já leu Nietzsche? Also Sprach Zarathustra é um poema; deu até letra
pra uma canção de Mahler, na Sinfonia no 3, Oh Mensch gib acht!

Meu gosto em filosofia vai por aí. E Nietzsche foi um grande filósofo.

2011/12/5 Tony Marmo <[email protected]>

> Não desvalorizo. Mas, acho que é muito subjetivo e muito miscelânico o
> estilo dela. Serve para fazer ficção, crônicas e jornalismo. Mas, não
> consigo ver filosofia em trabalhos assim.
>
> Se ela se informa ou não antes de escrever as coisas não sei. Se se
> informa, modifica muito o que lhe foi passado.
>
> Não sei como o seu estilo de filosofar seria próximo do dela, todavia.
> Acho que você gosta do que ela faz, mas não posso dizer que vocês tenham
> maneiras de pensar muito próximos ou diferentes.
>
> Em 5 de dezembro de 2011 20:09, Francisco Antonio Doria <
> [email protected]> escreveu:
>
> Por que vocês desvalorizam um estilo de pensar longe do de vcs,
>> contraditório ao de vcs?
>>
>> É próximo, no entanto, ao meu.
>>
>>
>> 2011/12/5 Tony Marmo <[email protected]>
>>
>>> Caro Décio,
>>>
>>> O artigo que eu citei, em que ela tenta fazer metafísica dos gêneros,
>>> está
>>> no link:
>>>
>>> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-026X2011000200004&lng=en&nrm=iso&tlng=pt
>>>
>>> O blog dela que tem outras produções no mesmo "estilo" ou "linha" é o
>>> seguinte:
>>> http://carlarodrigues.uol.com.br/
>>>
>>> Todos os artigos dela, com ou sem referência à lógica, matemática ou
>>> outras
>>> ciências, parecem ser desse mesmo modo.
>>>
>>> Nada contra a subjetividade, mas meus professores de teoria literária na
>>> Unicamp me diziam que somente com subjetividade não se faz crítica
>>> literária e me deram vários exemplos de "análises literárias" que não
>>> analisavam nada. Se ainda se acrescentar o império das miscelânias aos
>>> oceanos da subjetividade, não vejo filosofia nisso. Mas, enfim, respeito
>>> a
>>> moça que nem conheço e sua vontade de escrever sobre assuntos
>>> filosóficos.
>>>
>>> Em 5 de dezembro de 2011 10:32, Decio Krause <[email protected]
>>> >escreveu:
>>>
>>> > Tony
>>> > Realmente incrível. Pode dar as referências? É sempre bom ter alguns
>>> > contra-exemplos na manga. A mulher é realmente incrível!!
>>> > D
>>> > ________________________________
>>> > Decio Krause
>>> > Departamento de Filosofia
>>> > Universidade Federal de Santa Catarina
>>> > 88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil
>>> > deciokrause[at]gmail.com
>>> > www.cfh.ufsc.br/~dkrause
>>> > ________________________________
>>> > "He [God] will never choose among indiscernibles"
>>> > (G.W.Leibniz)
>>> > [But] He (God) would never choose among discernibles too. (M.
>>> Franciotti)
>>> >
>>> >
>>> >
>>> >
>>> >
>>> >
>>> >
>>> >
>>> >
>>> >
>>> > Em 05/12/2011, às 10:18, Tony Marmo escreveu:
>>> >
>>> > Colocadas as coisas assim, fica mais claro.
>>> >
>>> > Mas, voltando à Carla, que eu não conheço pessoalmente, parece ser do
>>> > estilo dela escrever artigos como o citado. Aqui vai um trecho de outro
>>> > artigo:
>>> >
>>> > A metafísica seria uma forma de pensar o múltiplo a partir do um, o
>>> outro a
>>> > partir do mesmo, o diferente a partir do idêntico, a alteridade como
>>> uma
>>> > alteração do mesmo, o diferente como uma degradação da identidade. É
>>> sob
>>> > essa inspiração que pretendo discutir a diferença sexual e a
>>> articulação
>>> > entre feminino - esse outro pensado na tradição a partir do mesmo -,
>>> > alteridade e ética.
>>> >
>>> > Partindo de proposições formuladas por Elizabeth Grosz, Tina Chanter e
>>> > Drucilla Cornell e em diálogo com Emmanuel Lévinas e Jacques Derrida,
>>> este
>>> > artigo articula feminilidade, neutralidade e o lugar da diferença
>>> sexual a
>>> > fim de pensar como, se o neutro se confunde ao masculino, e é anterior
>>> à
>>> > diferença sexual, então neutralidade e masculinidade se confundem e se
>>> > sobrepõem. A partir desse suposto neutro - que carrega nele a marca
>>> > implícita do masculino - a filosofia formula a pergunta "o que é",
>>> tomando
>>> > o neutro (masculino) como padrão para definir o outro (feminino) numa
>>> > perspectiva que essencializa o outro pelas suas diferenças. Ou, para
>>> ficar
>>> > nos termos com que Sylviane Agacinski define a metafísica, a pergunta
>>> "o
>>> > que é" se responde pensando o feminino (outro) como uma alteração do
>>> > masculino (mesmo/neutro).
>>> >
>>> > Postular a pergunta "o que é a mulher" já seria uma forma metafísica e
>>> > essencialista de pensar sobre o feminino, como argumenta Chanter, para
>>> quem
>>> > a origem dos essencialismos sobre o feminino se localiza nesta
>>> equação: ao
>>> > tomar o neutro como masculino, a tradição precisa definir a mulher a
>>> partir
>>> > da pergunta "o que é". Chanter seguirá os passos de Derrida ao dizer
>>> que a
>>> > diferença sexual já nasce como uma forma de secundarizar o feminino e o
>>> > pretensamente neutro aparece na tradição filosófica como masculino. Meu
>>> > interesse aqui é pensar a neutralidade como um totalizador que elimina
>>> as
>>> > diferenças, e pensar a diferença sexual como elemento que secundariza a
>>> > mulher.
>>> >
>>> > Lévinas buscou nas reflexões sobre diferença sexual a impossibilidade
>>> de
>>> > afirmação do neutro como sinônimo de humano. Se mesmo assim o fez
>>> dentro de
>>> > uma matriz androcêntrica, como tão bem aponta Derrida, isso não impede
>>> que
>>> > se possa reconhecer a importância de um pensamento que, desde muito
>>> cedo,
>>> > associou feminino, alteridade e ética.
>>> >
>>> > O artigo dela segue por aí a fora. Parece que ela escreveu toda uma
>>> tese de
>>> > doutorado assim! Como diria a Simone de Beauvoir, Sacré Coeur!
>>> >
>>> > Em 5 de dezembro de 2011 10:07, Francisco Antonio Doria <
>>> > [email protected]
>>> >
>>> > escreveu:
>>> >
>>> >
>>> > Explico: disse à moça, que, intuitivamente, no princípio da incerteza,
>>> >
>>> > temos duas grandezas - fenômenos, etc - acoplados, e tais que,
>>> definindo-se
>>> >
>>> > um deles, o outro se torna indefinido. E ela me deu exemplos, em
>>> >
>>> > psicanálise, de tais entidades acopladas.
>>> >
>>> >
>>> >
>>> > 2011/12/5 Tony Marmo <[email protected]>
>>> >
>>> >
>>> >
>>> > Não entendo como o princípio da incerteza de Heisenberg possa ser
>>> >
>>> > interpretado figurativamente de modo a ajudar na psicanálise.
>>> >
>>> >
>>> > Mas, se ela insiste, quem sou eu para discordar?
>>> >
>>> >
>>> > Em 5 de dezembro de 2011 07:55, Francisco Antonio Doria <
>>> >
>>> > [email protected]> escreveu:
>>> >
>>> >
>>> > Tony,
>>> >
>>> >
>>> > Não concordo com vc nessa avaliação, mas deixa pra lá. Conheço cabeça
>>> de
>>> >
>>> > jornalista porque sou filho de jornalista, e pai de jornalista - meu
>>> filho
>>> >
>>> > Pedro é um dos editores executivos de O Globo. Esse texto é um artigo
>>> de
>>> >
>>> > opinião, ensaio, e como ele, escrevi muita coisa assim, em 1968, no
>>> finado
>>> >
>>> > Correio da Manhã, e em 1974, em Opinião.
>>> >
>>> >
>>> > Gênero esse artigo da Carla; vcs iam se horrorizar... Mas me diverti
>>> >
>>> > muito; em 68 era pós adolescente, e era gostoso ser citado na praia de
>>> >
>>> > domingo, e na antessala do Paissandu :))  Gloriosos tempos.
>>> >
>>> >
>>> > Há uns meses o Cesar Benjamin escreveu um artigo citando o teorema de
>>> >
>>> > Goedel, a incompletude. Me ligou, expliquei pra ele. Não saiu
>>> perfeito, mas
>>> >
>>> > saiu legal. Fui devidamente citado, e responsabilizado, no texto final.
>>> >
>>> > (Cesar, editor da Contraponto e ex-candidato a vice da Heloisa Helena,
>>> é um
>>> >
>>> > fascinado por filosofia da ciência.)
>>> >
>>> >
>>> > Conto um episódio recente, aliás descrito ao fim do livro com o Chaitin
>>> >
>>> > e Newton. Estava saindo com uma psicanalista lacaniana que um dia me
>>> diz -
>>> >
>>> > no meio de uma palestra minha - que o princípio da incerteza de
>>> Heisenberg
>>> >
>>> > é relevante para a psicanálise.
>>> >
>>> >
>>> > Pensei um instante e expliquei, devagarinho, o Princípio da Incerteza.
>>> >
>>> > Do técnico ao intuitivo - como um teorema de álgebra linear, como o
>>> >
>>> > comutador não trivial de x e d/dx - e relacionei-o ~as variáveis
>>> canônicas
>>> >
>>> > q e p em mecânica clássica, igualmente de comutador não trivial, e
>>> enfim
>>> >
>>> > como algo intuitivo. E ela me sai com uma interpretação surpreendente e
>>> >
>>> > rica de significado.
>>> >
>>> >
>>> > Foi divertido :))
>>> >
>>> >
>>> >
>>> > 2011/12/5 Tony Marmo <[email protected]>
>>> >
>>> >
>>> > Só fica uma pergunta: essa moça aceita que lhe expliquem direito as
>>> >
>>> > coisas ou não?
>>> >
>>> >
>>> > O que me parece é que a jornalista queria mesmo escrever algo que lhe
>>> >
>>> > pareceria interessante aos seus leitores e não algo que esclarecesse.
>>> Não
>>> >
>>> > se sabe de onde ela tirou as informações para fazer o artigo, se as
>>> >
>>> > informações estavam corretas ou não nas fontes que ela consulto, ou,
>>> >
>>> > supondo-se que estivessem corretas, se as entendeu. O que me parece é
>>> que
>>> >
>>> > ela colocou no artigo o que queria colocar, nem que para isso tivesse
>>> de
>>> >
>>> > mudar o que ouviu ou leu, ou de construir conclusões sem verificar se
>>> >
>>> > procediam mesmo do material que leu.
>>> >
>>> >
>>> > É uma pessoa que considera que a objetividade científica seja um mito e
>>> >
>>> > usou de uma figura de autoridade para criar um artigo em defesa de sua
>>> >
>>> > própria ideia. Como Goedel, Einstein e Heisenberg são figuras
>>> importantes
>>> >
>>> > do século passado, nada melhor que usar os três para construir a sua
>>> versão
>>> >
>>> > de como a objetividade científica teria sido demolida.
>>> >
>>> >
>>> > Mas, é nesse tipo de artigo que os jornalistas acreditam para vender
>>> >
>>> > jornal ou atrair público. Provavelmente, supõe ela que falar de método
>>> >
>>> > axiomático, do debate entre Hilbert e Browser, e do que realmente os
>>> >
>>> > teoremas de Goedel tratam seja muito assunto pesado para um simples
>>> artigo
>>> >
>>> > e possivelmente afastaria uma ampla gama de leitores.
>>> >
>>> >
>>> > Alguém se lembra de uma controvérsia entre um artigo da professora
>>> >
>>> > Marilena Chauí e uma réplica de um professor do IMECC vários anos
>>> atrás? O
>>> >
>>> > professor do IMECC corrigiu a apresentação de vários conceitos e
>>> criticava
>>> >
>>> > o fato de que, ainda que aceites os conceitos do modo que ela os
>>> formulara,
>>> >
>>> > não se entendia porque ela tirava certas conclusões deles.
>>> >
>>> >
>>> > Em 5 de dezembro de 2011 01:04, Francisco Antonio Doria <
>>> >
>>> > [email protected]> escreveu:
>>> >
>>> >
>>> > Ela me escreveu e vamos nos encontrar.
>>> >
>>> >
>>> >
>>> > 2011/12/2 Tony Marmo <[email protected]>
>>> >
>>> >
>>> > Li-o e considere-o uma crônica de ficção científica, quase a um estilo
>>> >
>>> > borgeano! :D
>>> >
>>> >
>>> > Em 1 de dezembro de 2011 15:11, Décio Krause <[email protected]
>>> >
>>> > escreveu:
>>> >
>>> >
>>> > Caros lógicos
>>> >
>>> > Vejam o texto em http://carlarodrigues.uol.com.br/index.php/570
>>> >
>>> > sobre os teoremas (de incompletude, claro) de Gödel e tirem suas
>>> >
>>> > próprias
>>> >
>>> > conclusões. A autora é de uma capacidade incrível para dizer
>>> >
>>> > tolices sobre
>>> >
>>> > o que certamente não conhece.
>>> >
>>> > D.
>>> >
>>> >
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>>> > Décio Krause
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