tà biblía tà metà...

ficou faltando.

2011/12/9 Francisco Antonio Doria <[email protected]>

>
>
> ---------- Forwarded message ----------
> From: Francisco Antonio Doria <[email protected]>
> Date: 2011/12/9
> Subject: Re: [Logica-l] Teoremas de Gödel
> To: Carlos Gonzalez <[email protected]>
>
>
> Diria que é tà biblía metà tà biblía tôn phusikôn
>
> os livros depois dos livros das [coisas] que crescem.
>
>
> 2011/12/9 Carlos Gonzalez <[email protected]>
>
>> Eu li em algum lado que a ordem dada por Andrónico de Rodas era
>> didática. Começava com o Organon, seguia com a Física (e talvez
>> tratados naturais) e continuava com a Metafísica. Mas um nome dado à
>> Física é "Auscultações da natureza",  "Naturalis Auscultationis",
>> Φυσικής Ακροάσεως [Physikés Acroáseos], de modo que "ta metá ta
>> physica" (literalmente: as coisas depois das coisas naturais) poderia
>> ser interpretado como "depois de ouvir com atenção a natureza".
>>
>> Acho um bom plano de trabalho esse do Andrónico: começar com a lógica,
>> ouvir com atenção a natureza e depois partir para a reflexão
>> filosófica. O problema é que levaria muito tempo.
>>
>> Carlos
>>
>> 2011/12/8 Francisco Antonio Doria <[email protected]>:
>> > Se me permitem, lembro que tà metà tà phusikà, originalmente, era como
>> se
>> > chamavam os textos de Aristóteles que vinham depois do livro das coisas
>> da
>> > natureza (tà phusikà).
>> >
>> > 2011/12/8 Daniel Durante <[email protected]>
>> >
>> >> Décio e Colegas,
>> >>
>> >> Chego com um pouco de atraso no debate, mas não resisti a dar meu
>> pitaco
>> >> neste tema. Você escreveu:
>> >>
>> >>
>> >>  Repito aqui a primeira parte do texto que o Tony mandou anteriormente.
>> >>> Peço que alguém leia atentamente e procure algo que preste:
>> >>>
>> >>> "A metafísica seria uma forma de pensar o múltiplo a partir do um, o
>> >>> outro a partir do mesmo, o diferente a partir do idêntico, a
>> alteridade
>> >>> como uma alteração do mesmo, o diferente como uma degradação da
>> identidade.
>> >>> É sob essa inspiração que pretendo discutir a diferença sexual e a
>> >>> articulação entre feminino - esse outro pensado na tradição a partir
>> do
>> >>> mesmo -,alteridade e ética."
>> >>>
>> >>
>> >> Bem, talvez seja porque nos finais de semestre, para não reprovar a
>> >> maioria dos meus alunos, eu tenho que exercitar muito a capacidade de
>> achar
>> >> algo que preste em textos, eu não vejo um poço escuro e sem fim de
>> >> charlatanismo no texto de nossa amiga. :) Vou tentar defendê-la:
>> >>
>> >> O que é a metafísica senão uma investigação "a priori" da realidade?
>> Mas
>> >> como é que podemos conhecer a realidade "a priori"? "A priori" só posso
>> >> conhecer algum aspecto de mim mesmo, sejam as ideias inatas
>> cartesianas,
>> >> sejam as formas puras da sensibilidade ou categorias do entendimento
>> >> kantianas,... E, no entanto, o mundo é, também, constituído destas
>> coisas.
>> >> Pelo menos o mundo cognoscivel. Então, não vejo tanto absurdo nestas
>> >> fórmulas que ela apresenta sobre o que é a metafísica: "pensar o
>> múltiplo a
>> >> partir do um, o outro a partir do mesmo, o diferente a partir do
>> idêntico,
>> >> a alteridade como uma alteração do mesmo,...". Acredito em estilos
>> >> distintos de pensamento e mesmo de racionalidade. A filosofia é
>> >> especulativa e não faz mal nenhum especular sobre o lugar da diferença
>> de
>> >> gêneros em nossa cultura partindo da ideia de que o masculino é o
>> gênero
>> >> neutro, inicial, de onde emana o gênero feminino como diferença e
>> >> alteridade subsidiárias deste. As coisas são mesmo assim? Esta
>> especulação
>> >> nos ilumina com a verdade? Não sei. Talvez nunca saberemos. Mas isso
>> não
>> >> importa à Filosofia, afinal de contas ainda não sabemos se o fundamento
>> >> último do conhecimento são ideias claras ou dados dos sentidos, não
>> sabemos
>> >> se a boa ação guia-se por princípios universais ou depende do cálculo
>> das
>> >> suas consequências, não sabemos se o número sete existe sem unidade ou
>> se
>> >> existem apenas sete pedras, sete pessoas, sete árvores,... não sabemos
>> nem
>> >> como é que um nome próprio faz referência à coisa que nomeia.
>> >>
>> >> Eu não usaria as palavras que ela usa para caracterizar a metafísica,
>> nem
>> >> estimularia meus alunos a usarem. Mas eu entendo estas palavras, e
>> entendo
>> >> a proposta do artigo dela que o Tony copiou aqui um trecho e,
>> sinceramente,
>> >> apenas pelos parágrafos que li, não vejo ali nenhum grande absurdo.
>> >>
>> >> Enfim, viva a diferença.
>> >>
>> >> Saudações,
>> >> Daniel
>> >>
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