É interessante o que você diz,  Rodrigo. Veja que nessa mensagem você já dá
uma ideia de como se pode estruturar um curso de lógica, (um pouco) mais
avançado, que pode despertar muito o interesse dos alunos e nessa
oportunidade fazer uma revisão dos conceitos aprendidos anteriormente. É
trabalhoso implementar didaticamente uma proposta assim, mas é viável.

Em 10 de abril de 2012 11:28, Rodrigo Freire <[email protected]>escreveu:

> PRA é suficiente para fazer a teoria básica de sistemas formais (desde a
> definição de fórmula até, por exemplo, eliminação do corte para a lógica
> clássica ou intuicionista e segundo teorema da incompletude). PRA satisfaz
> os requerimentos intuicionistas, é na verdade muito mais restritivo. Na
> verdade, PRA define as funções de verdade como mostrado por Goodstein,
> Curry, Bernays,... (é fácil), e pode ser formulada sem quantificadores. É
> um cálculo muito simples, "logic free".
>
> Os teoremas da lógica básica que falam de conjuntos (completude da logica
> de primeira ordem por exemplo) exigem algo mais (mas a completude da lógica
> de primeira ordem para linguagens enumeráveis também pode ser aritmetizada
> em PA - teorema de Hilbert-Bernays). A interpretação Dialética não fala de
> conjuntos mas também não funciona em PRA (a normalização forte dos lambda
> termos da interpretação dialética não é demonstrável em PRA). Acho que tudo
> isso era basicamente conhecido (de modo não necessariamente muito
> detalhado) pelo Hilbert (entre outros).
>
> O Nelson (aquele que acredita que 0 = 1) desenvolveu boa parte da teoria
> básica de sistemas formais (no contexto clássico) em sistemas mais
> restritivos que PRA, no âmbito da chamada aritmética limitada ou
> predicativa. Nesses sistemas certamente perde-se muita informação. Há mais
> de uma noção de consistência, por exemplo, que em PRA são equivalentes. A
> noçâo de consistência derivada do teorema de Herbrand é "bem comportada"
> nesse sistema. A noção "cut free" é bem comportada. A noção usual não é.
>
> Abraço
> Rodrigo
>
>
>
>
>
>
>
>
> 2012/4/10 Joao Marcos <[email protected]>
>
> > Sem dúvida, qualquer professor com um mínimo de experiência no ramo
> > sabe que é conveniente começar a partir de objetos com os quais os
> > alunos estejam "mais familiarizados".  Por outro lado, parece
> > razoavelmente absurdo sugerir que um curso sobre *lógica clássica*
> > ("proporcional"? "proposicional"?) comece pela maiêutica!
> >
> > Um bom professor, e um bom livro, certamente devem dar uma ideia ao
> > aluno do porquê de cada resultado.  Não há professores e livros,
> > contudo, que _garantam_ que o aluno realmente _compreenda_ este porquê
> > --- a compreensão do porquê pode transcender o aluno, naquela fase da
> > sua maturidade.  Aliás, do discurso de alguns alunos titulados podemos
> > frequentemente perceber que eles não compreenderam bem o que lhes foi
> > (?) ensinado.  O que fazer?  Continuar ensinando, sempre melhor.
> >
> > Quanto à questão original, bastante interessante, de "por qual lógica
> > começar", suponho que um intuicionista empedernido responda de forma
> > diferente que os clássicos de plantão.  Abundam livros na literatura,
> > de fato, que apresentam a lógica intuicionista _antes_ de apresentar a
> > clássica.  Por outro lado, certamente é útil para aplicações práticas,
> > tanto na filosofia quanto na computação, apresentar ao aluno, em algum
> > momento, lógicas modais ou lineares ou [coloque aqui a sua classe de
> > lógicas preferida].
> >
> > Quanto à observação de que é difícil ensinar lógica intuicionista a
> > partir de uma metamatemática inteiramente intuicionista, vale observar
> > que a metamatemática clássica que usamos para ensinar lógica clássica
> > proposicional ou de primeira ordem também costuma envolver lógica de
> > ordem superior.  Logo, não parece ser tão fácil assim estudar um
> > sistema lógico usando apenas os recursos deste próprio sistema (e isto
> > é obviamente impossível, por exemplo, para sistemas lógicos
> > proposicionais).  Qual será o mínimo de _matemática_ necessário para
> > estudar sistemas lógicos básicos?  Não sei.  PRA?
> >
> > JM
> >
> >
> > 2012/4/10 Décio Krause <[email protected]>:
> > > Tony
> > > Ok, retiro as palavras "mais intuitiva" (referindo-me à lógica
> > clássica), deixando no entanto o "mais familiarizados". Isso certamente
> se
> > deve a um acidente histórico ou coisa que o valha. Mas você parece
> requerer
> > que os alunos tenham já de início todas as intuições sobre os porquês,
> > coisa que eles irão adquirir na medida em que estudem o assunto, como por
> > exemplo saber para que necessitamos provar um teorema como o da
> completude
> > da lógica propositional clássica. Bom, uma vez, há muito tempo, colegas
> > minhas tentaram iniciar ensinando aritmética comum a professores de
> ensino
> > elementar na base 5. Deu um bafafá enorme, ninguém entendeu nada, mas
> pelo
> > menos eles ficaram sabendo o tipo de dificuldade que os alunos deles
> tinham
> > com a base 10. Uma ideia meio maluca, mas interessante.
> > > D
> >
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