PS:

Aproveito a ocasião para desejar um FELIZ NATAL a todos!

Em 24 de dezembro de 2012 23:25, Tony Marmo <[email protected]> escreveu:

> Você usou "substituir" informalmente então. Tudo bem. Você então quer
> dizer que preferiu usar um caminho a outro. Mas, aí não acho que seja um
> erro, pois no seu trabalho, pelo menos naquela altura, era muito importante
> para você e o Walter compararem sistemas. Seguindo a convenção mais usual
> atualmente, quando você usa de regras de inferência, você fala do sistema:
> se usasse axiomas, falaria dentro do sistema.
>
> Não acho que Russell e Whitehead fizessem confusão. Ao contrário, eles
> tinham muito claramente o que constituía a tradição lógica que eles
> representavam. Se eles fizessem uma separação muito aguda e "irremediável"
> entre essas coisas levaria a uma espécie de "dissociação paranóica" que
> para eles seria "ilógica".
>
> Mas, para mim, não fará muita diferença chamar as regras de axiomas. Isso
> pelas razões que já expliquei, também porque não discuto muito hiperônimos,
> além de outra explicação admissível de que dos mínimos detalhes os bons
> lógicos não curam. :D Ou seja, se alguém vir uma fórmula assim
> Consistente Alpha => Provável Beta,
> chamada de lei, postulado, princípio, ou mesmo axioma, entenda que isso é
> uma *modo de notação* para uma regra de
> Alpha=>Beta se infere Consistente Alpha => Provável Beta:
> não vá achar que a ideia seria outra.
>
> Podemos ir mais adiante e voltar a Aristóteles: alguém já viu como é que
> se costumava escrever em linguagem artificial cada um dos enunciados
> silogísticos? Nada tem de ver com as linguagens de predicados atuais. Pior:
> falava-se de figuras de silogismo, coisa que nem se cogita mencionar mais
> acerca de lógicas de predicados! Nem por isso diremos que na lógica de
> Aristóteles não se enxergam nem axiomas, nem regras de inferência, etc.
> Modus ponens, contraposição, terceiro excluído, está tudo lá.
>
> Em 24 de dezembro de 2012 19:14, Joao Marcos <[email protected]>escreveu:
>
> > Eu acho que aí o seu último comentário tem um pequeno detalhe: o que é
>> > substituir um axioma por uma regra? Eu sei intuitivamente o que é
>> relacionar
>> > axiomas e regras, mas não sei o que seria substituir uns pelos outros.
>> Você
>> > teria uma definição em mente?
>>
>> Não tenho, Tony, eu baseei meu comentário simplesmente na "definição"
>> proposta pelo Luis, que menciona em sua mensagem a "relação direta" ou
>> a "correspondência" entre axiomas e regras de derivação, em particular
>> entre (AX1) e (RD1).
>>
>> Posso, claro, simplesmente ter entendido mal o que disse o Luis, ou o
>> que disse o Walter, ou o que você tem dito.
>> JM
>>
>> > Em 24 de dezembro de 2012 15:27, Joao Marcos <[email protected]>
>> escreveu:
>> >>
>> >> Viva, Luis:
>> >>
>> >> > O "if, ..., then..." usado por Russel & Whitehead no Principia
>> >> > geralmente
>> >> > refere à relação de entailment - não a um condicional. Isso é
>> mostrado
>> >> > por
>> >> > Sanford no seu livro *If P than Q: Conditional and The Foundations of
>> >> > Reasoning*. Parece que o trabalho de R&W não é muito preciso em
>> >> > distinguir
>> >> > entailment de condicionais, em que o primeiro conceito refere a uma
>> >> > relação
>> >> > entre sentenças (ou proposições), e o segundo refere a um conectivo
>> que
>> >> > faz
>> >> > parte de uma sentença (ou proposição).
>> >>
>> >> Com efeito, boa parte da literatura filosófica até os dias de hoje
>> >> parece revelar a mesma dificuldade...  Um dos resultados disto é uma
>> >> supervalorização absurda do conceito de *teoremas* (frequentemente
>> >> expressos com o auxílio de condicionais), em detrimento da noção de
>> >> *inferência* (expressa com o uso da noção de entailment).  R&W não
>> >> tinham nada disso claro, assim como não tinham claro, obviamente, a
>> >> própria ideia de completude forte de um sistema dedutivo.
>> >>
>> >> > Veja essa distinção com uma certa importância para a distinção
>> relevante
>> >> > entre axiomas e regras de derivação. Axiomas são sentenças com
>> >> > determinados
>> >> > conectivos, e regras de derivação podem ser precisamente expostas por
>> >> > meio
>> >> > do sinal de acarretamento. Parece que todo axiomas pode dar origem a
>> uma
>> >> > regra de inferência (com o conjunto vazio de premissas); mas nem toda
>> >> > regra
>> >> > de inferência pode dar origem a um axioma (embora toda regra de
>> >> > inferência
>> >> > possa dar origem a um teorema) - em que os axiomas que podem ser
>> >> > mostrados
>> >> > como tendo alguma relação direta com regras de inferência são
>> sentenças
>> >> > condicionais. Assim,
>> >> >
>> >> > (AX1) p->p
>> >> >
>> >> > é um axioma que corresponde à regra de derivação expressa por
>> >> >
>> >> > (RD1) p |- p
>> >> >
>> >> > Que lhes parece?
>> >>
>> >> Se você trocar todos os axiomas implicativos usuais à la
>> >> Hilbert-Bernays por regras de derivação, o *metateorema da dedução*
>> >> pode de fato se tornar problemático: de fato, ele é demonstrável sobre
>> >> o sistema intuicionista/clássico proposicional por indução sobre a
>> >> construção das derivações em sistemas nos quais *modus ponens é a
>> >> única regra de inferência*.  Se você acrescentar novas regras (como a
>> >> regra de generalização típica das lógicas de primeira ordem, ou a
>> >> regra de necessitação típica das lógicas modais mais conhecidas),
>> >> parte do passo indutivo da demonstração do metateorema da dedução pode
>> >> falhar.
>> >>
>> >> O equívoco de pensar que axiomas podem ser *substituídos* por regras
>> >> de derivação sem prejuízo do sistema dedutivo subjacente é fácil de se
>> >> cometer (as regras certamente são derivadas dos axiomas usando modus
>> >> ponens, mas o contrário pode não ocorrer, caso não se possa garantir
>> >> de alguma forma a validade do metateorema da dedução).  Eu próprio o
>> >> cometi em um artigo de referência ("A Taxonomy of C-systems") que
>> >> escrevi com o Walter.
>> >>
>> >> Abraços,
>> >> Joao Marcos
>> >>
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