Caro Anderson
c/c tod@s

Já discutimos um pouco me privado, mas com a discussão  está atraindo
a  atenção (pelo menos do meu ex-orientando Bruno Ramos, com su
análises. cuidadosas) talvez seja melhor tomar a pública a discussão:

Sim, Anderson, você tem razão quando diz que pode-se tratar o caso
como um  entimema (ou argumento com  premissas  ocultas).

Contudo, acho que se trata de uma questão de  posição quanto às
premissas ocultas : se queremos tratar uma dedução (ou argumento)
como. por exemplo

"Todos os homens são mortais. logo Sócrates é mortal",  temos dois
pontos de vista distintos:
1) Do ponto de vista da lógica formal estrita , como seria em
"machine learning", o argumento  é simplesmente inválido.

2) Se,  por. outro lado,  decidimos tratar o caso do ponto da vista
da. lógica. informal  (argumentação,  dialética. ou racionalidade.
discursiva)  aí temos o recurso do
Princípio da Caridade, ou Princípio da Reconstrução Racional. Embora
de  um  ponto de vista lógico-formal um raciocínio  possa ser
incompleto, o Princípio da  Caridade é uma tentativa   de interpretar
o raciocínio de uma pessoa de forma que seja o mais completo e sem
confusão possível.  Nesse caso, acrescentamos a  premissa  faltante,
"Sòcrates éhomem",  que é aquela que toma o raciocínio válido.

 Não vejo grandes questões filosóficas aí: é uma questão de se decidir
qual jogo  estamos  jogando - se o da lógica  estrita, ou o  da
argumentação humana.
 Abraços,

Walter


Em dom., 25 de abr. de 2021 às 12:41, bruno.ramos.mendonca
<[email protected]> escreveu:
>
> Olá, Anderson e todos:
>
> >> É, entretanto, embaraçoso aceitar argumentos do tipo: Héspero é o planeta 
> >> Vênus. Logo, Fósforo é o planeta Vênus
> >como dedutivamente válidos.
>
> Eu apresentaria um pouco diferente. Da perspectiva clássico-formal abordada 
> em um curso de Lógica I, esse argumento não tem a sua validade reconhecida. 
> Contudo, divergindo do caso clássico, há boas razões para pensar que ele é 
> válido e, o que é mais interessante, é um caso paradigmático de falha do 
> princípio de onisciência lógica (aceito em sistemas normais de lógica 
> epistêmica). Seguindo uma sugestão recorrente na literatura da área, eu 
> argumento nesse sentido em: 
> https://scholar.googleusercontent.com/scholar?q=cache:QBVLJ5zOT4oJ:scholar.google.com/+perspectiva+filos%C3%B3fica+b+r+mendon%C3%A7a+onisci%C3%AAncia+l%C3%B3gica&hl=pt-BR&as_sdt=0,5
>
> Mas isso levanta boas questões: seria esse argumento materialmente válido? 
> Talvez o ponto seja fazer jus a certa crítica possível à ideia de que a 
> lógica é essencialmente formal... (pessoalmente, não acho que tenha a ver com 
> a distinção analítico-sintético: o argumento é analítico mas não é alvo de 
> conhecimento a priori).
>
> Abraços
> Bruno
>
> --
> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" dos 
> Grupos do Google.
> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um 
> e-mail para [email protected].
> Para ver essa discussão na Web, acesse 
> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/2d5979d5-b029-4a76-a02b-7d8043ee63f4n%40dimap.ufrn.br.



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Walter Carnielli, Professor
Centre for Logic, Epistemology and the History of Science and
Department of Philosophy
University of Campinas –UNICAMP
13083-859 Campinas -SP, Brazil
Phone: (+55) (19) 3521-6517
Institutional e-mail: [email protected]
Website: http://www.cle.unicamp.br/prof/carnielli

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