Falando em software livre, fiz uma entrevista com um membro de uma
comunidade (Debian) que está votando se rejeita ou não LLMs

https://youtu.be/0H-ijFJCnEE

Observem que a possibilidade de qualquer coisa que lembre "pensamento" não
faz parte da nossa conversa pois somos duas pessoas que sabemos o básico de
como LLMs funcionam.

Adolfo Neto
Associate Professor - Federal University of Technology, Paraná
Web: *https://adolfont.github.io/ <https://adolfont.github.io/>*
Mestrado em Computação Aplicada: http://www.ppgca.ct.utfpr.edu.br


Em qui., 13 de ago. de 2026, 21:50, Eduardo Ochs <[email protected]>
escreveu:

> Oi Márcio,
>
> > Se eu estivesse lá quebrando a cabeça auxiliado pela máquina,
> > fazendo zilhões de perguntas para entender como algo aparentemente
> > milagroso teria sido obtido, eu não iria me expor publicamente,
> > mostrando as perguntas ingênuas que eu fiz, haha... Só alguém como o
> > Terence Tao pode fazer isso (por que as perguntas dele são geniais,
> > não ingênuas...).
>
> Não é assim que funciona...
>
> Durante muitos anos boa parte da minha vida social foi em canais de
> IRC de Software Livre, principalmente o #emacs... e nesses canais a
> gente QUASE sempre tratava super bem as pessoas que faziam perguntas
> "ingênuas", porque isso criava um ambiente em que a gente também podia
> pedir ajuda quando a gente tivesse perguntas que poderiam ser
> consideradas "ingênuas" em ambientes mais hostis...
>
> A coisa sobre LLMs que me dá mais ódio é que por causa delas agora é
> muito mais difícil construir ambientes assim.
>
>   [[]], Eduardo
>
> On Thu, 13 Aug 2026 at 18:48, Márcio Palmares <[email protected]>
> wrote:
> >
> > Eu acho, apenas acho, que dificilmente alguém além do Terence Tao vai
> divulgar o resultado inteiro de suas interações com um LLM...
> >
> > Talvez a interação seja nebulosa demais... Talvez os outputs da máquina
> sejam ininteligíveis em suas primeiras versões e precisem de muito
> refinamento até que se tornem digeríveis por humanos...
> >
> > Se eu estivesse lá quebrando a cabeça auxiliado pela máquina, fazendo
> zilhões de perguntas para entender como algo aparentemente milagroso teria
> sido obtido, eu não iria me expor publicamente, mostrando as perguntas
> ingênuas que eu fiz, haha... Só alguém como o Terence Tao pode fazer isso
> (por que as perguntas dele são geniais, não ingênuas...).
> >
> > Mas esse processo de identificar a máquina na autoria já está
> ocorrendo... Mesmo que não faça sentido...
> >
> > O ChatGPT é descrito assim no documento citado acima:
> >
> > "OpenAI GPT-5.6 Pro contributed to exploration, proof development, exact
> computational testing, adversarial auditing, and exposition."
> >
> > Ou seja, fez praticamente tudo... Mesmo que o definamos só como "uma
> ferramenta, um programa de computador", essa coisa está produzindo uma
> revolução, e uma revolução traz consigo transformações profundas,
> progressivas ou regressivas...
> >
> > Abraços,
> >
> > M.
> >
> >
> >
> >
> >
> > Em qui., 13 de ago. de 2026 às 18:28, Adolfo Neto <[email protected]>
> escreveu:
> >>
> >> Como assim dar crédito/autoria?
> >> Não faz sentido algum falar de autoria/crédito de um LLM (exceto para
> os TESCREAListas, talvez).
> >> É só uma ferramenta, um programa de computador.
> >> Uma ferramenta feita de forma antiética, mas uma ferramenta.
> >>
> >> Estou falando de Ciência Aberta, de revelação de método, o básico da
> Ciência.
> >>
> >> Não estou dizendo que não tem, só estou perguntando mesmo.
> >>
> >> Adolfo Neto
> >> Associate Professor - Federal University of Technology, Paraná
> >> Web: https://adolfont.github.io/
> >> Mestrado em Computação Aplicada: http://www.ppgca.ct.utfpr.edu.br
> >>
> >>
> >> Em qui., 13 de ago. de 2026, 17:52, Márcio Palmares <
> [email protected]> escreveu:
> >>>
> >>> Não tenho ideia, Adolfo...
> >>>
> >>> Mas se eu fosse o Lech Mazur e se eu tivesse resolvido sozinho a maior
> parte do problema, por que eu daria o crédito a um LLM?
> >>>
> >>> O matemático vive disso: de resolver problemas e de obter o
> reconhecimento pelo seu trabalho... Por que as pessoas abririam mão da
> autoria ou do mérito voluntariamente?
> >>>
> >>> Aqui parece que tem muita documentação sobre esse resultado do Lech
> Mazur:
> >>>
> >>> https://www.proofatlas.ai/formalizations/sendov-conjecture/
> >>>
> >>> O modo como ele é descrito na documentação é meio engraçado até:
> >>>
> >>> "Lech Mazur is the sole named manuscript author, accountable curator,
> workflow designer, and reconciler of model outputs."
> >>>
> >>> M.
> >>>
> >>>
> >>>
> >>>
> >>>
> >>> Em qui., 13 de ago. de 2026 às 17:02, Adolfo Neto <
> [email protected]> escreveu:
> >>>>
> >>>> Alguma dessas provas está mostrando os prompts, o chat inteiro e o
> custo em tokens (quando houver)?
> >>>>
> >>>>
> >>>> Adolfo Neto
> >>>> Associate Professor - Federal University of Technology, Paraná
> >>>> Web: https://adolfont.github.io/
> >>>> Mestrado em Computação Aplicada: http://www.ppgca.ct.utfpr.edu.br
> >>>>
> >>>>
> >>>> Em qui., 13 de ago. de 2026, 15:44, Márcio Palmares <
> [email protected]> escreveu:
> >>>>>
> >>>>> O que motivou a postagem do Daniel Tausk de hoje não foi o caso do
> neurocirurgião, e sim o caso de um sujeito chamado Lech Mazur, que resolveu
> uma tal conjectura de Sendov. De acordo com Daniel Tausk, Lech Mazur não
> parece ser matemático profissional. O problema interessou ao Terence Tao,
> que apresentou ontem, 12 de agosto, mais uma de suas "digestões":
> >>>>>
> >>>>>
> https://terrytao.wordpress.com/2026/08/12/a-digestion-of-the-proof-of-sendovs-conjecture/
> >>>>>
> >>>>> Mesmo jogando fora a tese do novo sujeito epistêmico e recuando para
> a posição apresentada pelo João Marcos:
> >>>>>
> >>>>> "sistema epistêmico híbrido poderoso que se assemelha funcionalmente
> a um tipo de arquitetura neuro-simbólica, atuando usualmente sob supervisão
> externa"
> >>>>>
> >>>>> me parece difícil dizer, em ambos os casos, que a máquina atuou
> apenas como assistente de prova ou fez apenas força bruta... Não parece ser
> isso o que os próprios co-autores dos resultados declaram... Nos dois casos
> eles afirmam que passos cruciais foram obtidos pela máquina...
> >>>>>
> >>>>> Comentário do ChatGPT (conferir se procede integralmente):
> >>>>>
> >>>>> "No caso da conjectura de Sendov, não estamos diante de uma situação
> em que o humano já possuía a demonstração e usou a IA para preencher
> lacunas, conferir contas ou formalizá-la. O próprio artigo de Mazur declara
> expressamente que o GPT-5.6 Pro teve papel substancial na descoberta e na
> derivação da matemática, participando da exploração, desenvolvimento da
> prova, testes computacionais e auditoria adversarial. Mazur descreve seu
> próprio papel como curador, prompter, projetista do fluxo de trabalho e
> selecionador/reconciliador dos resultados produzidos pelo modelo."
> >>>>>
> >>>>> (Fonte apontada pelo ChatGPT:
> https://www.proofatlas.ai/papers/sendov-conjecture/SENDOV_CONJECTURE_PROOF_AUGUST_5_2026.pdf
> )
> >>>>>
> >>>>> "E o caso Jin é ainda mais incômodo.
> >>>>>
> >>>>> A documentação disponível permite ser muito preciso. Townsend e
> Greenbaum relatam que o resultado central, o Teorema 3.1 da prova de
> Crouzeix, surgiu numa execução de aproximadamente dezesseis horas do
> GPT-5.6 Sol. Jin iniciou a execução e não interveio mais. O prompt mandava
> vários subagentes explorar estratégias genuinamente diferentes, evitar
> convergência prematura, atacar adversarialmente provas candidatas e
> persistir até sobreviver um argumento completo.
> >>>>>
> >>>>> E o próprio artigo de Jin atribui ao ChatGPT uma ideia matemática
> extremamente concreta: amostrar o núcleo matricial de Herglotz nos
> autovalores conjugados escalados e acrescentar a amostra na origem para
> cancelar determinado termo corretivo. Essa é justamente parte do mecanismo
> central da prova.
> >>>>>
> >>>>> Então dizer simplesmente:
> >>>>>
> >>>>> “Jin guiou a ferramenta na busca de uma prova”
> >>>>>
> >>>>> pode induzir uma imagem que não corresponde ao episódio decisivo.
> >>>>>
> >>>>> Ele certamente montou o problema, selecionou o sistema e desenhou o
> ambiente de busca. Mas durante a execução que produziu o ingrediente
> decisivo, não estava guiando passo a passo."
> >>>>>
> >>>>> (Fonte:
> https://alextownsend.net/essays/SIAMNews_CrouzeixConjecture.pdf)
> >>>>>
> >>>>> Ou seja, parece ser meio improvável que se reduza a força bruta... E
> há muitos outros resultados caindo sobre as nossas cabeças em que há
> componentes claramente criativos no que a máquina faz...
> >>>>>
> >>>>> Em resumo, mesmo jogando fora a tese do "outro sujeito epistêmico",
> a revolução está aí... E os resultados dela podem nos atingir como uma
> catástrofe natural, ou podemos tentar entender o que está acontecendo e
> podemos tentar intervir na realidade para que o curso dos acontecimentos
> não seja ditado apenas pelas forças cegas da economia... Isto é, podemos
> tentar colocar um ingrediente humano na coisa, uma direção escolhida
> conscientemente. (Se falharmos completamente, pelo menos teremos tentado
> alguma coisa.)
> >>>>>
> >>>>> M.
> >>>>>
> >>>>>
> >>>>>
> >>>>>
> >>>>> Em qui., 13 de ago. de 2026 às 12:49, Márcio Palmares <
> [email protected]> escreveu:
> >>>>>>
> >>>>>> Postagem de hoje do Daniel Tausk no Facebook:
> >>>>>>
> >>>>>> https://www.facebook.com/share/1C1Ggnhkia/
> >>>>>>
> >>>>>> Não sei o que ele pensa sobre política, isso não me interessa
> diretamente (se é de esquerda ou de direita, para mim é irrelevante para a
> discussão que estamos fazendo aqui).
> >>>>>>
> >>>>>> O que interessa é que ele foi um matemático profissional por certo
> tempo, e a opinião e os sentimentos dele são característicos, refletem o
> que muitos matemáticos estão sentindo agora.
> >>>>>>
> >>>>>> Vejam o que ele escreveu quando alguém perguntou a ele quais seriam
> as consequências possivelmente negativas dessa revolução em curso:
> >>>>>>
> >>>>>> "Rodrigo Abreu para a humanidade como um todo talvez nenhuma ---
> mas é tão difícil de prever e tanta coisa revolucionária estará acontecendo
> ao mesmo tempo, essa questão da matemática pode ser só um detalhe. Para
> indivíduos específicos, para as pessoas que dedicaram a vida inteira à
> matemática, pode ser catastrófico --- tanto em termos práticos (perda de
> renda) como na perda do próprio sentido da vida. Se isso estivesse
> acontecendo num outro momento da minha vida eu estaria devastado. Como
> desde a pandemia eu fui gradualmente me afastando da pesquisa em matemática
> pura para trabalhar com outras coisas, não sinto um impacto emocional muito
> forte. Ainda não sei como serão os impactos práticos na minha profissão,
> tudo é muito incerto, mas ao menos eu tenho estabilidade de funcionário
> público na USP. Mas para muita gente a habilidade de resolver problemas de
> matemática é o que define toda a identidade da pessoa."
> >>>>>>
> >>>>>> Na mosca.
> >>>>>>
> >>>>>> O problema é real. É humano.
> >>>>>>
> >>>>>> Eu sempre reparo nos relojoeiros nas galerias... Lojas outrora
> muito visitadas. São velhos, em geral, os relojoeiros. Quase ninguém mais
> compra relógios. E ninguém lembra do relojoeiro. Mas ele tinha uma
> importância, uma vida. Uma profissão. Era respeitado.
> >>>>>>
> >>>>>> Se a superestrutura desmoronar sobre as nossas cabeças, seremos
> como o relojoeiro entristecido em uma galeria tomada por lojinhas que
> vendem capinhas para celulares...
> >>>>>>
> >>>>>> M.
> >>>>>>
> >>>>>>
> >>>>>>
> >>>>>> Em quinta-feira, 13 de agosto de 2026, Márcio Palmares <
> [email protected]> escreveu:
> >>>>>>>
> >>>>>>> Valeu, pessoal!
> >>>>>>>
> >>>>>>> Obrigado pelas divergências e ponderações!
> >>>>>>>
> >>>>>>> Eu posso sacrificar sem problemas a minha tese 4 em favor de uma
> visão mais bem informada e sensata, como essa que o João Marcos ilustrou
> (com a qual eu tendo a corcordar). Talvez "cognição híbrida" seja uma
> síntese melhor do que "novo sujeito epistêmico".
> >>>>>>>
> >>>>>>> (Vou meditar cuidadosamente com base na intervenção do João Marcos
> para ver o que preciso abandonar do meu ponto de vista.)
> >>>>>>>
> >>>>>>> Mas as divergências todas são muito boas, pois permitem que
> encontremos um rumo no olho do furacão.
> >>>>>>>
> >>>>>>> A razão do meu maravilhamento (o Walter tem razão em apontar isso)
> é que eu tenho uma "agenda filosófica" e posso estar projetando nas
> evidências o que eu gostaria de ver nelas!
> >>>>>>>
> >>>>>>> Essa reportagem aqui da Quanta Magazine sobre a produção de
> células artificiais:
> >>>>>>>
> >>>>>>>
> https://www.quantamagazine.org/for-the-first-time-a-cell-built-from-scratch-grows-and-divides-20260701/
> >>>>>>>
> >>>>>>> termina com uma sentença que contém o fundamento da minha "agenda
> filosófica":
> >>>>>>>
> >>>>>>> “Se você quer entender o que é a vida”, disse Boekhoven, “primeiro
> você precisa construir a vida.”
> >>>>>>>
> >>>>>>> Analogamente, se quisermos entender o que é inteligência e o que é
> criatividade, primeiro precisamos construir inteligência e construir
> criatividade.
> >>>>>>>
> >>>>>>> Quando tal coisa estiver construída, máquinas inteligentes que
> produzem conhecimento, todo o mistério, todo o resíduo de pensamento
> místico ou mágico sobre a inteligência e a criatividade deixará de existir.
> >>>>>>>
> >>>>>>> Então, muito provavelmente estou errado sobre o estado atual
> dessas máquinas... Mas a tendência aponta em qual direção? As evidências
> estão se acumulando em favor de qual interpretação? Precisamos olhar para a
> dinâmica, para a tendência...
> >>>>>>>
> >>>>>>> No livrinho de 2002 do Tim Gowers, "Mathematics. A very short
> introduction", além da previsão de que os computadores nos superariam
> totalmente em um século, ele responde a várias questões interessantes...
> Uma delas era assim:
> >>>>>>>
> >>>>>>> "Pode realmente um amador conseguir obter resultados de alto nível
> em matemática?"
> >>>>>>>
> >>>>>>> A resposta de Gowers é negativa. E a explicação é muito
> interessante: é necessário um investimento altíssimo para formar um
> matemático de ponta: muitos anos de trabalho duro até que ele esteja em
> condições de conhecer a literatura da área e produzir pesquisa original.
> Atualmente, isso está completamente fora do alcance de um amador.
> >>>>>>>
> >>>>>>> Noutras palavras: é caríssimo produzir um matemático profissional,
> de elite. Normalmente, ele já vem de uma boa família, com pais com ensino
> superior, uma condição social ao menos mediana. Depois passa anos na
> graduação, mestrado e doutorado, pós-doc, e então está no nível em que
> compreende a literatura de sua área. É um investimento social bastante
> grande.
> >>>>>>>
> >>>>>>> O que é perturbador no caso desse neurocirurgião é que, embora ele
> não fosse um leigo e estivesse trabalhando no problema há anos, ele
> conseguiu, assistido pela máquina e guiando a máquina, produzir um resultado
> >>>>>>>
> >>>>>>> por fora da cadeia normal de produção do saber científico
> >>>>>>>
> >>>>>>> isto é, por fora da "estrutura", por fora das "relações de
> produção".
> >>>>>>>
> >>>>>>> Isto sugere que uma "força produtiva" (o pensamento humano) foi
> potencializada por uma revolução tecnológica e está rompendo as relações de
> produção ou tensionando-as, questionando-as. É a condição do advento de uma
> típica revolução social (na interpretação de Marx para revoluções
> econômicas e sociais). Estou parafraseando essa interpretação para
> arriscarmos uma interpretação sobre o que estamos vivendo...
> >>>>>>>
> >>>>>>> Mesmo decartando o meu maravilhamento que pode produzir a ilusão
> de que estejamos diante de um "outro" (antropomorfização), ainda há o
> problema real de uma revolução tecnológica...
> >>>>>>>
> >>>>>>> E sobre o consequente desmoronamento da superestrutura atual da
> ciência, esse fenômeno será essencialmente negativo se ficar sob o comando
> cego das forças econômicas... Precisa haver intervenção humana consciente
> no rumo dos acontecimentos para que eles avancem numa direção progressiva e
> não regressiva... Por isso precisamos que a nossa elite intelectual se
> manifeste publicamente (isso tem acontecido, mas a uma taxa ainda
> insuficiente) e tente agarrar o boi pelo chifre e direcionar o rumo dos
> acontecimentos...
> >>>>>>>
> >>>>>>> Abraços,
> >>>>>>>
> >>>>>>> M.
> >>>>>>>
> >>>>>>>
> >>>>>>>
> >>>>>>>
> >>>>>>>
> >>>>>>> Em quinta-feira, 13 de agosto de 2026, Joao Marcos <
> [email protected]> escreveu:
> >>>>>>>>
> >>>>>>>> Comentário do ChatGPT sobre *agência epistêmica*:
> >>>>>>>>
> >>>>>>>> "Um LLM isolado não é naturalmente um agente epistêmico capaz de
> manter compromissos. Um LLM pode, contudo, funcionar como o componente
> linguístico e raciocinativo de um sistema mais amplo, dotado de um estado
> epistêmico explícito, persistente e revisável."
> >>>>>>>>
> >>>>>>>> A nossa comunidade tem há muitos anos desenvolvido arquiteturas
> epistêmicas e aparatos para revisão de crenças.  Os LLMs seguem orientações
> "com muita paciência" (pareidolia!), executam interpretação linguística e
> buscas em espaços enormes.  Em conjunto com humanos (que decidem em geral o
> que conta como "evidência confiável"), os LLMs formam presentemente um
> sistema epistêmico híbrido poderoso que se assemelha funcionalmente a um
> tipo de arquitetura neuro-simbólica, atuando usualmente sob supervisão
> externa.  Eles podem sugerir inferências (nem sempre corretas) e produzir
> respostas (nem sempre sensatas) às questões recebidas.
> >>>>>>>>
> >>>>>>>> Uma questão particularmente interessante diz respeito à autonomia
> prática que os sistemas computacionais atuais podem (ou devem) vir a ter, e
> também ao tipo de responsabilidades que lhes pode ser atribuída.  No último
> SBFA, em Recife, houve, de fato, algumas palestras exatamente sobre estes
> assuntos.  Podemos falar, por exemplo, em autonomia no nível da execução,
> sem autonomia no nível da constituição normativa.
> >>>>>>>>
> >>>>>>>> Outra coisa (também trabalhada pela nossa comunidade há vários
> anos): os sistemas computacionais atuais não possuem ---talvez? ainda?---
> complexidade auto-organizacional suficiente para que possamos falar de
> emergência comportamental num sentido forte.  Se este cenário mudar,
> contudo, talvez já não tenhamos mais como escapar do problema da
> responsabilidade moral dos ditos agentes.
> >>>>>>>>
> >>>>>>>> João Marcos
> >>>>>
> >>>>> --
> >>>>> LOGICA-L
> >>>>> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de
> Lógica <[email protected]>
> >>>>> ---
> >>>>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L"
> dos Grupos do Google.
> >>>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele,
> envie um e-mail para [email protected].
> >>>>> Para ver esta conversa, acesse
> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAA_hCxUUMxjBbQZy7G5eN%3Da0gEey6DxvMShsRfXfW6wX1z%3Dvhw%40mail.gmail.com
> .
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> > --
> > LOGICA-L
> > Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de
> Lógica <[email protected]>
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> Grupos do Google.
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LOGICA-L
Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de Lógica 
<[email protected]>
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