Como assim dar crédito/autoria? Não faz sentido algum falar de autoria/crédito de um LLM (exceto para os TESCREAListas, talvez). É só uma ferramenta, um programa de computador. Uma ferramenta feita de forma antiética, mas uma ferramenta.
Estou falando de Ciência Aberta, de revelação de método, o básico da Ciência. Não estou dizendo que não tem, só estou perguntando mesmo. Adolfo Neto Associate Professor - Federal University of Technology, Paraná Web: *https://adolfont.github.io/ <https://adolfont.github.io/>* Mestrado em Computação Aplicada: http://www.ppgca.ct.utfpr.edu.br Em qui., 13 de ago. de 2026, 17:52, Márcio Palmares < [email protected]> escreveu: > Não tenho ideia, Adolfo... > > Mas se eu fosse o Lech Mazur e se eu tivesse resolvido sozinho a maior > parte do problema, por que eu daria o crédito a um LLM? > > O matemático vive disso: de resolver problemas e de obter o reconhecimento > pelo seu trabalho... Por que as pessoas abririam mão da autoria ou do > mérito voluntariamente? > > Aqui parece que tem muita documentação sobre esse resultado do Lech Mazur: > > https://www.proofatlas.ai/formalizations/sendov-conjecture/ > > O modo como ele é descrito na documentação é meio engraçado até: > > "Lech Mazur is the sole named manuscript author, accountable curator, > workflow designer, and reconciler of model outputs." > > M. > > > > > > Em qui., 13 de ago. de 2026 às 17:02, Adolfo Neto <[email protected]> > escreveu: > >> Alguma dessas provas está mostrando os prompts, o chat inteiro e o custo >> em tokens (quando houver)? >> >> >> Adolfo Neto >> Associate Professor - Federal University of Technology, Paraná >> Web: *https://adolfont.github.io/ <https://adolfont.github.io/>* >> Mestrado em Computação Aplicada: http://www.ppgca.ct.utfpr.edu.br >> >> >> Em qui., 13 de ago. de 2026, 15:44, Márcio Palmares < >> [email protected]> escreveu: >> >>> O que motivou a postagem do Daniel Tausk de hoje não foi o caso do >>> neurocirurgião, e sim o caso de um sujeito chamado Lech Mazur, que resolveu >>> uma tal conjectura de Sendov. De acordo com Daniel Tausk, Lech Mazur não >>> parece ser matemático profissional. O problema interessou ao Terence Tao, >>> que apresentou ontem, 12 de agosto, mais uma de suas "digestões": >>> >>> >>> https://terrytao.wordpress.com/2026/08/12/a-digestion-of-the-proof-of-sendovs-conjecture/ >>> >>> Mesmo jogando fora a tese do novo sujeito epistêmico e recuando para a >>> posição apresentada pelo João Marcos: >>> >>> "sistema epistêmico híbrido poderoso que se assemelha funcionalmente a >>> um tipo de arquitetura neuro-simbólica, atuando usualmente sob supervisão >>> externa" >>> >>> me parece difícil dizer, em ambos os casos, que a máquina atuou apenas >>> como assistente de prova ou fez apenas força bruta... Não parece ser isso o >>> que os próprios co-autores dos resultados declaram... Nos dois casos eles >>> afirmam que passos cruciais foram obtidos pela máquina... >>> >>> Comentário do ChatGPT (conferir se procede integralmente): >>> >>> "No caso da *conjectura de Sendov*, não estamos diante de uma situação >>> em que o humano já possuía a demonstração e usou a IA para preencher >>> lacunas, conferir contas ou formalizá-la. O próprio artigo de Mazur declara >>> expressamente que o GPT-5.6 Pro teve *papel substancial na descoberta e >>> na derivação da matemática*, participando da exploração, >>> desenvolvimento da prova, testes computacionais e auditoria adversarial. >>> Mazur descreve seu próprio papel como curador, *prompter*, projetista >>> do fluxo de trabalho e selecionador/reconciliador dos resultados produzidos >>> pelo modelo." >>> >>> (Fonte apontada pelo ChatGPT: >>> https://www.proofatlas.ai/papers/sendov-conjecture/SENDOV_CONJECTURE_PROOF_AUGUST_5_2026.pdf >>> ) >>> >>> "E o caso Jin é ainda mais incômodo. >>> >>> A documentação disponível permite ser muito preciso. Townsend e >>> Greenbaum relatam que o *resultado central*, o Teorema 3.1 da prova de >>> Crouzeix, surgiu numa execução de aproximadamente *dezesseis horas do >>> GPT-5.6 Sol*. Jin iniciou a execução e *não interveio mais*. O prompt >>> mandava vários subagentes explorar estratégias genuinamente diferentes, >>> evitar convergência prematura, atacar adversarialmente provas candidatas e >>> persistir até sobreviver um argumento completo. >>> >>> E o próprio artigo de Jin atribui ao ChatGPT uma ideia matemática >>> extremamente concreta: amostrar o núcleo matricial de Herglotz nos >>> autovalores conjugados escalados e acrescentar a amostra na origem para >>> cancelar determinado termo corretivo. Essa é justamente parte do mecanismo >>> central da prova. >>> >>> Então dizer simplesmente: >>> >>> “Jin guiou a ferramenta na busca de uma prova” >>> >>> pode induzir uma imagem que não corresponde ao episódio decisivo. >>> Ele certamente *montou o problema, selecionou o sistema e desenhou o >>> ambiente de busca*. Mas durante a execução que produziu o ingrediente >>> decisivo, não estava guiando passo a passo." >>> >>> (Fonte: https://alextownsend.net/essays/SIAMNews_CrouzeixConjecture.pdf) >>> >>> Ou seja, parece ser meio improvável que se reduza a força bruta... E há >>> muitos outros resultados caindo sobre as nossas cabeças em que há >>> componentes claramente criativos no que a máquina faz... >>> >>> Em resumo, mesmo jogando fora a tese do "outro sujeito epistêmico", a >>> revolução está aí... E os resultados dela podem nos atingir como uma >>> catástrofe natural, ou podemos tentar entender o que está acontecendo e >>> podemos tentar intervir na realidade para que o curso dos acontecimentos >>> não seja ditado apenas pelas forças cegas da economia... Isto é, podemos >>> tentar colocar um ingrediente humano na coisa, uma direção escolhida >>> conscientemente. (Se falharmos completamente, pelo menos teremos tentado >>> alguma coisa.) >>> >>> M. >>> >>> >>> >>> >>> Em qui., 13 de ago. de 2026 às 12:49, Márcio Palmares < >>> [email protected]> escreveu: >>> >>>> Postagem de hoje do Daniel Tausk no Facebook: >>>> >>>> https://www.facebook.com/share/1C1Ggnhkia/ >>>> >>>> Não sei o que ele pensa sobre política, isso não me interessa >>>> diretamente (se é de esquerda ou de direita, para mim é irrelevante para a >>>> discussão que estamos fazendo aqui). >>>> >>>> O que interessa é que ele foi um matemático profissional por certo >>>> tempo, e a opinião e os sentimentos dele são característicos, refletem o >>>> que muitos matemáticos estão sentindo agora. >>>> >>>> Vejam o que ele escreveu quando alguém perguntou a ele quais seriam as >>>> consequências possivelmente negativas dessa revolução em curso: >>>> >>>> "Rodrigo Abreu para a humanidade como um todo talvez nenhuma --- mas é >>>> tão difícil de prever e tanta coisa revolucionária estará acontecendo ao >>>> mesmo tempo, essa questão da matemática pode ser só um detalhe. Para >>>> indivíduos específicos, para as pessoas que dedicaram a vida inteira à >>>> matemática, pode ser catastrófico --- tanto em termos práticos (perda de >>>> renda) como na perda do próprio sentido da vida. Se isso estivesse >>>> acontecendo num outro momento da minha vida eu estaria devastado. Como >>>> desde a pandemia eu fui gradualmente me afastando da pesquisa em matemática >>>> pura para trabalhar com outras coisas, não sinto um impacto emocional muito >>>> forte. Ainda não sei como serão os impactos práticos na minha profissão, >>>> tudo é muito incerto, mas ao menos eu tenho estabilidade de funcionário >>>> público na USP. Mas para muita gente a habilidade de resolver problemas de >>>> matemática é o que define toda a identidade da pessoa." >>>> >>>> Na mosca. >>>> >>>> O problema é real. É humano. >>>> >>>> Eu sempre reparo nos relojoeiros nas galerias... Lojas outrora muito >>>> visitadas. São velhos, em geral, os relojoeiros. Quase ninguém mais compra >>>> relógios. E ninguém lembra do relojoeiro. Mas ele tinha uma importância, >>>> uma vida. Uma profissão. Era respeitado. >>>> >>>> Se a superestrutura desmoronar sobre as nossas cabeças, seremos como o >>>> relojoeiro entristecido em uma galeria tomada por lojinhas que vendem >>>> capinhas para celulares... >>>> >>>> M. >>>> >>>> >>>> >>>> Em quinta-feira, 13 de agosto de 2026, Márcio Palmares < >>>> [email protected]> escreveu: >>>> >>>>> Valeu, pessoal! >>>>> >>>>> Obrigado pelas divergências e ponderações! >>>>> >>>>> Eu posso sacrificar sem problemas a minha tese 4 em favor de uma visão >>>>> mais bem informada e sensata, como essa que o João Marcos ilustrou (com a >>>>> qual eu tendo a corcordar). Talvez "cognição híbrida" seja uma síntese >>>>> melhor do que "novo sujeito epistêmico". >>>>> >>>>> (Vou meditar cuidadosamente com base na intervenção do João Marcos >>>>> para ver o que preciso abandonar do meu ponto de vista.) >>>>> >>>>> Mas as divergências todas são muito boas, pois permitem que >>>>> encontremos um rumo no olho do furacão. >>>>> >>>>> A razão do meu maravilhamento (o Walter tem razão em apontar isso) é >>>>> que eu tenho uma "agenda filosófica" e posso estar projetando nas >>>>> evidências o que eu gostaria de ver nelas! >>>>> >>>>> Essa reportagem aqui da Quanta Magazine sobre a produção de células >>>>> artificiais: >>>>> >>>>> >>>>> https://www.quantamagazine.org/for-the-first-time-a-cell-built-from-scratch-grows-and-divides-20260701/ >>>>> >>>>> termina com uma sentença que contém o fundamento da minha "agenda >>>>> filosófica": >>>>> >>>>> “Se você quer entender o que é a vida”, disse Boekhoven, “primeiro >>>>> você precisa construir a vida.” >>>>> >>>>> Analogamente, se quisermos entender o que é inteligência e o que é >>>>> criatividade, primeiro precisamos construir inteligência e construir >>>>> criatividade. >>>>> >>>>> Quando tal coisa estiver construída, máquinas inteligentes que >>>>> produzem conhecimento, todo o mistério, todo o resíduo de pensamento >>>>> místico ou mágico sobre a inteligência e a criatividade deixará de >>>>> existir. >>>>> >>>>> Então, muito provavelmente estou errado sobre o estado atual dessas >>>>> máquinas... Mas a tendência aponta em qual direção? As evidências estão se >>>>> acumulando em favor de qual interpretação? Precisamos olhar para a >>>>> dinâmica, para a tendência... >>>>> >>>>> No livrinho de 2002 do Tim Gowers, "Mathematics. A very short >>>>> introduction", além da previsão de que os computadores nos superariam >>>>> totalmente em um século, ele responde a várias questões interessantes... >>>>> Uma delas era assim: >>>>> >>>>> "Pode realmente um amador conseguir obter resultados de alto nível em >>>>> matemática?" >>>>> >>>>> A resposta de Gowers é negativa. E a explicação é muito interessante: >>>>> é necessário um investimento altíssimo para formar um matemático de ponta: >>>>> muitos anos de trabalho duro até que ele esteja em condições de conhecer a >>>>> literatura da área e produzir pesquisa original. Atualmente, isso está >>>>> completamente fora do alcance de um amador. >>>>> >>>>> Noutras palavras: é caríssimo produzir um matemático profissional, de >>>>> elite. Normalmente, ele já vem de uma boa família, com pais com ensino >>>>> superior, uma condição social ao menos mediana. Depois passa anos na >>>>> graduação, mestrado e doutorado, pós-doc, e então está no nível em que >>>>> compreende a literatura de sua área. É um investimento social bastante >>>>> grande. >>>>> >>>>> O que é perturbador no caso desse neurocirurgião é que, embora ele não >>>>> fosse um leigo e estivesse trabalhando no problema há anos, ele conseguiu, >>>>> assistido pela máquina e guiando a máquina, produzir um resultado >>>>> >>>>> por fora da cadeia normal de produção do saber científico >>>>> >>>>> isto é, por fora da "estrutura", por fora das "relações de produção". >>>>> >>>>> Isto sugere que uma "força produtiva" (o pensamento humano) foi >>>>> potencializada por uma revolução tecnológica e está rompendo as relações >>>>> de >>>>> produção ou tensionando-as, questionando-as. É a condição do advento de >>>>> uma >>>>> típica revolução social (na interpretação de Marx para revoluções >>>>> econômicas e sociais). Estou parafraseando essa interpretação para >>>>> arriscarmos uma interpretação sobre o que estamos vivendo... >>>>> >>>>> Mesmo decartando o meu maravilhamento que pode produzir a ilusão de >>>>> que estejamos diante de um "outro" (antropomorfização), ainda há o >>>>> problema >>>>> real de uma revolução tecnológica... >>>>> >>>>> E sobre o consequente desmoronamento da superestrutura atual da >>>>> ciência, esse fenômeno será essencialmente negativo se ficar sob o comando >>>>> cego das forças econômicas... Precisa haver intervenção humana consciente >>>>> no rumo dos acontecimentos para que eles avancem numa direção progressiva >>>>> e >>>>> não regressiva... Por isso precisamos que a nossa elite intelectual se >>>>> manifeste publicamente (isso tem acontecido, mas a uma taxa ainda >>>>> insuficiente) e tente agarrar o boi pelo chifre e direcionar o rumo dos >>>>> acontecimentos... >>>>> >>>>> Abraços, >>>>> >>>>> M. >>>>> >>>>> >>>>> >>>>> >>>>> >>>>> Em quinta-feira, 13 de agosto de 2026, Joao Marcos <[email protected]> >>>>> escreveu: >>>>> >>>>>> Comentário do ChatGPT sobre *agência epistêmica*: >>>>>> >>>>>> "Um LLM isolado não é naturalmente um agente epistêmico capaz de >>>>>> manter compromissos. Um LLM pode, contudo, funcionar como o componente >>>>>> linguístico e raciocinativo de um sistema mais amplo, dotado de um estado >>>>>> epistêmico explícito, persistente e revisável." >>>>>> >>>>>> A nossa comunidade tem há muitos anos desenvolvido arquiteturas >>>>>> epistêmicas e aparatos para revisão de crenças. Os LLMs seguem >>>>>> orientações >>>>>> "com muita paciência" (pareidolia!), executam interpretação linguística e >>>>>> buscas em espaços enormes. Em conjunto com humanos (que decidem em >>>>>> geral o >>>>>> que conta como "evidência confiável"), os LLMs formam presentemente um >>>>>> sistema epistêmico híbrido poderoso que se assemelha funcionalmente a um >>>>>> tipo de arquitetura neuro-simbólica, atuando usualmente sob supervisão >>>>>> externa. Eles podem sugerir inferências (nem sempre corretas) e produzir >>>>>> respostas (nem sempre sensatas) às questões recebidas. >>>>>> >>>>>> Uma questão particularmente interessante diz respeito à autonomia >>>>>> prática que os sistemas computacionais atuais podem (ou devem) vir a >>>>>> ter, e >>>>>> também ao tipo de responsabilidades que lhes pode ser atribuída. No >>>>>> último >>>>>> SBFA, em Recife, houve, de fato, algumas palestras exatamente sobre estes >>>>>> assuntos. Podemos falar, por exemplo, em autonomia no nível da execução, >>>>>> sem autonomia no nível da constituição normativa. >>>>>> >>>>>> Outra coisa (também trabalhada pela nossa comunidade há vários anos): >>>>>> os sistemas computacionais atuais não possuem ---talvez? ainda?--- >>>>>> complexidade auto-organizacional suficiente para que possamos falar de >>>>>> emergência comportamental num sentido forte. Se este cenário mudar, >>>>>> contudo, talvez já não tenhamos mais como escapar do problema da >>>>>> responsabilidade moral dos ditos agentes. >>>>>> >>>>>> João Marcos >>>>>> >>>>> -- >>> LOGICA-L >>> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de >>> Lógica <[email protected]> >>> --- >>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" dos >>> Grupos do Google. >>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >>> envie um e-mail para [email protected]. >>> Para ver esta conversa, acesse >>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAA_hCxUUMxjBbQZy7G5eN%3Da0gEey6DxvMShsRfXfW6wX1z%3Dvhw%40mail.gmail.com >>> <https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAA_hCxUUMxjBbQZy7G5eN%3Da0gEey6DxvMShsRfXfW6wX1z%3Dvhw%40mail.gmail.com?utm_medium=email&utm_source=footer> >>> . >>> >> -- LOGICA-L Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de Lógica <[email protected]> --- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. 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