Regivaldo,

Como sugeriu o Relatório Brennan, e como estava na já revogada Lei
do Voto Impresso, a auditoria por recontagem dos votos materializados conferidos pelos eleitores deve ser feita de forma automática numa amostra sorteada depois da eleição.

De nada adianta ter o voto impresso e não o utilizar ou deixar a critério do juiz utilizar ou não.

Enfim, a proposta é de auditoria estatística automática e de definição prévia dos procedimentos caso se encontre divergências.

Veja o Relatório Brennan traduzido em:
 http://www.votoseguro.org/textos/brennan-pt.pdf

As máquinas de votar do TSE e as novas da Câmara não atendem a estas recomendações essenciais.

Está vendo Regivaldo, os conceitos são rigorosos e não se pode atenuá-los. A confiabilidade de sistemas eletrônicos de votação deve começar já no seu projeto que respeite requisitos mínimos de sigilo ABSOLUTO do voto e auditabilidade sistemática do resultado, como os requisitos Neumann, passa pela contrução de sistema abertos e se complementa com procedimentos automáticos (independente de decisão de juiz) de auditoria contábil.

O conceito de sigilo ABSOLUTO quer dizer que deve ser MATERIALMENTE IMPOSSÍVEL se violar o voto. Diferente do sigilo bancário ou telefônico, nem mesmo um juiz deve ter como mandar abrir o sigilo do voto e, por isto, a identificação do eleitor NUNCA DEVE SER FORNECEIDA à mesma máquina que recebe o voto.

[ ]s
  Amilcar

Regivaldo Gomes Costa escreveu:
Prezado Amilcar,

Sem dúvida é um ótimo método. Nesse caso, a recontagem através da releitura das cédulas só e feita caso haja contestação. Se houver ataque a integridade do voto, uma contraprova ajudaria o eleitor a identificar esse tipo de ação. Regivaldo Costa
Salve vidas, visite -> http://www.doesanguecuritiba.org



----- Mensagem original ----
De: Amilcar Brunazo Filho <[EMAIL PROTECTED]>
Para: [email protected]
Enviadas: Sábado, 27 de Janeiro de 2007 1:07:24
Assunto: [VotoEletronico] Urna-E na Câmara Federal


Regivaldo,

O problema de leitura da cédula preenchida (ou perfurada) pelo eleitor só ocorre quando a leitura do voto for ser feita após o encerramento da votação, junto com as outras cédulas.

Mas a proposta de máquinas de votar com leitoras de cartão, primeiramente apresentado no Relatório MIT-Caltech, a leitura é feita na presença do eleitor, dentro da cabine, durante o ato de votar. O voto lido é mostrado no visor da máquina e o eleitor pode confirmar ou cancelar se houver erro.

Assim, o alegado problema de erro na leitura do voto, que foi o grande problema na Flórida em 2000, fica eliminado.

Por isto, tenho dito que este tipo de máquina de votar, com leitor de cédula e visor para o eleitor conferir o voto, tem se tornado a mais aprovado quando se trata de desenvolver máquinas novas.

É facil do eleitore entender o funcionamento, é fácil de votar (semelhante a jogar em nossa loteria), é rápida na apresentação do resultado (o sonho dos administradores e dos deslumbrados), não cria possibilidade de identificação sistematica do voto e... acima de tudo, permite conferência da apuração eletrônica.

Eu não sei bem porque ficar procurando desenvolver sistemas mais complexos se existe uma solução que atende TODOS os requisitos do Peter Neumann.

Amilcar

Regivaldo Gomes Costa escreveu:
Prezado Leamartine,

Sua colocação e bem positiva quanto ao cenário que temos em nosso país e 
provalmente em boa parte do mundo. De fato inviabiliza qualquer implementação 
que seja operacionalmente complexa na qual já coloquei como um problema em 
pontecial no texto anterior.

Quando falastes "a cédula pré-impressa, com rubrica do Presidente e de um dos 
Mesários", entendo que após preenchida ou picotada a qualidade do voto na cédula, a 
mesma passaria por um mecanismo de leitura óptica para que o voto fosse contabilizado 
eletrônicamente, possibilitando uma totalização instantânea ao término do pleito (por 
favor, me corrija se interpretei errado).

Não conheço as estatistícas, mas o problema do preechimento da cédula, seja por 
marcação (tal como em concursos) ou por picote (nos moldes de cartões 
perfurados) podem ocorrer os seguintes problemas: a rasura ou marcação 
insuficiente pode ocasionar erros de leitura óptica; na perfuração do cartão, 
pode ocorrer de ficar fragelo no ponto perfurando e ocorrer os mesmos erros de 
leitura.

Mas como falei, eu não saberia dizer as estatistícas quantos a esses possível 
problemas e que implicam em tempo de voto por eleitor. Bom, foi apenas uma 
colocação que me veio o mente.

[]s,
Regivaldo Costa
Salve vidas, visite -> http://www.doesanguecuritiba.org



----- Mensagem original ----
De: Leamartine Pinheiro de Souza - Rio Net <[EMAIL PROTECTED]>
Para: [email protected]
Enviadas: Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007 21:45:32
Assunto: [VotoEletronico] RES: [VotoEletronico] Res: [VotoEletronico] Urna-E na 
Câmara Federal


Prezado Sr Regivaldo Gomes Costa,
Me parece que uma questão está sendo deixada de lado, a fiscalização feita pelos simples mortais dos Delegados e Fiscais que, além de poucos, jamais, nenhum partido conseguirá colocar Delegados e Fiscais em todas as Zonas e Seções Eleitorais em número suficientes para cobrir todo o território nacional e, muito menos, os partidos pequenos, para fazer uma fiscalização eficiente em cédulas comuns, pré-impressas como determina o Código Eleitoral, o que dirá em um sistema altamente complexo. Por conseguinte, em minha modesta opinião, a cédula pré-impressa, com rubrica do Presidente e de um dos Mesários, seria mais do que eficiente para uma recontagem imediata, logo após o encerramento das eleições, ou posterior, em face de alguma discrepância como a ocorrida em Alagoas, feita por qualquer brasileiro que se proponha a trabalhar como Delegado ou Fiscal de Partido, sem que isto exija profundos conhecimentos em Tecnologia da Informação e sem atrapalhar o eleitor durante a votação. Caso contrário, o TSE derruba por considerar que O TEMPO DE VOTAÇÃO É O MAIS IMPORTANTE ITEM para o perfeito funcionamento das urnas eletrônicas utilizadas no Brasil. Além do mais, me parece que este procedimento está sendo adotado nos países mais avançados em que ONGs de peso e qualificação trabalham em conjunto com a sociedade acadêmica de seus respectivos países. Sendo este procedimento o mais óbvio e de melhor verificação pela sociedade, para que levantarmos ilações sobre procedimentos complexos que jamais serão entendidos pelo cidadão de baixo nível de nossa sociedade, inclusive, dentro de nosso Congresso Nacional, cujo nível, em alguns casos, chega a ser insignificante e até ridículo para o que se propõe ?!! Em síntese, se podemos simplificar, para que complicar ?!! POR UMA URNA ELETRÔNICA REALMENTE SEGURA, subscrevo-me Atenciosamente, Leamartine Pinheiro de Souza 21 2558-9814 – [EMAIL PROTECTED] Rua Conde de Baependi 78, Ap 1310
Flamengo, Rio de Janeiro, RJ
22231-140


De: [EMAIL PROTECTED] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome de Regivaldo Gomes Costa
Enviada em: sexta-feira, 26 de janeiro de 2007 18:52
Para: [email protected]
Assunto: [VotoEletronico] Res: [VotoEletronico] Urna-E na Câmara Federal
Penso eu (em relação ao item 1 exposto pelo prof. Jeroen), que o método do Rivest (R) que visa a contraprova (esquema de 3 cédulas), poderia ser implementado da seguinte forma: o eleitor entra com o número do candidato e o software mapeia o número para o formato da cédula proposta por R. Ao final, a cédula é apresentada na tela no formato proposto por R na qual o eleitor pode aferir e se estiver de acordo, a cédula será impressa e inserida na urna para posterior procedimento de recontagem, se necessário. O eleitor ainda tem que escolher uma das três cédulas, que será impressa e o mesmo leverá como contraprova. No entanto, o problema que vejo está relacionado a cultura do eleitor, ou seja, ele pode ser perder na conferência, pois a cédula tende a ser grande qdo há muitos candidatos (deputados, no caso do Brasil). O tempo envolvido na conferência, também pode ser um fator que inviabiliza. Acredito que seria uma forma de implementar. []s, Regivaldo Costa Salve vidas, visite -> http://www.doesanguecuritiba.org ----- Mensagem original ----
De: Amilcar Brunazo Filho < [EMAIL PROTECTED] >
Para: Fórum do Voto Seguro < [EMAIL PROTECTED] >; Fórum do Voto Eletrônico < 
[email protected] >; Jeroen van der Graaf <[EMAIL PROTECTED]>
Enviadas: Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007 18:02:43
Assunto: [VotoEletronico] Urna-E na Câmara Federal
Estou encamihando para as listas, a resposta do prof Jeroen sobre os mátodos Chaum e Rivest. Quanto a questão poe ele coloca a respeito do número de candidatos na Câmara: está em disputa 6 cargos com 2 ou 3 candidatos para cada cargo, resultando em no máximo 20 candidatos.

Amilcar


-------- Mensagem original --------
Assunto: Re: Urna-E na Câmara Federal
Data: Fri, 26 Jan 2007 14:51:09 -0200
De: Jeroen van de Graaf <[EMAIL PROTECTED]>

Estou caindo no meio de uma conversa,
mas tenho dois comentários:

Amilcar Brunazo Filho escreveu:
Regivaldo,

Quando o Prof. David Chaum esteve no Brasil em 2003, eu e o prof.
Pedro Rezende da UnB, fomos procurados por ele para desenvolver uma
 adaptação de seu método para a eleição do Brasil.

Juntos ainda com o prof. Jeroen Van der Graaf da UFMG, projetamos a
 adpatação e conseguimos que a Bematech, fabricante de impressoras
fiscais, fizesse gratuitamente um protótipo da impressora que usava
 o método Chaum.

O protótipo funcional foi apresentado no Senado, ao TSE e no SSI do
 ITA pelo próprio Chaum (eu fiquei de operador da impressora).

Em outras pouco modestas palavras, enquanto o pessoal do SEV está
chegando trazendo o milho (a teoria), nós já tinhamos voltado com a
 pipoca (o protótipo funcional)...

Um resumo da nossa adaptação, escrito pelo Pedro Rezende , está em:
http://www.brunazo.eng.br/voto-e/textos/chaum-voting1.htm

Eu achava o sistema muito complexo para ser entendido e usado pelo
eleitor médio brasileiro. O eleitor levava consigo um comprovante
contendo o seu voto criptografado com as chaves de diversos agentes
 autorizados (os delegados dos partidos, por exemplo) e poderia
verificar que seu voto assim cifrado estava dentro do tabelão geral
 dos votos publicado na Internet.

A partir daí, havia um forma de deciframento em cascata e
embaralhamento dos votos, feito de forma segura que podia ser
auditado pelos delegados, garantindo que os votos seriam todos
decifrados para serem contados e embaralhados para não serem
identificados.

Soube, posteriormente, que o Rivest evoluiu a idéia do Chaum
criando um método mais fácil para o eleitor entender e usar.
1) Sim, mas não é possível (até onde eu saiba) modificar o esquema do
Rivest para as eleições brasileiras. O sistema do Rivest apenas funciona
se todas as opções cabem na cédula. Nas eleições nacionais
em Brasil há tantos candidatos que o eleitor deve preecher/digitar um
número.

2) Chaum simplificou seu protocolo de 2003. O novo protocolo se chama
PunchScan. Não é tão simples que o Rivest, mas muito mais simples que o
primeiro. Em particular, não há mais mixes.
Mas tem o mesmo defeito: apenas funciona se todos candidatos
(opções) cabem na cédula. Veja http://punchscan.org

No caso da Câmera do Deputados suponho que isto não seja um problema;
que todas as votações têm um número limitado de opções (5, no máximo 10). Tenho razão?

Aliás, eu fiz uma pequena variação usando setas em vez de letras
para associar as opções. Eu acho que fica mais claro
mas David não gostou tanto. Mesmo assim, a ideia segue
anexado.

Estou estudando PunchScan e o sistema de Rivest (que, segundo Chaum
tem muitas desvantagens) e a minha meta para 2007
é trazer e implementar um destes (ou talvez os dois)
para ser usado nas universidades.
Há várias eleições cada ano (chefe de departamente, Presidente da SBC,
etc) em que um tal sistema pode ser experimentado.

Abraços

Jeroen
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  Eng. Amilcar Brunazo Filho - Santos, SP

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