Olá a todos,
Já que o assunto caiu nesta lista, repito a mensagem abaixo que postei na
lista de discussão do manifesto.
Estou começando agora. Mas pelo que já pude ver acredito que o problema
esteja mais relacionado à falta de recursos ("farinha pouca, meu pirão
primeiro"). Nos EUA a situação (pelo que indica o artigo abaixo) é bem
diferente. Há maiores chances de os pesquisadores de pequenos centros
conseguirem verbas...
[]s
Adolfo
-------------
No artigo "Time Management for New Faculty", de Anastassia Ailamaki e
Johannes Gehrke ( http://www.pdl.cmu.edu/PDL-FTP/stray/timemgmt.pdf ) há
seguinte seção que tem algo a ver com este grupo, pois descreve a situação
de novos professores nas universidades americanas:
3 Your Duties as a Faculty Member
Time is a great teacher, but unfortunately it kills all its pupils. — Hector
Louis Berlioz.
3.1 Writing Grant Proposals
Writing grant proposals can be one of the less pleasant aspects of faculty
life. You have to have grants to support your group, to purchase equipment,
and for travel. Writing a grant can take as much time as writing a full
paper, and it is sometimes doubtful whether the money is worth all the time
you invest. From our experience, writing grants can have several positive
effects. First, it can help you to focus your research goals. Any grant
proposal that you write requires you to think ahead about the types of
problems you would like to address. Second, it forces you to formulate your
ideas in writing. Structured writing often helps to realize issues that you
had not thought of when you just pondered about some idea.
One issue about writing grants is that* you will be competing with the
senior professors in your field* — people who have an established research
record and who tend to get much larger grants from funding agencies than you
as a new assistant professor. The only approach that we know so far is
to *apply
for a variety of smaller grants,* to establish a good research record, and
to hope that in a few years you will be considered one of the senior people
in your field. *There are several granting agencies that have smaller grant
programs*, primarily the NSF, but also agencies such as NASA, DOE, and ONR
have* special grant programs for new faculty.* Another approach is to *team
up with a larger group of faculty in your department and to write a joint
grant that benefits the whole group. *No matter which approach you follow,
planning which grant announcements you will respond to, and allocating time
in advance for writing proposals is a great start for successful proposals.
[]s
Adolfo
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Adolfo Neto
Departamento Acadêmico de Informática
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Fone: (41) 3310-4644 / Fax: (41) 3310-4646
Web: http://www.dainf.ct.utfpr.edu.br/~adolfo
Blog: http://professoradolfo.blogspot.com
==========================================
2008/10/1 Francisco Antonio Doria <[EMAIL PROTECTED]>
> Diversas pessoas me pediram, e assim peço permissão para postar esse
> manifesto aqui. Vejam se me enganei: a mim me parece uma defesa da
> improdutividade...
>
> ----------------------------------------------------------------------
>
> Manifesto à comunidade e aos órgãos de C&T
>
> Vimos, através deste manifesto, tornar público nosso repúdio às
> políticas e aos critérios empregados pelo Conselho Nacional de
> Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão ligado
> ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT).
>
> A política de ação do CNPq tem sido a de apoiar pesquisadores
> avaliados como produtivos. A produtividade de um pesquisador
> é medida principalmente pelo número de publicações científicas
> que resultaram de seus projetos de pesquisa. No entanto, este
> indicador depende fortemente das condições de pesquisa
> existentes no centro onde o pesquisador atua. Não existe igualdade
> de condições entre os diversos centros de pesquisa do país e o
> CNPq não desconhece esta realidade.
>
> Grandes centros, existentes em todas as regiões do país, possuem
> programas de doutorado e mestrado, grupos de pesquisa e cursos
> de graduação consolidados há dezenas de anos nas áreas de
> atuação dos pesquisadores. Ou seja, possuem um enorme
> patrimônio construído ao longo de décadas de trabalho e
> investimentos, hoje à disposição de todos os seus pesquisadores.
> Situação similar ocorre em institutos de pesquisa que possuem
> grupos e linhas de pesquisa consolidados.
>
> Nos pequenos centros, por outro lado, também existentes em todas
> as regiões do país, os pesquisadores não só não possuem estas
> condições como ainda têm que dedicar grande parte de seu tempo
> à criação destas condições. É, portanto, incorreto julgar, por um
> critério igual, pesquisadores que possuem condições de pesquisa
> desiguais. Lamentavelmente, é isto o que o CNPq vem fazendo.
> Esta prática amplifica as desigualdades e é injusta, pois não premia
> necessariamente os melhores pesquisadores, mas sim os que têm
> as melhores condições de pesquisa.
>
> A utilização destes critérios na distribuição de recursos realizada
> por editais do CNPq resulta em pouca chance de projetos de
> pesquisadores de pequenos centros serem aprovados. É grave
> que outras agencias financiadoras, como algumas Fundações de
> Amparo à Pesquisa (FAPs), já venham seguindo o exemplo do
> CNPq. Devido a isto, os processos dos pesquisadores de
> pequenos centros de Minas Gerais e do Paraná, por exemplo,
> também já têm muito pouca chance de serem aprovados,
> respectivamente, pela Fapemig e Fundação Araucária.
>
> Com esta política de distribuição de recursos para projetos e
> apoio a pesquisadores, o CNPq prejudica o crescimento dos
> pequenos centros de pesquisa do país, ameaçando-lhes
> seriamente a própria sobrevivência.
>
> Com este critério de produtividade, o CNPq prejudica também,
> indiretamente, as universidades (e demais instituições de ensino
> e pesquisa), sobretudo as pequenas. As Bolsas de Produtividade
> em Pesquisa (Bolsas PQ) estimulam os professores a privilegiarem
> suas atividades de pesquisa em detrimento das demais atividades,
> também essenciais para o bom funcionamento das mesmas.
> Desestimulam, igualmente, a migração para as pequenas
> universidades, uma vez que os pesquisadores que nelas se instalam
> raramente encontrarão condições similares às das instituições onde
> se doutoraram ou desenvolveram seus projetos de pesquisa.
>
> Este critério de produtividade e a existência da categoria de
> Bolsista de Produtividade em Pesquisa, com bolsas concedidas
> como premiação a poucos, introduziram, no CNPq, um regime
> oligárquico constituído por uma bem questionável elite — os
> pesquisadores 1. Como em toda oligarquia, só esta elite
> (a minoria) tem opinião, voto e representação nos órgãos de
> consulta e julgamento do CNPq. Assim, é natural que as
> políticas do CNPq sejam voltadas para o benefício de sua
> oligarquia e não para o bem comum.
>
> A inconformidade de membros da comunidade acadêmica já
> foi objeto de manifestação pública, de forma clara e detalhada,
> em artigos e cartas publicadas em órgãos de divulgação. Estes
> artigos estão disponíveis em:
>
> (a) http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=54272
> (republicado no Jornal da Ciência no. 615, de 22 de fevereiro
> de 2008)
> (b) http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57672
> (c) http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57758
>
> As cartas, a primeira enviada à Presidência do CNPq e a
> segunda, a seu Conselho Deliberativo, estão disponíveis em:
>
> (a) http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=55476
> (b) http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=56088
>
> O CNPq, porém, tem permanecido alheio às críticas, o que de
> certa forma é natural, posto que não há canais de comunicação,
> quer diretos, quer indiretos, entre o CNPq e a comunidade
> científica nacional. Assim, o CNPq desconhece o que pensa a
> comunidade científica, suas necessidades, suas propostas. A
> comunidade científica, por sua vez, também desconhece o que
> pensa o CNPq. Desconhece a razão de seus critérios, de suas
> políticas e de seus editais.
>
> Este manifesto, portanto, será enviado a órgãos executivos
> acima do CNPq (MCT e MEC) e à Presidência da República.
> Será enviado, igualmente, a alguns políticos voltados para a
> área de educação.
>
> Considerando o exposto acima, nós, abaixo assinados,
> solicitamos aos senhores e senhoras, responsáveis pela política
> de C&T do País, a convocação de uma comissão, composta
> por professores e pesquisadores de institutos de pesquisa,
> representantes tanto de grandes centros quanto de pequenos
> centros, para organizar uma discussão e votação, pela
> comunidade inteira de C&T, dos seguintes assuntos:
>
> 1. Abertura de uma ouvidoria, de forma a se estabelecer um
> canal de comunicação entre o CNPq e a comunidade científica;
> 2. Extinção ou manutenção (com reestruturação dos critérios
> para concessão e progressão de nível) das bolsas de
> produtividade;
> 3. Extinção ou manutenção (com reestruturação dos critérios)
> da classificação de professores e pesquisadores;
> 4. Alteração dos critérios para concessão de auxílios, de forma
> a que estes critérios avaliem, tão somente, a qualidade dos
> projetos;
> 5. Permissão de candidaturas de quaisquer
> professores/pesquisadores a qualquer pleito em C&T;
> 6. Reestruturação das atribuições dos Comitês Assessores, de
> forma a dar-lhes maior autonomia para definição dos critérios
> de suas áreas;
> 7. Aumento do número de consultores ad-hoc, fornecendo-lhes
> novas orientações;
> 8. Aumento do apoio a periódicos nacionais, revistas nacionais
> e congressos nacionais;
> 9. Aumento do número de bolsas para recém-doutores e para
> pós-doutorado (sabático) no país e no exterior;
> 10. Aumento dos auxílios para participação em congressos
> nacionais e internacionais;
> 11. Fomento às soluções para problemas nacionais, em todas
> as áreas do conhecimento, a partir de discussões amplas com
> a comunidade científica;
>
> Assinam o manifesto:
>
> 1. Ivan Paulo Canal - ivan.canal 'em' gmail.com - Univ. Reg.
> do Noroeste do Rio Grande do Sul (Unijuí)
> 2. Luciano Pivoto Specht - specht 'em' unijui.edu.br - Univ.
> Reg. do Noroeste do Rio Grande do Sul (Unijuí)
> 3. Wilson José Vieira - wjvieira 'em' ieav.cta.br - CTA
> 4. Adolfo Gustavo Serra Seca Neto - adolfo 'em' utfpr.edu.br
> - Univ. Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)
> 5. Maria Ines Azambuja - miazambuja 'em' terra.com.br
> - Famed/Ufrgs
> 6. Jozimar Paes de Almeida - jozimar 'em' sercomtel.com.br
> - Universidade Estadual de Londrina
> 7. Wang Chong - wang 'em' unijui.edu.br - Unijuí
> 8. Raquel Meister Ko Freitag - rkofreitag 'em' uol.com.br
> - Universidade Federal de Sergipe
> 9. Edinaldo Nelson dos Santos Silva - nelson 'em' inpa.gov.br
> - Instituto Nac. de Pesq. da Amazônia (INPA)
> 10. Simone Wolff - - Universidade Estadual de Londrina
> (Depto Ciências Sociais)
> 11. José Lima de Figueiredo - zelima 'em' usp.br - USP
> 12. Otávio A. S. Carpinteiro - otavio.carpinteiro 'em' gmail.com
> - Univ. Federal de Itajubá
> 13. Jose Salvador Lepera - leperajs 'em' fcfar.unesp.br
> - Universidade Estadual Paulista (UNESP)
> 14. Fabio Moyses Lins Dantas - fdantas 'em' int.gov.br
> - Instituto Nacional de Tecnologia (INT)
> 15. Martha Ramírez-Gálvez - marthacerg 'em' gmail.com
> - Universidade Estadual de Londrina (UEL)
> 16. Eliana Marques Cancello - ecancell 'em' usp.br - USP
> 17. Maria da Graça Brasil Rocha - tata 'em 'dc.ufscar.br
> - UFSCar
> 18. Rogério Atem de Carvalho - ratem 'em' cefetcampos.br
> - CEFET Campos
> 19. Douglas Daniel Del Frari - douglas.frari 'em' gmail.com
> - FACOL, PE
> 20. Bruno Cosenza de Carvalho - bccarvalho 'em' gmail.com
> - CTEx - RJ
> 21. Dáfni Fernanda Zenedin Marchioro -
> dafnimarchioro 'em' unipampa.edu.br - Univ. Federal do Pampa
> 22. Luís Felipe Skinner - lfskibiologia 'em' yahoo.com
> - Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ
> 23. Marize Varella de Oliveira - marizeva 'em' int.gov.br
> - Instituto Nacional de Tecnologia
> 24. Baltazar Macaiba de Sousa -
> baltazarmacaiba 'em' yahoo.com.br - DESOC/UFMA
> 25. Carlos Roberto M. Peixoto - carlosp 'em' unijui.edu.br
> - Univ. Reg. Noroeste do Rio Grande do Sul (Unijuí)
> 26. Luis Carlos Ogando Dacal - ogando 'em' ieav.cta.br
> - Instituto de Estudos Avancados (IEAv/CTA)
> 27. Eduardo Di Mauro - dimauro 'em' uel.br -
> Depto de Física/Universidade Estadual de Londrina
> 28. Sidney da Silva Viana - sidney.viana 'em' gmail.com
> - Centro Universitário FIEO
> 29. Jorge Luiz de Castro e Siva - jlcs 'em' larces.uece.br
> - Universidade Estadual do Ceará
> 30. Manuel Losada Gavilanes - gavilane 'em' ufla.br
> - Universidade Federal de Lavras (UFLA)
> 31. Rivalino Matias Jr. - rmatiasjr 'em' gmail.com
> - Duke University (USA)
> 32. Barbara Ann Robertson - barbara 'em' inpa.gov.br
> - Inpa
> 33. Clovis Dorigon - Empresa de Pesquisa Agropecuaria e Extensão Rural de
> SC (Epagri). [EMAIL PROTECTED]
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