Adolfo,

Com todo o respeito à sua opinião, acho esse manifesto coisa horrível. E'
uma defesa da improdutividade.

2008/10/1 Adolfo Neto <[EMAIL PROTECTED]>

> Olá a todos,
>
> Já que o assunto caiu nesta lista, repito a mensagem abaixo que postei na
> lista de discussão do manifesto.
>
> Estou começando agora. Mas pelo que já pude ver acredito que o problema
> esteja mais relacionado à falta de recursos ("farinha pouca, meu pirão
> primeiro"). Nos EUA a situação (pelo que indica o artigo abaixo) é bem
> diferente. Há maiores chances de os pesquisadores de pequenos centros
> conseguirem verbas...
>
> []s
> Adolfo
>
> -------------
> No artigo "Time Management for New Faculty", de Anastassia Ailamaki e
> Johannes Gehrke ( http://www.pdl.cmu.edu/PDL-FTP/stray/timemgmt.pdf ) há
> seguinte seção que tem algo a ver com este grupo, pois descreve a situação
> de novos professores nas universidades americanas:
>
> 3 Your Duties as a Faculty Member
>
> Time is a great teacher, but unfortunately it kills all its pupils. —
> Hector Louis Berlioz.
>
> 3.1 Writing Grant Proposals
>
> Writing grant proposals can be one of the less pleasant aspects of faculty
> life. You have to have grants to support your group, to purchase equipment,
> and for travel. Writing a grant can take as much time as writing a full
> paper, and it is sometimes doubtful whether the money is worth all the time
> you invest. From our experience, writing grants can have several positive
> effects. First, it can help you to focus your research goals. Any grant
> proposal that you write requires you to think ahead about the types of
> problems you would like to address. Second, it forces you to formulate your
> ideas in writing. Structured writing often helps to realize issues that you
> had not thought of when you just pondered about some idea.
>
> One issue about writing grants is that* you will be competing with the
> senior professors in your field* — people who have an established research
> record and who tend to get much larger grants from funding agencies than you
> as a new assistant professor. The only approach that we know so far is to
> *apply for a variety of smaller grants,* to establish a good research
> record, and to hope that in a few years you will be considered one of the
> senior people in your field. *There are several granting agencies that
> have smaller grant programs*, primarily the NSF, but also agencies such as
> NASA, DOE, and ONR have* special grant programs for new faculty.* Another
> approach is to *team up with a larger group of faculty in your department
> and to write a joint grant that benefits the whole group. *No matter which
> approach you follow, planning which grant announcements you will respond to,
> and allocating time in advance for writing proposals is a great start for
> successful proposals.
>
>
> []s
> Adolfo
>
>
> ==========================================
> Adolfo Neto
> Departamento Acadêmico de Informática
> Universidade Tecnológica Federal do Paraná
> Fone: (41) 3310-4644 / Fax: (41) 3310-4646
> Web: 
> http://www.dainf.ct.utfpr.edu.br/~adolfo<http://www.dainf.ct.utfpr.edu.br/%7Eadolfo>
> Blog: http://professoradolfo.blogspot.com
> ==========================================
>
>
>
> 2008/10/1 Francisco Antonio Doria <[EMAIL PROTECTED]>
>
>> Diversas pessoas me pediram, e assim peço permissão para postar esse
>> manifesto aqui. Vejam se me enganei: a mim me parece uma defesa da
>> improdutividade...
>>
>> ----------------------------------------------------------------------
>>
>> Manifesto à comunidade e aos órgãos de C&T
>>
>> Vimos, através deste manifesto, tornar público nosso repúdio às
>> políticas e aos critérios empregados pelo Conselho Nacional de
>> Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão ligado
>> ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT).
>>
>> A política de ação do CNPq tem sido a de apoiar pesquisadores
>> avaliados como produtivos. A produtividade de um pesquisador
>> é medida principalmente pelo número de publicações científicas
>> que resultaram de seus projetos de pesquisa. No entanto, este
>> indicador depende fortemente das condições de pesquisa
>> existentes no centro onde o pesquisador atua. Não existe igualdade
>> de condições entre os diversos centros de pesquisa do país e o
>> CNPq não desconhece esta realidade.
>>
>> Grandes centros, existentes em todas as regiões do país, possuem
>> programas de doutorado e mestrado, grupos de pesquisa e cursos
>> de graduação consolidados há dezenas de anos nas áreas de
>> atuação dos pesquisadores. Ou seja, possuem um enorme
>> patrimônio construído ao longo de décadas de trabalho e
>> investimentos, hoje à disposição de todos os seus pesquisadores.
>> Situação similar ocorre em institutos de pesquisa que possuem
>> grupos e linhas de pesquisa consolidados.
>>
>> Nos pequenos centros, por outro lado, também existentes em todas
>> as regiões do país, os pesquisadores não só não possuem estas
>> condições como ainda têm que dedicar grande parte de seu tempo
>> à criação destas condições. É, portanto, incorreto julgar, por um
>> critério igual, pesquisadores que possuem condições de pesquisa
>> desiguais. Lamentavelmente, é isto o que o CNPq vem fazendo.
>> Esta prática amplifica as desigualdades e é injusta, pois não premia
>> necessariamente os melhores pesquisadores, mas sim os que têm
>> as melhores condições de pesquisa.
>>
>> A utilização destes critérios na distribuição de recursos realizada
>> por editais do CNPq resulta em pouca chance de projetos de
>> pesquisadores de pequenos centros serem aprovados. É grave
>> que outras agencias financiadoras, como algumas Fundações de
>> Amparo à Pesquisa (FAPs), já venham seguindo o exemplo do
>> CNPq. Devido a isto, os processos dos pesquisadores de
>> pequenos centros de Minas Gerais e do Paraná, por exemplo,
>> também já têm muito pouca chance de serem aprovados,
>> respectivamente, pela Fapemig e Fundação Araucária.
>>
>> Com esta política de distribuição de recursos para projetos e
>> apoio a pesquisadores, o CNPq prejudica o crescimento dos
>> pequenos centros de pesquisa do país, ameaçando-lhes
>> seriamente a própria sobrevivência.
>>
>> Com este critério de produtividade, o CNPq prejudica também,
>> indiretamente, as universidades (e demais instituições de ensino
>> e pesquisa), sobretudo as pequenas. As Bolsas de Produtividade
>> em Pesquisa (Bolsas PQ) estimulam os professores a privilegiarem
>> suas atividades de pesquisa em detrimento das demais atividades,
>> também essenciais para o bom funcionamento das mesmas.
>> Desestimulam, igualmente, a migração para as pequenas
>> universidades, uma vez que os pesquisadores que nelas se instalam
>> raramente encontrarão condições similares às das instituições onde
>> se doutoraram ou desenvolveram seus projetos de pesquisa.
>>
>> Este critério de produtividade e a existência da categoria de
>> Bolsista de Produtividade em Pesquisa, com bolsas concedidas
>> como premiação a poucos, introduziram, no CNPq, um regime
>> oligárquico constituído por uma bem questionável elite — os
>> pesquisadores 1. Como em toda oligarquia, só esta elite
>> (a minoria) tem opinião, voto e representação nos órgãos de
>> consulta e julgamento do CNPq. Assim, é natural que as
>> políticas do CNPq sejam voltadas para o benefício de sua
>> oligarquia e não para o bem comum.
>>
>> A inconformidade de membros da comunidade acadêmica já
>> foi objeto de manifestação pública, de forma clara e detalhada,
>> em artigos e cartas publicadas em órgãos de divulgação. Estes
>> artigos estão disponíveis em:
>>
>> (a) http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=54272
>> (republicado no Jornal da Ciência no. 615, de 22 de fevereiro
>> de 2008)
>> (b) http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57672
>> (c) http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57758
>>
>> As cartas, a primeira enviada à Presidência do CNPq e a
>> segunda, a seu Conselho Deliberativo, estão disponíveis em:
>>
>> (a) http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=55476
>> (b) http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=56088
>>
>> O CNPq, porém, tem permanecido alheio às críticas, o que de
>> certa forma é natural, posto que não há canais de comunicação,
>> quer diretos, quer indiretos, entre o CNPq e a comunidade
>> científica nacional. Assim, o CNPq desconhece o que pensa a
>> comunidade científica, suas necessidades, suas propostas. A
>> comunidade científica, por sua vez, também desconhece o que
>> pensa o CNPq. Desconhece a razão de seus critérios, de suas
>> políticas e de seus editais.
>>
>> Este manifesto, portanto, será enviado a órgãos executivos
>> acima do CNPq (MCT e MEC) e à Presidência da República.
>> Será enviado, igualmente, a alguns políticos voltados para a
>> área de educação.
>>
>> Considerando o exposto acima, nós, abaixo assinados,
>> solicitamos aos senhores e senhoras, responsáveis pela política
>> de C&T do País, a convocação de uma comissão, composta
>> por professores e pesquisadores de institutos de pesquisa,
>> representantes tanto de grandes centros quanto de pequenos
>> centros, para organizar uma discussão e votação, pela
>> comunidade inteira de C&T, dos seguintes assuntos:
>>
>> 1. Abertura de uma ouvidoria, de forma a se estabelecer um
>> canal de comunicação entre o CNPq e a comunidade científica;
>> 2. Extinção ou manutenção (com reestruturação dos critérios
>> para concessão e progressão de nível) das bolsas de
>> produtividade;
>> 3. Extinção ou manutenção (com reestruturação dos critérios)
>> da classificação de professores e pesquisadores;
>> 4. Alteração dos critérios para concessão de auxílios, de forma
>> a que estes critérios avaliem, tão somente, a qualidade dos
>> projetos;
>> 5. Permissão de candidaturas de quaisquer
>> professores/pesquisadores a qualquer pleito em C&T;
>> 6. Reestruturação das atribuições dos Comitês Assessores, de
>> forma a dar-lhes maior autonomia para definição dos critérios
>> de suas áreas;
>> 7. Aumento do número de consultores ad-hoc, fornecendo-lhes
>> novas orientações;
>> 8. Aumento do apoio a periódicos nacionais, revistas nacionais
>> e congressos nacionais;
>> 9. Aumento do número de bolsas para recém-doutores e para
>> pós-doutorado (sabático) no país e no exterior;
>> 10. Aumento dos auxílios para participação em congressos
>> nacionais e internacionais;
>> 11. Fomento às soluções para problemas nacionais, em todas
>> as áreas do conhecimento, a partir de discussões amplas com
>> a comunidade científica;
>>
>> Assinam o manifesto:
>>
>> 1. Ivan Paulo Canal - ivan.canal 'em' gmail.com - Univ. Reg.
>> do Noroeste do Rio Grande do Sul (Unijuí)
>> 2. Luciano Pivoto Specht - specht 'em' unijui.edu.br - Univ.
>> Reg. do Noroeste do Rio Grande do Sul (Unijuí)
>> 3. Wilson José Vieira - wjvieira 'em' ieav.cta.br - CTA
>> 4. Adolfo Gustavo Serra Seca Neto - adolfo 'em' utfpr.edu.br
>> - Univ. Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)
>> 5. Maria Ines Azambuja - miazambuja 'em' terra.com.br
>> - Famed/Ufrgs
>> 6. Jozimar Paes de Almeida - jozimar 'em' sercomtel.com.br
>> - Universidade Estadual de Londrina
>> 7. Wang Chong - wang 'em' unijui.edu.br - Unijuí
>> 8. Raquel Meister Ko Freitag - rkofreitag 'em' uol.com.br
>> - Universidade Federal de Sergipe
>> 9. Edinaldo Nelson dos Santos Silva - nelson 'em' inpa.gov.br
>> - Instituto Nac. de Pesq. da Amazônia (INPA)
>> 10. Simone Wolff - - Universidade Estadual de Londrina
>> (Depto Ciências Sociais)
>> 11. José Lima de Figueiredo - zelima 'em' usp.br - USP
>> 12. Otávio A. S. Carpinteiro - otavio.carpinteiro 'em' gmail.com
>> - Univ. Federal de Itajubá
>> 13. Jose Salvador Lepera - leperajs 'em' fcfar.unesp.br
>> - Universidade Estadual Paulista (UNESP)
>> 14. Fabio Moyses Lins Dantas - fdantas 'em' int.gov.br
>> - Instituto Nacional de Tecnologia (INT)
>> 15. Martha Ramírez-Gálvez - marthacerg 'em' gmail.com
>> - Universidade Estadual de Londrina (UEL)
>> 16. Eliana Marques Cancello - ecancell 'em' usp.br - USP
>> 17. Maria da Graça Brasil Rocha - tata 'em 'dc.ufscar.br
>> - UFSCar
>> 18. Rogério Atem de Carvalho - ratem 'em' cefetcampos.br
>> - CEFET Campos
>> 19. Douglas Daniel Del Frari - douglas.frari 'em' gmail.com
>> - FACOL, PE
>> 20. Bruno Cosenza de Carvalho - bccarvalho 'em' gmail.com
>> - CTEx - RJ
>> 21. Dáfni Fernanda Zenedin Marchioro -
>> dafnimarchioro 'em' unipampa.edu.br - Univ. Federal do Pampa
>> 22. Luís Felipe Skinner - lfskibiologia 'em' yahoo.com
>> - Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ
>> 23. Marize Varella de Oliveira - marizeva 'em' int.gov.br
>> - Instituto Nacional de Tecnologia
>> 24. Baltazar Macaiba de Sousa -
>> baltazarmacaiba 'em' yahoo.com.br - DESOC/UFMA
>> 25. Carlos Roberto M. Peixoto - carlosp 'em' unijui.edu.br
>> - Univ. Reg. Noroeste do Rio Grande do Sul (Unijuí)
>> 26. Luis Carlos Ogando Dacal - ogando 'em' ieav.cta.br
>> - Instituto de Estudos Avancados (IEAv/CTA)
>> 27. Eduardo Di Mauro - dimauro 'em' uel.br -
>> Depto de Física/Universidade Estadual de Londrina
>> 28. Sidney da Silva Viana - sidney.viana 'em' gmail.com
>> - Centro Universitário FIEO
>> 29. Jorge Luiz de Castro e Siva - jlcs 'em' larces.uece.br
>> - Universidade Estadual do Ceará
>> 30. Manuel Losada Gavilanes - gavilane 'em' ufla.br
>> - Universidade Federal de Lavras (UFLA)
>> 31. Rivalino Matias Jr. - rmatiasjr 'em' gmail.com
>> - Duke University (USA)
>> 32. Barbara Ann Robertson - barbara 'em' inpa.gov.br
>> - Inpa
>> 33. Clovis Dorigon - Empresa de Pesquisa Agropecuaria e Extensão Rural de
>> SC (Epagri). [EMAIL PROTECTED]
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