Tem um livrinho sobre o Cardeal Cusano da coleção da Seghers, muito bom, com excertos. Você conhece Meister Eckhart? E' a fonte da linguagem desses místicos alemães. Mais distante, o Pseudo-Dionísio. Tenho aqui a Perì mustikês philosophías, um texto curto e enxuto.
2009/7/27 Ricardo Pereira Tassinari <[email protected]> > Olá Doria. > > Infelizmente, não conheço a obra de Cusa e nem esses dois conceitos dele > que citou e que intitulam duas de suas obras, se puder comentar um pouco... > > Sei que Cusa influenciou demais, von Bertalanffy, o fundador da Teoria > Geral dos Sistemas (tenho trechos que uso com os alunos em > http://www.marilia.unesp.br/Home/Instituicao/Docentes/RicardoTassinari/BibliotecaOnline/TGS.pdf > ) > > Cito uma parte final desse recorte: > > "Todo o nosso conhecimento, mesmo desantropomorfizado, só reflete certos > aspectos da realidade. > Se o que foi dito é verdade, a realidade é aquilo que Nicolau de Cusa (cf. > von Bertalanffy, 1928 b) chamava > *coincidentia oppositorum*. O pensamento discursivo representa sempre > somente um aspecto da realidade > última, chamada Deus na terminologia de Cusa. Nunca pode esgotar sua > infinita multiplicidade. > Por conseguinte, a realidade última é uma unidade de opostos. Toda > afirmação é válida somente de um > certo ponto de vista, tem apenas validade relativa, devendo ser > suplementada por proposições antitéticas > partidas de pontos de vistas opostos. > Assim, as categorias de nossa experiência e de nosso pensamento parecem ser > determinadas por > fatores biológicos e culturais. Em segundo lugar, esta limitação humana é > rasgada por um processo de > desantropomorfização progressiva de nossa imagem do mundo. Em terceiro > lugar, mesmo desantropomorfizado, > o conhecimento só reflete certos aspectos ou facetas da realidade. Contudo, > em quarto lugar, > *ex omnibus partibus relucet totum*, usando ainda uma vez as palavras de > Cusa: Cada um desses aspectos > possui a verdade, embora somente relativa. Isto, ao que parece, indica as > limitações e ao mesmo tempo a > dignidade do conhecimento humano." > > Um grande abraço, > Ricardo. > > 2009/7/26 Francisco Antonio Doria <[email protected]> > > Mas o Cardeal Cusa intitulou duas de suas obras, _De docta ignorantia_, >> _Idiota de sapientia_... >> >> 2009/7/26 Ricardo Pereira Tassinari <[email protected]> >> >> Olá a todos. >>> >>> Sem querer jogar gasolina na fogueira, farei uma exposição bem breve e >>> bem pessoal, através de aforismos, sem esperar convencer alguém. >>> >>> - Considere-se o Conhecimento total de todas as coisas. >>> >>> - Sendo eu um "tipo" de platonista em relação ao Conhecimento, admito a >>> existência dele e que chegamos até ele (mesmo que o processo para chegar a >>> ele seja trabalhoso e envolva diferente tipos de processos como, por >>> exemplo, elaboração de teorias, verificação experimental, por um olhar >>> interno para compreender o que seja o Eu, o Pensamento etc.). >>> >>> - Se de fato é Conhecimento, "diz" como as coisas são. Ou seja, ele é >>> onipotente, pois tudo acontece segundo o que ele "diz" que deve acontecer. >>> >>> - Se "diz" de tudo, ele é onipresente, pois está em todo lugar (ou se se >>> quiser em lugar nenhum, já que a categoria de lugar espacial não se aplica a >>> ele). >>> >>> - Ele é onisciente, já que sabe de tudo que ocorre. >>> >>> - Ele é uma pessoa? Se entendermos por "pessoa" uma consciência que sabe >>> de si e dos outros, para mim ele é uma pessoa, mas é claro, diferente das >>> outras consciências que são partes dele, como nós, seres humanos. >>> >>> - Ele é bom? Bem, como estou convencido de que a Vida (da alma, da >>> consciência) não termina com a morte (do corpo, cerebral) e acho que o >>> sofrimento é uma forma de indicar que as coisas estão erradas, de pôr em >>> movimento as consciências para assumirem seus papeis como sujeitos de suas >>> ações e de seus papeis na construção de um mundo bem melhor do que esse que >>> está aí, então acho que esse Conhecimento não é apenas bom em si >>> (sentimo-nos felizes quando chegamos ao Conhecimento, mesmo que a parte dele >>> como na Ciência), mas é bom porque vai tirando o ser humano de sua >>> ignorância (que indica. aliás, a falta desse Conhecimento). >>> >>> - Acho que essa concepção de Deus como Conhecimento-Vivo (no qual está >>> também os sentimentos, as sensações, as ilusões momentâneas, etc.) faz parte >>> daquilo que o Frank chamou de "Deus dos Filósofos" e é nesse sentido que >>> acredito em Deus. >>> >>> Concordo com o Dória de que as concepçõe de Deus que em geral se >>> contentam as pessoas estão bem aquém do que um conceito de Deus deveria ser >>> e que servem muito mais como instrumento de poder de alguns homens sobre >>> outros homens, ou ainda, de "tábua de salvação" em relação a um desespero de >>> vida, do que refletem uma verdadeira religiosidade. Também acho que em >>> geral, as pessoas religiosas não estão preocupadas com a busca do >>> Conhecimento. Em parte, é por essas razões (e por algumas que, vira e mexe, >>> reaparecem nesta lista) que fui ateu convicto e praticante desde criança até >>> os primeiros anos do mestrado. >>> >>> Bom, mas a minha concepção atual de Deus é essa que expus sumariamente >>> acima e, por ter uma concepção assim, não acho que Ciência, Lógica, >>> Complexidade ou Razão se oponham a noção de Deus, ao contrário. >>> >>> Também não vou deixar de acreditar em Deus (não sei se o termo >>> "acreditar" se aplica direito ao meu caso, já que, para mim, essa concepção >>> de Deus é auto-evidente) porque existem crentes (ou até fanáticos) que não >>> têm essa concepção, da mesma forma, que não vou deixar de gostar e estudar a >>> Ciência porque têm cientistas que ajudam os piores capitalistas (como alguns >>> das indústrias farmacêuticas, por exemplo). >>> >>> Bem, em poucas linhas, é isso. >>> >>> Abraço a todos, >>> Ricardo. >>> >>> 2009/7/24 Frank Thomas Sautter <[email protected]> >>> >>>> O Deus das principais religiões ocidentais é simples? Ele é uma pessoa: >>>> existe algo mais imprevisível do que o comportamento de uma pessoa? Mesmo >>>> que ele seja simples, esse não é um bom motivo para ser ateu. Pode ser, >>>> quando muito, um bom motivo para não ser judeu, cristão, muçulmano, etc. >>>> >>>> Quanto à "recente" descoberta da complexidade das coisas, é sério que as >>>> pessoas no passado não faziam idéia dessa complexidade? Isso está próximo >>>> de >>>> um esnobismo cronológico! >>>> >>>> _______________________________________________ >>>> Logica-l mailing list >>>> [email protected] >>>> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >>>> >>>> >>> >>> >>> -- >>> Dr. Ricardo Pereira Tassinari - Departamento de Filosofia >>> UNESP - Faculdade de Filosofia e Ciências - Marília >>> Homepage: http://www.marilia.unesp.br/ricardotassinari >>> >>> >>> _______________________________________________ >>> Logica-l mailing list >>> [email protected] >>> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >>> >>> >> > > > -- > Dr. Ricardo Pereira Tassinari - Departamento de Filosofia > UNESP - Faculdade de Filosofia e Ciências - Marília > Homepage: http://www.marilia.unesp.br/ricardotassinari > >
_______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
