Doria, Obrigado pela referência do Nicolau de Cusa. Meister Eckhart é bastante estudado pelo pessoal do grupo de Hegel que participo, porém eu mesmo não tive tempo para lê-lo. Gosto de Hegel, particularmente, por ele ser pós-kantiano e incorporar certos aspectos de Teoria do Conhecimento mais próximos às ciências modernas.
Mas em relação a sua resposta ao Carneiro Leão: você de fato acha que Deus existe e não existe? Você é e não é ateu então? :)) Um forte abraço, Ricardo. 2009/7/27 Francisco Antonio Doria <[email protected]> > No fim do meu concurso de titular, o presidente da banca, o Carneiro Leão, > me perguntou: Deus existe ou não existe? Respondi na bucha: Deus existe e > não existe. Emmanuel riu e encerrou os trabalhos. > > 2009/7/27 Ricardo Pereira Tassinari <[email protected]> > > Olá Doria. >> >> Infelizmente, não conheço a obra de Cusa e nem esses dois conceitos dele >> que citou e que intitulam duas de suas obras, se puder comentar um pouco... >> >> Sei que Cusa influenciou demais, von Bertalanffy, o fundador da Teoria >> Geral dos Sistemas (tenho trechos que uso com os alunos em >> http://www.marilia.unesp.br/Home/Instituicao/Docentes/RicardoTassinari/BibliotecaOnline/TGS.pdf >> ) >> >> Cito uma parte final desse recorte: >> >> "Todo o nosso conhecimento, mesmo desantropomorfizado, só reflete certos >> aspectos da realidade. >> Se o que foi dito é verdade, a realidade é aquilo que Nicolau de Cusa (cf. >> von Bertalanffy, 1928 b) chamava >> *coincidentia oppositorum*. O pensamento discursivo representa sempre >> somente um aspecto da realidade >> última, chamada Deus na terminologia de Cusa. Nunca pode esgotar sua >> infinita multiplicidade. >> Por conseguinte, a realidade última é uma unidade de opostos. Toda >> afirmação é válida somente de um >> certo ponto de vista, tem apenas validade relativa, devendo ser >> suplementada por proposições antitéticas >> partidas de pontos de vistas opostos. >> Assim, as categorias de nossa experiência e de nosso pensamento parecem >> ser determinadas por >> fatores biológicos e culturais. Em segundo lugar, esta limitação humana é >> rasgada por um processo de >> desantropomorfização progressiva de nossa imagem do mundo. Em terceiro >> lugar, mesmo desantropomorfizado, >> o conhecimento só reflete certos aspectos ou facetas da realidade. >> Contudo, em quarto lugar, >> *ex omnibus partibus relucet totum*, usando ainda uma vez as palavras de >> Cusa: Cada um desses aspectos >> possui a verdade, embora somente relativa. Isto, ao que parece, indica as >> limitações e ao mesmo tempo a >> dignidade do conhecimento humano." >> >> Um grande abraço, >> Ricardo. >> >> 2009/7/26 Francisco Antonio Doria <[email protected]> >> >> Mas o Cardeal Cusa intitulou duas de suas obras, _De docta ignorantia_, >>> _Idiota de sapientia_... >>> >>> 2009/7/26 Ricardo Pereira Tassinari <[email protected]> >>> >>> Olá a todos. >>>> >>>> Sem querer jogar gasolina na fogueira, farei uma exposição bem breve e >>>> bem pessoal, através de aforismos, sem esperar convencer alguém. >>>> >>>> - Considere-se o Conhecimento total de todas as coisas. >>>> >>>> - Sendo eu um "tipo" de platonista em relação ao Conhecimento, admito a >>>> existência dele e que chegamos até ele (mesmo que o processo para chegar a >>>> ele seja trabalhoso e envolva diferente tipos de processos como, por >>>> exemplo, elaboração de teorias, verificação experimental, por um olhar >>>> interno para compreender o que seja o Eu, o Pensamento etc.). >>>> >>>> - Se de fato é Conhecimento, "diz" como as coisas são. Ou seja, ele é >>>> onipotente, pois tudo acontece segundo o que ele "diz" que deve acontecer. >>>> >>>> - Se "diz" de tudo, ele é onipresente, pois está em todo lugar (ou se se >>>> quiser em lugar nenhum, já que a categoria de lugar espacial não se aplica >>>> a >>>> ele). >>>> >>>> - Ele é onisciente, já que sabe de tudo que ocorre. >>>> >>>> - Ele é uma pessoa? Se entendermos por "pessoa" uma consciência que sabe >>>> de si e dos outros, para mim ele é uma pessoa, mas é claro, diferente das >>>> outras consciências que são partes dele, como nós, seres humanos. >>>> >>>> - Ele é bom? Bem, como estou convencido de que a Vida (da alma, da >>>> consciência) não termina com a morte (do corpo, cerebral) e acho que o >>>> sofrimento é uma forma de indicar que as coisas estão erradas, de pôr em >>>> movimento as consciências para assumirem seus papeis como sujeitos de suas >>>> ações e de seus papeis na construção de um mundo bem melhor do que esse que >>>> está aí, então acho que esse Conhecimento não é apenas bom em si >>>> (sentimo-nos felizes quando chegamos ao Conhecimento, mesmo que a parte >>>> dele >>>> como na Ciência), mas é bom porque vai tirando o ser humano de sua >>>> ignorância (que indica. aliás, a falta desse Conhecimento). >>>> >>>> - Acho que essa concepção de Deus como Conhecimento-Vivo (no qual está >>>> também os sentimentos, as sensações, as ilusões momentâneas, etc.) faz >>>> parte >>>> daquilo que o Frank chamou de "Deus dos Filósofos" e é nesse sentido que >>>> acredito em Deus. >>>> >>>> Concordo com o Dória de que as concepçõe de Deus que em geral se >>>> contentam as pessoas estão bem aquém do que um conceito de Deus deveria ser >>>> e que servem muito mais como instrumento de poder de alguns homens sobre >>>> outros homens, ou ainda, de "tábua de salvação" em relação a um desespero >>>> de >>>> vida, do que refletem uma verdadeira religiosidade. Também acho que em >>>> geral, as pessoas religiosas não estão preocupadas com a busca do >>>> Conhecimento. Em parte, é por essas razões (e por algumas que, vira e mexe, >>>> reaparecem nesta lista) que fui ateu convicto e praticante desde criança >>>> até >>>> os primeiros anos do mestrado. >>>> >>>> Bom, mas a minha concepção atual de Deus é essa que expus sumariamente >>>> acima e, por ter uma concepção assim, não acho que Ciência, Lógica, >>>> Complexidade ou Razão se oponham a noção de Deus, ao contrário. >>>> >>>> Também não vou deixar de acreditar em Deus (não sei se o termo >>>> "acreditar" se aplica direito ao meu caso, já que, para mim, essa concepção >>>> de Deus é auto-evidente) porque existem crentes (ou até fanáticos) que não >>>> têm essa concepção, da mesma forma, que não vou deixar de gostar e estudar >>>> a >>>> Ciência porque têm cientistas que ajudam os piores capitalistas (como >>>> alguns >>>> das indústrias farmacêuticas, por exemplo). >>>> >>>> Bem, em poucas linhas, é isso. >>>> >>>> Abraço a todos, >>>> Ricardo. >>>> >>>> 2009/7/24 Frank Thomas Sautter <[email protected]> >>>> >>>>> O Deus das principais religiões ocidentais é simples? Ele é uma pessoa: >>>>> existe algo mais imprevisível do que o comportamento de uma pessoa? Mesmo >>>>> que ele seja simples, esse não é um bom motivo para ser ateu. Pode ser, >>>>> quando muito, um bom motivo para não ser judeu, cristão, muçulmano, etc. >>>>> >>>>> Quanto à "recente" descoberta da complexidade das coisas, é sério que >>>>> as pessoas no passado não faziam idéia dessa complexidade? Isso está >>>>> próximo >>>>> de um esnobismo cronológico! >>>>> >>>>> _______________________________________________ >>>>> Logica-l mailing list >>>>> [email protected] >>>>> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >>>>> >>>>> >>>> >>>> >>>> -- >>>> Dr. Ricardo Pereira Tassinari - Departamento de Filosofia >>>> UNESP - Faculdade de Filosofia e Ciências - Marília >>>> Homepage: http://www.marilia.unesp.br/ricardotassinari >>>> >>>> >>>> _______________________________________________ >>>> Logica-l mailing list >>>> [email protected] >>>> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >>>> >>>> >>> >> >> >> -- >> Dr. Ricardo Pereira Tassinari - Departamento de Filosofia >> UNESP - Faculdade de Filosofia e Ciências - Marília >> Homepage: http://www.marilia.unesp.br/ricardotassinari >> >> > -- Dr. Ricardo Pereira Tassinari - Departamento de Filosofia UNESP - Faculdade de Filosofia e Ciências - Marília Homepage: http://www.marilia.unesp.br/ricardotassinari
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