De uma carta que o Peter Orlovsky e o Allen Ginsberg mandaram pro Charles Chaplin em 1961:
Let us tell you about Ganesha. He is elephant-faced god with funney fat belley human body. Everyone in India has picture of him in their house. To think of him brings happey wisdom success that he gives after he eats his sweet candey. He neither exists nor does not exist. Because of that he can conquer aney demon. He rides around on a mouse & has 4 hands. We salute yr comedy in his name. Links: http://www.amazon.com/Beat-Poets-Everymans-Library-Pocket/dp/0375413324/ http://angg.twu.net/orlovsky.html [], Eduardo Ochs [email protected] http://angg.twu.net/ 2009/7/27 Francisco Antonio Doria <[email protected]>: > Mais radical: não se pode dizer que Deus existe, Deus não existe. Existir > não é categoria que se aplique a Deus. > > 2009/7/27 Ricardo Pereira Tassinari <[email protected]> >> >> Doria, >> >> Obrigado pela referência do Nicolau de Cusa. Meister Eckhart é bastante >> estudado pelo pessoal do grupo de Hegel que participo, porém eu mesmo não >> tive tempo para lê-lo. Gosto de Hegel, particularmente, por ele ser >> pós-kantiano e incorporar certos aspectos de Teoria do Conhecimento mais >> próximos às ciências modernas. >> >> Mas em relação a sua resposta ao Carneiro Leão: você de fato acha que Deus >> existe e não existe? Você é e não é ateu então? :)) >> >> Um forte abraço, >> Ricardo. >> >> 2009/7/27 Francisco Antonio Doria <[email protected]> >>> >>> No fim do meu concurso de titular, o presidente da banca, o Carneiro >>> Leão, me perguntou: Deus existe ou não existe? Respondi na bucha: Deus >>> existe e não existe. Emmanuel riu e encerrou os trabalhos. >>> >>> 2009/7/27 Ricardo Pereira Tassinari <[email protected]> >>>> >>>> Olá Doria. >>>> >>>> Infelizmente, não conheço a obra de Cusa e nem esses dois conceitos dele >>>> que citou e que intitulam duas de suas obras, se puder comentar um pouco... >>>> >>>> Sei que Cusa influenciou demais, von Bertalanffy, o fundador da Teoria >>>> Geral dos Sistemas (tenho trechos que uso com os alunos em >>>> http://www.marilia.unesp.br/Home/Instituicao/Docentes/RicardoTassinari/BibliotecaOnline/TGS.pdf) >>>> >>>> Cito uma parte final desse recorte: >>>> >>>> "Todo o nosso conhecimento, mesmo desantropomorfizado, só reflete certos >>>> aspectos da realidade. >>>> Se o que foi dito é verdade, a realidade é aquilo que Nicolau de Cusa >>>> (cf. von Bertalanffy, 1928 b) chamava >>>> coincidentia oppositorum. O pensamento discursivo representa sempre >>>> somente um aspecto da realidade >>>> última, chamada Deus na terminologia de Cusa. Nunca pode esgotar sua >>>> infinita multiplicidade. >>>> Por conseguinte, a realidade última é uma unidade de opostos. Toda >>>> afirmação é válida somente de um >>>> certo ponto de vista, tem apenas validade relativa, devendo ser >>>> suplementada por proposições antitéticas >>>> partidas de pontos de vistas opostos. >>>> Assim, as categorias de nossa experiência e de nosso pensamento parecem >>>> ser determinadas por >>>> fatores biológicos e culturais. Em segundo lugar, esta limitação humana >>>> é rasgada por um processo de >>>> desantropomorfização progressiva de nossa imagem do mundo. Em terceiro >>>> lugar, mesmo desantropomorfizado, >>>> o conhecimento só reflete certos aspectos ou facetas da realidade. >>>> Contudo, em quarto lugar, >>>> ex omnibus partibus relucet totum, usando ainda uma vez as palavras de >>>> Cusa: Cada um desses aspectos >>>> possui a verdade, embora somente relativa. Isto, ao que parece, indica >>>> as limitações e ao mesmo tempo a >>>> dignidade do conhecimento humano." >>>> >>>> Um grande abraço, >>>> Ricardo. >>>> >>>> 2009/7/26 Francisco Antonio Doria <[email protected]> >>>>> >>>>> Mas o Cardeal Cusa intitulou duas de suas obras, _De docta ignorantia_, >>>>> _Idiota de sapientia_... >>>>> >>>>> 2009/7/26 Ricardo Pereira Tassinari <[email protected]> >>>>>> >>>>>> Olá a todos. >>>>>> >>>>>> Sem querer jogar gasolina na fogueira, farei uma exposição bem breve e >>>>>> bem pessoal, através de aforismos, sem esperar convencer alguém. >>>>>> >>>>>> - Considere-se o Conhecimento total de todas as coisas. >>>>>> >>>>>> - Sendo eu um "tipo" de platonista em relação ao Conhecimento, admito >>>>>> a existência dele e que chegamos até ele (mesmo que o processo para >>>>>> chegar a >>>>>> ele seja trabalhoso e envolva diferente tipos de processos como, por >>>>>> exemplo, elaboração de teorias, verificação experimental, por um olhar >>>>>> interno para compreender o que seja o Eu, o Pensamento etc.). >>>>>> >>>>>> - Se de fato é Conhecimento, "diz" como as coisas são. Ou seja, ele é >>>>>> onipotente, pois tudo acontece segundo o que ele "diz" que deve >>>>>> acontecer. >>>>>> >>>>>> - Se "diz" de tudo, ele é onipresente, pois está em todo lugar (ou se >>>>>> se quiser em lugar nenhum, já que a categoria de lugar espacial não se >>>>>> aplica a ele). >>>>>> >>>>>> - Ele é onisciente, já que sabe de tudo que ocorre. >>>>>> >>>>>> - Ele é uma pessoa? Se entendermos por "pessoa" uma consciência que >>>>>> sabe de si e dos outros, para mim ele é uma pessoa, mas é claro, >>>>>> diferente >>>>>> das outras consciências que são partes dele, como nós, seres humanos. >>>>>> >>>>>> - Ele é bom? Bem, como estou convencido de que a Vida (da alma, da >>>>>> consciência) não termina com a morte (do corpo, cerebral) e acho que o >>>>>> sofrimento é uma forma de indicar que as coisas estão erradas, de pôr em >>>>>> movimento as consciências para assumirem seus papeis como sujeitos de >>>>>> suas >>>>>> ações e de seus papeis na construção de um mundo bem melhor do que esse >>>>>> que >>>>>> está aí, então acho que esse Conhecimento não é apenas bom em si >>>>>> (sentimo-nos felizes quando chegamos ao Conhecimento, mesmo que a parte >>>>>> dele >>>>>> como na Ciência), mas é bom porque vai tirando o ser humano de sua >>>>>> ignorância (que indica. aliás, a falta desse Conhecimento). >>>>>> >>>>>> - Acho que essa concepção de Deus como Conhecimento-Vivo (no qual está >>>>>> também os sentimentos, as sensações, as ilusões momentâneas, etc.) faz >>>>>> parte >>>>>> daquilo que o Frank chamou de "Deus dos Filósofos" e é nesse sentido que >>>>>> acredito em Deus. >>>>>> >>>>>> Concordo com o Dória de que as concepçõe de Deus que em geral se >>>>>> contentam as pessoas estão bem aquém do que um conceito de Deus deveria >>>>>> ser >>>>>> e que servem muito mais como instrumento de poder de alguns homens sobre >>>>>> outros homens, ou ainda, de "tábua de salvação" em relação a um >>>>>> desespero de >>>>>> vida, do que refletem uma verdadeira religiosidade. Também acho que em >>>>>> geral, as pessoas religiosas não estão preocupadas com a busca do >>>>>> Conhecimento. Em parte, é por essas razões (e por algumas que, vira e >>>>>> mexe, >>>>>> reaparecem nesta lista) que fui ateu convicto e praticante desde criança >>>>>> até >>>>>> os primeiros anos do mestrado. >>>>>> >>>>>> Bom, mas a minha concepção atual de Deus é essa que expus sumariamente >>>>>> acima e, por ter uma concepção assim, não acho que Ciência, Lógica, >>>>>> Complexidade ou Razão se oponham a noção de Deus, ao contrário. >>>>>> >>>>>> Também não vou deixar de acreditar em Deus (não sei se o termo >>>>>> "acreditar" se aplica direito ao meu caso, já que, para mim, essa >>>>>> concepção >>>>>> de Deus é auto-evidente) porque existem crentes (ou até fanáticos) que >>>>>> não >>>>>> têm essa concepção, da mesma forma, que não vou deixar de gostar e >>>>>> estudar a >>>>>> Ciência porque têm cientistas que ajudam os piores capitalistas (como >>>>>> alguns >>>>>> das indústrias farmacêuticas, por exemplo). >>>>>> >>>>>> Bem, em poucas linhas, é isso. >>>>>> >>>>>> Abraço a todos, >>>>>> Ricardo. >>>>>> >>>>>> 2009/7/24 Frank Thomas Sautter <[email protected]> >>>>>>> >>>>>>> O Deus das principais religiões ocidentais é simples? Ele é uma >>>>>>> pessoa: existe algo mais imprevisível do que o comportamento de uma >>>>>>> pessoa? >>>>>>> Mesmo que ele seja simples, esse não é um bom motivo para ser ateu. Pode >>>>>>> ser, quando muito, um bom motivo para não ser judeu, cristão, muçulmano, >>>>>>> etc. >>>>>>> >>>>>>> Quanto à "recente" descoberta da complexidade das coisas, é sério que >>>>>>> as pessoas no passado não faziam idéia dessa complexidade? Isso está >>>>>>> próximo >>>>>>> de um esnobismo cronológico! >>>>>>> >>>>>>> _______________________________________________ >>>>>>> Logica-l mailing list >>>>>>> [email protected] >>>>>>> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >>>>>>> >>>>>> >>>>>> >>>>>> >>>>>> -- >>>>>> Dr. Ricardo Pereira Tassinari - Departamento de Filosofia >>>>>> UNESP - Faculdade de Filosofia e Ciências - Marília >>>>>> Homepage: http://www.marilia.unesp.br/ricardotassinari >>>>>> >>>>>> >>>>>> _______________________________________________ >>>>>> Logica-l mailing list >>>>>> [email protected] >>>>>> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >>>>>> >>>>> >>>> >>>> >>>> >>>> -- >>>> Dr. Ricardo Pereira Tassinari - Departamento de Filosofia >>>> UNESP - Faculdade de Filosofia e Ciências - Marília >>>> Homepage: http://www.marilia.unesp.br/ricardotassinari >>>> >>> >> >> >> >> -- >> Dr. Ricardo Pereira Tassinari - Departamento de Filosofia >> UNESP - Faculdade de Filosofia e Ciências - Marília >> Homepage: http://www.marilia.unesp.br/ricardotassinari >> > > > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > > _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
