Sua tese era sobre lógica paraconsistente?

 

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Alvaro Augusto

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De: [email protected] [mailto:[email protected]]
Em nome de Francisco Antonio Doria
Enviada em: segunda-feira, 27 de julho de 2009 11:41
Para: Ricardo Pereira Tassinari
Cc: [email protected]
Assunto: Re: [Logica-l] O deus dos lógicos

 

No fim do meu concurso de titular, o presidente da banca, o Carneiro Leão,
me perguntou: Deus existe ou não existe? Respondi na bucha: Deus existe e
não existe. Emmanuel riu e encerrou os trabalhos. 

2009/7/27 Ricardo Pereira Tassinari <[email protected]>

Olá Doria.

Infelizmente, não conheço a obra de Cusa e nem esses dois conceitos dele que
citou e que intitulam duas de suas obras, se puder comentar um pouco...

Sei que Cusa influenciou demais, von Bertalanffy, o fundador da Teoria Geral
dos Sistemas (tenho trechos que uso com os alunos em
http://www.marilia.unesp.br/Home/Instituicao/Docentes/RicardoTassinari/Bibli
otecaOnline/TGS.pdf)

Cito uma parte final desse recorte:

"Todo o nosso conhecimento, mesmo desantropomorfizado, só reflete certos
aspectos da realidade.
Se o que foi dito é verdade, a realidade é aquilo que Nicolau de Cusa (cf.
von Bertalanffy, 1928 b) chamava
coincidentia oppositorum. O pensamento discursivo representa sempre somente
um aspecto da realidade
última, chamada Deus na terminologia de Cusa. Nunca pode esgotar sua
infinita multiplicidade.
Por conseguinte, a realidade última é uma unidade de opostos. Toda afirmação
é válida somente de um
certo ponto de vista, tem apenas validade relativa, devendo ser suplementada
por proposições antitéticas
partidas de pontos de vistas opostos.
Assim, as categorias de nossa experiência e de nosso pensamento parecem ser
determinadas por
fatores biológicos e culturais. Em segundo lugar, esta limitação humana é
rasgada por um processo de
desantropomorfização progressiva de nossa imagem do mundo. Em terceiro
lugar, mesmo desantropomorfizado,
o conhecimento só reflete certos aspectos ou facetas da realidade. Contudo,
em quarto lugar,
ex omnibus partibus relucet totum, usando ainda uma vez as palavras de Cusa:
Cada um desses aspectos
possui a verdade, embora somente relativa. Isto, ao que parece, indica as
limitações e ao mesmo tempo a
dignidade do conhecimento humano."

Um grande abraço,
Ricardo.

2009/7/26 Francisco Antonio Doria <[email protected]>

 

Mas o Cardeal Cusa intitulou duas de suas obras, _De docta ignorantia_,
_Idiota de sapientia_...

2009/7/26 Ricardo Pereira Tassinari <[email protected]>

 

Olá a todos.

Sem querer jogar gasolina na fogueira, farei uma exposição bem breve e bem
pessoal, através de aforismos, sem esperar convencer alguém.

- Considere-se o Conhecimento total de todas as coisas.

- Sendo eu um "tipo" de platonista em relação ao Conhecimento, admito a
existência dele e que chegamos até ele (mesmo que o processo para chegar a
ele seja trabalhoso e envolva diferente tipos de processos como, por
exemplo, elaboração de teorias, verificação experimental, por um olhar
interno para compreender o que seja o Eu, o Pensamento etc.).

- Se de fato é Conhecimento, "diz" como as coisas são. Ou seja, ele é
onipotente, pois tudo acontece segundo o que ele "diz" que deve acontecer.

- Se "diz" de tudo, ele é onipresente, pois está em todo lugar (ou se se
quiser em lugar nenhum, já que a categoria de lugar espacial não se aplica a
ele).

- Ele é onisciente, já que sabe de tudo que ocorre.

- Ele é uma pessoa? Se entendermos por "pessoa" uma consciência que sabe de
si e dos outros, para mim ele é uma pessoa, mas é claro, diferente das
outras consciências que são partes dele, como nós, seres humanos.

- Ele é bom? Bem, como estou convencido de que a Vida (da alma, da
consciência) não termina com a morte (do corpo, cerebral) e acho que o
sofrimento é uma forma de indicar que as coisas estão erradas, de pôr em
movimento as consciências para assumirem seus papeis como sujeitos de suas
ações e de seus papeis na construção de um mundo bem melhor do que esse que
está aí, então acho que esse Conhecimento não é apenas bom em si
(sentimo-nos felizes quando chegamos ao Conhecimento, mesmo que a parte dele
como na Ciência), mas é bom porque vai tirando o ser humano de sua
ignorância (que indica. aliás, a falta desse Conhecimento).

- Acho que essa concepção de Deus como Conhecimento-Vivo (no qual está
também os sentimentos, as sensações, as ilusões momentâneas, etc.) faz parte
daquilo que o Frank chamou de "Deus dos Filósofos" e é nesse sentido que
acredito em Deus.

Concordo com o Dória de que as concepçõe de Deus que em geral se contentam
as pessoas estão bem aquém do que um conceito de Deus deveria ser e que
servem muito mais como instrumento de poder de alguns homens sobre outros
homens, ou ainda, de "tábua de salvação" em relação a um desespero de vida,
do que refletem uma verdadeira religiosidade. Também acho que em geral, as
pessoas religiosas não estão preocupadas com a busca do Conhecimento. Em
parte, é por essas razões (e por algumas que, vira e mexe, reaparecem nesta
lista) que fui ateu convicto e praticante desde criança até os primeiros
anos do mestrado.

Bom, mas a minha concepção atual de Deus é essa que expus sumariamente acima
e, por ter uma concepção assim, não acho que Ciência, Lógica, Complexidade
ou Razão se oponham a noção de Deus, ao contrário.

Também não vou deixar de acreditar em Deus (não sei se o termo "acreditar"
se aplica direito ao meu caso, já que, para mim, essa concepção de Deus é
auto-evidente) porque existem crentes (ou até fanáticos) que não têm essa
concepção, da mesma forma, que não vou deixar de gostar e estudar a Ciência
porque têm cientistas que ajudam os piores capitalistas (como alguns das
indústrias farmacêuticas, por exemplo).

Bem, em poucas linhas, é isso.

Abraço a todos,
Ricardo. 

 

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