Olá Adolfo e a todos.

Abaixo uma pequena reflexão que gostaria de compartilhar sobre a implicação
na linguagem natural entre duas sentenças (que designarei por "se A então
B") e o conectivo condicional.

Notemos então que o condicional pode ser parafraseado, em linguagem natural
por: "não é o caso que A e não B", já que ele é equivalente a ~(A&~B).

Quando passamos DA IMPLICAÇÃO DA LINGUAGEM NATURAL PARA O CONECTIVO
CONDICIONAL, NÃO TEMOS PROBLEMA (como no exemplo que citou ou em "Se chove,
então a rua está molhada"), pois, se A então B, então temos que: não é o
caso que A e não B. Exemplo, se assumimos que "se chove, então a rua está
molhada", podemos sempre concluir que "não é o caso que chove e a rua não
está molhada".

A VOLTA QUE É PROBLEMÁTICA, OU SEJA, PASSAR DO CONECTIVO CONDICIONAL PARA A
IMPLICAÇÃO NA LINGUAGEM NATURAL, ou ainda, passar de "não é o caso que A e
não B" para "se A então B". Exemplo: todos nós concordamos que "não é o caso
que a Lua é de queijo e o Sol é de gelo", mas nos é estranho dizer que "se a
Lua é de queijo então o Sol é de gelo".

Ou seja, assumir que existe uma implicação na linguagem natural é
condição suficiente (mas não necessária) para assumirmos uma implicação
condicional.

Assim, se um argumento é válido na linguagem natural (isto é se assumir as
premissas implica em assumir a conclusão), então sua formalização com o
condicional (conjunção das premissas condicional conclusão) será sempre
verdadeira; por isso, se o argumento é válido, então sua formalização tem
que ser, isto é, nunca encontraremos premissas verdadeiras e conclusão
falsa, mas nem sempre uma argumento formalmente válido fica bem em linguagem
natural.

Abraço a todos,
Ricardo.

2010/1/28 Adolfo Neto <[email protected]>

> Gostei do exemplo abaixo...
>
> Fonte: Introdução à Álgebra Abstrata, de Jaime Evaristo
> http://professor.ic.ufal.br/jaime/livros/Capitulo%25201.pdf
> p.11-12
>
> O exemplo a seguir mostra que o significado matemático do se então,
> embora inusitado, tem
> sentido também no nosso dia a dia. Imagine que um pai anuncie para sua
> filha que vai fazer o
> vestibular para um curso de Medicina: se você passar, então eu lhe dou um
> carro.
>
> Se a filha foi aprovada (p verdade) e recebeu o carro (q verdade), o
> pai cumpriu a promessa
> (p => q verdade); se a filha foi aprovada (p verdade) e não recebeu o
> carro (q falso), o pai
> descumpriu a promessa (p => q falso); se a filha não foi aprovada (p
> falso) e não recebeu o carro (q
> falso), o pai não descumpriu a promessa (p => q verdade); finalmente,
> se a filha não foi aprovada
> (p falso) e recebeu o carro (q verdade), o pai também não descumpriu a
> promessa e, portanto p => q
> é verdadeiro (nesse caso, o pai pode ter entendido que a filha, mesmo
> não tendo sido aprovada,
> merecia, pelo resultado obtido, o prêmio - foi a primeira dos não
> aprovados, por exemplo).
>
> Como p => q só é falso se p é verdadeiro e q é falso, a demonstração de
> uma assertiva do tipo
> "se p então q" pode ser feita supondo-se que p é verdade e provando
> que, a partir daí, q também o é.
> Normalmente, o predicado p é chamado hipótese (que é o que se supõe
> ser verdadeiro) e o
> predicado q é chamado tese (que é o que se quer provar que é verdadeiro).
>
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Dr. Ricardo Pereira Tassinari - Departamento de Filosofia
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