Êpa, Ricardo
O que você quer dizer com "implicação na linguagem natural"? Que axiomas obedece?
D.

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Decio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-990 Florianópolis, SC -- Brasil
[email protected]
www.cfh.ufsc.br/~dkrause
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Doctor Bell say we’re connected,
He called me on the phone,
But if we’re really together baby,
How can I feel so all alone?
(Bell's Theorem Blues)

Em 28/01/2010, às 15:49, Ricardo Pereira Tassinari escreveu:

Olá Adolfo e a todos.

Abaixo uma pequena reflexão que gostaria de compartilhar sobre a implicação na linguagem natural entre duas sentenças (que designarei por "se A então B") e o conectivo condicional.

Notemos então que o condicional pode ser parafraseado, em linguagem natural por: "não é o caso que A e não B", já que ele é equivalente a ~(A&~B).

Quando passamos DA IMPLICAÇÃO DA LINGUAGEM NATURAL PARA O CONECTIVO CONDICIONAL, NÃO TEMOS PROBLEMA (como no exemplo que citou ou em "Se chove, então a rua está molhada"), pois, se A então B, então temos que: não é o caso que A e não B. Exemplo, se assumimos que "se chove, então a rua está molhada", podemos sempre concluir que "não é o caso que chove e a rua não está molhada".

A VOLTA QUE É PROBLEMÁTICA, OU SEJA, PASSAR DO CONECTIVO CONDICIONAL PARA A IMPLICAÇÃO NA LINGUAGEM NATURAL, ou ainda, passar de "não é o caso que A e não B" para "se A então B". Exemplo: todos nós concordamos que "não é o caso que a Lua é de queijo e o Sol é de gelo", mas nos é estranho dizer que "se a Lua é de queijo então o Sol é de gelo".

Ou seja, assumir que existe uma implicação na linguagem natural é condição suficiente (mas não necessária) para assumirmos uma implicação condicional.

Assim, se um argumento é válido na linguagem natural (isto é se assumir as premissas implica em assumir a conclusão), então sua formalização com o condicional (conjunção das premissas condicional conclusão) será sempre verdadeira; por isso, se o argumento é válido, então sua formalização tem que ser, isto é, nunca encontraremos premissas verdadeiras e conclusão falsa, mas nem sempre uma argumento formalmente válido fica bem em linguagem natural.

Abraço a todos,
Ricardo.

2010/1/28 Adolfo Neto <[email protected]>
Gostei do exemplo abaixo...

Fonte: Introdução à Álgebra Abstrata, de Jaime Evaristo
http://professor.ic.ufal.br/jaime/livros/Capitulo%25201.pdf
p.11-12

O exemplo a seguir mostra que o significado matemático do se então,
embora inusitado, tem
sentido também no nosso dia a dia. Imagine que um pai anuncie para sua
filha que vai fazer o
vestibular para um curso de Medicina: se você passar, então eu lhe dou um carro.

Se a filha foi aprovada (p verdade) e recebeu o carro (q verdade), o
pai cumpriu a promessa
(p => q verdade); se a filha foi aprovada (p verdade) e não recebeu o
carro (q falso), o pai
descumpriu a promessa (p => q falso); se a filha não foi aprovada (p
falso) e não recebeu o carro (q
falso), o pai não descumpriu a promessa (p => q verdade); finalmente,
se a filha não foi aprovada
(p falso) e recebeu o carro (q verdade), o pai também não descumpriu a
promessa e, portanto p => q
é verdadeiro (nesse caso, o pai pode ter entendido que a filha, mesmo
não tendo sido aprovada,
merecia, pelo resultado obtido, o prêmio - foi a primeira dos não
aprovados, por exemplo).

Como p => q só é falso se p é verdadeiro e q é falso, a demonstração de
uma assertiva do tipo
"se p então q" pode ser feita supondo-se que p é verdade e provando
que, a partir daí, q também o é.
Normalmente, o predicado p é chamado hipótese (que é o que se supõe
ser verdadeiro) e o
predicado q é chamado tese (que é o que se quer provar que é verdadeiro).


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Adolfo Neto
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Dr. Ricardo Pereira Tassinari - Departamento de Filosofia
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