[Logica-l] Explicação do significado da implicação clássicaJorge,

há outros exemplos da linguagem natural que também parecem intuitivos, mas não 
usam promessas. Me diga se acha adequado o seguinte exemplo:

Considere duas pessoas, Jack e Max, em um quarto com uma gaiola coberta. Jack, 
o dono da gaiola, diz a Max (que não conhece seu conteúdo) que a gaiola contêm 
um corvo chamado Charlie. Max então assere a afirmação condicional de cuja 
verdade ele está convencido: 

Se Charlie é um corvo, Charlie é preto. 

Agora, sobre quais condições poderia Max razoavelmente continuar a sustentar a 
sua afirmação condicional como verdadeira, depois que a cobertura é removida? 
Ele pode fazer isso na medida em que o conteúdo da gaiola não desconfirmá-la. E 
nós iremos naturalmente considerá-la como desconfirmada apenas no caso em que 
Charlie vem a ser um corvo não-preto. Isto é, em nenhum dos seguintes casos ela 
é desconfirmada: Charlie é um corvo e é preto, Charlie não é um corvo e não é 
preto, Charlie não é um corvo e é preto. Assim, em nenhum desses casos Max iria 
ter razão para abandonar sua afirmação condicional; ou, em qualquer um deles, 
ele poderia razoavelmente continuar a asseri-lo como verdadeiro. (A Note On The 
Truth-Table For P then Q, R.Ferrell, p.303. Veja também o exemplo de Faris, 
Interderivability of ? and If, p.204)

 

 
  ----- Original Message ----- 
  From: Jorge Alberto Molina 
  To: Adolfo Neto ; Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes 
da área de LOGICA 
  Sent: Thursday, February 04, 2010 12:36 PM
  Subject: [Bulk] [Logica-l] RES: Explicação do significado da implicação 
clássica


  Me parece que o exemplo não é apropriado. Fazer uma promessa não é asseverar 
algo. Imagine que o pai não tenha dinheiro para poder compará-la. Nesse caso a 
promessa não seria considerada uma  "autêntica" promessa, seja qual for o 
resultado obtido pela filha. A correção de "  Eu prometo que se p então q " não 
depende apenas do valor de verdade de p e de q. 
  Jorge Molina
  Universidade Estadual de Rio Grande do Sul 


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  De: [email protected] em nome de Adolfo Neto
  Enviada: qui 28/1/2010 09:33
  Para: Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de 
LOGICA
  Assunto: [Logica-l] Explicação do significado da implicação clássica


  Gostei do exemplo abaixo...

  Fonte: Introdução à Álgebra Abstrata, de Jaime Evaristo
  http://professor.ic.ufal.br/jaime/livros/Capitulo%25201.pdf
  p.11-12

  O exemplo a seguir mostra que o significado matemático do se então,
  embora inusitado, tem
  sentido também no nosso dia a dia. Imagine que um pai anuncie para sua
  filha que vai fazer o
  vestibular para um curso de Medicina: se você passar, então eu lhe dou um 
carro.

  Se a filha foi aprovada (p verdade) e recebeu o carro (q verdade), o
  pai cumpriu a promessa
  (p => q verdade); se a filha foi aprovada (p verdade) e não recebeu o
  carro (q falso), o pai
  descumpriu a promessa (p => q falso); se a filha não foi aprovada (p
  falso) e não recebeu o carro (q
  falso), o pai não descumpriu a promessa (p => q verdade); finalmente,
  se a filha não foi aprovada
  (p falso) e recebeu o carro (q verdade), o pai também não descumpriu a
  promessa e, portanto p => q
  é verdadeiro (nesse caso, o pai pode ter entendido que a filha, mesmo
  não tendo sido aprovada,
  merecia, pelo resultado obtido, o prêmio - foi a primeira dos não
  aprovados, por exemplo).

  Como p => q só é falso se p é verdadeiro e q é falso, a demonstração de
  uma assertiva do tipo
  "se p então q" pode ser feita supondo-se que p é verdade e provando
  que, a partir daí, q também o é.
  Normalmente, o predicado p é chamado hipótese (que é o que se supõe
  ser verdadeiro) e o
  predicado q é chamado tese (que é o que se quer provar que é verdadeiro).


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  Adolfo Neto
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