A gaiola poderia conter uma bola de tênis branca, e "Se Charlie é um
corvo, então ele é preto" seria verdadeira. Isso vem dos paradoxos de
Hempel. Trabalhar com conectivos lógicos na linguagem natural é
complicado, e deve-se primeiro estabecer a convencão de que els
"captam"(??) parte do discurso natural, o que é discutível. Dêem
exemplos envolvendo matemática.
D.
________________________________
Decio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-990 Florianópolis, SC -- Brasil
[email protected]
www.cfh.ufsc.br/~dkrause
_________________________________
'according to the modern theory [quantum mechanics], if a particle of
a person's body were exchanged with a similar particle in one of the
bricks of his house then nothing would happened at all.'' (R. Penrose,
The Emperor's New Mind)
"all in all you're just another brick in the wall" (Pink Floyd)
____________________________________
Em 04/02/2010, às 13:33, Matheus escreveu:
Jorge,
há outros exemplos da linguagem natural que também parecem
intuitivos, mas não usam promessas. Me diga se acha adequado o
seguinte exemplo:
Considere duas pessoas, Jack e Max, em um quarto com uma gaiola
coberta. Jack, o dono da gaiola, diz a Max (que não conhece seu
conteúdo) que a gaiola contêm um corvo chamado Charlie. Max então
assere a afirmação condicional de cuja verdade ele está convencido:
Se Charlie é um corvo, Charlie é preto.
Agora, sobre quais condições poderia Max razoavelmente continuar a
sustentar a sua afirmação condicional como verdadeira, depois que a
cobertura é removida? Ele pode fazer isso na medida em que o
conteúdo da gaiola não desconfirmá-la. E nós iremos naturalmente
considerá-la como desconfirmada apenas no caso em que Charlie vem a
ser um corvo não-preto. Isto é, em nenhum dos seguintes casos ela
é desconfirmada: Charlie é um corvo e é preto, Charlie não é um
corvo e não é preto, Charlie não é um corvo e é preto. Assim, em
nenhum desses casos Max iria ter razão para abandonar sua
afirmação condicional; ou, em qualquer um deles, ele poderia
razoavelmente continuar a asseri-lo como verdadeiro. (A Note On The
Truth-Table For P then Q, R.Ferrell, p.303. Veja também o exemplo de
Faris, Interderivability of ⊃ and If, p.204)
----- Original Message -----
From: Jorge Alberto Molina
To: Adolfo Neto ; Lista acadêmica brasileira dos profissionais e
estudantes da área de LOGICA
Sent: Thursday, February 04, 2010 12:36 PM
Subject: [Bulk] [Logica-l] RES: Explicação do significado da
implicação clássica
Me parece que o exemplo não é apropriado. Fazer uma promessa não
é asseverar algo. Imagine que o pai não tenha dinheiro para poder
compará-la. Nesse caso a promessa não seria considerada uma
"autêntica" promessa, seja qual for o resultado obtido pela filha. A
correção de " Eu prometo que se p então q " não depende apenas
do valor de verdade de p e de q.
Jorge Molina
Universidade Estadual de Rio Grande do Sul
De: [email protected] em nome de Adolfo Neto
Enviada: qui 28/1/2010 09:33
Para: Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da
área de LOGICA
Assunto: [Logica-l] Explicação do significado da implicação
clássica
Gostei do exemplo abaixo...
Fonte: Introdução à Álgebra Abstrata, de Jaime Evaristo
http://professor.ic.ufal.br/jaime/livros/Capitulo%25201.pdf
p.11-12
O exemplo a seguir mostra que o significado matemático do se então,
embora inusitado, tem
sentido também no nosso dia a dia. Imagine que um pai anuncie para
sua
filha que vai fazer o
vestibular para um curso de Medicina: se você passar, então eu lhe
dou um carro.
Se a filha foi aprovada (p verdade) e recebeu o carro (q verdade), o
pai cumpriu a promessa
(p => q verdade); se a filha foi aprovada (p verdade) e não recebeu o
carro (q falso), o pai
descumpriu a promessa (p => q falso); se a filha não foi aprovada (p
falso) e não recebeu o carro (q
falso), o pai não descumpriu a promessa (p => q verdade); finalmente,
se a filha não foi aprovada
(p falso) e recebeu o carro (q verdade), o pai também não
descumpriu a
promessa e, portanto p => q
é verdadeiro (nesse caso, o pai pode ter entendido que a filha, mesmo
não tendo sido aprovada,
merecia, pelo resultado obtido, o prêmio - foi a primeira dos não
aprovados, por exemplo).
Como p => q só é falso se p é verdadeiro e q é falso, a
demonstração de
uma assertiva do tipo
"se p então q" pode ser feita supondo-se que p é verdade e provando
que, a partir daí, q também o é.
Normalmente, o predicado p é chamado hipótese (que é o que se
supõe
ser verdadeiro) e o
predicado q é chamado tese (que é o que se quer provar que é
verdadeiro).
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Adolfo Neto
Departamento Acadêmico de Informática
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Fone: (41) 3310-4644 / Fax: (41) 3310-4646
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