Mas essa é a velha questão da filosofia moderna: como garantir que a razão, 
enquanto crítica, não seja dogmática, o que leva às questões de fundamentação 
reflexivas do conhecimento...
Rodrigo

> From: [email protected]
> To: [email protected]
> Date: Wed, 24 Aug 2011 20:53:42 -0300
> Subject: [Logica-l] RES:  RES: RES: a ciência europeia e sua ideologia 
> associada
> 
> Só um detalhe: não fui eu quem citou Descartes e Einstein.
> 
> [ ]s
> 
> Alvaro Augusto
> 
> -----Mensagem original-----
> De: [email protected] [mailto:[email protected]]
> Em nome de Marcos Alves
> Enviada em: quarta-feira, 24 de agosto de 2011 13:30
> Para: [email protected]
> Assunto: Re: [Logica-l] RES: RES: a ciência europeia e sua ideologia
> associada
> 
> Car@s,
> 
> a história mostra que, em geral, um dogma é eliminado e subsituído por
> outro. Os próprios exemplos abaixo listados pelo Alvaro ilustram:
> Descartes derruba um dogma, mas vira outro; Einstein derruba um dogma, mas
> cria outro. O dogma da ciencia europeia será substituído por qual dogma?
> Seria esse "dogmatismo" bom ou ruim para a ciência?
> 
> Cito aqui o Feyerabend, em "Adeus à razão", texto no qual ele defende que
> a pluralidade (e não a unidade, ou a objetividade) é o que produz
> resultados epistemológicos e traz felicidade. Se concordarmos com o autor,
> temos, por exemplo, de acatar a medicina ocidental, oriental, diversas
> práticas alternativas de cura com o mesmo grau de aceitabilidade. Se
> discordarmos, podemos nos render aos "dogmatismos". Qual posição adotar?
> 
> Abço,
> 
> Marcos.
> 
> 
> 
> 
> 
> > Caro Arthur,
> >
> > muito boa sua explicação. Usarei em minhas aulas. É amenizador sentir que
> > o
> > dogma da ciência européia também está se quebrando, assim como, na época,
> > Descartes fez ao quebrar os dogmas da igreja, mostrando ideias que
> > originariam a cientificidade européia.
> >     De tudo que você comentou, o pior de tudo é ver formadores de opinião,
> > como alguns professores, confinando o pensamento de seus talentosos alunos
> > ao mostrar limites para a cientificidade, além de decepar qualquer forma
> > de
> > expressão que não esteja nos padrões da mesma.
> >     Mas algo me deixa reconfortado, a história mostra muito bem que
> > *aqueles
> > que não se limitaram ao modelo da cientificidade européia e seu modelo
> > simplório de explicar e ver o mundo, foram as pessoas realmente
> > imortalizadas na história por suas realizações. *
> >     Einstein é um grande exemplo disso. Viveu num ambiente com dois
> > dogmas,
> > o da religião e o da cientificidade. Aos vinte anos, garoto, em casa, teve
> > que duvidar do dogma da igreja que vivenciava em sua família desde a
> > infância, e ainda mais, também teve que duvidar do dogma da cientificidade
> > de Descartes/Newton que aprendia e vivia na universidade. Com certeza
> > sofreu
> > muito psicologicamente e analiticamente, ao estudar sobre o assunto, para
> > finalmente se sentir confiante para viver sem esses dogmas, decidir sair
> > do
> > mundo unanime, e apostar em si. É passível de análise psiquiátrica essa
> > atitude de *deixar de viver conforme a realidade verdade que todas as
> > outras
> > pessoas do mesmo meio vivem, no seu dia a dia*. *Sair da realidade é sinal
> > de loucura*. Daí, passou a ter até hábitos considerados exotéricos pelos
> > demais, até alguns parecidos com os de Jesus... e deu no que deu.
> >     A cientificidade européia ainda é um dogma que todos nós estamos
> > vivenciando, mesmo que indiretamente através das pessoas com quem
> > convivemos. A nova revolução da cientificidade vem encabeçada pelas ideias
> > de Einstein, e ganham força com tantos outros pensadores. Vale lembrar
> > também a ajuda que essa revolução está sentindo pelo novo paradigma da
> > Física Quântica (FQ) e da Neurociência. Mas enquanto vivermos nesses três
> > paradigmas (igreja, cientificidade européia e FQ), agora os novos
> > Einsteins
> > terão que analisar as contradições de três paradigmas, e não mais de dois,
> > como Einstein fez. O mais provável, como diz a história, é que esses
> > possíveis Einsteins desistam de si e se tornem só mais alguns funcionários
> > do mercado de trabalho, seja nas empresas ou na própria academia.
> >     É certo que Descartes não é o mal, mas suas ideias foram corrompidas
> > com
> > o passar do tempo, principalmente por aqueles que mais deveriam levá-la a
> > diante, os discípulos da ideia, assim como também aconteceu quando se
> > corromperam as ideias originais que formavam a igreja. Mas a história vai
> > seguindo... As ideias vão surgindo... e os doutos as corrompendo... e as
> > ideias vão surgindo... e os doutos as corrompendo, cada qual pelos seus
> > ideais de vida ou por ignorância. Baita ignorância. A história mostra que
> > de
> > tempos em tempos algum "louco" tem que chegar para recolocar ordem na
> > casa,
> > e reformular o paradigma para os tempos atuais.
> >
> > Em 23 de agosto de 2011 21:22, Alvaro Augusto (L)
> > <[email protected]>escreveu:
> >
> >> Ah, certamente existem muitas opiniões divergentes, mas eu me referi a
> >> uma
> >> *durante* a palestra...
> >>
> >> Abraços,
> >>
> >> Alvaro Augusto
> >>
> >>
> >> -----Mensagem original-----
> >> De: [email protected]
> >> [mailto:[email protected]]
> >> Em nome de Eduardo Ochs
> >> Enviada em: terça-feira, 23 de agosto de 2011 17:17
> >> Para: [email protected]
> >> Assunto: [Logica-l] RES: a ciência europeia e sua ideologia associada
> >>
> >> Isto aqui serve como "opiniao divergente"?
> >>  http://www.lrb.co.uk/v28/n20/terry-eagleton/lunging-flailing-mispunching
> >> E' uma critica ao "The God Delusion", do Richard Dawkins, mas
> >> talvez se aplique tambem aos livros do Carl Sagan...
> >>  [[]], Eduardo
> >>
> >> 2011/8/23 Alvaro Augusto (L) <[email protected]>:
> >> > Caro Arthur,
> >> >
> >> > Obrigado por suas considerações. Talvez o subtítulo da palestra ("um
> >> tributo
> >> > a Carl Sagan") dê a entender que sou discípulo dele, mas trata-se
> >> apenas
> >> de
> >> > uma provocação que pretendo esclarecer no decorrer da apresentação.
> >> Como
> >> não
> >> > sou lógico nem cientista, mas apenas um engenheiro, sinto-me bem à
> >> vontade
> >> > (talvez não devesse) para falar desses assuntos em meio a uma plateia
> >> de
> >> > graduandos de vários cursos. Minha intenção é cutucar. Se aparecer
> >> alguém
> >> > com opiniões divergentes, terei cumprido meus objetivos.
> >> >
> >> > Abraços,
> >> >
> >> > Alvaro Augusto
> >> >
> >> >
> >> > -----Mensagem original-----
> >> > De: [email protected] [mailto:
> >> [email protected]]
> >> > Em nome de Arthur Buchsbaum
> >> > Enviada em: terça-feira, 23 de agosto de 2011 16:16
> >> > Para: Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da
> >> área
> >> de
> >> > LÓGICA
> >> > Assunto: [Logica-l] a ciência europeia e sua ideologia associada
> >> >
> >> > Caros colegas:
> >> > Eu examinei o conteúdo de uma versão em português de ?The
> >> Demon-Haunted
> >> > World: Science as a Candle in the Dark?, ?O mundo assombrado pelos
> >> > demônios?, de Carl Sagan, e verifiquei que o mesmo está eivado de um
> >> tipo
> >> de
> >> > ideologia que muitos chamam de cientificismo. Maiores detalhes estão
> >> em
> >> > http://en.wikipedia.org/wiki/Scientism ou
> >> > http://pt.wikipedia.org/wiki/Cientificismo.
> >> > Trata-se de uma crença, bem disseminada no meio acadêmico e dos
> >> institutos
> >> > de pesquisa ?científica? em geral, de que o único conhecimento válido
> >> é
> >> > aquele oriundo da ciência originária da Europa e depois de seus
> >> satélites
> >> > por ela colonizados, especialmente das áreas de pesquisa hoje
> >> denominadas
> >> > "Física", "Química", "Biologia", bem como da ciência abstrata formal
> >> > denominada "Matemática".
> >> > O livro citado fala do obscurantismo vindo de diversas formas
> >> ?religiosas?,
> >> > que no passado e no presente buscaram sufocar a ?ciência? europeia, o
> >> que
> >> em
> >> > parte é correto, como por exemplo a Inquisição, a Guerra dos Trinta
> >> Anos,
> >> > etc., mas não se pode generalizar, este é um erro em que muitos
> >> incorrem,
> >> > inclusive pessoas que se dizem ?lógicos?.
> >> > Existem formas de conhecimento válidas que não vieram da cultura
> >> europeia
> >> > nem de sua ?ciência? (coloco aqui e em outros lugares esta palavra
> >> entre
> >> > aspas, porque esta forma europeia não é ciência plena, mas apenas
> >> parcial,
> >> > devido à mesma estar eivada de crenças tais como o cientificismo).
> >> Exemplos:
> >> > acupuntura, Reiki, Yoga, Cabala. Das várias culturas indígenas veio o
> >> > conhecimento de diversas plantas nativas com aplicações bem
> >> importantes
> >> para
> >> > o nosso bem-estar e saúde. De uma forma de medicina indígena da região
> >> da
> >> > Acre veio o conhecimento da aplicação, nos seres humanos, em doses
> >> > moderadas, do veneno de um sapo daquela região, com propriedades
> >> curativas
> >> > fantásticas. Tenho experimentado em mim mesmo, e senti-me praticamente
> >> > curado de asma e outras alergias de que sofria, bem como diversos
> >> outros
> >> > benefícios.
> >> > Porém os adeptos da ?ciência? acadêmica, depois de buscar desmerecer e
> >> > inferiorizar os autores originais destas formas de conhecimento, ou
> >> > apropriam-se do mesmo, reduzindo-o às suas formas acadêmicas, muitas
> >> vezes
> >> > entregando-o à indústria farmacêutica visando lucro, ou simplesmente
> >> proíbem
> >> > tais práticas, temendo uma perda dos lucros obtidos atualmente pela
> >> > indústria ?médica?.
> >> > Nas universidades os estudos são em grande parte direcionados para as
> >> > rotinas oriundas da ?ciência? europeia, pelos mesmos motivos já
> >> citados,
> >> > como ocorre em diversos (nem em todos, pois esta mentalidade está
> >> mudando
> >> > gradualmente, mesmo que lentamente) dos departamentos ou institutos de
> >> > ?medicina?, ?filosofia?, ?educação física?, etc., e diversos estudos e
> >> > práticas alternativas que poderiam ser realizados são suprimidos,
> >> proibidos
> >> > ou reduzidos a formas atenuadas visando lucro.
> >> > Sinceramente,
> >> > Arthur Buchsbaum
> >> >
> >> > -----Mensagem original-----
> >> > De: [email protected] [mailto:
> >> [email protected]]
> >> > Em nome de Alvaro Augusto (L)
> >> > Enviada em: terça-feira, 23 de agosto de 2011 10:40
> >> > Para: 'Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da
> >> área
> >> de
> >> > LOGICA'
> >> > Assunto: [Logica-l] Palestra: "A arte refinada de detectar tolices -
> >> um
> >> > tributo a Carl Sagan"
> >> >
> >> > Na próxima quinta-feira, 25 de agosto, irei apresentar a palestra "A
> >> arte
> >> > refinada de detectar tolices - um tributo a Carl Sagan". O evento faz
> >> parte
> >> > do programa de palestras do Departamento Acadêmico de Eletrotécnica
> >> (DAELT).
> >> > Horário: 19h30 às 21h.
> >> > Local: Miniauditório do campus Curitiba da UTFPR (Av. Sete de
> >> Setembro,
> >> > 3165). Entrada gratuita.
> >> >
> >> > Sinopse: Existe muita discussão atualmente, dentro e fora da internet,
> >> mas
> >> > boa parte dela é de baixa qualidade. Felizmente, existe uma grande
> >> > quantidade de ferramentas para se detectar quando um argumentador está
> >> > ?enrolando?. Algumas delas são:
> >> > 1.       Argumento de autoridade.
> >> >
> >> > 2.       A evidência silenciosa.
> >> >
> >> > 3.       Ataques pessoais.
> >> >
> >> > 4.       Non sequitur.
> >> >
> >> > 5.       Correlação versus causa e efeito.
> >> >
> >> > 6.       Consequências adversas.
> >> >
> >> > 7.       Apelo à ignorância.
> >> >
> >> > 8.       Petição de princípio.
> >> >
> >> > 9.       A navalha de Occam.
> >> >
> >> > 10.   Espantalho.
> >> >
> >> > O título da palestra é emprestado do 12º capítulo do livro de Carl
> >> Sagan,
> >> > ?The Demon-Haunted World: Science as a Candle in the Dark? (1995).
> >> > Abraços,
> >> > Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida
> >> >
> >> > UTFPR/DAELT/Curso de Engenharia Elétrica
> >> >
> >> >  <mailto:[email protected]> [email protected]
> >> >
> >> >  <http://twitter.com/#!/alvaug> @alvaug
> >> >
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