Prezado Álisson,

Primeiramente, fico ofendido com sua alegação de que estou conduzindo o
debate de má fé, com evasivas. Procuro ser bem cuidadoso.

Respondendo ao que foi colocado:

Cientistas-ícone, em especial Copérnico, Galileu, Newton e Einstein são
mistificados/estereotipados na cultura popular. São retratados em geral como
gênios excêntricos, rodeados de inimigos, com inquisidores na tocaia,
dotados de conhecimentos *sui generis* que surgem do nada, obtido através
puramente de seus esforços pessoais intelectuais como virulentos opositores
do status quo, alvos de chacota/ameaças constantes e com suas teses
sumariamente ridicularizadas.

Esse tipo de retratação é uma caricatura, repleto de exageros, amplificações
e falsidades, não é representativo da biografia de nenhum desses grandes
mestres.

Muitos pseudocientistas se agarram a esta caricatura para alegar que "assim
como x foi ludibriado/ameaçado/transtornado até que suas idéias
revolucionárias forem aceitas, o mesmo ocorre comigo". Parafraseando Carl
Sagan, "riram de Colombo, mas riram do palhaço Bozo também".

A grande maioria das teses não-ortodoxas são por *default* falsas.

Proponentes do neovitalismo/prana/qi (assunto de 2 mensagens anteriores) não
merecem comparações com Albert Einstein. A teoria da relatividade restrita,
como procurei demonstrar, não emergiu do vácuo, puramente como esforços de
"revolucionários teimosos que ignoravam o resto". Precisamente o contrário:
a teoria da relatividade restrita emergiu dos muitos erros admitidos pela
própria ortodoxia e de desenvolvimentos convergentes de Lorentz, Poincaré e
Einstein.

Ser "revolucionário" e "não-ortodoxo" por si só não é uma virtude para um
cientista. Há muito mais formas de ser um "revolucionário" e "não-ortodoxo"
picareta do que o contrário.

Abraços.

2011/8/26 Álisson Linhares <[email protected]>

> Caro Manuel,
>
> por favor, seja mais claro com este fechamento de seu ultimo e-mail,
> porque,
> assim como você gosta de me dizer, "posso não ter compreendido plenamente o
> que você quis expor":
>
> "O apego às mitificações e estereótipos que fazemos de cientistas como
> Copérnico, Galileu, Newton e Einstein municia *pseudocientistas *que adoram
> comparações com *estes entes fictícios da cultura popular, desprovidos de
> contexto histórico e antecedentes intelectuais.*"
>
>
> fico no aguardo, de que possa me explicar novamente, e quem sabe voltarmos
> a
> discussão, a qual *você espertamente não querer entender qual é*. Mas se
> não
> me responder, farei igual a você, falarei sobre o que acho que ouvi. É
> muito
> bom esse estilo de ciência.
>
> forte abraço,
>
> --
> Álisson Gomes Linhares
>
> "As coisas são como são por que assim devem ser... ou são como são por nós
> acreditarmos que assim devem ser?"
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