Uma curiosidade: em seu livro "A Escalada do Homem" Jacob Bronowski diz que
von Neumann não considerava o xadrez como um jogo. De acordo com Bronowski,
von Neumann afirmava que o xadrez seria uma espécie de "técnica de
computação": para cada posição no tabuleiro, existe uma única solução que é
a melhor possível, encontrá-la é um problema meramente computacional. Sendo
assim, não é um jogo. Um jogo seria algo como o poker, por exemplo, onde há
blefe, acaso, dúvida, etc.

(Desisti de tentar jogar xadrez bem depois de saber disso, haha...)

[]'s

M.

Em 3 de agosto de 2017 16:26, Joao Marcos <[email protected]> escreveu:

> Oi, Marcos:
>
> Obrigado pela mensagem.  Talvez eu não tenha lido com suficiente
> atenção os artigos de Bernard Suits e de Jim Stone, mas me pareceu que
> eles terão defendido, entre outras coisas, que:
>
> (0) A análise wittgensteiniana da natureza dos jogos serviu antes de
> mais nada para defender a tese de que definições deveriam ser dadas
> através de "semelhanças de família".
>
> (1) Não é completamente óbvio que a tese wittgensteiniana apontada em
> (0) tenha sido inteiramente bem-sucedida sequer em caracterizar
> adequadamente o conceito de *jogo* (nem do ponto de vista filosófico,
> nem muito menos ---acrescento eu--- do ponto de vista matemático).
>
> (2) A aplicação da doutrina das "semelhanças de família" a outros
> conceitos ---e em particular ao conceito de *número*--- resultou
> bastante menos persuasiva do que no caso do conceito de jogo, já
> criticado em (1).  (O Jim Stone admite em particular que a doutrina
> wittgensteiniana faz parte hoje "do arsenal da filosofia analítica"
> mas também defende que ela "teve uma influência particularmente nociva
> em disciplinas intimamente relacionadas com a filosofia, por exemplo,
> a teologia filosófica": https://philpapers.org/archive/STOATO-5.pdf)
>
> (3) A possibilidade de propor definições úteis e informativas (ou ao
> menos condições suficientes e necessárias para a caracterização) do
> conceito de jogo: no caso de Stone, por exemplo, estas incluem o fato
> de que jogos estão "destinados à recreação ou ao exercício de
> capacidades físicas ou mentais dos participantes", e no caso de Suits
> a proposta tentativa de que um jogo consiste em participar de
> atividades "nas quais se escolhe intencionalmente (ou racionalmente)
> meios ineficientes", produzindo "um esforço voluntário para superar
> obstáculos desnecessários" --- acrescento como exemplo o jogo de
> voleibol, no qual os participantes se esforçam muito ensejar algo que
> ocorrerá inexoravelmente, de maneira independente de seus esforços,
> que é fazer a bola cair ao chão.
> (Um outro texto provocador do Suits:
> Será a vida um jogo que estamos jogando?
> http://criticanarede.com/avidaeumjogo.html)
>
> Ah, e por falar no Bernard Suits, será que algum dos colegas aqui leu
> "A Cigarra Filosófica"?
>
> Abraços,
> Joao Marcos
>
>
> 2017-08-03 20:15 GMT+02:00 Marcos Silva <[email protected]>:
> >
> > Olá, JM,
> >
> > obrigado pelo link provocador.
> >
> > eu tenho grande dificuldade para pensar em qualquer base textual que
> poderia justificar ou mesmo sugerir o "ao contrário do que pensava
> Wittgenstein" no último parágrafo do texto.
> >
> >> "Se as definições de Suits e Stone são bem-sucedidas ou não, cabe ao
> leitor decidir. No entanto, ambos os artigos dão ótimos indícios de que, ao
> contrário do que pensava Wittgenstein e os seus seguidores, refletir sobre
> a natureza dos jogos pode ser profícuo, inclusive para áreas não imediata
> ou obviamente ligadas aos jogos, como é o caso das atividades artísticas e
> das atividades realizadas por membros das instituições jurídicas (por
> exemplo, até que ponto poderíamos descrever a atividade de um artista ou a
> de um advogado como o jogar de um jogo? Saber por que sim ou por que não
> pode iluminar aspectos dessas atividades a que não tínhamos anteriormente
> dado muita atenção)."
> >
> >
> > Por que "Wittgenstein e seus seguidores" não acreditariam que é profícuo
> refletir sobre a natureza de jogos inclusive com as consequencias
> interdisciplinares aludidas?
> >
> > É fácil encontrar bons trabalhos sobre a filosofia de Wittgenstein que
> mostram  que a reflexão sobre a natureza de jogos e as consequencias
> relevantes disto para linguagem, logica, matemática, psicologia, estética
> etc. já aparecem no começo da década de 30  em sua carreira filosófica e
> vão até a sua morte em 1951.
> >
> > Os resenhistas parecem ignorar duas décadas de reflexão intensa do
> filósofo sobre a natureza fascinante (e elusiva) de jogos e sua relação com
> práticas humanas diversas.
> >
> >
> >
> > Livre de vírus. www.avast.com.
> >
> > 2017-08-02 10:55 GMT-03:00 Joao Marcos <[email protected]>:
> >>
> >> Rescensões (com links) de artigos de Bernard Suits e Jim Stone sobre o
> assunto:
> >> http://criticanarede.com/ascensao.html
> >> -- por Lucas Miotto e Vitor Guerreiro
> >>
> >>
> >> JM
>
> --
> http://sequiturquodlibet.googlepages.com/
>
> --
> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L"
> dos Grupos do Google.
> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie
> um e-mail para [email protected].
> Para postar neste grupo, envie um e-mail para [email protected].
> Visite este grupo em https://groups.google.com/a/
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