Heloisa, permita-me interceder sobre sua fala com a minha opinião. Não ser a favor do controle dos meios de comunicação é absolutamente coerente com uma intervenção pública ou social sobre essas tecnologias. Ao verificarmos o resultado que sai das tecnologias de comunicação e informação de que dispomos socialmente (prensas, antenas e outros equipamentos e técnicas), percebemos que a parcela mais significativa da sociedade que detém um controle sobre os meios são seus proprietários. Porém, como essas tecnologias servem para a promoção do debate público, elas não deveriam cair somente na lógica do mercado, mas na lógica da democracia. A argumentação passiva e meramente responsiva do controle remoto ou do consumidor na banca de jornal, convenhamos, tem mais a ver com a saúde financeira da empresa de comunicação do que com a qualidade da democracia que estamos construindo. Se quisermos uma democracia que respeite as dinâmicas de mudança social (por que queremos a democracia senão por sua capacidade de respeitar as mudanças na sociedade?), precisamos que nossos meios de comunicação sejam sensíveis a tais dinâmicas, algo que o modelo liberal parece incapaz de proporcionar.
Se quisermos uma imprensa que realmente seja um reflexo de nossa democracia, é preciso repensar como a democracia se relaciona com as tecnologias de comunicação e informação, pois são elas que vão disseminar os discursos políticos indispensáveis para a democracia ao longo do território. Hoje, o controle da seleção desses discursos está nas mãos de sujeitos que funcionam sobretudo a partir do mercado, o que diz muito sobre a qualidade da nossa democracia. Condicionar esse controle a algumas necessidades da democracia (desde os mais clássicos, como a regulamentação do direito de resposta, até alguns mais ousados, como a diversidade ou eleição do conselho editorial) significa sim ir contra a livre iniciativa, pois diminui a influência do proprietário no próprio negócio. Se essas organizações como Millenium e Palavra Aberta conseguirem conceber que livre iniciativa, assim como liberdade de expressão, não é um valor absoluto, tenho certeza que uma aliança seria possível. Um abraço, Arthur 2013/4/26 Heloisa Pait <[email protected]> > Concordo com o Everton. Alias, eu não sou a favor do controle dos meios de > comunicação. Sou a favor da liberdade de expressão, seja na internet, na > TV, no bar, na sala de aula. > > O problema é a gente se fechar em grupos de interesse (o povo da TV, o > povo da internet) e aí quem leva a melhor é a censura, o autoritarismo... > > On 15/04/2013, at 09:24, Everton Zanella Alvarenga < > [email protected]> wrote: > > > Oi, Leandro. > > > > A tentativa foi apenas um e-mail público convidando e perguntando sobre > a organização. O esforço e tempo são mínimos - eu, particularmente, não vou > perder meu tempo se notar que não vai dar em nada. Houve um caso recente em > que acho que a tentativa de diálogo começou com pedrada por parte de alguns > colegas que defendem o mesmo que eu, daí é claro que as portas se fecharam > (mas posso estar errado justamente por não ter visto um convite público e > transparente de diálogo). Conversamos num bar esse causo. :) > > > > Não estou empolgado com nada, é só mais uma ONG descoberta pela Heloisa > que tentamos contato e, quem sabe, não podem ajudar em algo. Assumir a > boa-fé é um primeiro passo para uma colaboração tornar-se possível, > principalmente com aqueles que pensam diferente. Claro, sem inocência com o > monte de picareta que sabemos que temos por aí. ;) > > > > Boa semana, > > > > Tom > > > > > > Em 15 de abril de 2013 02:25, Leandro Salvador < > [email protected]> escreveu: > > Acho ótima a ideia Tom! Se conseguirmos convencer os grupos que defendem > liberdade como "liberdade de o dono da empresa de comunicação - imprensa - > fazer o que desejar num setor não regulamentado" a dialogarem conosco, será > um grande avanço. Espero que tenhamos sucesso nessa construção. Ademais, > como tempo e energia são recursos escassos, tendo a crer que seria mais > produtivo o investimento desses recursos em pontes mais edificantes do que > a tentativa de estabelecimento de diálogo com setores conservadores e > avessos à regulação democrática dos meios de comunicação (leia-se: > concessões públicas) no Brasil... mas se vocês estão empolgados, não serei > eu a desencorajá-los. :) > > > > Abraços e ótimo começo de semana! > > > > > > > > -- > > Everton Zanella Alvarenga (also Tom) > > OKFN Brasil - Rede pelo Conhecimento Livre > > http://br.okfn.org > > _______________________________________________ > > okfn-br mailing list > > [email protected] > > http://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br > > Unsubscribe: http://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br > > > _______________________________________________ > okfn-br mailing list > [email protected] > http://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br > Unsubscribe: http://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br > -- -- Arthur Serra Massuda
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