O fato é que imprensa é cada vez menos um bom negócio. Um uso pouco rentável do capital. Porque a tecnologia está tornando a distribuição do conteúdo muito fácil e barata. Pelo mesmo motivo, o controle da midia pelo dono do veículo está se tornando ineficaz. Ser dono da marca "Planeta Diário" dá menos poder, e nenhum dinheiro. Quem quiser faz jornalismo, sem precisar de patrão. O jornalismo vai bem, mas os jornais vão mal.
Então o controle da mídia pelos sovietes, se vier, vai ter que vir através da polícia e da censura. A ocupação da fábrica de papel-imprensa pelo Partido não vai ser suficiente para controlar a imprensa. Ou liberaliza, ou norte-koreíza. Não vai haver meio termo, nem o estamento nem a tcheka conseguem dirigir a imprensa através de doações semiabertas aos blogs governistas. Veja por exemplo o caso da China: o mundo inteiro, até - pasmem! - os próprios chineses, sabe da corrupção dos dirigentes do Partido lendo o NYTimes e Bloomberg - que obtiveram as informações de fontes abertas. Meu palpite: a China vai abrir, a Rússia vai fechar, a Argentina vai continuar em crise por mais 100 anos, e o Brasil com a graça de Deus vai continuar essa bagunça que amamos. E aviso aos navegantes! O trabalhos dos assim-chamados "pensadores" zizekistas são só para render publicação, obter alvará de pesquisador da Capes, pode citar para fazer Lattes mas não existe a recomendação de espalhar para fora da academia, nem para a "reality-based community". On 26 Apr 2013, at 12:12 PM, Arthur Serra Massuda <[email protected]> wrote: > > A (in)capacidade é a mesma, mas as instituições em torno não. Não é preciso > convencer ninguém se as regras orientam essas capacidades dentro de um jogo. > E como é o jogo do debate público? Jornalistas falando sobre o mundo dentro > da imprensa sobretudo privada. Isso é um modelo liberal, não precisa > convencer ninguém, é só entrar no jogo que já está funcionando. > > Eu basicamente argumento que esse jogo foi criado a partir de princípios de > mercado, não princípios democráticos. Meu mestrado analisa o modelo de debate > público democrático recomendado pelo sistema interamericano de liberdade de > expressão: é cópia e cola do liberalismo utilitário, fundado na economia > política, pensando na harmonia social a partir da competição e dos interesses. > > Esses não são princípios democráticos. (Pensar democracia a partir da gestão > de interesses conflitantes é não pensar na diversidade de sujeitos de direito > que buscam reconhecimento social - minorias, movimentos, povos tradicionais, > grupos identitários. A democracia deveria estar mais preocupada na ampliação > da noção coletiva respeito social e menos em defender interesses, na minha > concepção - que é a de Axel Honneth.) Como pensar a imprensa a partir da > democracia, não do mercado, é o atual desafio da liberdade de expressão. Veja > bem, não se trata de estatizar, mas de democratizar, expandir valores e > regras democráticas para os diferentes espaços sociais. Eu escolhi o debate > público. E essas foram algumas das minhas conclusões. > > Quanto tiver tempo, gostaria que você fosse mais clara nos valores > discordantes, seria muito importante para a elaboração da minha dissertação > ter esse feedback. > > Abraços, > > > > 2013/4/26 Heloisa Pait <[email protected]> > Li e achei o que você escreveu fascinante. Discordo completamente, mas você > realmente resumiu a questão. Parabéns! > > Estou inclusive escrevendo um artigo sobre os dilemas do liberalismo no > Brasil e aí está; a ideologia liberal não convence ninguém. Na prática, no > dia-a-dia, somos libertários. A capacidade que eu tenho de mandar na minha > faxineira e nos meus alunos se equipara à capacidade do reitor da UNESP em > mandar na minha vida. Cada um faz nesse país o que lhe dá na telha. > > Mas a ideologia não nos desce a goela. > > Obrigada! > > On 26/04/2013, at 11:35, Arthur Serra Massuda <[email protected]> > wrote: > > > Condicionar esse controle a algumas necessidades da democracia (desde os > > mais clássicos, como a regulamentação do direito de resposta, até alguns > > mais ousados, como a diversidade ou eleição do conselho editorial) > > significa sim ir contra a livre iniciativa, pois diminui a influência do > > proprietário no próprio negócio. Se essas organizações como Millenium e > > Palavra Aberta conseguirem conceber que livre iniciativa, assim como > > liberdade de expressão, não é um valor absoluto, tenho certeza que uma > > aliança seria possível. > > > _______________________________________________ > okfn-br mailing list > [email protected] > http://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br > Unsubscribe: http://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br > > > > -- > -- > Arthur Serra Massuda
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