A (in)capacidade é a mesma, mas as instituições em torno não. Não é preciso convencer ninguém se as regras orientam essas capacidades dentro de um jogo. E como é o jogo do debate público? Jornalistas falando sobre o mundo dentro da imprensa sobretudo privada. Isso é um modelo liberal, não precisa convencer ninguém, é só entrar no jogo que já está funcionando.
Eu basicamente argumento que esse jogo foi criado a partir de princípios de mercado, não princípios democráticos. Meu mestrado analisa o modelo de debate público democrático recomendado pelo sistema interamericano de liberdade de expressão: é cópia e cola do liberalismo utilitário, fundado na economia política, pensando na harmonia social a partir da competição e dos interesses. Esses não são princípios democráticos. (Pensar democracia a partir da gestão de interesses conflitantes é não pensar na diversidade de sujeitos de direito que buscam reconhecimento social - minorias, movimentos, povos tradicionais, grupos identitários. A democracia deveria estar mais preocupada na ampliação da noção coletiva respeito social e menos em defender interesses, na minha concepção - que é a de Axel Honneth.) Como pensar a imprensa a partir da democracia, não do mercado, é o atual desafio da liberdade de expressão. Veja bem, não se trata de estatizar, mas de democratizar, expandir valores e regras democráticas para os diferentes espaços sociais. Eu escolhi o debate público. E essas foram algumas das minhas conclusões. Quanto tiver tempo, gostaria que você fosse mais clara nos valores discordantes, seria muito importante para a elaboração da minha dissertação ter esse feedback. Abraços, 2013/4/26 Heloisa Pait <[email protected]> > Li e achei o que você escreveu fascinante. Discordo completamente, mas > você realmente resumiu a questão. Parabéns! > > Estou inclusive escrevendo um artigo sobre os dilemas do liberalismo no > Brasil e aí está; a ideologia liberal não convence ninguém. Na prática, no > dia-a-dia, somos libertários. A capacidade que eu tenho de mandar na minha > faxineira e nos meus alunos se equipara à capacidade do reitor da UNESP em > mandar na minha vida. Cada um faz nesse país o que lhe dá na telha. > > Mas a ideologia não nos desce a goela. > > Obrigada! > > On 26/04/2013, at 11:35, Arthur Serra Massuda <[email protected]> > wrote: > > > Condicionar esse controle a algumas necessidades da democracia (desde os > mais clássicos, como a regulamentação do direito de resposta, até alguns > mais ousados, como a diversidade ou eleição do conselho editorial) > significa sim ir contra a livre iniciativa, pois diminui a influência do > proprietário no próprio negócio. Se essas organizações como Millenium e > Palavra Aberta conseguirem conceber que livre iniciativa, assim como > liberdade de expressão, não é um valor absoluto, tenho certeza que uma > aliança seria possível. > > > _______________________________________________ > okfn-br mailing list > [email protected] > http://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br > Unsubscribe: http://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br > -- -- Arthur Serra Massuda
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