Ni! Não querendo transformar essa lista num espaço de discussão da mídia...
Eu não sugeri que "o liberalismo é mero saber sem impactos nas práticas sociais". Muito pelo contrário, eu disse justamente que ele é amplamente usado como justificativa política, isso é um grande impacto. Mas que os problemas que enfrentamos hoje não se originam nos detalhes do liberalismo, mas em seu abuso equivocado ou falso como justificativa. Pois ao que o registro indica ele não é mais vulnerável a esse abuso que as alternativas. Meios de comunicação "falsamente democratizados" põem um perigo tanto ou maior quanto os "falsamente liberalizados". E você está claramente culpando o liberalismo, justamente de inadequação à democracia. Mas como eu dissera e sustento, há ferramentas definitivamente liberais que na prática são importantes para solucionar os problemas da mídia. E enquanto a "dita direita" tem propósito em manipular e promover ismos, se a "dita esquerda" ainda vê "ismos" como soluções, é um defeito dela e não de um ismo em particular. Ismos são modelos que servem para propôr ferramentas. Cada ferramenta proposta deve ser avaliada à luz das suas consequências e da democracia e utilizadas em conjunto independente de suas origens ísmicas. Focar no ismo em si é fazer o jogo dos interesses que querem manter a sociedade na ignorância, pois derrubado um ismo eles simplesmente se adequam a outro. Enfim, só estou dizendo que trabalhos nessa linha precisam reconhecer esse contexto e serem mais conscientes nas suas afirmações. .~´ On 29-04-2013 08:13, Arthur Serra Massuda wrote: > Alexandre, pretendo responder à argumentação de que o liberalismo é mero > saber sem impactos nas práticas sociais em pontos. Mas antes, não quero > culpar o liberalismo de nada. Estou apenas mostrando sua inadequação à > democracia. > 1. De fato, oligopólios e monopólios latino-americanos mostram que a > competição perfeita entre órgãos de imprensa é mera proposta liberal, > mas não é mero verniz ideológico. Percebam que as demandas políticas de > democratização das comunicações se focam precisamente na dissolução > desses oligopólios, ou seja, a intenção última da esquerda na > comunicação é a implementação de um modelo liberal, onde múltiplos e > diferentes órgãos de imprensa competem na definição do que seria o > interesse público. > 2. A presença do modelo liberal no discurso da esquerda obviamente não é > exclusiva, já que é a partir de tal modelo que os controladores dos > meios de comunicação hoje articulam sua defesa. Uma defesa que se > utiliza da confusão básica da liberdade de expressão liberal: se defende > o interesse público a partir de um ponto de vista privado esperando que > a competição de pontos de vista promova um "bem": se no mercado é preço, > no debate público liberal é a definição coletiva do que é esse interesse > público. Nesse argumento, a preservação do caráter privado é a própria > defesa da liberdade de expressão, a preservação do interesse privado é o > próprio interesse público. Desconstruir esse argumento (e faço isso a > partir de reflexões de Foucault sobre as consequências de se organizar > uma sociedade em torno da categoria interesse, que veio da economia > política), portanto, não apenas incide sobre como a esquerda e o > conservadorismo pensam liberdade de expressão, mas também contribui para > atacar a ignorância do problema. > 3. O problema, na minha perspectiva, é precisamente fundamentar a > liberdade de expressão na economia política. > > c.q.d. O liberalismo é um saber com fortes impactos nas práticas sociais > dos sujeitos. > > Abraços, > > Arthur _______________________________________________ okfn-br mailing list [email protected] http://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br Unsubscribe: http://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br
