André, ao final deste semestre, após minha defesa, disponibilizarei a integralidade das argumentações. Mas estou disposto a testar meus argumentos neste fórum, como estou fazendo com a Heloisa. O resumo da minha dissertação, por enquanto:
O trabalho investiga a constituição do debate público em um contexto democrático à luz da Primeira Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Com a análise dos discursos dos jornais Correio Braziliense, Folha de S.Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo e Zero Hora, no mês de dezembro de 2009, data da realização da etapa nacional da referida conferência, pergunta se o discurso da imprensa brasileira funciona a partir de parâmetros liberais. O modelo de debate público no país, em que sujeitos articulados pela técnica jornalística difundem suas expressões por meios de comunicação sobretudo privados, pode ser encontrado nas recomendações do sistema interamericano de liberdade de expressão, da Organização dos Estados Americanos, e é constituído a partir das necessidades da democracia. Nessas recomendações, a democracia opera de forma análoga ao liberalismo utilitário que Michel Foucault revela nas práticas de governo a partir do séc. 18, voltadas para a gestão de interesses entre o público e o privado. Entre as necessidades democráticas, a busca jornalística pelo interesse público se destaca por exigir uma configuração específica na economia política da comunicação para o debate público funcionar adequadamente, caso contrário, lida-se com a ameaça constante da sobredeterminação dessa busca pelo interesse particular. Por outro lado, ao sustentar um discurso produtor de um antagonismo inconciliável, essa posição liberal, embora necessária para a democracia recomendada pelo sistema interamericano, não atende as necessidades da democracia radical defendida por Chantal Mouffe em The Democratic Paradox, focadas na dissolução de antagonismos. A Confecom torna-se objeto de estudo de caso para explorar como o debate conferencial lida com antagonismos. A análise da cobertura jornalística da Confecom pelos referidos jornais baseia-se na teoria política do discurso de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe. Ao final, esboça-se uma possibilidade de constituir o debate público a partir de outra disciplina discursiva na técnica jornalística, com os fundamentos da teoria do reconhecimento de Axel Honneth. Abraços, Arthur 2013/4/26 André Brito <[email protected]> > A argumentação dá muito boa Arthur. Me somo a esse entendimento de que a > comunicação deve realmente ser democratica. E o mestrado, rola liberar pra > gente dar uma lida? > > Abraços > > > 2013/4/26 Arthur Serra Massuda <[email protected]> > >> >> A (in)capacidade é a mesma, mas as instituições em torno não. Não é >> preciso convencer ninguém se as regras orientam essas capacidades dentro de >> um jogo. E como é o jogo do debate público? Jornalistas falando sobre o >> mundo dentro da imprensa sobretudo privada. Isso é um modelo liberal, não >> precisa convencer ninguém, é só entrar no jogo que já está funcionando. >> >> Eu basicamente argumento que esse jogo foi criado a partir de princípios >> de mercado, não princípios democráticos. Meu mestrado analisa o modelo de >> debate público democrático recomendado pelo sistema interamericano de >> liberdade de expressão: é cópia e cola do liberalismo utilitário, fundado >> na economia política, pensando na harmonia social a partir da competição e >> dos interesses. >> >> Esses não são princípios democráticos. (Pensar democracia a partir da >> gestão de interesses conflitantes é não pensar na diversidade de sujeitos >> de direito que buscam reconhecimento social - minorias, movimentos, povos >> tradicionais, grupos identitários. A democracia deveria estar mais >> preocupada na ampliação da noção coletiva respeito social e menos em >> defender interesses, na minha concepção - que é a de Axel Honneth.) Como >> pensar a imprensa a partir da democracia, não do mercado, é o atual desafio >> da liberdade de expressão. Veja bem, não se trata de estatizar, mas de >> democratizar, expandir valores e regras democráticas para os diferentes >> espaços sociais. Eu escolhi o debate público. E essas foram algumas das >> minhas conclusões. >> >> Quanto tiver tempo, gostaria que você fosse mais clara nos valores >> discordantes, seria muito importante para a elaboração da minha dissertação >> ter esse feedback. >> >> Abraços, >> >> >> >> 2013/4/26 Heloisa Pait <[email protected]> >> >>> Li e achei o que você escreveu fascinante. Discordo completamente, mas >>> você realmente resumiu a questão. Parabéns! >>> >>> Estou inclusive escrevendo um artigo sobre os dilemas do liberalismo no >>> Brasil e aí está; a ideologia liberal não convence ninguém. Na prática, no >>> dia-a-dia, somos libertários. A capacidade que eu tenho de mandar na minha >>> faxineira e nos meus alunos se equipara à capacidade do reitor da UNESP em >>> mandar na minha vida. Cada um faz nesse país o que lhe dá na telha. >>> >>> Mas a ideologia não nos desce a goela. >>> >>> Obrigada! >>> >>> On 26/04/2013, at 11:35, Arthur Serra Massuda <[email protected]> >>> wrote: >>> >>> > Condicionar esse controle a algumas necessidades da democracia (desde >>> os mais clássicos, como a regulamentação do direito de resposta, até alguns >>> mais ousados, como a diversidade ou eleição do conselho editorial) >>> significa sim ir contra a livre iniciativa, pois diminui a influência do >>> proprietário no próprio negócio. Se essas organizações como Millenium e >>> Palavra Aberta conseguirem conceber que livre iniciativa, assim como >>> liberdade de expressão, não é um valor absoluto, tenho certeza que uma >>> aliança seria possível. >>> >>> >>> _______________________________________________ >>> okfn-br mailing list >>> [email protected] >>> http://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br >>> Unsubscribe: http://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br >>> >> >> >> >> -- >> -- >> Arthur Serra Massuda >> >> _______________________________________________ >> okfn-br mailing list >> [email protected] >> http://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br >> Unsubscribe: http://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br >> >> > > > -- > André Filipe de Assunção e Brito > Coordenadoria de Articulação Intergovernamental > Secretaria de Estado de Governo > Governo do Distrito Federal > 61 78129408 > ID: 55*133*2058 > > _______________________________________________ > okfn-br mailing list > [email protected] > http://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br > Unsubscribe: http://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br > > -- -- Arthur Serra Massuda
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