Vc podia criticar, p.e., a frase de Heidegger, das Nichts nichtet - que faz sentido em alemão, por sinal - ou o comentário dele ao verso de Angelus Silesius, die Ros' ist ohne Warumb, assim mesmo, no ensaio der Satz vom Grund.
Acho que são estilos muito diferentes de se praticar a filosofia. Estilos. 2011/12/5 Tony Marmo <[email protected]> > Colocadas as coisas assim, fica mais claro. > > Mas, voltando à Carla, que eu não conheço pessoalmente, parece ser do > estilo dela escrever artigos como o citado. Aqui vai um trecho de outro > artigo: > > A metafísica seria uma forma de pensar o múltiplo a partir do um, o outro > a partir do mesmo, o diferente a partir do idêntico, a alteridade como uma > alteração do mesmo, o diferente como uma degradação da identidade. É sob > essa inspiração que pretendo discutir a diferença sexual e a articulação > entre feminino - esse outro pensado na tradição a partir do mesmo -, > alteridade e ética. > > Partindo de proposições formuladas por Elizabeth Grosz, Tina Chanter e > Drucilla Cornell e em diálogo com Emmanuel Lévinas e Jacques Derrida, este > artigo articula feminilidade, neutralidade e o lugar da diferença sexual a > fim de pensar como, se o neutro se confunde ao masculino, e é anterior à > diferença sexual, então neutralidade e masculinidade se confundem e se > sobrepõem. A partir desse suposto neutro - que carrega nele a marca > implícita do masculino - a filosofia formula a pergunta "o que é", tomando > o neutro (masculino) como padrão para definir o outro (feminino) numa > perspectiva que essencializa o outro pelas suas diferenças. Ou, para ficar > nos termos com que Sylviane Agacinski define a metafísica, a pergunta "o > que é" se responde pensando o feminino (outro) como uma alteração do > masculino (mesmo/neutro). > > Postular a pergunta "o que é a mulher" já seria uma forma metafísica e > essencialista de pensar sobre o feminino, como argumenta Chanter, para quem > a origem dos essencialismos sobre o feminino se localiza nesta equação: ao > tomar o neutro como masculino, a tradição precisa definir a mulher a partir > da pergunta "o que é". Chanter seguirá os passos de Derrida ao dizer que a > diferença sexual já nasce como uma forma de secundarizar o feminino e o > pretensamente neutro aparece na tradição filosófica como masculino. Meu > interesse aqui é pensar a neutralidade como um totalizador que elimina as > diferenças, e pensar a diferença sexual como elemento que secundariza a > mulher. > > Lévinas buscou nas reflexões sobre diferença sexual a impossibilidade de > afirmação do neutro como sinônimo de humano. Se mesmo assim o fez dentro de > uma matriz androcêntrica, como tão bem aponta Derrida, isso não impede que > se possa reconhecer a importância de um pensamento que, desde muito cedo, > associou feminino, alteridade e ética. > > O artigo dela segue por aí a fora. Parece que ela escreveu toda uma tese > de doutorado assim! Como diria a Simone de Beauvoir, Sacré Coeur! > > Em 5 de dezembro de 2011 10:07, Francisco Antonio Doria < > [email protected]> escreveu: > > Explico: disse à moça, que, intuitivamente, no princípio da incerteza, >> temos duas grandezas - fenômenos, etc - acoplados, e tais que, definindo-se >> um deles, o outro se torna indefinido. E ela me deu exemplos, em >> psicanálise, de tais entidades acopladas. >> >> >> 2011/12/5 Tony Marmo <[email protected]> >> >>> >>> Não entendo como o princípio da incerteza de Heisenberg possa ser >>> interpretado figurativamente de modo a ajudar na psicanálise. >>> >>> Mas, se ela insiste, quem sou eu para discordar? >>> >>> Em 5 de dezembro de 2011 07:55, Francisco Antonio Doria < >>> [email protected]> escreveu: >>> >>> Tony, >>>> >>>> Não concordo com vc nessa avaliação, mas deixa pra lá. Conheço cabeça >>>> de jornalista porque sou filho de jornalista, e pai de jornalista - meu >>>> filho Pedro é um dos editores executivos de O Globo. Esse texto é um artigo >>>> de opinião, ensaio, e como ele, escrevi muita coisa assim, em 1968, no >>>> finado Correio da Manhã, e em 1974, em Opinião. >>>> >>>> Gênero esse artigo da Carla; vcs iam se horrorizar... Mas me diverti >>>> muito; em 68 era pós adolescente, e era gostoso ser citado na praia de >>>> domingo, e na antessala do Paissandu :)) Gloriosos tempos. >>>> >>>> Há uns meses o Cesar Benjamin escreveu um artigo citando o teorema de >>>> Goedel, a incompletude. Me ligou, expliquei pra ele. Não saiu perfeito, mas >>>> saiu legal. Fui devidamente citado, e responsabilizado, no texto final. >>>> (Cesar, editor da Contraponto e ex-candidato a vice da Heloisa Helena, é um >>>> fascinado por filosofia da ciência.) >>>> >>>> Conto um episódio recente, aliás descrito ao fim do livro com o Chaitin >>>> e Newton. Estava saindo com uma psicanalista lacaniana que um dia me diz - >>>> no meio de uma palestra minha - que o princípio da incerteza de Heisenberg >>>> é relevante para a psicanálise. >>>> >>>> Pensei um instante e expliquei, devagarinho, o Princípio da Incerteza. >>>> Do técnico ao intuitivo - como um teorema de álgebra linear, como o >>>> comutador não trivial de x e d/dx - e relacionei-o ~as variáveis canônicas >>>> q e p em mecânica clássica, igualmente de comutador não trivial, e enfim >>>> como algo intuitivo. E ela me sai com uma interpretação surpreendente e >>>> rica de significado. >>>> >>>> Foi divertido :)) >>>> >>>> >>>> 2011/12/5 Tony Marmo <[email protected]> >>>> >>>>> Só fica uma pergunta: essa moça aceita que lhe expliquem direito as >>>>> coisas ou não? >>>>> >>>>> O que me parece é que a jornalista queria mesmo escrever algo que lhe >>>>> pareceria interessante aos seus leitores e não algo que esclarecesse. Não >>>>> se sabe de onde ela tirou as informações para fazer o artigo, se as >>>>> informações estavam corretas ou não nas fontes que ela consulto, ou, >>>>> supondo-se que estivessem corretas, se as entendeu. O que me parece é que >>>>> ela colocou no artigo o que queria colocar, nem que para isso tivesse de >>>>> mudar o que ouviu ou leu, ou de construir conclusões sem verificar se >>>>> procediam mesmo do material que leu. >>>>> >>>>> É uma pessoa que considera que a objetividade científica seja um mito >>>>> e usou de uma figura de autoridade para criar um artigo em defesa de sua >>>>> própria ideia. Como Goedel, Einstein e Heisenberg são figuras importantes >>>>> do século passado, nada melhor que usar os três para construir a sua >>>>> versão >>>>> de como a objetividade científica teria sido demolida. >>>>> >>>>> Mas, é nesse tipo de artigo que os jornalistas acreditam para vender >>>>> jornal ou atrair público. Provavelmente, supõe ela que falar de método >>>>> axiomático, do debate entre Hilbert e Browser, e do que realmente os >>>>> teoremas de Goedel tratam seja muito assunto pesado para um simples artigo >>>>> e possivelmente afastaria uma ampla gama de leitores. >>>>> >>>>> Alguém se lembra de uma controvérsia entre um artigo da professora >>>>> Marilena Chauí e uma réplica de um professor do IMECC vários anos atrás? O >>>>> professor do IMECC corrigiu a apresentação de vários conceitos e criticava >>>>> o fato de que, ainda que aceites os conceitos do modo que ela os >>>>> formulara, >>>>> não se entendia porque ela tirava certas conclusões deles. >>>>> >>>>> Em 5 de dezembro de 2011 01:04, Francisco Antonio Doria < >>>>> [email protected]> escreveu: >>>>> >>>>> Ela me escreveu e vamos nos encontrar. >>>>>> >>>>>> >>>>>> 2011/12/2 Tony Marmo <[email protected]> >>>>>> >>>>>>> Li-o e considere-o uma crônica de ficção científica, quase a um >>>>>>> estilo >>>>>>> borgeano! :D >>>>>>> >>>>>>> Em 1 de dezembro de 2011 15:11, Décio Krause <[email protected] >>>>>>> >escreveu: >>>>>>> >>>>>>> > Caros lógicos >>>>>>> > Vejam o texto em http://carlarodrigues.uol.com.br/index.php/570 >>>>>>> > sobre os teoremas (de incompletude, claro) de Gödel e tirem suas >>>>>>> próprias >>>>>>> > conclusões. A autora é de uma capacidade incrível para dizer >>>>>>> tolices sobre >>>>>>> > o que certamente não conhece. >>>>>>> > D. >>>>>>> > >>>>>>> > ------------------------------------------------------ >>>>>>> > Décio Krause >>>>>>> > Departamento de Filosofia >>>>>>> > Universidade Federal de Santa Catarina >>>>>>> > 88040-900 Florianópolis - SC - Brasil >>>>>>> > http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause >>>>>>> > ---------------------------------------------------- >>>>>>> > >>>>>>> > _______________________________________________ >>>>>>> > Logica-l mailing list >>>>>>> > [email protected] >>>>>>> > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >>>>>>> > >>>>>>> _______________________________________________ >>>>>>> Logica-l mailing list >>>>>>> [email protected] >>>>>>> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >>>>>>> >>>>>> >>>>>> >>>>>> >>>>>> -- >>>>>> fad >>>>>> >>>>>> ahhata alati, awienta Wilushati >>>>>> >>>>>> >>>>> >>>> >>>> >>>> -- >>>> fad >>>> >>>> ahhata alati, awienta Wilushati >>>> >>>> >>> >> >> >> -- >> fad >> >> ahhata alati, awienta Wilushati >> >> > -- fad ahhata alati, awienta Wilushati _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
