Doria, se me permite e não se ofende, então, como diria o Prof. Newton, vá 
plantar batatas...que estória é essa de estilo? O que ela escreve é porcaria 
mesmo...Se você vai contar um papo enrolado para ela sobre acoplamentos e 
pareamentos,  a ela cair, ótimo, mas defender esse tipo de "literatura", ou o 
que quer que se chame, é demais... olha o que ela escreveu sobre metafísica, cf 
a última mensagem do Tony. É charlatanismo puro. Não dá nem pra dizer que é 
inocência. 
D

________________________________
Decio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil
deciokrause[at]gmail.com
www.cfh.ufsc.br/~dkrause
________________________________
"He [God] will never choose among indiscernibles"
(G.W.Leibniz)
[But] He (God) would never choose among discernibles too. (M. Franciotti)










Em 05/12/2011, às 10:23, Francisco Antonio Doria escreveu:

> Vc podia criticar, p.e., a frase de Heidegger, das Nichts nichtet - que faz
> sentido em alemão, por sinal - ou o comentário dele ao verso de Angelus
> Silesius, die Ros' ist ohne Warumb, assim mesmo, no ensaio der Satz vom
> Grund.
> 
> Acho que são estilos muito diferentes de se praticar a filosofia. Estilos.
> 
> 2011/12/5 Tony Marmo <[email protected]>
> 
>> Colocadas as coisas assim, fica mais claro.
>> 
>> Mas, voltando à Carla, que eu não conheço pessoalmente, parece ser do
>> estilo dela escrever artigos como o citado. Aqui vai um trecho de outro
>> artigo:
>> 
>> A metafísica seria uma forma de pensar o múltiplo a partir do um, o outro
>> a partir do mesmo, o diferente a partir do idêntico, a alteridade como uma
>> alteração do mesmo, o diferente como uma degradação da identidade. É sob
>> essa inspiração que pretendo discutir a diferença sexual e a articulação
>> entre feminino - esse outro pensado na tradição a partir do mesmo -,
>> alteridade e ética.
>> 
>> Partindo de proposições formuladas por Elizabeth Grosz, Tina Chanter e
>> Drucilla Cornell e em diálogo com Emmanuel Lévinas e Jacques Derrida, este
>> artigo articula feminilidade, neutralidade e o lugar da diferença sexual a
>> fim de pensar como, se o neutro se confunde ao masculino, e é anterior à
>> diferença sexual, então neutralidade e masculinidade se confundem e se
>> sobrepõem. A partir desse suposto neutro - que carrega nele a marca
>> implícita do masculino - a filosofia formula a pergunta "o que é", tomando
>> o neutro (masculino) como padrão para definir o outro (feminino) numa
>> perspectiva que essencializa o outro pelas suas diferenças. Ou, para ficar
>> nos termos com que Sylviane Agacinski define a metafísica, a pergunta "o
>> que é" se responde pensando o feminino (outro) como uma alteração do
>> masculino (mesmo/neutro).
>> 
>> Postular a pergunta "o que é a mulher" já seria uma forma metafísica e
>> essencialista de pensar sobre o feminino, como argumenta Chanter, para quem
>> a origem dos essencialismos sobre o feminino se localiza nesta equação: ao
>> tomar o neutro como masculino, a tradição precisa definir a mulher a partir
>> da pergunta "o que é". Chanter seguirá os passos de Derrida ao dizer que a
>> diferença sexual já nasce como uma forma de secundarizar o feminino e o
>> pretensamente neutro aparece na tradição filosófica como masculino. Meu
>> interesse aqui é pensar a neutralidade como um totalizador que elimina as
>> diferenças, e pensar a diferença sexual como elemento que secundariza a
>> mulher.
>> 
>> Lévinas buscou nas reflexões sobre diferença sexual a impossibilidade de
>> afirmação do neutro como sinônimo de humano. Se mesmo assim o fez dentro de
>> uma matriz androcêntrica, como tão bem aponta Derrida, isso não impede que
>> se possa reconhecer a importância de um pensamento que, desde muito cedo,
>> associou feminino, alteridade e ética.
>> 
>> O artigo dela segue por aí a fora. Parece que ela escreveu toda uma tese
>> de doutorado assim! Como diria a Simone de Beauvoir, Sacré Coeur!
>> 
>> Em 5 de dezembro de 2011 10:07, Francisco Antonio Doria <
>> [email protected]> escreveu:
>> 
>> Explico: disse à moça, que, intuitivamente, no princípio da incerteza,
>>> temos duas grandezas - fenômenos, etc - acoplados, e tais que, definindo-se
>>> um deles, o outro se torna indefinido. E ela me deu exemplos, em
>>> psicanálise, de tais entidades acopladas.
>>> 
>>> 
>>> 2011/12/5 Tony Marmo <[email protected]>
>>> 
>>>> 
>>>> Não entendo como o princípio da incerteza de Heisenberg possa ser
>>>> interpretado figurativamente de modo a ajudar na psicanálise.
>>>> 
>>>> Mas, se ela insiste, quem sou eu para discordar?
>>>> 
>>>> Em 5 de dezembro de 2011 07:55, Francisco Antonio Doria <
>>>> [email protected]> escreveu:
>>>> 
>>>> Tony,
>>>>> 
>>>>> Não concordo com vc nessa avaliação, mas deixa pra lá. Conheço cabeça
>>>>> de jornalista porque sou filho de jornalista, e pai de jornalista - meu
>>>>> filho Pedro é um dos editores executivos de O Globo. Esse texto é um 
>>>>> artigo
>>>>> de opinião, ensaio, e como ele, escrevi muita coisa assim, em 1968, no
>>>>> finado Correio da Manhã, e em 1974, em Opinião.
>>>>> 
>>>>> Gênero esse artigo da Carla; vcs iam se horrorizar... Mas me diverti
>>>>> muito; em 68 era pós adolescente, e era gostoso ser citado na praia de
>>>>> domingo, e na antessala do Paissandu :))  Gloriosos tempos.
>>>>> 
>>>>> Há uns meses o Cesar Benjamin escreveu um artigo citando o teorema de
>>>>> Goedel, a incompletude. Me ligou, expliquei pra ele. Não saiu perfeito, 
>>>>> mas
>>>>> saiu legal. Fui devidamente citado, e responsabilizado, no texto final.
>>>>> (Cesar, editor da Contraponto e ex-candidato a vice da Heloisa Helena, é 
>>>>> um
>>>>> fascinado por filosofia da ciência.)
>>>>> 
>>>>> Conto um episódio recente, aliás descrito ao fim do livro com o Chaitin
>>>>> e Newton. Estava saindo com uma psicanalista lacaniana que um dia me diz -
>>>>> no meio de uma palestra minha - que o princípio da incerteza de Heisenberg
>>>>> é relevante para a psicanálise.
>>>>> 
>>>>> Pensei um instante e expliquei, devagarinho, o Princípio da Incerteza.
>>>>> Do técnico ao intuitivo - como um teorema de álgebra linear, como o
>>>>> comutador não trivial de x e d/dx - e relacionei-o ~as variáveis canônicas
>>>>> q e p em mecânica clássica, igualmente de comutador não trivial, e enfim
>>>>> como algo intuitivo. E ela me sai com uma interpretação surpreendente e
>>>>> rica de significado.
>>>>> 
>>>>> Foi divertido :))
>>>>> 
>>>>> 
>>>>> 2011/12/5 Tony Marmo <[email protected]>
>>>>> 
>>>>>> Só fica uma pergunta: essa moça aceita que lhe expliquem direito as
>>>>>> coisas ou não?
>>>>>> 
>>>>>> O que me parece é que a jornalista queria mesmo escrever algo que lhe
>>>>>> pareceria interessante aos seus leitores e não algo que esclarecesse. Não
>>>>>> se sabe de onde ela tirou as informações para fazer o artigo, se as
>>>>>> informações estavam corretas ou não nas fontes que ela consulto, ou,
>>>>>> supondo-se que estivessem corretas, se as entendeu. O que me parece é que
>>>>>> ela colocou no artigo o que queria colocar, nem que para isso tivesse de
>>>>>> mudar o que ouviu ou leu, ou de construir conclusões sem verificar se
>>>>>> procediam mesmo do material que leu.
>>>>>> 
>>>>>> É uma pessoa que considera que a objetividade científica seja um mito
>>>>>> e usou de uma figura de autoridade para criar um artigo em defesa de sua
>>>>>> própria ideia. Como Goedel, Einstein e Heisenberg são figuras importantes
>>>>>> do século passado, nada melhor que usar os três para construir a sua 
>>>>>> versão
>>>>>> de como a objetividade científica teria sido demolida.
>>>>>> 
>>>>>> Mas, é nesse tipo de artigo que os jornalistas acreditam para vender
>>>>>> jornal ou atrair público. Provavelmente, supõe ela que falar de método
>>>>>> axiomático, do debate entre Hilbert e Browser, e do que realmente os
>>>>>> teoremas de Goedel tratam seja muito assunto pesado para um simples 
>>>>>> artigo
>>>>>> e possivelmente afastaria uma ampla gama de leitores.
>>>>>> 
>>>>>> Alguém se lembra de uma controvérsia entre um artigo da professora
>>>>>> Marilena Chauí e uma réplica de um professor do IMECC vários anos atrás? 
>>>>>> O
>>>>>> professor do IMECC corrigiu a apresentação de vários conceitos e 
>>>>>> criticava
>>>>>> o fato de que, ainda que aceites os conceitos do modo que ela os 
>>>>>> formulara,
>>>>>> não se entendia porque ela tirava certas conclusões deles.
>>>>>> 
>>>>>> Em 5 de dezembro de 2011 01:04, Francisco Antonio Doria <
>>>>>> [email protected]> escreveu:
>>>>>> 
>>>>>> Ela me escreveu e vamos nos encontrar.
>>>>>>> 
>>>>>>> 
>>>>>>> 2011/12/2 Tony Marmo <[email protected]>
>>>>>>> 
>>>>>>>> Li-o e considere-o uma crônica de ficção científica, quase a um
>>>>>>>> estilo
>>>>>>>> borgeano! :D
>>>>>>>> 
>>>>>>>> Em 1 de dezembro de 2011 15:11, Décio Krause <[email protected]
>>>>>>>>> escreveu:
>>>>>>>> 
>>>>>>>>> Caros lógicos
>>>>>>>>> Vejam o texto em http://carlarodrigues.uol.com.br/index.php/570
>>>>>>>>> sobre os teoremas (de incompletude, claro) de Gödel e tirem suas
>>>>>>>> próprias
>>>>>>>>> conclusões. A autora é de uma capacidade incrível para dizer
>>>>>>>> tolices sobre
>>>>>>>>> o que certamente não conhece.
>>>>>>>>> D.
>>>>>>>>> 
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