Olá todos,

Eu não havia me manifestado ainda nessa thread, mas me sinto abrigado
a fazer alguns comentários:

On 3/26/07, Carla Elaine Freitas Santos <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> Eu concordo com a visão de Terceiro. Lembro-me também de algumas
> migrações que tive conhecimento, onde a migração foi forçada pela alta
> gestão, foi muito mal planejada e o que mais se ouviu é "esse linux não
> presta".

Eu acredito que na máxima "risco e oportunidade". Estamos numa esquina
do momento, de mudança de governo e novas escolhas. A questão é que
sempre vai haver um risco da migração não dar certo, e por isso é
fundamental um bom planejamento de forma a suprir realmente as
necessidades dos usuários e não "jogar" o Software Livre para cima
deles.

Além disso a sensibilização e o processo de mudança de paradigma
envolve muitas questões não técnicas e de filosofia em relação a por
que usar isto ou aquilo. Antes de impor algo a SECTI precisa comer da
sua própria comida, investindo em uma migração séria e bem
fundamentada, para depois sugerir isso a outros setores mostrando seus
resultados como o maior incentivo.

> Acho que o ponto principal é conscientizar e mostrar as pessoas as
> possibilidades que se tem com Software Livre. E que na verdade, ele
> presta sim :)

Eu concordo, mas nesse caso não é apenas que ele "presta", pois
funcionar é o mínimo. Se não funcionou direito para os usuários é por
que a migração não foi bem realizada. Eu acho que SL tem condições de
se mostrar mais eficiente (menor custo e maior qualidade/segurança),
devido a suas características, mas para isso precisa ser bem
utilizado. Funcionar por funcionar, tanto faz ser SL ou proprietário.

Além disso coloco algumas questões que podem ser pertinentes:

* Por que a SECTI está investindo nessas tecnologias? Justificativas
técnicas e não técnicas?
* Será que a comunidade (pessoas, governo, universidade, empresas) tem
condição de absorver a demanda que virá se todas essas iniciativas
propostas derem resultado?
* Como formar profissionais qualificados projetar, instalar e manter
essas soluções basedas em SL ?
* Como as empresas do setor de TI vão reagir a essa "ênfase" em SL e
como auxiliá-las a se envolver e participar desse processo via
conscientização?
* Como usar o Software Livre para o desenvolvimento do setor de TI da
Bahia e quebrar o paradigma de que com SL não se pode ganhar dinheiro?

> Abraços
>
> Carla Elaine Freitas Santos
> Analista de Segurança da Informação
> Universidade Federal da Bahia
>
>
>
> Antonio S. de A. Terceiro wrote:
> > Vicente Aguiar escreveu isso aí:
> >
> >> Ok, pessoal;
> >>
> >> Podemos então tentar construir *propostas* a partir da sugestão de
> >> temas sugeridas por Nelson Pretto. Agora, não sei se via lista de
> >> emails seria o melhor lugar... o que vocês acham de colocarmos no
> >> Twiki?
> >>
> >
> > Basta ter um voluntário que queira sistematizar as propostas.
> >
> >
> >>    3.2 - Políticas Públicas (de Estado, aprovadas em lei) -> Aprovação
> >> de leis (projeto de lei) que exigiam (obriguem) a adoção de Software
> >> livre pelo Estado da Bahia - independente de mudança de governo.
> >> Alguém conhece algum exemplo de lei que pode servir de referência?
> >>
> >
> > Eu acho que tentar fazer isso vai ser um grande desperdício de energia.
> > As Leis -- quando é do interesse dos legisladores -- mudam muito
> > facilmente. Já a cultura, que é o grande entrave para o software livre,
> > muda muito lentamente ...  colocar software livre na tora não garante
> > nada, basta haver vontade política que isso pode ser revertido (vide
> > caso da lei estadual do Rio Grande do Sul).
> >
> > Por mais que a constituição fundamente a opção pelo software livre, acho
> > que estrategicamente não vale à pena, ao menos no nível estadual, ir
> > por esse caminho. Muito mais útil seria trabalhar pra ver as legislação
> > de editais públicos serem efetivamente cumprida, sem direcionamento de
> > compra de software para produtos de uma empresa específica, por
> > exemplo, fora outros vícios.
> >
> > Se criamos uma lei que obriga (ou mesmo que recomende) o uso de software
> > livre, é muito fácil derrubá-la. Se conseguimos trabalhar uma mudança de
> > cultura e as pessoas entendem de fato o porquê de optar pelo
> > software livre, a legislação pode ser acabar que as pessoas não vão
> > voltar ao software proprietário.
> >
> > É como no debate free software X open source: se ganhamos usuários com
> > base em questões práticas, nada impede que esses usuários voltem ao
> > software proprietário pelos mesmos motivos. Se as pessoas entendem o que
> > a gente quer dizer com liberdade, elas darão valor a essa liberdade e
> > não vão querer abrir mão dela.
> >
> >
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